Resenha: Soen — Reliance (2026)

Três anos separam Memorial de Reliance, novo trabalho de estúdio do Soen, quinteto sueco de Progressive Metal.

Lançado oficialmente em 16 de janeiro de 2026 pela gravadora Silver Lining Records e produzido por Alexander Backlund, o álbum apresenta dez faixas inéditas distribuídas em apenas 44 minutos de duração.

Seguindo rumo ao topo, o grupo, que conta com 16 anos de estrada e sete trabalhos oficiais lançados dentro da cena do Progressive Metal sueco, apresenta em Reliance algumas mudanças graduais em sua sonoridade. No entanto, elas não destoam de seus antecessores, Imperial e Memorial, lançados em 2021 e 2023, respectivamente, mantendo a essência e as raízes musicais da banda.

Antes que o fã mais desconfiado se pergunte: não! A banda não reformulou sua sonoridade nem seguiu um caminho diferente daquele apresentado nos trabalhos citados anteriormente. Pode ficar tranquilo quanto a isso.

Photo: Linda Florin

Uma evolução construída gradualmente

Esclarecendo melhor essa “nova fase”: tudo começou em Lotus, quarto registro do quinteto, lançado em 2019, quando os primeiros sinais de mudança já apareciam claramente. Eles se concretizaram justamente no trabalho seguinte, o já mencionado Imperial (2021).

O sucesso conquistado com os trabalhos anteriores, o crescimento como banda e a aceitação dos fãs como mais um nome de destaque do Prog Metal talvez tenham exigido mudanças sutis, mas sem que o grupo perdesse a maturidade e a responsabilidade musical apresentadas anteriormente.

A banda continua escrevendo ótimas canções e lançando trabalhos que oferecem melodias carregadas de emoção e reflexão, ao mesmo tempo em que exploram profundamente o universo individual do ouvinte.

Além da qualidade musical apresentada, o grupo se preocupa com um fator determinante, presente em todos os discos lançados até o momento: as letras.

Letras e interpretações como pontos fortes

Aliás, essa tem sido uma característica brilhante de diversos compositores suecos nos últimos anos. Basta observar nomes como Mikael Åkerfeldt (Opeth), Tobias Forge (Ghost), Christofer Johnsson (Therion), Leif Edling (Candlemass), Joakim Brodén (Sabaton), Tomas Lindberg (At the Gates) e Tom S. Englund (Evergrey), entre outros.

Em Reliance, o Soen explora temas profundos e introspectivos, como crise de identidade, conflitos emocionais, impacto da tecnologia, alienação social e extremismo, além de outros assuntos com os quais lidamos diariamente em nossas vidas.

Aqui, precisamos falar dos vocais de Joel Ekelöf, um dos melhores vocalistas da atualidade e que conseguiu impor sua própria voz dentro do estilo sem copiar ou imitar ninguém. É impressionante o quanto seu timbre se encaixa perfeitamente nas melodias de cada canção. E, antes que alguém tenha dúvidas sobre sua performance nos palcos, é bom saber que o homem consegue ser perfeito também ao vivo.

Voltando ao disco: cinco singles foram lançados e todos ganharam videoclipes. As músicas escolhidas foram Primal, Mercenary, Discordia, Axis e Indifferent.

Photo: Reprodução

Peso, melodias e refrões marcantes

Por fim, o que vemos — ou melhor, ouvimos — em Reliance é uma banda mais pesada, apostando em linhas melódicas mais diretas, riffs e refrões marcantes. O grupo se distancia da sonoridade dos quatro primeiros trabalhos e passa a concentrar maior atenção nas melodias em vez dos andamentos técnicos e complexos normalmente associados ao estilo.

A abertura fica por conta da pesada Primal, excelente faixa com linhas e harmonias que remetem a Unbreakable, presente no disco anterior.

Com um tom mais ameno em seu início, Discordia apresenta a fusão perfeita entre o lado mais calmo e suave da banda para, em seguida, mergulhar em linhas e andamentos pesados, com destaque para os riffs “pesadões” das guitarras.

Mercenary e Axis dão sequência ao álbum e, musicalmente, seguem caminhos semelhantes aos das antecessoras, embora Axis se aprofunde um pouco mais nas partes de guitarra.

