Resenha: Treat – “Wildcard” (2025)

O Treat é uma daquelas instituições do Hard Rock sueco que parece imune ao desgaste do tempo. Com o lançamento de “The Wild Card” via Frontiers Music, a banda não apenas entrega seu décimo álbum de estúdio, mas consolida o que pode ser considerado o seu melhor trabalho desde a reformulação do grupo, há duas décadas. O segredo dessa consistência reside na estabilidade: a formação composta por Robert Ernlund, Anders Wikström, Patrick Appelgren, Jamie Borger e Nalley Pahlsson é a mesma desde o retorno, o que resulta em uma química sonora que beira a perfeição.

À primeira vista, a capa mais sombria e sóbria sugere uma incursão por caminhos mais pesados e densos. No entanto, o que encontramos ao dar o play é uma banda que canalizou sua energia de forma inteligente. Em vez de buscar o peso bruto, o Treat apostou na maturidade das composições e em melodias extremamente refinadas. É um disco “Hard” sem precisar ser “Heavy”, onde a urgência do Rock se funde com a sofisticação de arranjos que narram histórias de nostalgia, rebeldia e reflexão.

Robert Ernlund continua sendo um dos grandes trunfos

A abertura com “Out With A Bang” é um soco de energia cinética que captura o ouvinte de imediato, seguida pela nostálgica “1985”, que já nasce como um clássico instantâneo da cena melódica.

Robert Ernlund continua sendo um dos grandes trunfos da banda; sua voz, perfeitamente adequada ao gênero, entrega resultados excelentes, mostrando assim que ele ainda possui a fome necessária para liderar hinos de arena.

Faixas como “Rodeo” elevam o espírito festivo do álbum, enquanto “Endeavour” flerta com um lado mais AOR e comercial — uma pitada de modernidade que mostra a banda saindo da zona de conforto com elegância.

O equilíbrio do tracklist é notável. Enquanto “Hand On Heart” traz as guitarras de Wikström para a linha de frente, compensando o lado mais melódico das faixas anteriores, composições como “Mad Honey” e a sofisticada “In The Blink Of An Eye” revelam uma banda inventiva e emocionalmente densa.

Mesmo nas baladas, como a dramática “Heaven’s Waiting” e a majestosa “Your Majesty”, o grupo evita o óbvio, dessa forma mantendo refrãos pegajosos que são a marca registrada da escola sueca. Para encerrar, “One Minute To Breathe” entrega um desfecho direto e vigoroso, selando um disco sem pontos baixos.

A cartada mais forte

“The Wild Card” é o testemunho de uma banda que não se tornou complacente. É um álbum vibrante, habilmente produzido, assim como repleto de ganchos que convidam ao air guitar. Em um ano repleto de grandes lançamentos, o Treat prova que a experiência, quando aliada à paixão, é a cartada mais forte que um veterano pode ter na manga.

Acima de tudo, é preciso ouvir este trabalho despojado de comparações saudosistas, compreendendo a fase atual da banda e a realidade do mercado atual. Em um cenário saturado por uma infinidade de lançamentos diários, destacar-se exige identidade e certamente coragem para evoluir — e o Treat faz exatamente isso com êxito absoluto em “Wildcard”.

Integrantes:

  • Robert Ernlund (vocal)
  • Anders Wikström (guitarra)
  • Patrick Appelgren (teclado)
  • Jamie Borger (bateria)
  • Nalley Pahlsson (baixo)

Faixas:

  • 01 Out With A Bang
  • 02 Rodeo
  • 03 1985
  • 04 Endeavour
  • 05 Hand On Heart
  • 06 Heaven’s Waiting
  • 07 Back To The Future
  • 08 Mad Honey
  • 09 Adam & Evil
  • 10 Your Majesty
  • 11 Night Brigade
  • 12 In The Blink Of An Eye
  • 13 One Minute To Breathe
Deixe seu comentário
Sair da versão mobile