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Resenha: Torture Squad – “Devilish” (2023)

Lançado no dia 22 de setembro de 2023 através do selo Time To Kill Records, “Devilish” é o nono registro de estúdio do quarteto paulistano Torture Squad. É o segundo full a contar com a vocalista Mayara Puertas e o guitarrista Rene Simionato, sendo que os outros dois integrantes são nada menos que o baixista Castor e o baterista Amílcar Christófaro, ambos, membros fundadores e com presença assinalada em todos os trabalhos da discografia.

   

Entrosamento e expansão

Apesar deste ser apenas o segundo disco desta formação, podemos chegar a conclusão que este é o Torture Squad mais entrosado de todos os tempos, já que são praticamente 9 anos juntos e, com exceção da época da pandemia, a quantidade de shows foi bastante intensa.

Reprodução

Se em “Far Beyond Existence”, trabalho anterior de 2017, aquela pegada Death/Thrash quase perdida no álbum “Esquadrão de Tortura” havia retornado com força, em “Devilish” temos essencialmente um disco de Death Metal. É claro, com muitos horizontes expandidos e elementos novos sendo bem explorados, mas mesmo assim, o Death Metal é o gênero predominante. E quer saber, ainda bem, pois é justamente nesse espectro que esta formação consegue sugar o máximo de si mesma.

Gravado no Bay Area Estúdios com produção de Diego Rocha e banda, mixagem de Diego Rocha e masterização de Martin Fury, “Devilish” surge como um ponto muito alto dentro de uma discografia já nivelada por cima. Podemos afirmar com toda a certeza que neste álbum temos algumas das melhores músicas gravadas pelo Torture Squad. Podemos afirmar também que o quarteto conseguiu trazer um apanhado geral de toda a carreira, além de trilhar novos caminhos e ser extremamente ousado em certos momentos.

Tracklist bem montado

Começo a análise pela construção do tracklist. São 12 faixas muito distintas umas das outras e se não fosse a montagem praticamente sem erros da sequência, é quase certo que as pessoas não entenderiam a obra em sua magnitude. Ponto positivo para quem montou este verdadeiro quebra-cabeças infernal de forma sadicamente perfeita.

Reprodução – Divulgação

Apesar de gostar bastante da sonoridade contida em “Far Beyond Existence”, um ponto negativo nele, ao meu ver, é a produção. Já em “Devilish”, provavelmente, temos uma timbragem perfeita para as características da banda e o equilíbrio ímpar entre a audição clean e aquela sujeira mais que bem vinda no Metal extremo.

O disco abre com a pujante “Hell Is Coming”. A introdução repleta de climas e percussões é um preparatório inspirado da destruição sonora que a sucede. As bases de guitarra aparecem cortantes como uma navalha e carregam consigo todo o DNA da banda, além disso, esta é uma canção cheia de viradas rítmicas e partes fora da caixa. Para ficar ainda melhor, “Flukeman”, a próxima, é nada menos que uma porradaria insana que lembra com honras os momentos mais inspirados do passado. Já em “Buried Alive”, o Death/Thrash dá as caras e o guitarrista do Sepultura, Andreas Kisser, aparece como convidado especial emprestando um tempero Hardcore à mistura.

“Devilish” vai além!

Começo de track muito inspirado e que se solidifica ainda mais com a chegada de “Warrior”, acredite se quiser, mas aqui temos um Heavy Metal tradicional. Pense em nomes como Accept e Judas Priest e provavelmente você vai chegar perto do que inspirou o Torture musicalmente. Na letra, a inspiração é outra: Rickson Gracie, a lenda brasileira do Jiu Jitsu, considerado um dos maiores lutadores do mundo em todos os tempos. De arrepiar o instrumental no final cheio de cavalgadas que vão alternando o tempo.

Quando “Sanctuary” começa, o Obituary me veio a cabeça, mas depois a referência vai se distanciando aos poucos. A faixa se transforma numa espécie de concha de retalhos, só que uma que deu certo, é bom que fique claro. Com uma quantidade generosa de quebras, viradas e mudanças de direcionamento, a competência e criatividade dos músicos vem à tona e evidencia a força desta formação. É quase que uma preparação para o que viria à seguir.

