Resenha: UDO – “Game Over” (2021)

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Em 31 de agosto de 2018, Udo Dirkschneider editou “Steelfactory”, décimo sexto álbum de sua longa discografia e disparado um dos melhores registros da banda que leva seu nome, e também um dos melhores discos do ano (Opinião pessoal).

Apesar de não contar com álbuns ruins em sua carreira, é fato que alguns trabalhos lançados já não causavam o mesmo impacto de outrora, e aquela sensação de “deja-vu” fazia-se presente. Ou seja, após a primeira audição os discos não despertavam aquela vontade de repeti-los. Pelo menos de imediato.

“Steelfactory” pode ser considerado o disco que chutou a porta, e finalmente a banda soltava um trabalho primoroso, conciso e impactante. Pros fãs ardorosos do baixinho (sou um deles), UDO finalmente aparecia com um disco espetacular onde a velha fórmula musical estava evidente.

Nos anos seguintes (2019 e 2020), o músico se envolveu com projetos paralelos tendo ao seu lado Peter Baltes e Stefan Kaufmann, ambos, ex-parceiros de Accept e em julho de 2020, lançou “We Are One”, álbum que conta com a participação da Das Musikkorps Der Bundeswehr, orquestra composta por membros do serviço militar alemão.

Em 15 de julho deste ano, UDO lança “Metal Never Dies”, primeiro single do então novo trabalho sucedido de “Kids and Guns” e “Prophecy”, respectivamente segundo e terceiro single.

Antes de falar do novo álbum, é preciso enfatizar que a banda acertou em cheio na escolha dos singles, já que os referidos cumpriram seus papéis, representando muito bem a sonoridade do vindouro full lenght.

Eis que finalmente no dia 22 de outubro, “Game Over”, décimo sétimo registro da carreira do baixinho mais feio do Heavy Metal, é oficialmente lançado.

Contendo 16 faixas em sua versão normal e 17 na versão japonesa, o disco figura na lista dos melhores lançamentos na categoria Heavy Metal lançado em 2021, e apresenta enfim a mesma fórmula usada no já citado “Steelfactory”, embora este ainda soe imbatível e dificilmente será superado.

Apesar de trazer as mesmas características musicais e mergulhado no bom e velho Heavy Metal, “Game Over” peca pela quantidade exagerada de faixas, em um disco que poderia ser mais contido e menos extenso.

Mas afinal o disco é ruim? Não! Em hipótese alguma estamos falando de um trabalho ruim e/ou fraco. O ponto em questão é a dose de exagero em um registro que poderia ter sido lançado em dois formatos:

1-Versão simples contendo dez ou onze faixas.

2-Versão digipack contendo seis ou sete faixas bônus.

Apesar de exagerado e repetitivo em seu final, “Game Over” ainda assim consegue se manter como um trabalho relevante, honesto e muito bem feito. O que cá pra nós, não é nenhum segredo quando se trata de um disco de Udo Dirkschneider.

Um fator importante na sonoridade primorosa do UDO, está na qualidade absurda dos músicos que o acompanham. Os trabalhos de guitarras à cargo da dupla Andrey Smirnov e Dee Dammers, simplesmente, dispensam comentários já que em determinados momentos a impressão é que Wolf Hoffmann (Accept) está à frente da banda.

A cozinha baixo e bateria comandados por Tilen Hudrap e Sven Dirkschneider (filho de Udo) respectivamente completam um time de músicos exímios em suas respectivas funções que liderados por Udo Dirkschneider, formam um time digno da primeira divisão do Heavy Metal.

No mesmo ano em que o Accept lançou o magistral “Too Mean To Die” (disco de qualidade inquestionável), não por acaso “Game Over” apresenta canções que nos remetem aos tempos áureo de Udo, quando este empunhava o microfone à frente de uma instituição responsável por clássicos como “Fast As A Shark”, “Balls To The Walls”, “Neon Nights”, “Princess Of The Dawn”, “Metal Heart”, entre outros. Sim, há momentos onde a impressão é que estamos diante um novo trabalho de sua ex banda.

Observações feitas, é hora de mergulhar na sonoridade pesada e competente do baixinho que segundo Sebastian Bach (Skid Row), “Udo tem o nome mais Heavy Metal de todos os tempos”.

.”Fear Defector”: Rápida, pesada, riffs a la Accept, refrão grudento e Udo com sua voz de Pato Donald com cólicas mandando bem em uma faixa muito bem escolhida para abrir o disco.

.”Holy Invaders” e Prophecy: Se a intenção era mandar uma trinca de “responsa”, então o objetivo foi alcançado com sucesso.

*”Prophecy” foi lançado como terceiro single e ganhou videoclipe.

