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Resenha: Surma – “The Light Within” (2020)

Metal Blade Records

   

Vários artistas ao redor do mundo acabam por montar projetos paralelos aos seus principais trabalhos por diversos motivos, sendo os mais comuns poder explorar diferentes horizontes e também apoiar trabalhos de parentes e amigos de forma ativa. Também existem projetos que envolvem doações para causas nobres e também junção de figuras simplesmente para entreter o público. Todas essas propostas são bem-vindas e quando isso resulta em algo bom só faz o universo do Rock/Metal crescer cada vez mais. Dessa vez quem resolveu iniciar um novo projeto foi Heri Joensen (líder e guitarrista da banda Týr, das Ilhas Faroe) ao lado da cantora tcheca Viktorie Surmøvá (Bohemian Metal Rhapsody). Diferente do som praticado pelo Týr que envolve elementos de Folk, Power e Prog Metal, esse novo projeto intitulado Surma está inserido no chamado Symphonic Metal, ou Sympho Metal para os mais econômicos.

“The Light Within” é o álbum de estreia do Surma, que busca seu espaço em um cenário bastante rico e disputado referente a esta vertente. Como característica principal do estilo, os vocais de Viktorie trazem aquela voz doce muito presente em uma banda desse tipo. Embora a sonoridade caminhe para esse estilo em uma fatia maior do gráfico musical, o álbum possui outros elementos que veremos a seguir em mais uma viagem que faremos juntos. O projeto/banda foi fundado em 2018 e para completar o time foram escalados o baixista holandês Rens Bourgondiën, e o baterista russo Andrey Ischenko (ex-Arkona). O disco foi gravado por Heri e Viktorie no estúdio do guitarrista que fica em sua própria residência. Lars Vinther ficou a cargo das orquestrações somando forças com Heri e a bateria foi gravada em Moscou na gloriosa Rússia. Já que a ficha técnica foi entregue vamos ao que mais interessa que é saborear essa torta de morango. Calma, garanto que o açúcar não está em excesso por aqui.

Divulgação / Facebook

A luz que emana de dentro se sobressai perante o olhar junto ao amanhecer. O início está perfeito demais com “Rendition”, mas você está atrasado para o trabalho! Vamos! Ligue o som mais alto para que consiga enxergar toda essa energia estrondosa e magnífica a qual todos nós pertencemos. O seu trabalho é vencer o exército da escuridão que ameaça rachar os céus, tornando a alma dos bondosos turva e corrupta. Um rito em coro abre alas para nos guiar através da luz que resplandece toda a planície deste planisfério espectral. “Reveal The Light Within” conduz o impactante início para um lugar ainda melhor em que busca alinhar todos os instrumentos convencionais ao que mais importa em um disco: a “múzga”! Tal faixa sensacional recebeu um lyric video que pode até ser chamado de videoclipe mesmo por contar com a participação das duas principais figuras no video. Viktorie e Heri, respectivamente. “Revele a luz dentro / Uma liberação bioluminescente / Através de linhas na minha pele / Minha pedra vai durar para sempre“ – a luz que emana do ser é eterna e se você favorecer o seu brilho, a sua história poderá o tornar imortal para quem pertence a este plano astral e que é agraciada por melodias que compõem um vibrante solo de violão oferecido por Heri. Contemplada por uma breve introdução, “Like The River Flows” invade os alto-falantes surpreendendo até o mais adivinho dos magos das montanhas vermelhas de fogo. Heri esbanja técnica ao arriscar um gutural no melhor estilo “A Bela e a Fera” somado ao doce cantar de Viktorie. Um doce natural que não enjoa e faz bem para a alma. Um rio de solos poderosos é despejado por Heri até que Viktorie retome o comando da canção. Não podemos parar de cavalgar caro amigo do esporte barulhento, pois a caminhada apenas começou!

