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Resenha: Void Vator – “Great Fear Rising” (2021)

Gravadora: Ripple Music

Ao observar apenas o nome desta novidade, me veio à cabeça nomes como Virtual Void da República Tcheca (Chéquia é o escambau!) e o clássico canadense Voivod. Seria um primo de outro país? Seria influência direta? Ao ouvir o disco posso dizer que dos tchecos não existe parentesco nominal e muito menos sonoro, mas quanto ao glorioso Voivod, posso mencionar alguns elementos contidos nesse disco que abordaremos em detalhes a seguir. Ainda dentro do parágrafo, menciono que as semelhanças percorrem os caminhos seguidos pelo germânico Mekong Delta, porém, não chega a ser um álbum de Prog Metal, e nem de Thrash. Mas sim, de Heavy Metal mesmo. Lançado via Ripple Music no dia 23 de abril deste ano, “Great Fear Rising” é a nova joia do infinito apresentada pelos californianos do Void Vator. A banda é uma das novidades dos últimos anos, tendo sua fundação datada em 2015, e neste ano marca o seu primeiro grande feito, ou seja, o lançamento do seu debut, além de possuir dois EPs e um split intitulado “Covering Queen” (2020) com a banda Mos Generator. Uma curiosidade sobre esse split album é que ambas as bandas tocam um cover do magnífico Queen. Enquanto o Mos reproduz o cover para “Son & Daughter”, o Void Vator mostra ao público o cover de “Tie Your Mother Down”.

   

Sabendo que existem elementos de Prog contidos nesta que vem a ser a primeira obra completa dos americanos, o álbum acaba automaticamente recebendo críticas abusivas sem que os que criticam tenham escutado o disco. Isso é por conta da sonoridade progressiva provocar um misto de amor e ódio entre o público, tanto do Metal perante Prog Metal, quanto o Rock perante o Prog Rock. Claro que o público destas duas vertentes da boa “múzga” é bastante grande e faz muito barulho ao tratar deste assunto, mas como eu mesmo já fiz parte dos que nem sequer paravam para escutar álbuns nesses moldes, sei bem que são muito questionados antes mesmo de serem apreciados com a devida atenção. E antes de mergulharmos em mais uma viagem musical, reforço os dizeres de que “Great Feat Rising” é um álbum de Heavy Metal de cabo a rabo. Só para não haver nenhum tipo de confusão com relação ao estilo verdadeiro do som praticado pelo Void Vator. Oficialmente a banda é formada pelo trio: Lucas Kanopa (guitarra e vocal) nascido no Uruguai, Erik Kluiber (guitarra) e Sam Harman (baixo). Complementando, o Void Vator parece ser o tipo de banda que troca de baterista constantemente. Fato este que acaba causando confusão ao alinhar o seu line up original, pois, enquanto temos o nome de Joey DiBiase como baterista escalado em “Great Fear Rising” (confira a foto abaixo), em outros portais informativos, aparece o nome do também uruguaio German Moura como sendo o dono das baquetas neste mesmo disco. Já que a banda oficialmente é um trio, ficará postado somente o nome dos três principais integrantes para não complicar ainda mais.

Não costumo mencionar qual é a melhor canção do álbum descrito por dificilmente notar isso ou por não descobrir uma única música favorita. Mas, aqui serei diferente e logo apontarei a terceira faixa, “There’s Something Wrong With Us”, como sendo a melhor música deste disco. Os detalhes, eu mencionarei por ordem de apresentação de acordo com o set list do debut dos residentes da requisitada California. “I Can’t Take It” é a dona das cordas que movem as cortinas e abrem o palco para o público ver o que está por trás das mesmas. Tal canção possui dois videos, sendo um videoclipe e um lyric video, e foi o primeiro single lançado para este álbum em questão. Falando do videoclipe, este é um video muito bem humorado e bem filmado também. Quanto à música, esta inicia a jornada de forma séria com bastante peso e riffs que se não são rápidos, são condutores de um movimento muito marcante quanto à estrutura da canção. Além do peso das bases, temos os diferenciais da segunda guitarra colocando mais pimenta nesse molho que logo de cara aparenta ser bastante cremoso, feito com tomates frescos, suculentos e saborosos. Sem contar com um imprescindível e criativo solo de guitarra que mistura várias épocas áureas do Rock e Heavy Metal. “Eu quero tirar esse peso dos meus ombros / Corra como nunca antes / Eu quero escalar a montanha mais alta / E fazer com que pareça que estou no controle” – o ato de fazer algo para ao menos aliviar as dores e más sensações de resultados e escolhas anteriores pode ser uma saída, ou simplesmente uma ligeira fuga, mas que só funcionará se for um momento para refletir e deixar a mente mais leve para buscar outras ideias e desvendar melhores caminhos para as jornadas seguintes e que não se torne um simples fingimento.

