Roberto Barros parte para o ataque e faz exposed pesado contra Edu Falaschi: “Eu não vou ficar mais quieto”

Há alguns dias, o guitarrista Roberto Barros já havia se manifestado publicamente demonstrando estar profundamente incomodado com declarações feitas por Edu Falaschi em um podcast. Na ocasião, o músico afirmou que o vocalista teria mentido ao comentar o processo de composição de uma das músicas. A faixa em questão era “The Ancestry”, uma das mais ovacionadas de “Vera Cruz”, álbum lançado em 2021.

Além da questão envolvendo os créditos de composição, Roberto também afirmou ter trabalhado por mais de dois anos e meio nos álbuns “Vera Cruz” e “Eldorado”, alegando que arcou do próprio bolso com despesas de passagens e alimentação durante o período em que participou do projeto. Embora seus cálculos apontassem para valores superiores a R$ 90 mil em serviços prestados, o acordo financeiro oferecido foi muito menor. Ao final do processo, teria sido oferecido a ele apenas R$ 10 mil.

Agora, em uma nova etapa desse embate público, o guitarrista voltou a se pronunciar. Tudo começou durante uma sessão de perguntas e respostas realizada nos Stories de seu Instagram. Conforme os fãs passaram a questioná-lo sobre declarações anteriores, os assuntos foram escalando rapidamente. Abriu-se espaço para uma série de revelações e denúncias envolvendo sua passagem pela banda de Edu Falaschi.

Ao longo de diversos vídeos publicados na plataforma, Roberto Barros falou sobre cachês que considera irrisórios, supostas mentiras, disputas por créditos de composição, falta de reconhecimento pelo trabalho realizado, condições precárias em hospedagens durante turnês, conflitos internos e outros episódios que, segundo ele, ajudaram a desgastar sua relação com o projeto ao longo dos anos.

Separamos os principais trechos e temas abordados pelo guitarrista. A partir de agora, você poderá acompanhar, em detalhes, cada uma das declarações feitas por Roberto Barros sobre sua passagem pela banda de Edu Falaschi.

1. “Odeio gente desonesta”: Roberto fala sobre o tipo de pessoa que não suporta conviver

Uma das primeiras perguntas recebidas por Roberto Barros parecia bastante genérica. Um fã quis saber qual era o tipo de pessoa que ele menos gostava. A resposta, no entanto, chamou atenção pelo tom contundente. Embora o guitarrista não tenha citado nomes naquele momento, as declarações ganham um novo significado à medida que os demais vídeos vão sendo publicados, já que grande parte das críticas posteriores acabam sendo direcionadas a situações vividas ao lado de Edu Falaschi.

Ao responder à pergunta, Roberto deixou claro que a desonestidade é uma característica que não tolera em ninguém. Segundo ele, o que mais o incomoda são pessoas que demonstram uma personalidade em público, mas agem de forma completamente diferente nos bastidores.

“O que eu menos gosto nas pessoas é justamente aquilo que é mais antagônico ao meu jeito de ser. Odeio desonestidade. Odeio mentira. Não consigo lidar com gente que se apresenta de uma forma para o mundo, mas que, nos bastidores, é completamente diferente.”

Na sequência, o músico afirmou que prefere conviver com pessoas diretas e transparentes, mesmo que tenham personalidades fortes, do que com indivíduos que aparentam ser gentis, mas escondem comportamentos que considera condenáveis.

“Prefiro muito mais conviver com pessoas que falam o que pensam, que são diretas, transparentes e verdadeiras, mesmo quando têm uma personalidade forte. Isso combina muito mais com a minha maneira de enxergar a vida do que alguém que se mostra um ursinho de pelúcia, mas que, por trás dessa imagem, é uma pessoa desonesta.”

Por fim, Roberto Barros afirmou que aprendeu a se afastar de pessoas com esse perfil e destacou que atualmente procura manter ao seu redor indivíduos que compartilham dos mesmos valores.

“Eu simplesmente não gosto de gente assim. Com o tempo, percebi que também não sirvo para estar ao lado de pessoas com esse tipo de comportamento. Hoje, graças a Deus, procuro me cercar de pessoas que valorizam a honestidade tanto quanto eu. Essa é uma característica à qual dou um valor enorme e da qual não abro mão.”

