Resenha: Speed Queen – “…With A Bang!” (2025)

A trajetória da Speed Queen, formada em 2014 na Bélgica, sempre orbitou em torno do Speed Metal clássico, mas o grupo nunca se acomodou dentro das fronteiras rígidas do gênero. Após dois EPs muito bem recebidos na cena underground, o quarteto finalmente entrega seu primeiro álbum completo de inéditas: …With a Bang!. Lançado em 5 de setembro pelo selo High Roller Records, o disco reúne 10 faixas distribuídas em pouco mais de 40 minutos que revelam não apenas a maturidade técnica da banda, mas também seu apetite por expandir horizontes sonoros. Desde o início, fica evidente que o grupo quis reafirmar suas raízes, porém sem abrir mão de ambição, refinamento e intensidade.

Logo na apresentação do álbum, percebe-se como a banda investiu em um direcionamento musical que dialoga com a ferocidade tradicional do Speed Metal, ao mesmo tempo em que absorve nuances do Heavy Metal clássico. As faixas exibem arranjos mais elaborados, construções melódicas inteligentes e performances individuais que soam mais seguras do que nunca. Além disso, a produção enriquece essa proposta ao equilibrar a crueza analógica — com aquela “sujeirinha” charmosa que remete aos anos 80 — e a nitidez contemporânea que permite ao ouvinte captar cada detalhe instrumental. A soma desses elementos reforça a identidade da banda, que amadurece sem perder o vigor que sempre a definiu.

Sem cair no lugar comum

Outro ponto que se destaca é a energia ininterrupta que permeia o álbum. Assim que a audição começa, o ouvinte é lançado em uma tempestade sonora feroz e vigorosa, construída com riffs cortantes, linhas vocais afiadas e uma bateria que não dá trégua. Entretanto, o Speed Queen evita cair no lugar-comum de muitas bandas do estilo — aquelas que apostam em composições muito lineares — e opta por um fluxo musical mais dinâmico, uma verdadeira montanha-russa onde cada faixa apresenta uma nova proposta estética.

Entre os destaques mais velocistas, “Showdown”, “I Want It”, “The World Ends Tonight” e “Fire” demonstram o domínio absoluto da banda sobre sua identidade agressiva. “Showdown” entrega um impacto imediato com sua estrutura direta e refrão que implora para ser cantado em coro, enquanto “I Want It” exibe mudanças de andamento e quebras inesperadas que ampliam a tensão antes de explodir novamente em velocidade. “The World Ends Tonight” surge certamente como a faixa mais crua e primitiva do álbum, resgatando um espírito visceral dos primórdios do Speed Metal, e “Fire” encerra o disco de forma abrupta, intensa e memorável — um verdadeiro estouro que honra o título do álbum.

No entanto, o trabalho não se resume apenas à velocidade. Quando o grupo pisa no freio, revela seu lado mais melódico e sofisticado. “I Walk Alone” funciona como um hino instantâneo, guiado por um refrão impossível de esquecer, daqueles que grudam na mente por dias. “Chasing Ghosts”, por sua vez, mostra um equilíbrio entre técnica e melodia, mesmo que traga uma atmosfera mais fria; ainda assim, os riffs inspirados e a execução segura compensam essa característica. O ponto alto desse segmento mais tradicional surge com “Skygazers”, certamente uma das melhores composições do disco. Aqui, a banda abraça de vez o Heavy Metal clássico, apostando em uma construção melódica rica, cheia de camadas e extremamente bem resolvida.

Técnico, criativo e orgânico

Em relação aos elementos de produção, o álbum demonstra uma consciência estética muito clara. A escolha por uma sonoridade que remete ao analógico, porém sem sacrificar definição, reforça não apenas a autenticidade do grupo, mas também o cuidado em unir passado e presente. Os backing vocals aparecem em momentos estratégicos, sempre adicionando profundidade às composições e reforçando refrães que funcionam tanto no estúdio quanto, com certeza, nos palcos. Nada soa excessivo ou fora de lugar; pelo contrário, tudo contribui para criar uma experiência sonora coesa e marcante.

Essa abordagem mais variada diferencia a Speed Queen de tantas bandas contemporâneas que insistem em álbuns excessivamente lineares. O quarteto belga escolhe a vibração da diversidade, oferecendo canções com identidades fortes e bem delimitadas. Assim, cada música se transforma em uma pequena aventura, com seu próprio clima, sua própria lógica interna e seu próprio impacto emocional. O ouvinte nunca sente monotonia — e isso, no contexto de um gênero tão veloz, já merece destaque.

O mais impressionante, porém, é como …With a Bang! melhora a cada nova audição. A riqueza de detalhes, a habilidade técnica e o bom gosto com que cada faixa foi construída revelam camadas que se tornam mais evidentes com o tempo. No fim das contas, a Speed Queen lançou um dos melhores álbuns de 2025 dentro do metal tradicional. …With a Bang! convence, encanta e convida o ouvinte a mergulhar repetidas vezes em seu universo. Cada retorno ao disco revela novas nuances, novos detalhes e novos motivos para admirá-lo.

Nota: 9

Integrantes:

  • Lander Savelkoul (baixo)
  • Toon Driezen (bateria)
  • Andreas Stieglitz (guitarra)
  • Thomas Kenis (vocal)

Faixas:

  • 01 5 6 7 8
  • 02 Showdown
  • 03 I Want It
  • 04 Eye to Eye
  • 05 Chasing Ghosts
  • 06 I Walk Alone
  • 07 Skygazers
  • 08 The World Ends Tonight
  • 09 Time To Go
  • 10 Fire
Paulistano, nascido em 1981, fã de Rock e Heavy Metal desde criança. Idealizador, fundador e criador do Mundo Metal. Valoriza tanto os clássicos como as novas gerações. Assíduo frequentador de shows e se considera um organismo movido à música.
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