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Resenha: Tribal Scream – “Sacred Legacy” (2021)

Quem conhece o arsenal referente aos serviços prestados pelo vocalista Vitor Rodrigues ao Metal sabe bem o que encontrar em um novo disco com a sua participação. Desde a sua saída do Torture Squad, após ter gravado seis excelentes discos, Vitor reapareceu no Voodoopriest, banda com a qual lançou o ótimo “Mandu” (2014) e agora, lançou também com o Tribal Scream, isso só mencionando os seus principais trabalhos, a expectativa só se estendeu. Isso se deve ao fato do mesmo ter construído uma carreira produtiva dentro do underground. Você pode ter o seu álbum favorito com Vitor, como “Unholy Spell” (2001) ou “Pandemonium” (2003), para citar alguns exemplos, e não estará errado. Particularmente, o dono do nanquim virtual que vos pincela a sua tela, gosta de todos os discos e não vê diferença quanto às escolhas de melhores álbuns.

   

Outro fator preponderante para a empolgação em conferir o novo “Sacred Legacy” foi a volta da parceria entre Vitor e Marcelo Nogueira, que também fez parte do Torture Squad. Vinnie Savastano no baixo e Rômulo Damasceno, que além de tocar no Victorizer (projeto com Vitor Rodrigues), veio para assumir as baquetas no lugar deixado por Estevan Furlan.

Divulgação

O Tribal Scream é original de Santos, litoral de São Paulo, e surgiu em 2020, já lançando o ótimo EP homônimo. Já em 2021, foi lançado o single “We Shall Remain”, que escancarou as portas da expectativa, ou no linguajar de hoje, deixou os headbangers ‘hypados’ para ouvir o álbum completo. E no dia 3 de dezembro, o grande momento veio de forma independente, tendo a produção, mixagem e masterização nas mãos de Leo Mesquita. Já a arte da capa é assinada por Ricardo Chagas.

Dito isso, vamos mergulhar no álbum inaugural desta nova banda formada por esse quarteto genial e massacrante (de tímpanos frágeis).

O álbum abre a porteira do espancamento sonoro com “To Each His Own”, faixa de abertura esta que solavanca os alto-falantes com as primeiras notas de baixo executadas por Vinnie e logo descamba para a rifferama esperada. Vitor alterna seus vocais entre os rasgados e pré-guturais nas estrofes e os guturais cavalares nos refrãos. O primeiros solo a vir é de baixo, e na sequência vem a guitarra, com toda a horda estruturada pelo inquieto Rômulo, que espanca seu kit como poucos até o término deste primeiro ato. “Na vida real / Sua verdade não é uma sentença / As pessoas podem escolher / E enfrentar as consequências” – as pessoas que ditam suas escolhas e você deve lutar ou ceder à pressão e se tornar mais um inútil no universo. “Out Of This Hell” é a segunda canção que logo em seu princípio apresenta elementos mais destacáveis de Death Metal. O espaço para os diferenciais de contrabaixo estão livres e presentes. Mauricio Nogueira esbanja sua técnica e seu lado extremo como em seus bons tempos de Torture Squad. O esboço da composição se assemelha bem com o histórico deixado por Vitor e Mauricio. E quando chegam os solos, há a sensação de estar mergulhado em algo já de sucesso, tamanha a confiança espalhada pelos integrantes. Thrash / Death da mais alta qualidade com toda certeza. “Não importa como as coisas pareçam / Porque ganhei esta guerra tão bem / Hoje é o dia de comemorar / A razão pela qual eu posso dizer / Estou fora deste inferno” – devemos celebrar as vitórias para que nos inspirem a seguir em frente e cada vez mais fortes e destemidos para enfrentar os mais variados desafios da vida.

Fechando a primeira trinca do disco temos o single “We Shall Remain”, faixa citada acima e que carrega a mensagem dos povos nativos que lutam bravamente desde o início dos tempos por sua sobrevivência e perseverança até os dias de hoje em meio a um mundo caótico e indigno. Esta “múzga” se deu muito bem ao ser inserida nesta posição, contribuindo para a elevação do patamar sonoro por aqui. Baixo distorcido e agressivo, guitarra cortante com quebras e mudanças rítmicas são a receita principal que fazem deste single um dos melhores lançados este ano. Os solos não receberam base guitarra na primeira parte, lembrando e muito o álbum “Æquilibrium” (2010) do Torture Squad. Na canção, é citado Nhanderú, que numa tradução fria sugnifica “Deus Verdadeiro” em guarani. Sendo mais explicativo: “Nhanderú etê”. É o Deus de forma humana cujos olhos refletem a infinidade das cores. Onde aparece, reflete luz. “Podemos sentir a dor de nossos ancestrais / Perseguido e morto pelos opressores / Você está cego para a ganância / Você é uma raça em extinção / Mesmo sob uma tensão tão grande / Nós devemos permanecer” – a luta continuará custe o que custar e jamais haverá desistência e recusa da pouca liberdade que ainda resta.

“I wanna rock and I love it loud

I´m a heavy metal maniac, and I´m proud

Breaking the law I was born to raise hell

God of thunder I´m under your spell”

Através do trecho da letra de “Party Rock (With My Heroes)”, quarta faixa disco, não é preciso explicar muito sobre o tema, e somado a isso será possível conferir um outro trecho antes da próxima canção. Uma faixa mais Heavy para homenagear grandes hinos do Metal e festejar com todos. Destaque para as linhas de bateria de Rômulo. Seu jogo de pratos sangram os ortodoxos que dão a alma de bandeja pros falsos pentecostais.

