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Resenha: Powerwolf – “Call Of The Wild” (2021)

“Call Of The Wild” é o décimo full lenght da banda alemã de Power Metal, Powerwolf, lançado no dia 16 de julho, pelo selo Napalm Records. Ele é o sucessor de The Symphony of Sin, lançado no ano passado. O quinteto é um dos melhores grupos da atual geração do subgênero, honrando a tradicional escola alemã do estilo, e nos últimos quatro anos, tem lançado discos que sempre brigam pelo pódio no TOP 10, que é divulgado, geralmente, no mês de dezembro.

Embora todas as menções vistas por mim sobre a sonoridade do Powerwolf mencionem, simplesmente, Power Metal, eu creio que acrescentar a palavra Melodic antes define melhor seu estilo de composições. O grupo nascido no ano de 2004, na cidade de Saarbrücken, tem dez álbuns lançados nesse período de 17 anos de existência. Seu principal destaque, pelo menos atualmente, é a voz de Attila Dorn (que de verdade se chama Karsten Brill), a qual esbanja melodia, feeling e técnica. O baixista Charles Greywolf, que na realidade se chamar David Vogt, também forma dupla de guitarristas com Matthew Greywolf, que na verdade é Benjamin Buss. Os riffs e solos produzidos são primorosos e impecáveis em todos os aspectos. O tecladista Falk Maria Schlegel, que na realidade é Christian Jost, promove uma atmosfera de orquestração, fazendo com que cada faixa soe divinamente. O baterista holandês Roel van Helden, que por incrível que pareça tem esse nome mesmo, ajuda a construir a base sonora com o baixista Vogt, ou Greywolf como é chamado.

   

Melodic Power Metal nunca foi um subgênero que fez a minha cabeça, assim mesmo, “Call Of The Wild” soou perfeito do inicio ao fim para mim, tanto na parte musical, quanto na lírica. As letras fomentam um ambiente épico que tem valor imensurável no meu gosto. Isso já se nota desde a canção de abertura, “Faster Than The Flame”, a qual eu fiz uma análise completa antes mesmo de começar a escrever essa resenha. Sinta o clima através desse trecho do meu texto no artigo Música e Letra: “Incendere (Cendere) / Inflammatum (Flammatum) / Illuminatum (o trecho em latim diz: Acenderei, (ficarei) inflamado, (ficarei) iluminado) / E todos nós nos levantaremos contra o maldito (a citação novamente da guerra do bem contra o mal). Chama, chama, queimando livre em nome dos Céus / Chama, chama, do Senhor viemos / Chama, chama, Armagedom (luta do bem contra o mal mais uma vez), proclamamos / Chama, chama, fogo deve agora reinar (o bem deve ser definitivo dentro de cada um de nós).” A temática “bem contra o mal” sempre me fascina. Eis um refrão que jamais desgrudará da minha cabeça. Perfeição é como tudo aqui deve ser definido.

“Beast Of Gévaudan”, embora seja levemente mais cadenciada que sua antecessora, ainda sim promove os mesmos predicados e, igualmente, me deixa boquiaberto. Cada novo refrão pode ser sentido no ritmo de minha frequência cardíaca, ou seja, uma experiência única, que só quem ama Metal pode traduzir. Os solos de guitarra superaram os da abertura. “Dancing With The Dead” começa sob o domínio teclados de Schlegel e assim segue durante a totalidade de sua duração. “Dançando com os mortos / Perdendo o senhor e o espírito santo delirando / Dançando com os mortos / Apaixone-se pelo temperamento do crepúsculo, da luxúria e dos poderes do mal.” Não posso ficar menos do que arrepiado. “Varcolac” tem um refrão pegajoso demais. Em sua metade, há riffs pesados e maravilhosos. “Alive Or Undead” deve ter sido concebida por entidades altamente evoluídas. Mesmo que eu quisesse, eu não conseguiria encontrar uma única falha nessa balada, que caiu muito bem nesse momento da audição. Seus solos são decididamente os mais impressionantes do disco.

Embora sejam duas bandas completamente diferentes em suas sonoridades, “Blood For Blood (Faoladh)” me remeteu ao Grave Digger em suas melhores fases, até parece que os conterrâneos fizeram uma “participação especial” no registro e isso acabou por ser mais um momento mágico. Em “Glaubenskraft”, Powerwolf usou sua língua mãe, o que também encaixou com precisão e foi sinfonia para os meus tímpanos, que arderam de deleite, como se sentissem um orgasmo em forma de música. A faixa título, “Call Of The Wild”, é, instrumentalmente, alto astral, porém a letra se refere, mais uma vez, sobre a batalha do bem é do mal, dessa vez, dentro de cada uma de nós. Sempre tentamos buscar o sagrado, mas nossa natureza animal fala mais alto. “ (Nós) Trazemos o chamado da natureza / Para o signo da sacristia / Descanse nos olhos de nossa santidade / Todo o mundo não pode negar, que ouvimos o céu clamar pela horda / Temos que seguir a (nossa ) natureza para uma vida de insanidade / Deleite-se com a luxúria e palavrões / Todo o mundo não pode negar que nos escondemos de nossa linhagem animal (pelo menos até onde conseguimos) / Nós trazemos o chamado da selva.”

“Sermon Of Swords” destaca a bateria de van Helden, que intercala velocidade e cadência em uma dinâmica, supreendentemente, equilibrada. Isso a tornou a música mais “agitada” do full lenght. “Undress To Confess” tem uma letra que aparenta misturar catolicismo e sexo. “Ela veio se despir e confessar (confessar) / Juntos, despir-se e confessar (confessar) / A noite toda em uma bagunça / Para a luxúria no calor do excesso / Todos nós nos despirmos para confessar / Revele-se ao pastor (qual pastor seria esse?) / Traz perdão na melhor das hipóteses / Para qualquer tecido na pele / Corrompe sua mente como a peste.” O sexo é utilizado tanto para pecar, quanto para obter perdão. Como assim? Mistura de tantrismo e catolicismo? Tudo muito doido.

O décimo álbum do Powerwolf encerra com a canção “Reverent Of Rats”, com a mesma atmosfera épica e “poderosa” com a qual ele começou e se manteve por seus quarenta minutos de duração, tempo esse que nem senti passar tão agradável é cada uma de suas onze faixas. Defino em uma palavra: Sensacional.

Grandes álbuns de Power Metal foram lançados em 2021 até o momento. Helloween, Silent Winter, Frozen Crown, Orden Ogan, Steelbourne, Edu Falaschi… “Call Of The Wild” do Powerwolf veio para fazer parte desse grupo de excelentes lançamentos. Indicado e aprovado para fãs de Power.

Nota: 9,3

Integrantes:

  • Charles Greywolf (baixo, guitarra)
  • Matthew Greywolf (guitarra)
  • Falk Maria Schlegel (teclado)
  • Attila Dorn (vocal)
  • Roel van Helden (bateria)

Faixas:

  1. Faster Than The Flame
  2. Beast Of Gévaudan
  3. Dancing With The Dead
  4. Varcolac
  5. Alive Or Undead
  6. Blood For Blood (Faoladh)
  7. Glaubenskraft
  8. Call Of The Wild
  9. Sermon Of Swords
  10. Undress To Confess
  11. Reverent Of Rats
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