Resenha: The Exploited – “The Massacre” (1990)

“Aviso: contém letras que podem ser ofensivas”.
Já faz tempo que soa inofensivo um aviso desses na capa de um disco, mas para 1990, ano de lançamento de “The Massacre”, era mesmo adequado.
Surgido no final da década de 1970 em meio a um tumultuado período social/econômico, os escoceses do The Exploited expunham o lado raivoso de uma juventude oriunda da classe trabalhadora que estava sem perspectivas e constantemente envolvida em brigas de rua, confrontos com a polícia, bebedeiras e quebradeiras. “No Future” não era uma frase, era praticamente um lema de vida.
O tempo foi passando e a banda ia ficando cada vez mais pesada, lírica e musical. O primeiro passo dado no território do crossover, mistura de punk/hardcore com thrash metal, que Discharge, English Dogs e Ratos de Porão assumiram, foi no disco anterior, “Death Before Dishonour” (1987), mas em “The Massacre” (1990), o The Exploited não deu outro passo, mas sim um chute na porta.

O maior sucesso
“The Massacre” (1990) é o sexto disco do grupo e considerado seu maior sucesso comercial, muito em devido a parte do público do metal que passou a ouvir a banda. Suas letras não têm meio-termo, são diretas como um soco ao abordarem temas como violência sexual (“Sick Bastard”), violência policial (“Boys In Blue”), entubada fiscal da Margaret Thatcher (“Don’t Pay The Poll Tax”), terrorismo (“Blown Out Of The Sky” e “Stop The Slaughter”), militarismo (“Now I’m Dead” e “Dog Soldier”), crítica à religião (“Fuck Religion”) e até uma sátira sadomasoquista (“Porno Slut”).
A formação dessa época é muito boa, certamente a banda estava vivendo um período muito bom. O guitarrista “Gogs” emplacou uma guitarra com um som bem metálico e cortante, mais solos bem legais, assim como uma cozinha pulsante formada por “Smeeks”/Tony e um Wattie puto da vida disparando para todo lado, um respeitável quarteto desfeito tempos depois (se tem uma banda no mundo que muda de formação mais que o The Exploited, desconheço).
“The Massacre” (1990) foi produzido por Wattie e engenharia de Colin Richardson, que trabalhou antes com bandas góticas, punks e depois com várias de metal (As I Lay Dying, Bolt Thrower, Cannibal Corpse, Fear Factory, Napalm Death). Sua capa, obra de Terry Oakes, sintetiza bem o espírito do disco: um massacre brutal praticado por punks.

O relançamento!
Foi muito bom poder reouvir “The Massacre” (1990) depois de uns bons anos para fazer essa resenha, afinal, esse foi o disco do The Exploited que mais ouvi e que desde então se tornou uma das minhas bandas favoritas, seja pelo seu som, mascote icônico e shows insanos.
Lançado pela hoje extinta Rough Justice, o disco estava fora de catálogo no Brasil há muitos anos, mas agora pode ser reencontrado graças à parceria da Shinigami Records com a Nuclear Blast Records. Lançado no formato digipack com painel triplo, traz ainda contracapa sobressalente, encarte com as letras, bem como mais quatro faixas bônus retiradas de “Death Before Dishonour” (1987). A Shinigami também relançou com faixas bônus “Fuck The System” (2023), o último lançamento de inéditas do The Exploited, mas essa será outra resenha…
Nota: 9
Formação:
- Wattie Buchan (vocal)
- Mark “Smeeks” Smellie (baixo e backing vocal)
- Gordon “Gogs” Belfour (guitarra)
- Tony Martin (bateria)
Faixas:
- 01 The Massacre
- 02 Sick Bastard
- 03 Porno Slut
- 04 Now I’m Dead
- 05 Boys In Blue
- 06 Dog Soldier
- 07 Don’t Pay The Poll Tax
- 08 Fuck Religion
- 09 About To Die
- 10 Blown Out Of The Sky
- 11 Police Shit
- 12 Stop The Slaughter
- 13 Barry Prossit (bonus track)
- 14 Don’t Really Care (bonus track)
- 15 Power Struggle (bonus track)
- 16 Scaling The Derry Wall (bonus track)
Esse álbum é brutal. Exploited é f*d4!