Antes de entrar em temas mais delicados, Roberto Barros também falou sobre seu envolvimento na produção e finalização dos trabalhos. Segundo o guitarrista, ele participou ativamente da revisão das mixagens e da supervisão técnica do material, trabalhando em conjunto com Paulo Afonso, profissional responsável pela mixagem, masterização e edição.

De acordo com Roberto, todas as músicas passaram primeiro por sua análise antes de serem encaminhadas para Edu. O músico afirma que revisava detalhes como frequências, volumes, timbres, afinação e equilíbrio dos instrumentos, processo que normalmente exigia diversas rodadas de ajustes.

2. Roberto diz que comprou os próprios álbuns e afirma que Edu queria parcelar em 10x os R$ 10 mil acordados

As explicações acabaram despertando a curiosidade dos seguidores. Ao mencionar seu envolvimento em Vera Cruz e Eldorado, um fã questionou por que o guitarrista não comercializa esses trabalhos em sua própria loja.

Segundo Roberto, ao contrário do que acontecia com outros músicos envolvidos no projeto, ele nunca recebeu exemplares dos discos. O guitarrista cita o caso de Aquiles Priester, que, de acordo com ele, recebia uma quantidade de CDs para comercializar em seus próprios shows, algo que considera normal e justo para quem participa diretamente de um trabalho.

No entanto, quando a fabricante Ormsby lançou suas guitarras signature, a Cyborg Purple e a Cyborg Green, a empresa solicitou 25 cópias de “Vera Cruz” e 25 de “Eldorado” para serem incluídas como brindes aos compradores. Foi nesse momento que, segundo ele, veio a surpresa.

“Eu fiz o pedido no grupo da banda e foi aí que descobri que teria que comprar os CDs. Mesmo sendo compositor, arranjador e o cara que gravou tudo aquilo ali, eu teria que pagar pelos discos.”

De acordo com o músico, a situação causou estranheza até mesmo dentro da banda. Aquiles Priester, segundo Roberto, ficou indignado.

“Lembro que até o Aquiles ficou muito transtornado com isso. Ele falou que ficou puto quando soube da situação. Disse: ‘Mano, deixa que eu pago pra você, Betão’. Ele realmente não achou justo.”

Mesmo assim, Roberto afirma que preferiu assumir a despesa. Segundo ele, foram adquiridas 50 unidades dos álbuns para atender ao pedido da fabricante, em uma operação que custou pouco menos de R$ 2 mil.

A partir daí, o guitarrista explicou por que nunca vendeu materiais relacionados aos dois discos em sua própria loja. Segundo ele, não fazia sentido comprar produtos de um trabalho que ajudou a construir apenas para depois revendê-los.

Mas a declaração ficou ainda mais pesada quando o assunto passou para a remuneração recebida por sua participação em “Vera Cruz” e “Eldorado”.

“Como eu disse no outro vídeo, a única coisa que eu efetivamente ganhei relacionada a esses dois álbuns foi R$ 10 mil. E o mais curioso é que esse valor ainda foi oferecido para ser pago em 10 vezes.”

Segundo o guitarrista, esse valor englobaria todo o trabalho realizado ao longo de aproximadamente três anos.

“Então, quando eu falo desses R$ 10 mil, estou falando de tudo. Tudo o que eu gravei, tudo o que eu compus, tudo o que eu arranjei, todas as passagens que eu paguei, toda a comida, todo o tempo investido, todas as horas trabalhadas.”

Por fim, Roberto reforçou que, fora os cachês dos shows, esse teria sido o único valor recebido por sua participação nos dois trabalhos.

“No final das contas, fora os cachês dos shows, foi isso que eu recebi por todo esse trabalho: R$ 10 mil. Por isso eu não compro e não vendo esses produtos. Eu não vejo sentido em comprar algo que eu ajudei a compor, gravar e construir.”

3. Segundo Roberto Barros, sobre os três créditos que recebeu em músicas de “Vera Cruz”: “Não era para eu ter crédito nenhum no Vera Cruz. Zero”

A partir daí, os questionamentos passaram a ficar mais incisivos. Alguns seguidores, especialmente fãs de Edu Falaschi, passaram a confrontar as declarações de Roberto Barros, perguntando como ele poderia afirmar ter participado tão intensamente da construção do álbum Vera Cruz se aparece com apenas três créditos oficiais no disco.

