Resenha: Ronnie Romero – “Backbone” (2025)

A trajetória de Ronnie Romero já o coloca entre as vozes mais reconhecíveis e versáteis do Hard Rock e do Heavy Metal contemporâneo. O vocalista chileno, descoberto por Ritchie Blackmore para assumir o microfone do Rainbow em um posto antes ocupado por lendas como Ronnie James Dio, construiu um currículo que impressiona pela quantidade e, especialmente, pela qualidade.

Ao longo dos últimos anos, Romero manteve uma agenda quase impossível, lançando álbuns em sequência com inúmeros projetos. Entre os mais importantes estão Lords of Black, Elegant Weapons, The Ferrymen, além de suas participações nas bandas de Adrian Vandenberg e Michael Schenker. Esse ritmo intenso apenas reforça seu status de workaholic incansável — e, ainda mais importante, de artista sempre inspirado.

Photo: Unai Endemaño Photography

É nesse contexto surge Backbone, lançado pela Frontiers, segundo álbum de inéditas de sua carreira solo e sucessor de Too Many Lies, Too Many Masters. Entre esses trabalhos, Romero ainda homenageou suas origens com os tributos Raised on Radio e Raised on Heavy Radio, evidenciando sua devoção às raízes do rock e metal. Agora, porém, ele assume controle total da direção artística, acompanhado por José Rubio (guitarras), Chris Allan (bateria), Alex Bertoni (teclados) e Francisco Gil Torres (baixo), formando um núcleo sólido e tecnicamente afiado.

A Espinha Dorsal de um Novo Capítulo

Desde a faixa-título, “Backbone”, o álbum estabelece uma atmosfera poderosa, guiada por riffs vigorosos e uma interpretação vocal que remete imediatamente ao espírito épico de Ronnie James Dio. Aliás, esse diálogo com a herança clássica permeia o início do disco também com “Bring the Rock”, que evoca o magnetismo melódico do Rainbow. Mais para o final, “Keep on Falling” se inspira na passagem de Dio pelo Black Sabbath, adotando um clima sombrio e um groove profundo. Inegavelmente uma das composições mais marcantes do álbum.

Mesmo assim, Romero não se limita às referências. Ele amplia seu vocabulário musical ao incorporar elementos contemporâneos e mais acessíveis. Isso ocorre em “Never Felt This Way”, que abraça o hard oitentista, e na inspirada “Hideaway (Run)”, composição de Russ Ballard enriquecida pelo solo nostálgico de Kee Marcello, ex-Europe. São faixas que reafirmam Romero como um intérprete versátil, capaz de dialogar com diferentes linguagens sem perder sua assinatura vocal distinta.

O álbum também reserva espaço para nuances mais emotivas e introspectivas, como em “Lost in Time”, onde Romero suaviza a força habitual de sua voz. Nesse momento ele cria um ambiente melancólico e contemplativo absolutamente novo que fisga o ouvinte imediatamente. No extremo oposto está a eletrizante “Black Dog”, mais moderna e agressiva, impulsionada pelos riffs eficientes de José Rubio, bem como pelo ótimo time de apoio. Essas diferenças de humor reforçam o quanto Backbone funciona como um retrato artístico completo e multifacetado.

Produção, Identidade e Força Criativa

Um dos grandes méritos do disco está em sua produção, que equilibra clareza, peso e uma compreensão meticulosa de como um trabalho como este deve soar. A mixagem oferece brilho às guitarras, profundidade à base rítmica, assim como destaque total à voz de Romero, sem ofuscar nenhum elemento. A sonoridade remete ao auge do Hard Rock e do Heavy Metal dos anos 80, mas sempre com um frescor atual. Isto permite que o álbum converse tanto com os fãs veteranos quanto com novos ouvintes.

Reprodução/Facebook oficial

No conjunto, Backbone se revela um trabalho envolvente, emocionalmente honesto, bem como musicalmente poderoso. Romero parece mais livre do que nunca para explorar composições que valorizam seu alcance vocal, sem pressões estilísticas ou amarras criativas. Ele transita do Hard ao Heavy, da reverência a Dio às melodias modernas, mas sempre com personalidade.

O disco cumpre com excelência a proposta de oferecer músicas fortes, arranjos inspirados e um clima clássico plenamente atualizado. Sendo assim, Ronnie Romero além de se provar como uma das grandes vozes da atualidade, também demonstra ser um artista completo, capaz de liderar sua própria visão musical.

Backbone é divertido, emocionante, bem tocado e impecavelmente produzido — um dos grandes trabalhos de 2025 e certamente mais um passo firme na construção de uma carreira solo que promete se tornar tão relevante quanto seus inúmeros projetos paralelos. Que venham os próximos capítulos.

Nota: 8,8

Integrantes:

  • Ronnie Romero (vocal)
  • Chris Allan (bateria)
  • Francisco Gil (teclado e baixo)
  • José Rubio Jimenez (guitarra)
  • Alex Bertoni (teclado e baixo)

Faixas:

  1. Backbone
  2. Bring The Rock
  3. Lost In Time
  4. Never Felt This Way
  5. Hideaway (Run)
  6. Lonely World
  7. Keep On Falling
  8. Eternally
  9. Running Over
  10. Black Dog
Paulistano, nascido em 1981, fã de Rock e Heavy Metal desde criança. Idealizador, fundador e criador do Mundo Metal. Valoriza tanto os clássicos como as novas gerações. Assíduo frequentador de shows e se considera um organismo movido à música.
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