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Resenha: Soulfly – “Totem” (2022)

Nuclear Blast

26 anos, Max Cavalera dava inicio àquele que seria o projeto responsável por dar continuidade ao que o musico ajudou a construir no inestimável clássico “Roots”, talvez o mais importante álbum de sua primeira e ex banda, Sepultura.

   

Podemos dizer que o Soulfly é a cria que nasceu no meio de um verdadeiro tornado de caos e desalento emocional por parte do próprio Max. Um total senso de rancor, arrependimento, luto e a constante presença de uma espiritualidade tribal única, são os adjetivos chaves para entendermos um pouco do âmago da primeira encarnação da banda.

Soulfly/reprodução

Apesar de ser constantemente taxado como um simples embrião do “Roots” e ridiculamente desvalorizado pela sua sonoridade, calcada num Nu-Metal altamente experimental, o debut homônimo, lançado em 1998, foi o um álbum absurdamente necessário e bem sucedido, ponta pé inicial que o Sr.Cavalera precisava para recomeçar oficialment. E é claro, com uma forcinha da dona Roadrunner Records, que descaradamente tinha Max como seu enteado favorito.

Soulfly/reprodução

Pois bem, três álbuns de estúdio depois e um nome notoriamente já estabelecido na cena do Metal mundial, o Soulfly lança em março de 2004, o ótimo “Prophecy”, registro que deu os primeiros sinais de mudanças de paradigma na banda, buscando uma sonoridade mais centrada no Groove/Thrash, se distanciando do consagrado Nu-Metal, que já não tinha mais a mesma popularidade e impacto de seu auge. Não ironicamente, o álbum marca a primeira contribuição do excelente guitarrista Marc Rizzo, iniciando um parceria com Max Cavalera que duraria 18 anos.

Soulfly/DarkAges/Reprodução

A partir do obscuro “Dark Ages”, lançado em outubro de 2005, temos oficialmente o inicio da nova encarnação do Soulfly que permanece até os dias de hoje, mostrando também um Max que se mostrava cada vez mais obstinado e criativo, numa fome insaciável por música pesada, buscando beber da sonoridade que ele mesmo ajudou a moldar na década de 90 e requintes daquele Death Metal arcaico e direto, que faz parte do DNA dos Cavaleras.

Entre 2005 e 2018, capitaneados pela frutífera parceria entre Max e Marc Rizzo, foram lançados “Dark Ages”, “Conquer”, “Omen”, “Enslaved”, “Savages”, “Archangel” e “Ritual”, uma sequência insana de registros destruidores que ainda permanece injustiçada pela maioria do público.

Infelizmente, em meados de agosto de 2021, Marc Rizzo deixa oficialmente o Soulfly após 18 anos, alegando que não houve nenhum suporte por parte da banda durante a pandemia da Covid-19.
Este foi um fator que provavelmente deixou uma leva de fãs um tanto preocupado com o sucessor do “Ritual”, visto que Marc havia se tornado uma parte importante do Soulfly.

Max Cavalera/Marc Rizzo/Reprodução

O que podemos dizer no fim das contas é que o Sr.Cavalera realmente não demonstra nenhum sinal de que está desacelerando o seu ritmo apesar do revezes e nos da mais um novo exemplar daquilo que faz de melhor…


Lançado oficialmente em agosto de 2022, “Totem” marca o décimo segundo full-lenght do Soulfly e nada menos que o terceiro álbum de um projeto de Max Cavalera, num período de dois anos.


É notável como Max, em sua incansável necessidade de fazer música pesada de maneira tão intensa, ainda consegue imprimir uma identidade tão genuína após todos esses anos.

Soulfly/Reprodução
   

Se por um lado, Max acabou perdendo um exímio guitarrista como Marc Rizzo, por outro, ganhou com um excelente produtor e exímio músico como Arthur Rizk (Power Trip,Eternal Champion, Cavalera Conspiracy, Kreator). Desde o último registro do Cavalera Conspiracy, intitulado “Psychosis” (2017), Max tem trazido Arthur em suas empreitadas sempre que possível, e o resultado é sempre ótimo. O talento para produção e mixagem, que esse cara vem apresentando nos últimos anos, não é brincadeira meus amigos, talvez um dos mais importantes produtores voltados para o Metal da atualidade.

Cavalera/Arthur Rizk/Reprodução

Desde os primeiros segundos de “Superstition”, primeiro single ofical disponibilizado, o ouvinte sabe exatamente a agressão sonora que está por vir, é a formula do Soulfly totalmente sólida e inconfundível, sem espaço para deslizes aqui.

Se a faixa que abre o registro já mostra uma sonoridade extremamente sólida, na sequência temos um dos melhores momentos do registro já de cara. Ninguém menos que John Tardy (Obituary) divide os vocais com Max em “Scouring The Vile”, resultando em uma das melhores participações de toda a discografia do Soulfly, simplesmente insano.

