Resenha: Viral – “Viral” (2021)

Viral - Viral
Viral - Viral (Gravadora: Independente)

Apocalíptico; um prelúdio do fim dos tempos; o novo normal; conspiração globalista; nova ordem mundial. Não importa o nome que você dê ao ano que se passou, a verdade é que 2020 foi totalmente atípico e inesperado. De um dia para o outro, nos vimos enjaulados em nossas casas, escravos e fugitivos do erro da própria raça. Um inimigo invisível, uma ameaça mutante, uma doença viral. Porém a luta parece não ter fim, e precisaremos conviver com tamanho fardo em nossas vidas. Em tão pouco tempo, a vida de milhares foi ceifada, e muitos mais foram contaminados. O vírus é cruel, não faz distinção, ele apenas se espalha exponencialmente até contaminar a todos.

Porém, tenho a difícil missão de informá-los que 2021 traz uma nova contaminação VIRAL, que já começou o ano se provando extremamente contagiosa. Ela é de origem sueca, e apesar de seu genoma de ácido nucleico ser baseado no código genético tradicional, essa contaminação sofreu brutais mudanças e está mais forte que qualquer outra já estudada pelo ser humano. Felizmente, tenho algumas informações úteis para cada um de vocês!

1 – Origem e registros:

Conforme mencionado, a terra de origem é a gélida Suécia, para ser mais preciso na província de Östergötland. Seu primeiro registo foi em 2012, tendo uma pequena relevância em 2016 com a ‘DEMO’nstração do que se trata essa contaminação, porém somente no início desse ano tivemos uma apresentação completa dessa contaminação VIRAL.

2 – Genética e semelhanças:

A assinatura genética desse vírus é bem TRADICIONAL porém, como todo e qualquer vírus, as mutações sofridas por esse novo caso VIRAL o deixaram rápido e bem agressivo.

3 – Taxa de mortalidade e métodos de prevenção:

Felizmente, aqui não se trata de uma contaminação que possa matar, pelo contrário, ela serve para mostrar que o Heavy Metal ainda segue muito bem vivo, e sendo assim é basicamente impossível evitar contaminação nesse caso.

Viral, esse é o nome do quinteto sueco que me surpreendeu logo no começo do ano. Albin (Vocais), Marcus e Larri (Guitarras), Linus (Bateria) e Christian (Baixo) lançaram um disco de respeito e qualidade absurda. A abertura do disco é feita pela enérgica e ótima “Scarred”, com uma cozinha rápida e riffs brutos, mesclando perfeitamente a um vocal poderoso tanto para timbres graves como para passagens mais agudas, como se faz perceptível na segunda faixa do disco, “Going Down”. Essa composição possui o verdadeiro espírito do Heavy Metal, já se inicia com a explosão de um agudo assustadoramente bem executado e duetos em riffs que literalmente aquecem a alma. Um baixo presente dá a sustentação perfeita para a cozinha cirúrgica. O solo aqui também tem precisão médica, introduzido na hora certa e na quantidade exata, uma verdadeira obra prima, literalmente 3:30 minutos do mais puro suprassumo do Heavy Metal que já ouvi! A audição deste disco literalmente me fez sentir um calor abrasivo no coração, cada nova faixa que me é apresentada, é como se eu renovasse todas minhas forças. Ouça “Machine” e sinta sua cabeça banguear a cada pancada da caixa, e seu corpo arrepiar a cada refrão entoado por Albin.

“Gallows” se trata de uma música mais calma, com bases simples e uma construção que mescla bem os duetos das bases com partes mais fraseadas e uma cozinha bem clássica da primeira onda do metal. Mas rapidamente essa composição da lugar a enérgica e oitentista “Gonna Lose It” e amigos, não tenho como dar características a essa faixa, apenas ouçam e se deliciem. Mas atenção, se preparem para a contaminação, pois a sequência do compacto é “VIRAL”. Peso e velocidade, aliados ao tradicionalismo dão a essa canção um salto a mais de qualidade e te prendem a atenção para cada nuance apresentada, sendo incrível do começo ao fim. Na continuação, “Mephorius” apresenta uma introdução no mínimo estranha para o andamento das faixas já apresentadas, porém essa intro é rompida pela energia dos garotos suecos, e os riffs rápidos são introduzidos juntamente a uma cozinha agitada e repleta de pratos e caixas que iram te guiar até um solo acolhedor que termina em bases sustentadas pelo contrabaixo metálico de Christian. O término da faixa parece que é só um suspiro para a entrada de outra faixa extrema, a excelente “Selo’s Tale”. Outra música que não consigo descrever o quão boa é. Porém, tudo que é bom dura pouco, o quinteto separou uma de suas obras mais empolgantes para finalizar o disco, a extrema “Devil’s Clockwork”. Velocidade, brutalidade, vocais extremos, refrão marcante e pontes bem executadas, criaram uma faixa perfeita para se finalizar um disco assustadoramente contagiante!

Seja como for o andamento deste ano, uma coisa eu garanto a cada um de vocês. Viral veio para deixar sua marca, e vai ser difícil parar esses meninos!

Nota: 9,0

Integrantes:

  • Christian Ståhl (Baixo)
  • Linus Melchiorsen (Bateria)
  • Larri Malinen (Guitarra)
  • Marcus Borggren (Guitarra)
  • Albin Forsell (Vocal)

Faixas:

  1. Scarred
  2. Going Down
  3. Machine
  4. Gallows
  5. Gonna Lose It
  6. Viral
  7. Mephorius
  8. Selo’s Tale
  9. Devil’s Clockwork

Redigido por Yurian ‘Dollynho’ Paiva

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