Sabaton: “Não temos muitos a quem agradecer pelo que somos. Construímos tudo sozinhos”, diz Pär Sundström

Em uma conversa recente com Raul Amador, da Bass Musician Magazine, o baixista Pär Sundström comentou sobre um dos aspectos mais curiosos do Sabaton: o fato de a banda seguir cuidando da própria carreira sem empresários tradicionais (algo bem incomum para um grupo que chegou tão longe). Segundo ele, essa escolha vem desde cedo e continua firme até hoje. Confira o que o músico contou:
“Conforme a banda foi melhorando um pouco no que fazíamos, acho que percebi o potencial daquilo e comecei a encarar como algo que poderia realmente se tornar algo maior, sem saber muito sobre o que estava acontecendo, para ser honesto. Mas foi aprendendo na prática. Então, a primeira coisa é aprender a tocar uma música, mas depois que você aprende, precisa ser capaz de tocá-la para as pessoas. Aí você precisa descobrir como ligar para o organizador de um evento, uma casa de shows ou algo do tipo, e convencê-lo de que precisa da gente tocando lá. E então precisa fazer um pôster. Então eu precisei aprender design gráfico e depois precisava fazer a próxima coisa. E eventualmente foi crescendo, aprendendo, aprendendo, aprendendo, aprendendo, aprendendo cada vez mais, e adquirindo várias pequenas habilidades, de contabilidade a questões jurídicas, e eventualmente foi crescendo cada vez mais. E hoje o Sabaton é algo bem grande. Eu ainda estou envolvido com a gestão. Eu não… Acho que foi intencional desde o início, mas considero interessante.”
Pär se orgulha pelo Sabaton ter se tornado o que é hoje, pelos próprios méritos — tendo feito praticamente tudo sozinhos e tomando suas próprias decisões:
“Estou feliz com a forma como o Sabaton se desenvolveu como banda. Quer dizer, somos uma banda que faz tudo sozinha, sempre encontramos as soluções para a maioria das coisas por conta própria. Não tínhamos ninguém para nos consultar, nos ensinar ou nos dar instruções; simplesmente fazíamos do jeito que achávamos que seria. Ao longo dos anos, a banda se expandiu para muitas outras áreas até chegarmos onde estamos hoje. Temos nosso próprio festival, nosso próprio cruzeiro, nossa própria rádio, nossa própria revista. E controlamos totalmente nosso próprio merchandising. Então, fizemos muita coisa, e também decidimos os shows e cuidamos de grande parte do marketing e coisas do tipo. Então, sim, fazemos muita coisa.”
O entrevistador observou que o Sabaton, levou muito tempo para atingir o patamar em que se encontram hoje, e enalteceu toda a dedicação e trabalho duro do grupo:
“Sim. Estou feliz. Quer dizer, o Sabaton cresceu muito, muito lentamente. Há muitas pessoas que ainda descobrem o Sabaton e pensam: ‘Nossa, vocês são uma banda jovem’. E algumas pessoas pensam: ‘Meu Deus, deve ter acontecido muito rápido’.” Mas foi um processo lento e constante. Tocamos em praticamente todos os tipos de lugares, desde os menores, com cinco pessoas, até onde estamos agora. O próximo show que faremos será em uma arena com capacidade para 17.500 pessoas, com ingressos esgotados, e esse será o início da nossa turnê, que continuará por toda a Europa. Mas na mesma cidade onde tocamos há 20 anos para um punhado de pessoas. E depois fomos tocando em lugares cada vez maiores, e assim por diante. Então, é uma longa jornada, e aprendemos muito ao longo do caminho. E estou muito feliz com a forma como a banda se tornou, porque não temos muitos outros a quem agradecer pelo que somos. Construímos tudo sozinhos. Não ganhamos grandes prêmios ou hits nas rádios, nem nada desse tipo, então tudo foi fruto de turnês árduas e trabalho constante. E isso me deixa muito orgulhoso do que conquistamos e de onde estamos. E todas as noites, quando olho para a plateia, penso: ‘Nossa, que incrível!’ Foi uma longa jornada, mas não me arrependo de nada. Estou muito feliz com isso e desejo que todos tenham uma experiência semelhante, embora algumas pessoas possam ficar felizes por ter passado um pouco mais rápido do que 25 anos. Levou muito tempo até conseguirmos pagar nossas contas e coisas do tipo. Então, claro que foi difícil às vezes, mas acho que tudo isso faz parte da jornada que nos tornou, e nos faz orgulhosos do que somos hoje.”