Uh, que susto! Como diria o narrador futebolístico Osvaldo Maciel. Logo quando “Fire And Wind” começou pensei em se tratar de “Bullet The Blue Sky”, canção dos irlandeses do U2, só que na versão do Sepultura. Não sei se essa foi a intenção, mas que é bastante parecido esse início da faixa isso não dá para negar. O que não é nenhum ponto negativo, apenas uma baita surpresa. Após esse início a mesma toma forma e fica mais parecida com o mundo em que estamos percorrendo neste exato momento. Destaque para a cozinha pesada e consistente de Rens e Andrey, representantes do fogo e do vento. Achou que não teríamos momentos de reflexão em um disco de Sympho Metal? “Desire” está aí para desmentir isso e mostrar que canções em formato orquestral também possuem um poderio forte e com ampla capacidade de manter o álbum no prumo. Obviamente que eu sinto falta do trio famoso (guitarra, baixo e bateria), porém a voz de Viktorie está aí para tirar a escuridão de vossas mentes e dar um tom de razão para quem deseja seguir em frente perseverando e lutando para que ao pôr do sol, possam estar prontos para… “The City Of Winds”! Seu início é breve e logo descamba para tudo que faltou antes. Falo do peso contido em boa parte das canções, mas sem perder a melodia e quebrar nenhuma corda. Heri participa com um tom de voz mais limpo dando um ar ainda mais límpido que serve de abertura para mais um solo arrebatador de mentes insanas e pobres de espírito.

“The Selkie Koüpakonan” começa bastante imponente e deixa o baixo de Rens correr solto pela grama, acompanhando os cascos do seu cavalo dourado graças ao brilho do sol. Viktorie alcança notas tão altas quanto os saltos do possante que quase voam pelo planalto em direção a glória e a honra da ilha de Selkie, uma ilha nativa das Ilhas Faroe. Este som foi inspirado na estátua de uma mulher segurando uma pele de foca que fica nas costas. “Until It Rains Again” é talvez a mais complexa e variante de ritmos. Seu refrão beira o Metal alternativo, mas não de forma desastrosa. Quando você escuta com a devida atenção passa a entender a proposta e vê isso como apenas um sustinho. Observe que sua sela quase se soltou quando se arriscou a ir pelo caminho mais perigoso. Eu te perdoo por não me ouvir antes e o melhor a fazer é juntar forças e acabar com os desentendimentos conforme o videoclipe relata. “Emptiness Is No More” abre o caminho pantanoso com um dedilhado misterioso, contornado por pequenas orquestrações que enfeitam e alegram o caminho, mesmo que para isso tenha que passar por este rio pesado e repleto de pensamentos sofridos e recheados de cobranças por não ter alcançado resultados melhores. Guiado pelo peso das linhas de cordas e bumbos, o vazio se esvai e as sombras somem de sua visão. A faixa possui melodias desconcertantes que abrem o leque do lado bom da vida que é definitivamente viver.

Ao passar por trechos dominados pelas tropas rivais, avistamos ao longe presos em gaiolas toda a raiva de um mundo cada vez mais disputado e sem maiores riquezas a oferecer aos tais gananciosos de terno e gravata. “Cages Of Rage” traz consigo um ritmo contagiante com aquela linha primorosa de baixo que testa o seu rádio para ver se ele é potente mesmo, conforme diz a propaganda. Em diversos momentos o kit de Aleksandr alavanca toda a estrutura, deixando o patamar da canção ainda mais elevado. Crianças encaminham o comunicado para que possa chegar mais rápido ao líder rival que o aguarda ansiosamente para decidir quem reinará nos próximos tempos, se é a liberdade pacífica ou a arte cadavérica. Depois disso a cavalaria percorre o caminho na forma dos solos de Heri para que todos deem a volta pelo desfiladeiro e se encontrem na cantoria final. Sobre as crianças não há nada fora do lugar, pois a canção é baseada em uma escultura do escultor ucraniano Alexander Milov, chamada “Love”. São duas estátuas de crianças frente a frente, em pé dentro de duas estátuas de adultos sentados costas com costas. Com um início bem mais Power/Heavy, “Downfall” inicia sua jornada com aquela intro que chama todo mundo para atacar junto, porém de forma organizada sem que um atropele o outro. O tempo está aberto sem risco de chuva e quem sorri por isso é o seu cavalo que gosta de correr sob a luz do sol. É bom manter o passo firme para que não tenha uma queda livre e reduza o seu destino a uma cabeçada no chão de pedras com limo próximo de uma cachoeira. Heri não permite e te salva com mais um solo protuberante e envolvente causador de fortes ondas próximas do local da batalha.

