Resenha: Perfect Beasts – “Perfect Beasts” (2026)

O termo “supergrupo” é frequentemente usado para descrever projetos que somam currículos, mas no caso do Perfect Beasts, o que vemos é uma soma de identidades. O álbum de estreia da banda, viabilizado por uma campanha de financiamento coletivo extremamente bem-sucedida, prova que a conexão direta com os fãs pode gerar uma liberdade criativa rara. O resultado é sobretudo um disco enérgico, polido e imprevisível, que foge das fórmulas engessadas para abraçar uma sonoridade moderna e vibrante, onde cada riff tem “garras” e cada melodia corta fundo.

A formação é de tirar o fôlego: o virtuoso Nick Andrew (pioneiro nas guitarras sintéticas), o carismático Darren Redick (conhecido pelas ondas da Planet Rock), o versátil baterista e letrista Steve Hales e, finalmente, a voz e o talento inconfundível de John Mitchell. Juntos, eles criaram um coquetel que funde rock, prog e elementos eletrônicos de forma orgânica.

O Auge Criativo de John Mitchell

É impossível falar de Perfect Beasts sem dedicar um capítulo à parte para John Mitchell. Após décadas entregando excelência em grupos como The Urbane, It Bites, Frost*, Arena, Lonely Robot e The Kite Experiment, Mitchell vive um momento de consagração. Além de ser o atual guitarrista do lendário grupo de pop progressivo Asia, ele atualmente lidera a produção do aguardado novo álbum da banda, consolidando-se como uma das figuras mais influentes do rock moderno. Neste novo projeto, Mitchell inclusive reafirma seu “toque de Midas”: sua voz atinge um equilíbrio perfeito entre a entrega emocional e o vigor do hard rock, provando que ele consegue sempre ir além do esperado.

Uma Jornada Sonora:

A produção do álbum é inegavelmente soberba, equilibrando o polimento de estúdio com uma energia crua. A abertura com “Three’s A Crowd” já dita o ritmo, unindo fúria musical e uma letra ansiosa sobre a invasão do espaço pessoal, culminando em um solo de metal afiado. O grande destaque do trabalho, contudo, é “Genie’s Out The Bottle”. Com uma pegada mais alternativa e futurista graças às guitarras sintéticas de Nick Andrew, dessa forma a música é uma sátira política mordaz sobre o cinismo das classes dominantes.

O disco prova ser diversificado na interessante faixa-título, que traz um peso filosófico e riffs metálicos. Assim, “Bad Things Happen” contrasta versos suaves com refrões pesados para falar sobre a aceitação do caos. Para quem busca melodias mais acessíveis, “Heavy Is The Head” conquista imediatamente com sua estrutura de fácil assimilação, bem como com o apoio luxuoso dos backing vocals de Leoni Jane Kennedy, explorando o peso da consciência com o passar do tempo.

O lado mais humano e emocional aparece em “Every Saturday (One Night Only)”, uma balada cinematográfica que narra as esperanças e tragédias de frequentadores de um pub, e na belíssima “Chasing Daylight”, que certamente traz um respiro de esperança com violinos e uma interpretação vocal tocante. Já “Non-Stop To The Moon” injeta uma dose de nostalgia AOR com um final futurista. Enquanto “Undertow” se desdobra em camadas épicas, arrastando o ouvinte para um final explosivo de hard rock. O álbum ainda flerta com o jazz-rock em “On A Curve”, destacando assim o baixo elástico de Redick. E encerra com a força monumental de “Perfect Beasts”, inspirada na filosofia de Nietzsche.

Perfect Beasts é um álbum sem “enchimentos”. É o som de músicos veteranos redescobrindo o prazer de tocar com a fúria de quem está apenas começando, desse modo provando que o rock, quando feito com coragem, ainda é a forma mais honesta de arte. Como diz Nick Andrew: “Cada faixa conta uma história, cada riff tem garras e cada melodia corta profundamente.”. E ele está 100% correto.

Integrantes:

  • John Mitchell (vocal e guitarra)
  • Nick Andrew (guitarra e sintetizadores de guitarra)
  • Darren Redick (baixo)
  • Steve Hales (bateria)

Faixas:

  • Three’s A Crowd
  • Bad Things Happen
  • Heavy Is The Head
  • Genie’s Out The Bottle
  • Non-Stop To The Moon
  • Undertow
  • Chasing Daylight
  • On A Curve
  • Every Saturday (One Night Only)
  • Perfect Beasts
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