.”Empty Eyes”: Fazendo uma linha “London Leatherboys”, principalmente nas parte de guitarras e contrabaixo, mergulhamos em mais um momento primoroso do disco.

.”I See Red”: Faixa que traz a sonoridade característica do UDO (Banda), embora lembre bastante o Accept dos discos “Objection Overruled” e “Death Row”, lançados em 1993 e 1994 respectivamente.

.”Metal Never Dies”: Com sua construção rítmica lembrando “Balls To The Walls”, somos agraciados com riffs e solos simples de guitarras, comandadas pela dupla Andrey & Dammers (que solo lindo).

*Temos aqui o primeiro single contemplado com um videoclipe.

Destaques para os vocais de Udo, cujo início nos remetem a Blaze Bayley em sua carreira pós Iron Maiden.

.”Kids and Guns” e “Like A Beast”: Duas faixas que seguem o enredo musical do disco em mais um momento excepcional. Enquanto a primeira lembra o que fazem os australianos do AC/DC, a segunda segue aquela linha mais veloz de canções como “Animal House”, presente do álbum auto intitulado de UDO e “TV War”, do excelente “Russian Roulette”, do Accept.

*”Kids and Guns” foi apresentado como o segundo single e também ganhou videoclipe.

.”Don’t Wanna Say Goodbye”: Em seu momento “Os rústicos também amam”, deparamo-nos com uma faixa que não faria nenhuma falta caso tivesse sido deixada de lado. Ruim? Não, em definitivo. Porém é fato que estamos diante de uma canção que não empolga e não consegue decolar.

.”Unbroken” e “Marching Tank”: Temos aqui o momento ideal para fechar o disco de forma gloriosa, caso Udo não tivesse optado por seguir com outras faixas.

Enquanto a primeira apresenta todos os elementos presentes nas canções anteriores, a segunda certamente foi escrita com a real intenção de ser tocada na playlist dos futuros shows da banda e a certeza de que será bem recebida já que suas melodias nos faz imaginar o público gritando o famoso “Hey, hey, hey”, formando aqueles momentos gloriosos e inesquecíveis de shows ao vivo.

.”Thunder Road” e “Midnight Stranger”: Figurando agora na lista de “excessos”, estamos diante dois momentos distintos, porém ótimos do disco.

Em “Thunder Road”, nos deparamos com linhas de guitarras e contra baixos que nos remetem a “Teutonic Terror” do excelente “Blood Of The Nations”, enquanto “Midnight Strange” nos dá a nítida impressão de ser uma regravação e/ou continuação de “Future Land”, presente no excelente “Faceless World”, terceiro disco do UDO (banda), lançado em 1990.

.”Speed Seeker”: Faixa que traz a fórmula pronta usada por Udo em seus discos.

Traduzido: Udo sendo Udo.

.”Time Control”: Pesada e cadenciada suas harmonias nos transporta a “They Want War”, presente do magistral “Anima House”, lançado em 1987.

.”Metal Damnation”: Com seus riffs lembrando “Love Child”, temos aqui mais uma ótima faixa do disco, apresentando um refrão grudento, pegajoso e pronto para ser cantando: “Metal Damnation, Metal, Play and Loud / Metal Damnation, Metal, Loud and Proud.”

.”Wilder Life”: Canção que traz uma pegada Hard Rock, presente principalmente nas riffs de guitarras e nas linhas de bateria, fechando muito bem um disco que como dito anteriormente, apesar dos excessos e exageros traz em suas raízes sonoras a essência e a fórmula do bom e velho Heavy Metal.

N do R: Apesar do deslize cometido, temos em mãos mais um disco excelente (musicalmente falando), coeso e muito bem produzido.

Exageros à parte, a verdade é que mais uma vez, o baixinho brinda seus fãs com um trabalho calcado no bom e velho Heavy Metal, estilo onde ele é referência e o faz com maestria.

Altamente indicado.

Nota 9.0

Integrantes:

  • Udo Dirkschneider (vocais)
  • Andrey Smirnov (guitarras)
  • Dee Dammers (guitarras)
  • Tilen Hudrap (baixo)
  • Sven Dirkschneider (bateria)

Faixas:

  1. Fear Detector
  2. Holy Invaders
  3. Prophecy
  4. Empty Eyes
  5. I See Red
  6. Metal Never Dies
  7. Kids and Guns
  8. Like a Beast
  9. Don’t Wanna Say Goodbye
  10. Unbroken
  11. Marching Tank
  12. Thunder Road
  13. Midnight Stranger
  14. Speed Seeker
  15. Time Control
  16. Metal Damnation
  17. Wilder Life (Bônus)

Redigido por: Geovani “Udette Assumida” Vieira

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