Resenha: Steelgar – “Inthrashvenous” (2026)

Steelgar é o nome a ser comentado neste pequeno manuscrito, cujo lançamento específico atende por “Inthrashvenous”. Adentraremos, portanto, em mais um Thrash Metal feito por representantes hispânicos. Antes disso, gostaria de mencionar algo que ocorre nos dias atuais.

Mesmo hoje em dia, uma parcela do público ainda repete os mesmos mantras de sempre sobre o fim do Rock e do Heavy Metal. No entanto, se engana por completo quem pensa assim, pois nós sempre descobrimos novas bandas e novos discos. Além disso, nós sempre indicamos bandas novas e também antigas — sejam aquelas que seguiram adiante, sejam aquelas que pararam na década de 80 ou 90 e retornaram agora. De fato, o movimento que envolve a nova onda do Thrash Metal atravessou o início dos anos 2000 e segue apresentando novidades, incluindo esta que averiguaremos a seguir.

O Steelgar veio justamente para reforçar os dizeres contra esses mantras mentirosos e desgastantes. Afinal, o Rock e, principalmente, o Metal nunca estiveram tão vivos e com cenas efervescentes ao redor do mundo. Hoje, o Metal pulsa em quase todos os cantos do planeta, incluindo territórios onde as leis proíbem esse tipo de sonoridade — por conta de governos terroristas, vagabundos, insolentes, entre outros nomes que não posso dizer aqui para não perder o foco desta nobre epístola. Em resumo, todo governo age assim, com uns sendo mais que os outros, mas todos sendo sujos por igual. Bem, vamos ao que mais interessa, que é falar de “múzga”! Saudade desse meu termo brincalhão.

Um universo sonoro a ser explorado

De início, você não enxerga a dimensão e o poder de fogo de um novo lançamento como este. Entretanto, a curiosidade aumenta quando o anúncio promete destacar os grandes momentos e justificar tais destaques. De fato, isso é bastante importante, mas não é apenas isso o foco em questão. Além dos destaques, podemos visualizar o alcance imediato e também possibilidades a longo prazo, de acordo com a abrangência do estilo que a banda espanhola preserva e utiliza para si.

Dito isso, coloque o seu snorkel e vamos explorar as cavernas subaquáticas do Thrash Metal feito pelo Steelgar.

Antes disso, devemos mencionar o fator do it yourself, já que o Steelgar produziu “Inthrashvenous” de forma independente. Ou seja, “se vira nos 30!”, ou ficará pelo caminho.

Steelgar / Metal Archives

Steelgar e a inspiração no passado, mas com roupagem atual

A sonoridade do Steelgar passeia por campos bem conhecidos e renomados do Thrash, porém, sem jamais soar como cópia barata ou algo que seja simplório em demasia. Todavia, vale citar a construção voltada para atualidade, tanto em questão de produção e gravação, quanto pelas músicas em si. Afinal, seu som busca ligação com bandas que já possuem certo renome na cena renovada a partir dos anos 2000.

O som da banda oferece uma linha de Thrash Metal violenta e afiada, técnica e precisa, além de um vocal ao estilo Crossover. Apresenta um receituário que remete ao Suicidal Angels da Grécia, também possuindo elementos de Testament, Kreator, Overkill e Megadeth. Tudo isso, porém, com personalidade própria. Ou seja, a banda se inspira de modo certo, buscando ser fiel ao que acredita e voltando suas forças para o original, para a sonoridade com RG.

Principais estrondos dos espanhóis

O início da obra já apresenta um potencial bem alto, pois “Storm 333” abre o caminho de forma incisiva e muito prestativa, contendo bastante energia. Um disco de Thrash deve apresentar algo de bastante destaque ou até mesmo misterioso para, a partir de então, trazer o ouvinte consigo e fazer com que o mesmo siga ouvindo o álbum. Desse modo, o headbanger vai receber essa energia impactante para que possa seguir em frente. O resultado desse percurso inicial acende o desejo de encarar as ótimas passagens musicais de “Enough Times Lied”. Essa é a segunda faixa de “Inthrashvenous” e ela possui esse formato desafiador, com variações precisas e necessárias. Até para mostrar ao público que não se trata de um disco simples, sem maiores emoções. Muito pelo contrário, aqui temos uma montanha-russa de emoções. São vários sinais, fortes sinais! Eymael já dizia, antes de ir para o inferno!

Seguindo adiante, temos “Cipher”, contendo solos excepcionais e um ritmo que se torna alucinante a partir da metade da música. É como se o mar estivesse envolto em curiosidades, mas o nadador só encontraria algo ainda mais forte, se continuasse a explorar os caminhos subterrâneos. Essa variação, contudo, faz com a que o som ganhe ainda mais corpo para chegar ao seu final e assinar a folha, de modo a rasgá-la com toda facilidade.

Além destas, também destaco “The Great Truth”. Trata-se, então, de uma faixa bem cadenciada e diferente das outras já diferentes, mas que também contém trechos mais velozes. Além disso, apresenta um solo “REPETACULÊ” de muito bom gosto e, sendo totalmente condizente com a trama. Dessa forma, concluo ao dizer que é uma mistura de Nuclear Assault com Evil Dead dos tempos atuais. Sendo assim, uma receita de muito sucesso e valor a ser explorado pelo fã de Metal em geral.

Outros destaques podem ser encontrados em “Inthrashvenous”

É bem isso mesmo! Não é porque estou citando estas músicas em específico que o disco fica preso apenas nelas. Você poderá muito bem ouvir e encontrar outros destaques além destes, ou até mesmo entender que outras músicas do disco superam estas que citei. No fim disso tudo, ninguém estará errado. Nem eu e nem você, e muito menos o Steelgar. Afinal, é por causa do novo trabalho dos representantes de Gavà, Catalonia, que estamos aqui. Pois, somos ávidos por discos bons e qualificados de Thrash Metal, não é mesmo?!

E você, notou a curiosidade quanto ao nome do segundo álbum dos caras? Bem, a via intravenosa (também chamada de endovenosa) realiza o trabalho de administrar medicamentos, líquidos, soro ou nutrientes diretamente dentro de uma veia. Por ser um catéter inserido diretamente na veia, o efeito do remédio se torna imediato, já que entra em contato direto com o sangue.

E a curiosidade fica onde? “Inthrashvenous” é a via Thrash venosa, porcamente dita por mim, e que serve para injetar o Thrash Metal da banda espanhola diretamente na veia do headbanger.

Concluindo, aproveite para tomar a sua dose diária de Thrash na veia para ficar atualizado conosco e fugir dos dizeres de que “o Metal e o Rock morreram”. Afinal, estão mais vivos do que nunca e cada vez mais espalhados pelo mundo!

Nota: 8,8

Integrantes:

  • Héctor Amaya (vocal, guitarra)
  • Chuko (guitarra)
  • Ferrán Marco (baixo)
  • Cristian Zamorano (bateria)

Faixas:

  1. Storm 333
  2. Enough Times Lied
  3. Aidless
  4. Chaser
  5. Cipher
  6. Real Time Disease
  7. Beating the Line
  8. Human Devourers
  9. Inthrashvenous
  10. The Great Truth
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