Ao responder, o guitarrista demonstrou surpresa com o teor da pergunta e sugeriu que algumas pessoas estariam colocando em dúvida a veracidade de seus relatos. Segundo ele, a situação seria ainda mais controversa do que os fãs imaginam.

“Cara, eu estava lavando louça aqui e até parei para vir responder essa pergunta, porque eu não sei se entendi o tom dela. Não sei se você quis dizer que eu estou mentindo. Afinal, eu falo que trabalhei tanto e tive só três créditos no Vera Cruz.

Mas deixa eu contar umas histórias rápidas aqui para você. E para vocês todos também. Eu nem ia falar disso nunca, mas acho tão bizarro que é até difícil de acreditar. Não era para eu ter crédito nenhum no Vera Cruz. Zero. Não era para eu ter nenhum crédito no álbum.”

Antes de entrar no tema dos créditos de composição de “Vera Cruz”, Roberto Barros voltou a detalhar o nível de dedicação que afirma ter empregado no álbum.

Segundo o guitarrista, o processo de criação e gravação se estendeu por cerca de um ano e meio justamente durante o período mais crítico da pandemia de Covid-19. Nesse período, ele afirma que passava entre quinze e vinte e cinco dias por mês na casa de Edu Falaschi, trabalhando em jornadas que frequentemente chegavam a dez horas diárias.

Além da carga de trabalho, Roberto voltou a afirmar que arcava com despesas do próprio bolso para participar do projeto. Entre os gastos citados estão passagens, alimentação. De acordo com o músico, ele aceitava essa rotina porque acreditava estar construindo algo importante ao lado de um artista que admirava e tinha a expectativa de que todo aquele esforço seria reconhecido futuramente.

4. Os motivos de não ser creditado e uma suposta discussão de Edu com Aquiles Priester, que resolveu ajudá-lo

Ao responder por que aparece com apenas três créditos no álbum Vera Cruz, Roberto Barros fez uma das declarações mais contundentes de toda a sessão de perguntas e respostas. Segundo ele, a situação só mudou após uma intervenção direta do baterista Aquiles Priester.

O guitarrista afirma que, no Natal de 2020, recebeu um e-mail contendo os créditos do álbum e se surpreendeu ao perceber que seu nome não aparecia em nenhuma das composições.

“Eu recebi um e-mail com os créditos do Vera Cruz. Tinha a lista de todas as músicas e era tipo: música 1, Edu Falaschi; música 2, Edu Falaschi; música 3, Edu Falaschi… Todas as músicas com o nome do Edu. E eu não tinha nenhum crédito. Nenhum.”

Segundo Roberto, o próprio Aquiles Priester, que também estava copiado na mensagem, estranhou a situação e entrou em contato imediatamente.

“O Aquiles me ligou horas depois e falou: ‘Ô Betão, como assim, cara? Você passou um ano e meio na casa do Edu. Eu conheço todas as tuas loucuras, esses fraseados malucos, essas harmonias. Isso tudo é coisa que sai da tua cabeça’.”

Ainda de acordo com o guitarrista, o baterista teria iniciado uma longa discussão com Edu Falaschi para que a questão fosse revista.

“Ele ligou para o Edu e eles ficaram dois dias brigando por causa disso. Por áudio, por ligação, e eu sendo informado de tudo. Depois ele me ligou e falou: ‘Betão, o Edu vai te ligar e vai te dar créditos. Vocês resolvem isso aí, porque esse é o certo’.”

Mesmo após a revisão, Roberto afirma que continuou recebendo menos reconhecimento do que acredita merecer. Como exemplo, ele citou a faixa “Face Of The Storm”.

“O Edu falou: ‘Vou te dar cinco por cento da música’. Na hora eu pensei: ‘Cinco por cento?’. Eu sabia que tinha entregue mais do que isso. Porque, pô, eu compus a música inteira. Não estou falando que ele não fez nada. Ele fez o refrão ali junto comigo. Mas o resto foi tudo eu. Mas ele deu 10% para o Max.”

O músico também citou outras canções do álbum nas quais afirma ter contribuído diretamente para composições, harmonias e arranjos estruturais, mas sem receber créditos por sua participação.