Reprodução / Facebook

Está pronto para o combate? Então, vamos com a melhor faixa do disco: “Lost To Time”! Uma ciranda é feita em formato de notas musicais que acaba por confundir o seu adversário e te dá uma boa vantagem de atacar em cheio o falastrão com o peito de pombo aberto que ri impiedosamente da sua cara mal lavada. Não se preocupe e não se distraia, pois o Surma fará a sua trilha sonora da vitória! O dueto de Viktorie e Heri aumenta o nível de todos em prol do bem guiados pela luz emanada através do interior de cada ser que abrilhanta a paisagem e desarma aos contrários a tudo isso. Correndo horizonte adiante, as crinas de nossa cavalaria balança ao vento e brilha sob o anoitecer após uma gigantesca vitória. Essa grandiosa canção é baseada em uma estátua do escultor norueguês, Fredrik Raddum, que retrata vários eventos nas Ilhas Galápagos, quando um grupo de alemães tentou escapar da civilização, buscando refúgio que resultou em algumas baixas que não foram resolvidas até então. “Deconstruction” encerra da mais “classuda” forma esta nova história de forma orquestral e teatral. O clima cinematográfico paira no ar e termina a obra de forma única e excepcional. O Surma mesmo de forma menos destacada possui características do Týr, só que o que mais fica aparente é um formato unificado e muito bem construído envolvendo temas voltados ao Folk com um pouco de modernidade, sem desequilibrar a balança. Não é aquele Sympho aguado em que por vezes os teclados cobrem as guitarras e que por mais vezes ainda são utilizadas distorções que deixam o som ainda mais vazio e… “aguado”. Não sei se essa seria a palavra certa, mas é mais ou menos isso para retratar o vazio costumeiro em diversas bandas dessa vertente.

Reprodução / Facebook

Enquanto prosseguíamos nossa viagem rumo ao enfrentamento do inimigo, pudemos notar diversas estátuas que nos mostravam seus valores e a imponência de cada uma delas. Isso faz pensar que as pessoas possuem destaque devido às suas situações e motivações. O fato é que em tempos de depressão entre outras coisas ainda piores, podemos sim encontrar a luz interior e prosperar por algo melhor com o apoio dos entes queridos trocando boas energias. Finalizando, o debutante Surma estreia de forma esplendorosa com sons robustos e distorções certeiras, podendo citar algumas bandas como Sirenia, Silentium, Darkwell e Ancient Bards como comparativo inicial. Espero que muito em breve a banda possa apresentar seu trabalho aqui pela redondeza assim que as coisas se normalizarem. “The Light Within” foi lançado no dia 6 de novembro de 2020 pelo selo Metal Blade!

Nota: 9,0

Formação:

  • Viktorie Surmøvá (vocal)
  • Heri Joensen (guitarra)
  • Rens Bourgondiën (baixo)
  • Andrey Ischenko (bateria)
   

Faixas:

  1. Rendition
  2. Reveal The Light Within
  3. Like The River Flows
  4. Fire And Wind
  5. Desire
  6. The City Of Winds
  7. The Selkie Koüpakonan
  8. Until It Rains Again
  9. Emptiness Is No More
  10. Cages Of Rage
  11. Downfall
  12. Lost To Time
  13. Deconstruction

Redigido por Stephan Giuliano

🤘

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