“I Can’t Take It” videoclipe

“I Can’t Take It” lyric video

“I Want More” é um dito sempre frisado pelo locutor esportivo Dirceu Marchioli, vulgo Dirceu Maravilha, durante as transmissões de jogos no rádio. Ele possui o bordão “Eu quero mais” e brinca dizendo em outros idiomas, incluindo o inglês. Quanto à música, não foi construída em homenagem a ele, mas possui uma energia muito equivalente ao da narração de um gol feita pelo locutor. Com “quatro pés no peito”, ela chega derrubando sua morada sem se importar com o estrago feito. Afinal, esse é o intuito da coisa! Por ordem, ela não está em segundo no disco à toa, já que está faixa é o segundo single lançado pela banda e que também possui um belo videoclipe. E o melhor da filmagem é que esse possui belas garotas tomando a cena de assalto. Se você pede por Heavy Metal, eles te entregam Heavy Metal. A elaboração das bases para a letra envolve aquele esquema em que as guitarras e o baixo dão aquele famoso “breque”, liberando espaço para a bateria se sobressair. Com certeza você irá colocar no modo ‘repeat’ para entender melhor o que eu quis dizer com isso. Os solos executados por Lucas Kanopa elevam o nível da canção ao máximo quase “batendo” em alguma nuvem no céu, isso sem contar a sua voz bastante afinada e condizente com o andamento desta até o momento rica história. Ah, e me desculpe sobre as garotas! É uma só, mas como ela aparece várias vezes, achei que fossem outras. Antes do fim da canção temos mais solos, dessa vez assinados por Erik Kluiber, somados às levadas de baixo de Sam Harman que não utiliza palheta.

“I Want More”

A terceira ponta do tridente é aquela que mencionei acima como sendo a melhor faixa do álbum, mas isso não vem a ser uma certeza absoluta, correto? Cada qual com suas sensações, observações e gostos. O fato é que para o controlador do teclado neste exato momento é que “There’s Something Wrong With Us” possui uma levada e um refrão amplamente marcantes. Do tipo que você liga o seu Opala “oito canecos” e acelera estrada afora ao som desta grandiosa obra de arte. Dirija enquanto os versos e riffs alinham o seu veículo na pista, despistando todos os males até que surge a primeira curva e o peso aumenta, servindo de banquete para o solo que chega com tudo, como o beijo apaixonante do vento na sua cara através do vidro aberto. Percebe as nuances das bandas que citei na abertura deste papiro? Então, torna tudo ainda mais agradável, não é mesmo, meu caro Watson? É o puro elixir do Metal servindo de combustível para encarar esse asfalto atingido pelo brilho do sol. “Losing Control” te faz perder o controle total no melhor dos sentidos e te mantém preso com os ouvidos plugados na sonoridade desses “cabras”. As possíveis influências não apenas em Voivod e Mekong Delta, mas nesse caso em específico me trouxe à mente o compatriota Vindicator, não apenas pelos elementos sonoros, mas principalmente pelas linhas vocais de Kanopa. Há muitos detalhes comparáveis à sonoridade explorada nos anos 90 também, e os backing vocals evidenciam isso. Os solos sempre em alta qualidade garantem o placar a favor do time do duplo V.