“Mas a verdade é que eu não era nem para ter recebido aqueles três créditos. Não era para ter os três créditos. Não era para ter nada.”

Em um dos momentos mais emocionados do relato, Roberto afirmou que durante anos preferiu permanecer em silêncio sobre o assunto por receio de perder seu espaço na banda.

“Eu não tinha coragem de falar nada. Eu morria de medo de ele me tirar da banda por causa das histórias que ele contava, dos traumas que ele dizia ter vivido com composição e créditos. Então eu aceitei.”

Por fim, o guitarrista explicou por que decidiu tornar públicas essas situações agora.

“O cara da própria banda teve que brigar por mim para eu conseguir ter os créditos. Eu ia sair da banda na maior paz. Eu ia morrer com essas coisas guardadas.

Mas, a partir do momento em que a pessoa quer arrancar de mim a única coisa que eu tenho, que é as pessoas saberem que eu compus aquilo, quer dizer que foi ela quem fez tudo, aí está de brincadeira.

Aí eu vim falar. E vim falar com a consciência tranquila. Não vou ficar mais quieto.

E, assim como essa história, tem várias outras.

Então chega. Agora acho que ficou claro para vocês por que aparecem só três créditos no meu nome.”

5. Sobre os créditos de “Eldorado”

Após afirmar que precisou recorrer à intervenção de Aquiles Priester para obter parte dos créditos de composição em “Vera Cruz”, Roberto Barros revelou que sua postura durante a produção de “Eldorado” foi completamente diferente.

Segundo o guitarrista, a experiência vivida no álbum anterior fez com que ele passasse a documentar absolutamente tudo o que produzia durante o processo criativo. De acordo com o relato, sempre que contribuía com alguma composição, arranjo ou ideia musical, registrava o material em vídeo, gravava a tela do computador, mostrava as datas e mantinha tudo arquivado.

Quando chegou o momento de discutir os créditos de “Eldorado”, Roberto afirma que já possuía uma documentação completa de sua participação no disco:

“No dia em que a gente sentou para conversar sobre os créditos, eu falei: ‘Cara, eu tenho tudo arquivado aqui. Tenho uma pasta no Dropbox, tenho documentos com tudo o que eu fiz, justamente para a gente não ter o mesmo problema que teve no passado.'”

De acordo com o músico, o resultado foi bastante diferente daquele que havia ocorrido durante as discussões envolvendo “Vera Cruz”.

“Eu recebi 25% em uma música, 30% em outra, tive seis créditos no disco.”

A principal conclusão tirada por Roberto é que a experiência anterior o obrigou a adotar uma postura que, segundo ele, jamais imaginou que precisaria ter.

“Eu não sabia que precisava documentar tudo, arquivar tudo, gravar tudo e guardar prova de tudo o que eu fazia. No Eldorado eu só fiz isso porque já tinha passado pelo que aconteceu no Vera Cruz.”

A declaração reforça uma das principais acusações feitas pelo guitarrista ao longo dos vídeos. Os problemas envolvendo reconhecimento de sua participação em “Vera Cruz” acabaram influenciando diretamente a forma como ele conduziu todo o trabalho realizado em “Eldorado”.

6. Roberto Barros diz que descobriu diferença de cachês durante turnê e confrontou Edu Falaschi

Questionado por um seguidor sobre por que permaneceu tanto tempo na banda mesmo após os problemas que vem relatando, Roberto Barros decidiu responder contando o que descreve como a primeira grande decepção que teve com Edu Falaschi.

Segundo o guitarrista, a situação aconteceu em 2018, durante uma turnê europeia, mas teve origem em um show realizado pouco antes no Carioca Club, em São Paulo. Roberto afirma que a apresentação aconteceu com casa cheia, em um dos momentos de maior entusiasmo do início da carreira solo de Edu, mas que o valor recebido por ele acabou causando estranheza.

“No final desse show eu ganhei R$ 300. Tudo bem. Só que eu lembro que me cobraram para eu alugar um amplificador e levar para o show. Eu aluguei um cabeçote Mesa Boogie que custou R$ 80. Eu e a minha esposa na época, subimos para São Paulo. Naquele tempo não existia ajuda de custo. Então estacionamento, gasolina, pedágio, tudo saía do meu bolso.