“I punch the air with my iron fist

Horns up! Under the number of the beast

In the highway to hell I´m gonna ride

Party every day and rock and roll all nite”

Após a festa, temos o tema denso de “Gruesome But Silent”. Com o um urro que se perde pouco a pouco simulando a doença correndo a carcaça ainda viva… Com o vocal abafado, Vitor conduz os versos apoiado por seus parceiros de banda, que executam um som arrastado, quase tendendo ao Doom, se não fossem pelas cavalgadas nos acordes de guitarra, e que remetem ao Slayer nos tempos de “South Of Heaven” (1988). Carregada e bastante pesada, ela possui uma pausa. Depois retoma a dianteira ao seu modo Thrash / Death como de costume. É notória a divisão de estilos feita com a devida atenção aos detalhes, seja um pouco mais Death ou mais Thrash, as belas nuances estão lá. “Seu corpo não se defenderá / Está trazendo uma desgraça iminente / E drenando cada gota de vida em você” – o relato de uma silenciosa doença exorcizante que te dopa e arranca sua vitalidade através do tratamento químico que te faz lembrar de todo o sofrimento por conta de uma febre ardente que funciona como um alarme de perigo para sua vida que se esvai enquanto você respira com dificuldade. “Lords Of Dead World” chega em sexto lugar para afundar a sua fuça ainda mais no chão. Após uma enxurrada de viradas insanas e blast beats é possível ver as almas corrompidas por música ruim entrarem em combustão ao ter contato com a faixa em questão. Solos diferentes e distorcidos de uma forma condizente com a levada e com o tema ditam o ritmo até que os riffs retornam. Só se pode respirar se pausar o teu rádio. “Não defendemos seus direitos, apenas deixamos você morrer / Nós não te damos educação, você não consegue abrir os olhos / Se pudermos vender nossos medicamentos a preços astronômicos / Por que traríamos a cura e salvaríamos suas vidas?” – o recado está mais do que dado e a pergunta feita por “eles” é o tipo de pergunta para abrir sua mente com dois tiros de 12 de raspão.

Facebook / Divulgação

Enfim, a faixa-título dá as caras e “Sacred Legacy” esmaga os cascos da boiada que brada aos quatros cantos sobre a “morte” do Rock e do Metal. O ritmo incendeia o quarteirão, fazendo com que o indivíduo nunca mais possa proferir algo do tipo. É momento de se libertar tanto em relação ao som quanto à tirania que só te quer ver sofrendo e clamando por migalhas. A canção abre espaço para um breve momento de reunião entre o baixo de Vinnie e a bateria de Rômulo, até que o retorno junto à guitarra e aos vocais seja triunfante até o final da mesma. “Liberte-se dessas cadeias / Hora de curar suas dores / E crie seu destino / Você vai entender / Porque você está no comando / Nada pode destruir seu sagrado … legado” – você é dono de si mesmo, seu corpo, mente e espírito são suas armas, sua defesa, proteção e virtudes para estar presente e combater o mal de frente. De modo mais vagaroso, “Solitude” vem surgindo na passarela com toda a aura ‘sabbáthica’, mas mantendo o prumo no nível e direção corretos. Excelente faixa para finalizar a obra, já deixando pistas para um novo trabalho logo adiante Assim como seu tema, a canção passa a ideia de inovação sem perder a razão. A tomada de decisão resulta em um solo bem animados com o puro creme do Heavy / Rock até que atinge os seus últimos segundos. “Na zona mágica, a jornada apenas começou / Meu espírito está fluindo preparado para se tornar um / Viajo em alguns lugares desta dimensão / Eu sinto o real propósito de meus pensamentos e ações / Em um mundo material, cheio de aves de rapina / Eu posso ter certeza, minha alma sabe o caminho certo” – meditar nas ondas do mar, nos caminhos percorridos pelos bons ventos, no cheiro das flores, no canto dos pássaros e no brilho das estrelas ao anoitecer. A leveza te torna mais hábil e te faz com que raciocine com mais precisão para realizar grandes escolhas e construir excelentes caminhos.

Este álbum é simplesmente um grandioso presente para si próprio, ao lembrar que recentemente Vitor Rodrigues completou 50 anos de idade. Mais precisamente no dia 29 de novembro. Parabéns ao Vitor e ao Tribal Scream por essa nova jornada que estão a proporcionar a partir deste debut.

“Não há tempo para perdedores

Vou curtir minha vida

Ninguém pode sentir isso mais do que eu

Como uma fênix

Com asas de fogo

Eu me levanto das cinzas para ser livre”

Nota: 9,0

Integrantes:

  • Vitor Rodrigues (vocal)
  • Mauricio Nogueira (guitarra)
  • Vinnie Savastanno (baixo)
  • Rômulo Damasceno (bateria)

Faixas:

   

1. To Each His Own

2. Out Of This Hell

3. We Shall Remain

4. Party Rock (With My Heroes)

5. Gruesome But Silent

6. Lords Of Dead World

7. Sacred Legacy

8. Solitude

Redigido por: Stephan Giuliano

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