Sensibilidade e alquimia musical

A emocional Huntress é uma daquelas canções que exploram o lado mais sensível do ouvinte. Musicalmente, os vocais e a interpretação de Joel Ekelöf caem como uma luva nesse belo momento do disco, que também destaca as linhas de teclado e os backing vocals.

Alquimia musical: talvez essa seja a classificação perfeita para descrever a ótima Unbound, uma das faixas mais pesadas do trabalho. Ouvindo atentamente suas melodias, notamos um encontro entre Sincere, Fortress e Memorial, todas presentes no álbum anterior.

O que seria de alguns discos sem suas baladas? Se em Memorial, Hollowed e Tragedian deram as cartas por serem duas canções de extremo bom gosto, aqui nos deparamos com Indifferent, particularmente um dos grandes momentos do álbum, destacando os vocais e a interpretação brilhante de Joel Ekelöf.

A música ainda conta com o apoio e a participação de artistas como Jonas Sjölander (piano), David Castillo (cordas), Tomas Ebrelius (violinos), Andreas Forsman (violinos), Victoria Nilsdotter (viola) e Cecilia Linné (cello). Particularmente, eu classificaria esta como a música mais bela do trabalho.

A reta final de Reliance

Na reta final, temos as pesadas Drifter e Draconian, duas canções que também poderiam perfeitamente servir como faixas de abertura. Ambas apresentam uma fórmula que funciona muito bem: riffs pesados e melodias na medida certa.

O disco fecha com Vellichor, talvez a faixa menos impactante do álbum. Ainda assim, ela cumpre seu papel e não desmerece tudo aquilo que ouvimos anteriormente. Com uma levada de Prog Rock, remete ao trabalho de bandas como Pattern-Seeking Animals, Porcupine Tree e Anathema.

Em uma crescente musical, o Soen, que despontou em 2012 com Cognitive, despertando o interesse de fãs de nomes como Porcupine Tree, Steven Wilson, Opeth, Riverside, Evergrey, Pain of Salvation e Tool, transformou-se em uma das bandas mais importantes de sua geração.

Graças à sua sonoridade diferenciada e sofisticada, aliada aos excelentes vocais de Joel Ekelöf, o quinteto conseguiu escrever sua própria história em um ambiente repleto de nomes consolidados, sem copiar ninguém ou simplesmente se tornar mais uma banda dentro da cena sueca. Cresceu gradualmente, disco após disco, em uma trajetória que lembra um pouco a jornada dos norte-americanos do Kamelot.

Photo: Reprodução

Peças fundamentais dessa trajetória

Apesar das excelentes performances instrumentais e individuais de Lars Åhlund (teclados, guitarras e backing vocals), Cody Lee Ford (guitarras e vocais de apoio) e Stefan Stenberg (baixo), que retornou à banda após seis anos, é preciso destacar a importância da dupla formada por Joel Ekelöf (vocais) e Martin López (bateria), duas mentes brilhantes, assim como peças fundamentais para o sucesso e a merecida ascensão do grupo.

Em síntese, Reliance é um daqueles discos com cara de continuação e que, provavelmente, algumas pessoas rejeitarão em uma primeira audição. Entretanto, na segunda ou terceira passagem, o ouvinte percebe que, apesar das semelhanças com seus antecessores, o álbum contém a essência que fez do Soen um dos nomes importantes dentro do Progressive Metal.

Traduzindo: um disco maduro e honesto, mas que precisa ser apreciado em doses homeopáticas.

N. do R.

A banda confirmou presença na próxima edição brasileira do Bangers Open Air. A apresentação acontece no dia 24 de abril de 2027.

Observações acerca do álbum

  • Reliance conquistou a 19ª posição na Alemanha, a 28ª na Suécia, a 21ª na Austrália e a 15ª na Finlândia.
  • Em abril e maio deste ano, a banda tocou na América do Norte ao lado dos compatriotas do Dark Tranquillity, durante a Scandinavian Heavy Arts Tour.

Nota: 9,0

Integrantes:

  • Joel Ekelöf — vocais
  • Cody Lee Ford — guitarras
  • Lars Enok Åhlund — guitarras, teclados
  • Stefan Stenberg — baixo
  • Martin López — bateria

Faixas:

  1. Primal
  2. Mercenary
  3. Discordia
  4. Axis
  5. Huntress
  6. Unbound
  7. Indifferent
  8. Drifter
  9. Draconian
  10. Vellichor
Deixe seu comentário
Sair da versão mobile