“Uatumâ” é de longe a minha canção favorita de “Devilish” e os motivos são muitos. Música forte, com tema focado na causa indígena, o quarteto chamou diversos músicos da cena Rock e Metal ligados a este assunto para participar. E, é claro, não poderia faltar Vitor Rodrigues, vocalista dos discos clássicos e que aparece cantando em uma música nova do grupo após 13 anos. Os demais participantes são Suzane Hecate (Miasthenia) e João Luiz (Golpe de Estado). Me perdoe o vocabulário, mas não posso deixar de mencionar: “musicão da porra”!

As surpresas não param

Na sequência temos duas pedradas mortais. Uma para atordoar e a outra para causar danos irreversíveis aos nossos ouvidos já maltratados. “Thoth” é brutalidade pura concentrada, é o puro suco do Death/Thrash que consagrou a banda. Já “Mabus” é o tiro de misericórdia que chega para não deixar dúvida ao ouvinte. O Torture Squad pode ser ousado, pode ser extremamente técnico, pode ser virtuoso, pode ser visceral e, mesmo com todas as mudanças sonoras, um disco da banda ainda fará sentido. Quer mais alguns elementos? Então toma, o Torture Squad também pode ser suave, atmosférico e denso. A prova disso é a BALADA “Find My Way”.

   

Sim, há uma balada no álbum e antes que você torça o nariz, se lembre que nesse mesmo álbum eles já mandaram muito bem tocando Death, Thrash, Hardcore, Heavy Metal e adicionando percussões e climas. Você ainda duvida que não são capazes de fazer uma balada bem feita? É melhor não.

Depois desse momento no mínimo impensado e inesperado, temos a instrumental “Gaia”, que serve para você refletir sobre tudo o que ouviu até o momento e fazer a si próprio a seguinte pergunta: seria esta uma obra prima do Metal contemporâneo e quase ninguém se deu conta disso? Infelizmente (ou felizmente), o devaneio é interrompido pela esmagadora “A Farewell To Mankind”, uma espécie de amálgama entre Exodus, Arch Enemy e algo ainda nunca entregue ao ouvinte. O álbum termina com “The Last Journey”, uma vinheta que apesar de desnecessária, você está tão impactado com tudo o acabou de ouvir que nem se incomoda com ela.

Destaque para a ousadia

Vale mencionar que, em grande parte, o motivo deste álbum ter dado tão certo é a versatilidade da vocalista Mayara Puertas. A moça se encontra em seu melhor momento e nunca cantou tanto. Também não podemos deixar de mencionar a coragem da banda em ousar e testar seus limites. Como já diz o ditado, o medo de perder retira a vontade de ganhar. O Torture Squad se despiu de medos e receios e investiu pesado em composições que pudessem representar a essência musical dos integrantes no momento.

Reprodução – Divulgação

Em todos os outros lançamentos pós “AEquilibrium”, sempre fiquei com a sensação de que caso Vitor Rodrigues ainda estivesse na banda, ele faria um trabalho melhor do que o apresentado. Já em “Devilish” isso simplesmente não existe. O que acontece aqui é exatamente o contrário, já que algumas músicas nem ficariam tão boas na voz dele.

Para não dizer que não falei das flores, a arte de capa é assinada pelo ilustrador Marcelo Vasco e, na opinião deste que vos escreve, é a melhor capa da banda. Agora, o mais importante: o disco é, sem dúvida, um dos melhores da discografia e um dos melhores registros lançados no Brasil nos últimos tempos. Memorável.

Nota: 9,7

Integrantes:

Mayara Puertas (vocal)
Rene Simionato (guitarra)
Castor (baixo)
Amilcar Christófaro (bateria)

Faixas:

01 Hell is Coming
02 Flukeman
03 Buried Alive
04 Warrior
05 Sanctuary
06 Uatumã
07 Thoth
08 Mabus
09 Find My Way
10 Gaia
11 Farewell To Mankind
12 The Last Journey

   

Redigido por Fabio Reis

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