No fim das contas, voltei para casa com R$ 70.”

Apesar da situação, Roberto afirma que ainda encarava tudo como parte da realização de um sonho.

“Eu lembro de falar para a minha esposa, dando risada: ‘Cara, esse é o time A do Metal. Estou no time A do Metal nacional e estou voltando para casa com R$ 70 depois de um show lotado.’

Mas eu aceitava aquilo. Eu falava: ‘Cara, tudo bem. Era isso que eu queria, então foda-se.'”

O episódio ganhou novos contornos durante uma viagem pela Europa. Segundo o guitarrista, uma conversa descontraída dentro da van da turnê acabou revelando uma diferença de tratamento financeiro entre os integrantes da banda.

“O Aquiles pega o celular e começa a gravar um vídeo. Aí ele fala: ‘Os meninos ganharam mil reais no show. O Rafa ganhou mil reais…’

Na mesma hora eu pensei: ‘Pera aí. Eu ganhei R$ 300.’ Eu falei: ‘Eu ganhei R$ 300.’ Na hora o Edu respondeu: ‘Não, eu te paguei mil.’

Eu falei: ‘Não, você me pagou 300.’
Ele respondeu de novo: ‘Não, eu te paguei mil.’
E eu: ‘Não, você me pagou 300.'”

De acordo com Roberto, a discussão continuou até que ele decidiu abrir o aplicativo do banco e mostrar a transferência recebida.

“Graças a Deus a internet estava funcionando. Eu abri o aplicativo do Inter e mostrei na frente de todo mundo. Falei: ‘Está aqui. Você me pagou R$ 300.’

Na mesma hora ele mudou o assunto. Simplesmente mudou a conversa e falou: ‘Não, eu te paguei R$ 300 porque eu tinha acabado de te conhecer.’

Eu falei: ‘Cara, o que isso tem a ver?’ Nós estávamos em setembro de 2018 e tocávamos juntos desde julho de 2017. Como assim você tinha acabado de me conhecer?”

Mas o que mais marcou Roberto não foi a diferença de cachê, e sim a forma como a situação foi conduzida.

“E o problema nem é a grana. Foda-se a grana. O problema é a mentira.

O problema é a pessoa mentir e, quando é pega na mentira, continuar mentindo. E aí, quando eu provo, ela muda toda a história.”

Segundo ele, aquele foi o momento em que sua visão sobre a relação profissional mudou completamente.

“Naquele momento ficou um clima de bosta dentro da van. E foi ali que eu entendi que estava trabalhando com uma pessoa sem moral. Uma pessoa imoral.

Ali eu entendi com quem eu estava trabalhando. Eu fiquei com tanto ódio naquela hora que estava para explodir. Minha vontade era voar nele.

Só que o Aquiles estava sentado do meu lado. Ele bateu na minha perna e falou: ‘Calma. Calma.’ E aí ficou aquele silêncio horrível dentro da van.”

7. Aquiles Priester convenceu Roberto Barros a permanecer na banda de Edu Falaschi, diz guitarrista

Apesar de afirmar que aquele episódio dentro da van foi suficiente para destruir sua confiança na relação profissional, Roberto Barros revelou que esteve muito próximo de deixar a banda ainda durante aquela mesma turnê europeia.

Segundo o guitarrista, a situação continuou após a chegada ao local onde os músicos passariam a noite. Ainda abalado pela discussão, ele afirma que mal conseguia controlar a raiva.

“Quando chegamos na casa onde íamos dormir, aconteceu uma coisa muito louca. Naquela época a gente ainda dividia quarto. E naquele dia fiquei no mesmo quarto que o Aquiles. Quando entramos, tinha uma cama enorme, daquelas de rei, e uma cama de solteiro bem mequetrefe.

Mas eu nem estava pensando nisso. Eu estava tomado de ódio. Peguei minhas coisas e fui direto para a cama pequena.”

Roberto conta que o baterista percebeu imediatamente seu estado emocional e tentou confortá-lo.

“Eu estava praticamente chorando. Quando eu fico com muita raiva e não posso fazer nada, eu fico desse jeito. Aí o Aquiles falou: ‘Não. O que aconteceu hoje não foi legal. Não foi certo. Você pelo menos vai ter uma noite digna. Dorme na cama de rei que eu durmo aqui.'”

