Resenha: Primal Fear – “Domination” (2025)

Poucas bandas passam pelas situações extremas que o Primal Fear passou nos últimos anos e sobrevivem. E é preciso dizer, o grupo enfrentou este período desafiador e turbulento, com muita habilidade, perspicácia e resiliência.

Tivemos todo o tempo em que Mat Sinner ficou hospitalizado (cerca de um ano) e, depois, o período que abrangeu sua longa recuperação. Quando tudo parecia encaminhado para um final feliz, no final do ano passado, ocorreu uma verdadeira debandada de integrantes e o grupo ficou reduzido ao vocalista Ralf Scheepers e o baixista Mat Sinner — sendo que este último ainda não estava 100% fisicamente.

Acontece que a resposta do Primal Fear foi rápida e certeira. A reformulação começou imediatamente e, mais ou menos um mês após as saídas, os alemães já tinham um novo lineup e estavam trabalhando no seu próximo disco de estúdio. Ralf e Mat recrutaram o guitarrista Magnus Karlsson — colaborador de longa data nas composições —, além da guitarrista ítalo cubana Thalìa Bellazecca e do baterista André Hilgers.

Reprodução/Divulgação

Padrão de qualidade Primal Fear

A espera demorou quase um ano, mas finalmente no último dia 5 de setembro, “Domination” chegou às lojas e plataformas de streaming através do selo Reigning Phoenix Music. O décimo quinto registro da carreira, primeiro com a nova formação, é constituído de 13 novas composições dividas em pouco mais de 59 minutos de duração.

E por falar em duração, temos um álbum relativamente longo. Apesar das músicas possuírem aquele padrão de qualidade de sempre, com melodias cativantes e refrãos muito bons, em algum momento na segunda metade da audição você sente que a banda poderia ter enxugado um pouco o tracklist. Nada que atrapalhe muito, mas ainda assim um ponto que precisa ser mencionado.

O álbum abre muito bem com “The Hunter” e “Destroyer”. Duas faixas que carregam o DNA e a alma do que é o Primal Fear. É como se fosse um recado aos fãs, “não se preocupem, ainda somos a mesma banda de sempre”. Na primeira temos um dos melhores refrãos do disco e, na segunda, uma explosão de energia. “Far Away” envereda pelos terrenos do Power Metal e trata-se daquela pisada no acelerador mais do que bem vinda. Refrão para cantar junto, solos excepcionais da dupla Magnus/Thalìa e uma performance excepcional de Ralf.

“Domination” apresenta saldo positivo

“I Am The Primal Fear” é mais uma que apresenta um belíssimo refrão e “Tears Of Fire” se destaca pelas melodias bonitas, além de um leve flerte com o Hard Rock. “Heroes And Gods” diversifica cadência e velocidade, assim como mantém a audição em alta temperatura. Na metade do álbum, temos a instrumental “Hallucinations”, que traz solos belíssimos e prepara o terreno para a chegada de “Eden”, uma power ballad épica com mais de 7 minutos de duração e participação especial da vocalista Melissa Bonny (Ad Infinitum).

É a partir deste ponto que temos aquela “barriguinha” um pouco incômoda. Mais uma vez devo deixar claro, não compromete o resultado final, mas uma leve alteração na ordem das faixas teria ajudado bastante a fluidez. Sabe aquele momento em que a audição pede uma daquelas composições mais aceleradas e viscerais aos moldes de “Far Away”? Pois é, ao invés disso temos “Scream”, que apesar de divertida e muito longe de ser uma canção ruim, faz com que continuemos esperando pela porrada. E ela demora para chegar, as próximas são as ótimas “The Dead Don’t Die” — cadenciada, assim como nos remetendo a faixas do passado como “Dollars”, “Church Of Blood” e “In Metal” — e “Crossfire”, com um ótimo refrão e muita energia.

Somente no momento derradeiro é que “March Boy March” chega chutando a porta e trazendo aquele Primal Fear visceral e feroz que tanto amamos. As linhas vocais remetem a Rob Halford e certamente temos aqui uma das melhores do álbum, senão a melhor.

Reprodução/Facebook

Lenha para queimar

Se esta música tivesse aparecido um pouco antes, não teríamos a inevitável sensação de cansaço. Apenas detalhes, mas que acabam fazendo a diferença no momento da nota. Antes do fim, ainda temos “A Tune I Won’t Forget”, uma espécie de interlúdio que não acrescenta muita coisa, mas traz como curiosidade Ralf cantando em tons mais graves.

No geral, mesmo com alguns detalhes que poderiam ser corrigidos, temos um excelente álbum do Primal Fear. Destaque total para os novos integrantes que representaram muito bem o legado do grupo.

A guitarrista Thalìa Bellazecca teve um desafio e tanto ao formar dupla com Magnus Karlsson e inegavelmente se saiu muito bem. O cara é um monstro virtuoso e a ítalo cubana conseguiu equilibrar o jogo com solos impressionantes, bem como uso de lindas harmonias. Os dois ainda se utilizaram de duelos e duetos, demonstrando que mesmo se comparados com guitarristas anteriores que já passaram pelo grupo, ainda assim se destacariam.

Não poderia deixar de mencionar que Ralf Scheepers é quase um alien. No auge de seus 60 anos, o vocalista ainda está cantando tudo e mais um pouco, despejando notas altas sempre que necessário, mas com um timbre de voz um pouco mais encorpado e agradável. Na parte rítmica, é bom ver Mat Sinner saudável ao ponto de tocar novamente e excursionar com o Primal Fear, já André Hilgers substitui muito bem o técnico Michael Ehré, que por sinal não deixou saudades.

O disco foi gravado por Dennis Ward, produzido por Mat Sinner, com co-produção de Ralf Scheepers/Magnus Karlsson e mixagem/masterização de Jacob Hansen. Sim, “Domination” entrega o que promete, evidencia a força da banda e vale a audição. Ao final das 13 faixas, fica a certeza que a águia de prata ainda seguirá voando pelos confins do universo por um bom tempo.

Nota: 8,7

Integrantes:

  • Mat Sinner (baixo)
  • Ralf Scheepers (vocal)
  • Magnus Karlsson (guitarra)
  • André Hilgers (bateria)
  • Thalìa Bellazecca (guitarra)

Faixas:

  • 01 The Hunter
  • 02 Destroyer
  • 03 Far Away
  • 04 I Am The Primal Fear
  • 05 Tears Of Fire
  • 06 Heroes And Gods
  • 07 Hallucinations
  • 08 Eden
  • 09 Scream
  • 10 The Dead Don’t Die
  • 11 Crossfire
  • 12 March Boy March
  • 13 A Tune I Won’t Forget
Fabio Reis
Paulistano, nascido em 1981, fã de Rock e Heavy Metal desde criança. Idealizador, fundador e criador do Mundo Metal. Valoriza tanto os clássicos como as novas gerações. Assíduo frequentador de shows e se considera um organismo movido à música.
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