Senhor Zyon Cavalera (Z-Money para os íntimos) tem se superado a cada álbum que lança com seu velho. Desde de sua entrada oficial no Soulfly, no álbum “Savages”(2013), Zyon vem demonstrando ter herdado a fome incansável dos Cavaleras por música, a cada registro, ele vem evoluindo mais e mais, destruindo tudo pelo caminho. A prova disso fica por conta de “Filth upon Filth” “Rot in Pain”, “The Damage Done” e a poderosa faixa título, “Totem”, uma sequência assassina de porradas na orelha, cheias de grooves pesadíssimos e uma agressividade intimidadora .

A abordagem lírica, que Max traz para basicamente todos os seus projetos, é sempre um fator deveras importante para catalisar todo o rumo que o álbum em questão vai tomar. E como bem sabemos, sua espiritualidade e seus ideias são estão sempre atrelados ao Soulfly, mais do que qualquer outra banda. A fantástica arte da capa, desenhada pelo artista James Bousemna, nos dá uma visualização dos conceitos líricos empregados em “Totem”.

“Todo o álbum é inspirado pela natureza, É por isso que é chamado de ‘Totem’. Eu não sei se vocês viram a capa, mas nós temos este totem com um monte de animais diferentes nele. Supostamente é como nossos animais espirituais são um pouco de nossos sinais pessoais. Há quase como um leão misturado com um javali e há uma cabra com chifres. E há uma coruja, águia em cima dela. E está na floresta.“


“Então, sim, o disco foi inspirado pela natureza – os espíritos da natureza. Acho isso fascinante. Adoro isso. Acho que o deserto é muito espiritual e muito misterioso. E também a floresta. Fazemos muitas turnês, então vamos para a Islândia e a Noruega, e todos vemos aquelas belas florestas e outras coisas.“


“Então, muito do álbum foi inspirado, acho que você chamaria de adoração da natureza, quase como um deus. Muitos nativos têm essa crença – que a natureza é como um deus que você adora. Se tornou o ponto de foco para o álbum.

Para aqueles que conhecem e apreciam a sonoridade do Soulfly, no inicio ou atualmente, sabe que sempre existiu um experimentalismo aliado aos riffs insanos e a agressividade, seja em forma de percussões tribais ou adição de instrumentos brasileiros, sempre houve uma característica primitiva e tribal inerente no aspecto sonoro, goste ou não, está sempre lá.

Max Cavalera/Reprodução

Mas o ponto interessante aqui é fato de que Max tem estado tão imerso nessa criação constante de riffs assoladores, que transitam entre o Groove e o Death Metal, que todo essa adição de elementos e criações de atmosfera acabam se tornando meros detalhes adjacentes dentro de toda essa sequência de agressividade e peso. Isso fica evidenciado em “Ancestors” e “Ecstasy of Gold”, com Arthur Rizk e Max dividindo as partes de guitarra de maneira espetacular e uma absurda timbragem de cair o queixo.


Com seus quase 10 minutos de duração, “Spirit Animal” fecha como a faixa mais épica e caótica do álbum, em um verdadeiro festival de riffs e uma atmosfera que predomina uma sensação ritualística de cânticos de guerra, todo o andamento faz referência aos primórdios do Soulfly. Richie Cavalera divide os vocais com Max numa excelente adição pro registro e ainda conta com Chris Ulsh (Power Trip), responsável por solos simplesmente alucinantes, encerrando o álbum com um tom diferenciado dos anteriores.

Com o passar dos anos, ficou evidente que o Soulfly se tornou o indicador oficial para que rumos o senhor Max Cavalera esta indo no presente momento e felizmente nos últimos 18 anos, o senhor Massimiliano tem optado por canalizar todas as suas energias no modo mais violento, agressivo e ríspido de se fazer Metal nos dias de hoje. “Totem” deixa isso bem claro. E já que este senhor simplesmente se recusa a tirar férias, estamos no aguardo no que virá a seguir… Prazo máximo de dois anos hein.

   

Nota : 8,8

Integrantes :

  • Max Cavalera (vocal, guitarra)
  • Zyon Cavalera (bateria, percussão)
  • Mike Leon (baixo)
  • *Arthur Rizk (guitarras adicionais, produção e mixagem)

Faixas:

  1. Superstition
  2. Scouring The Vile
  3. Filth Upon Filth
  4. Rot In Pain
  5. The Damage Done
  6. Totem
  7. Ancestors
  8. Ecstasy Of Gold
  9. Soulfly XII
  10. Spirit Animal
Soulfly/Nuclear Blast/Reprodução

Redigido por: Giovanne Vaz

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Comentários

  1. A capa do disco ficou boa!!!! Gosto muito do Max, sinceramente prefiro os primórdios dos irmãos cavalera entre os albums Beneath the Remains e Arise do Sepultura!!!! Desde a época do Sepultura não acompanho tanto o som do Soulfly com entusiasmo, mas tem algumas coisas interessantes…infelizmente o termo New Metal perambula no som do cara atualmente ou desde o início do Soulfly!!!! Valeu pela a analise!!!! Feliz ano novo para todos!!!!

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