O guitarrista afirma que o gesto o emocionou profundamente.

“Na hora eu comecei a chorar. Eu estava com muito ódio.”

Foi então que, segundo Roberto, aconteceu uma conversa que mudaria os rumos de sua trajetória dentro da banda.

“Aí fui para a cama grande e lembro de falar para ele: ‘Cara, eu vou sair dessa banda hoje.’ Porque eu odeio esse tipo de comportamento. Eu não cresci assim. Eu não fui educado desse jeito.”

A resposta de Aquiles Priester, segundo ele, acabou sendo decisiva para que permanecesse no projeto.

“Ele disse: ‘Eu sou o Aquiles Priester no Brasil porque gravei dois discos com o Angra. Você precisa gravar um disco com o Edu. Depois você faz o que quiser. Depois você sai. Mas agora você precisa aguentar. Você não pode sair.'”

Roberto afirma que aceitou o conselho, embora naquele momento sua decisão fosse abandonar a banda.

“Na hora eu falei: ‘Tá bom.’
E foi isso.
Ali eu teria saído da banda. Porque eu não suporto esse tipo de patifaria.”

O músico reforçou que sua indignação não estava relacionada ao valor recebido pelo trabalho, mas sim ao que considera uma questão de caráter.

“E não é pelo dinheiro.
Foda-se o dinheiro.
É pela desonestidade.”

Ao encerrar o relato, Roberto deixou claro que aquele episódio estaria longe de ser um caso isolado.

“Depois o tempo passou, eu voltei para casa, deixei isso guardado na memória e segui a vida. Mas tem muito mais coisas que aconteceram. Inclusive nessa mesma turnê pela Europa.”

8. Roberto Barros relata redução de cachê, hostels precários e atrito entre músicos em turnê

Questionado por um seguidor sobre o motivo de outros integrantes da banda nunca terem se manifestado publicamente sobre as situações que ele vem relatando, Roberto Barros afirmou que não espera que ninguém se pronuncie e ressaltou que ele próprio pretendia permanecer em silêncio após deixar o grupo.

Segundo o guitarrista, sua decisão de falar publicamente só aconteceu depois que, em sua visão, informações falsas passaram a ser divulgadas sobre sua participação nos trabalhos da banda.

“Quando eu saí da banda, saí da forma mais honesta possível, da forma mais profissional possível. Não falei nada. Saí falando bem.

Mesmo com tudo isso na minha cabeça, mesmo com a minha família sabendo de todas essas coisas, eu falava: ‘Cara, não vou falar nada. A mídia não tem que saber de nada disso.’

Mais de um ano e meio depois eu venho agora falar para a mídia.

Por quê?
Porque o cara vai para a internet e mente sobre algo que eu fiz.
E isso eu não posso permitir.”

Na sequência, Roberto citou um episódio ocorrido durante a última turnê em que participou, quando, segundo ele, os músicos teriam aceitado uma redução de cachê após um pedido feito por Edu Falaschi.

“O cachê era R$ 800 na turnê do Vera Cruz. Ele pediu para baixar para R$ 600. E a gente, como sempre, ajudava ele. Gravava disco de graça para ele, fazia as coisas para ele. Então a gente falou: ‘Tá bom.’

Mesmo conversando entre a gente e falando: ‘Caralho, mano, vou baixar o cachê para R$ 600 para fazer um show. Imagina o trampo que é para fazer um show desse. O tanto de preparação. O tanto de coisa.’

Mas aceitamos. O Edu falou: ‘Cara, porque eu acho que essa turnê vai ser difícil.’ A turnê foi um sucesso. Casas lotadas.”

O relato ficou ainda mais duro quando o guitarrista passou a descrever as condições de hospedagem enfrentadas pelos músicos durante a excursão.

“Durante a turnê, o Edu foi colocando a gente em vários lugares, vários hostels horrorosos. Salvo poucas situações em que a gente ficou em hotel melhorzinho, na maioria eram lugares horríveis. Lugares que não tinham café da manhã. Eu tive que brigar várias vezes para ter café da manhã, porque eu sempre fui esse cara do embate.

Eu não suporto isso. Eu via os shows lotados. A gente falando pelos cantos. E ninguém se posicionava.”