“Great Fear Rising”

Eis que chega a vez da faixa-título “Great Fear Rising”, que inicia sua corrida em forma de hino de preparação para alguma batalha. Tal canção também apresenta seu lyric video, e em meio a essa preparação temos o fim da introdução que traz esse clima e logo apresenta ao ouvinte aquele riff rápido que “chama” os outros instrumentos e a todos que estão ouvindo para o combate. Os solos de guitarra seguem sendo sensacionais, e um agravante a favor é que também temos solo de baixo por aqui, o que causou uma boa dúvida na escolha da melhor faixa. Óbvio que a escolha foi feita no detalhe, e como eu queria citar uma, acabou sendo a que me cativou logo de primeira. “Entenda seu poder / É fácil esquecer / Eles instilam o medo dentro de nós / Como nós nos traímos” – acabamos por temer a nós mesmos por sabermos demais, e mesmo que a verdade possa vir à tona, confiamos mais em uma mentira que não nos prejudique mesmo que tenhamos a verdade nas mãos. A princípio parece bem abstrato esse tema, mas entendo que leva a esse lugar entre manter uma verdade intacta e oculta, dando espaço para as mentiras empurradas goela abaixo, ou revelar o que se sabe, mesmo que a segurança seja colocada à prova sem saber se isso se manterá seguro. Não bagunce o penteado do super improvisador McGyver! Bastante Rock ‘n’ Roll em seu princípio, “McGyver’s Mullet” mostra ao adepto o vocal de Kanopa sob efeito de um drive pra lá de interessante. E tome mais riffs e solos que contagiam e agitam a noite de quem está a caminho daquela balada “repetaculê” encontrar a sua amada para altas rodadas de cerveja e petiscos de primeira!

“Encounter” surge entorpecida pelo efeito de eco em uma de suas guitarras. Os efeitos de fundo dão um ar de Hard Rock e servem de abertura para… “Poltergeist”! Que com seu compasso bem voltado ao Rock de outrora carrega a betoneira até o local da nova construção para levantar mais um monumento. Sim, a veia Hard segue no certame local e não estraga o disco conforme muitos daqueles que dizem só ouvir som extremo diriam. Muito pelo contrário! Aumenta o volume que tu ouvirás o provérbio te dando um ganho mais forte que o do Jax em Mortal Kombat! Tem hora que eu lembro do Aerosmith, talvez mais pela bateria e pelo trio de cordas. A guitarra apita avisando que o “Infierno” chegou! E com ele toda a bravura de uma banda que incendeia por onde passa e por onde toca. É assim que deve ser e eles conseguem com maestria. Todos instrumentos muito bem encaixados e executados. Void Vator fecha a goleada com mais um lance magistral! Com certeza se você gosta de solos muito bem constituídos e que são claramente de acordo com o clima de cada música, e de cada riff base, esse é o seu disco com toda certeza deste e de qualquer mundo que imaginar ou estiver. Só não viaje para tão distante para não ter que comprar um fone maior ou caixas de som maiores para atingir o local onde você e seus aliados estiverem brindando. A canção vai silenciando aos poucos até seu fim definitivo como num corte de fita.

O Void Vator consegue estrear da melhor forma possível e isso é tão grandioso a ponto de questionar se o próximo álbum manterá o altíssimo nível atingido por eles. O mais importante a dizer que essa banda possui uma receita muito rica e que pode ser explorada cada vez mais para que novos discos sejam lançados por esta grata novidade. Todos os integrantes desfilam suas qualidades durante a audição de cada música desse disco que já é um dos fortes candidatos a figurar entre os melhores do ano, de acordo com quem está apertando as teclas e montando as palavras neste exato momento. O Heavy Metal segue de vento em polpa quando o assunto é revelar gratas novidades dos mais longínquos pontos do mapa mundi. Esta pertence a um lugar tradicional do Metal, mas existem diversas bandas surgindo e lançando material de muita qualidade, batendo de frente com os medalhões, e por fim, posso dizer com todas as letras que o Void Vator pode deixar de ser promessa logo a partir do seu próximo disco. O início dessa história acabara de ser contado, então, é esperar para ver a sequência desses capítulos.

“The lies!
Sneakiness runs through their veins
That right!
Draining the life out of me
Great
Great fear rising!”

Nota: 9,3

Integrantes:

  • Lucas Kanopa (guitarra, vocal)
  • Erik Kluiber (guitarra)
  • Sam Harman (baixo)

Faixas:

  • 1. I Can’t Take It
  • 2. I Want More
  • 3. There’s Something Wrong with Us
  • 4. Losing Control
  • 5. Great Fear Rising
  • 6. McGyver’s Mullet
  • 7. Encounter
  • 8. Poltergeist
  • 9. Infierno

Redigido por: Stephan Giuliano

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