Como exemplo, Roberto citou uma apresentação em Recife, onde afirma que os músicos foram hospedados em um local que considerou inadequado.

“Era um hostel que não tinha ar-condicionado, não tinha toalha, não tinha nada. Você não conseguia ficar dentro do quarto. Tinha pulga. Não tinha internet. Mano, não tinha nem como você trabalhar ou fazer alguma coisa.”

Segundo ele, a situação levou parte da banda a procurar hospedagem por conta própria.

“Daqui a pouco vem o Diogo, que era um cara que nunca falava nada, e fala:
‘Cara, eu estou indo procurar um hotel para mim. Se vocês quiserem ir comigo para dividir um quarto.’ Na hora o Rafa falou: ‘Eu vou.’ ‘Você vai, Betão?’ Eu falei: ‘Vou.’ E saímos andando os três.”

Foi então que aconteceu um episódio que, segundo Roberto, marcou profundamente todos os envolvidos.

“O Rafa falou: ‘Cara, tem aquele hotel da outra vez que a gente ficou aqui em Recife. Um hotel foda.’

Eu falei: ‘Seria foda ficar lá de novo.’

Aí o Rafa falou: ‘Vamos lá ver quanto está a diária.’

E eu falei brincando: ‘Mano, então se prepara. Porque a gente vai chegar lá e vai encontrar o Edu e o empresário dele fazendo check-in.’

Eu falei na zoeira. O Rafa olhou para mim e falou: ‘Mano, duvido. Se isso acontecer eu vou falar um monte pra ele.’

Só que a gente chegou lá. E quem estava fazendo check-in?
O Edu e o empresário dele.
No hotel foda.
Enquanto a gente estava naquele hostel de merda.”

O guitarrista afirma que a descoberta provocou revolta generalizada entre os músicos.

“Na hora eu fiquei com tanto ódio que me afastei. Porque eu precisava me controlar. Por dentro, minha vontade era fazer outra coisa. Então eu me afastei. Vi o Rafa discutindo com ele. Eu fiquei longe.”

Segundo Roberto, a conversa que aconteceu depois entre os integrantes foi ainda mais pesada.

“Depois a gente foi para outro hotel. E eu lembro da gente indo para esse hotel falando todos os palavrões possíveis. Todo mundo com ódio daquela situação.

Porque a gente falava: ‘Pô, a gente está naquele hotel de bosta. Não tem toalha, não tem ar-condicionado, não tem internet.’

E aí a gente olhava para aquele hotel foda e falava: ‘Cara, a gente ajudou a construir isso com ele. A gente ajudou o cara. O cara pediu para a gente abaixar o cachê e está hospedado aqui.’

E a gente ficava naquela situação pensando: ‘Pô, a gente está ajudando esses filhos da puta e ficamos nessas condições?'”

De acordo com o guitarrista, o episódio teve um impacto especial sobre Raphael Dafras, músico que ele descreve como uma das pessoas mais tranquilas com quem já trabalhou.

“No fim das contas, acho que o Rafa conversou com ele e acabou conseguindo que eles pagassem esse outro hotel para a gente. Mas aquilo pegou muito o Rafa. Muito. Porque o Rafa é o cara mais de boa que eu conheci na minha vida para trabalhar. Tranquilo. Calmo.

E no show seguinte, em Salvador, eu vi uma coisa que nunca tinha visto. Minutos antes de subir ao palco, eu vi o Rafa brigando aos gritos com o Edu. Chorando de ódio. Eu nunca tinha visto aquilo. Porque o cara não aguentava mais aquela porra.”

Ao encerrar o assunto, Roberto afirmou que o silêncio de outras pessoas não deve ser interpretado como uma negação dos fatos.

“O fato das pessoas não falarem não quer dizer nada.
Tem muita coisa que aconteceu.
E é isso.”

9. “Guardar isso me adoecia”: Roberto Barros diz que expor os bastidores lhe trouxe paz

Ao encerrar a longa sequência de vídeos publicados em seus Stories, Roberto Barros também respondeu a uma pergunta sobre seu estado emocional após expor publicamente uma série de situações envolvendo sua passagem pela banda de Edu Falaschi.

Segundo o guitarrista, o maior peso não estava nas críticas que poderia receber, mas sim no silêncio que manteve durante anos.

“Agora, sobre mim…
Eu estou bem.
Na verdade, agora eu estou bem.
Porque o que me fazia mal era não falar essas coisas.”

Roberto explicou que sua decisão de permanecer calado por tanto tempo não estava relacionada ao medo das reações que poderia enfrentar.

“Não era medo. Era tentar evitar o embate com um monte de fã que, mesmo ouvindo tudo isso, ainda acha que eu estou errado. Mas guardar isso me adoecia. E eu falo adoecia literalmente.”

Em um dos momentos mais pessoais de toda a sessão de perguntas e respostas, o músico falou sobre o impacto emocional que carregou desde sua saída da banda.

“Eu sou um cara extremamente emotivo. Extremamente verdadeiro. Quando acontece uma coisa que eu considero absurda, isso me consome. Eu carreguei tudo isso por muito tempo.”

Segundo ele, o problema nunca foi a possibilidade de ser criticado ou atacado nas redes sociais.

“E o que me fazia mal não era crítica, não era ofensa. Isso eu estou cagando. Pode vir. O que me fazia mal era ficar calado.”

Por fim, Roberto afirmou que a decisão de tornar públicas essas histórias lhe trouxe uma sensação de alívio e encerramento.

“Agora que eu decidi tirar tudo isso de dentro de mim, eu me sinto livre. Livre para seguir a minha vida. E, se tiver que brigar, a gente briga. Se tiver que falar mais um monte de coisa, a gente fala. Mas agora eu estou em paz.”

Edu Falaschi permanece em silêncio

Até o momento, Edu Falaschi não respondeu publicamente às acusações e provavelmente não irá comentar o assunto. É uma estratégia legítima. Muitas crises são administradas exatamente dessa forma: evitando ampliar ainda mais a repercussão do tema.

O problema é que toda estratégia tem um custo. E o custo do silêncio é deixar o público diante de apenas uma versão dos fatos.

Ao longo de horas de relatos, Roberto Barros apresentou uma narrativa recheada de detalhes. Citou datas, cidades, valores, percentuais, nomes de músicos, produtores, empresários e episódios específicos que teriam ocorrido ao longo de vários anos. Isso significa que ele está necessariamente certo? Não. Mas também torna difícil simplesmente descartar tudo como invenção, ressentimento ou delírio.

Afinal, quanto mais detalhada é uma história, mais ela convida à verificação. E é justamente aí que surge uma pergunta incômoda: se os fatos aconteceram de forma diferente, qual seria a outra versão dessa história? Se determinadas situações jamais ocorreram, por que até agora ninguém apresentou um contraponto público aos relatos?

Essas perguntas não provam que Roberto está dizendo a verdade. Mas também impedem que suas declarações sejam descartadas automaticamente apenas porque atingem uma figura admirada por milhares de pessoas.

E talvez esse seja o ponto mais importante de toda essa discussão.

Cuidado com a idolatria á músicos

No universo do Heavy Metal, especialmente quando falamos de artistas que marcaram a vida de tantas pessoas, existe uma tendência perigosa de transformar admiração em devoção. O fã deixa de analisar os fatos e passa a defender automaticamente o seu ídolo, independentemente do que esteja sendo discutido.

Mas admirar alguém não significa acreditar que essa pessoa seja incapaz de errar.

Músicos erram. Artistas erram. Empresários erram. Jornalistas erram. Todos erram.

Quando a crítica é automaticamente rejeitada e qualquer questionamento é tratado como ataque, deixa de existir espaço para reflexão, aprendizado e mudança de postura. Pior ainda: cria-se um ambiente onde determinadas figuras passam a ser tratadas como pessoas que jamais podem ser questionadas.

E isso não faz bem nem para os fãs, nem para os artistas.

Porque ninguém evolui cercado apenas de aplausos.

Talvez, no fim das contas, a grande discussão aqui não seja sobre quem está certo ou quem está errado. A verdadeira discussão seja se ainda somos capazes de ouvir uma crítica envolvendo nossos ídolos sem desligar a razão e permitir que apenas a paixão fale mais alto.

Paulistano, nascido em 1981, fã de Rock e Heavy Metal desde criança. Idealizador, fundador e criador do Mundo Metal. Valoriza tanto os clássicos como as novas gerações. Assíduo frequentador de shows e se considera um organismo movido à música.
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