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Resenha: Necronautical – “Slain in The Spirit” (2021)

Gravadora: Candlelight Records

O Black Metal surpreende em quantidade e qualidade de bandas que vem surgindo ao longo dos anos. E um exemplo claro são os ingleses do Necronautical. Formada em 2010, a banda chegou a marca de 4 discos lançados, sendo o último deles o excelente “Slain in The Spirit”, que data de 20 de agosto. Esse mais recente registro do quarteto é claramente o mais maduro em quesito produção e composição.

   

Para começar, eles seguem a escola do Black Metal bem construído e com elementos bem focados em melodias mais tenebrosas e teatrais. O recurso de ambientações e vocais mais líricos são os mais usados pelo quarteto, como no caso da pancada “Ritual and Recursion”, uma composição direta e excelente que abre o disco da melhor forma possível. Os vocais de Russell “Naut” são maravilhosos, e fogem daqueles rasgados clássicos do Black. Os guturais são pesados e encorpados, e dão a canção muito peso e qualidade. “Occult Ecstatic Indocrination” nos mostra novamente como os elementos de ambientação podem ser um recurso maravilhoso na construção de uma obra teatral.

Bebendo na mesma fonte de nomes como Anorexia Nervosa, Behemoth e Carach Agren, o Necronautical, eles conseguem apresentar o seu lado brutal alinhado a beleza obscura de sua temática niilista e existencialista. As guitarras de James “Carcarion” e “Naut” são peças essenciais para que a obra seja completa e sem defeitos. A faixa titulo do compacto mostra que também temos um baterista experiente e bruto tomando conta das banquetas. Rob “Slugh” sabe controlar bem as partes rápidas onde precisa acelerar seu pedal, mas também sabe controlar a mão na hora que precisa criar uma dinâmica mais melancólica e introspectiva. “Slain in The Spirit” é uma canção repleta de nuances e bem coesa, uma faixa ótima. Minha maior ressalva para o disco é a faixa “Hypnagogia”, uma composição bem feita, porém que poderia ser um pouco mais curta. Afinal, os 50 segundos que a encerram formam um conjunto de bases sincopadas, muito bem executadas (por sinal), mas senti como se não fizessem parte, e sim como se fossem algo que alguém colocou ali para ocupar espaço. Porém isso não desmerece o trabalho excepcional realizado pelos britânicos. A quarta música é uma boa faixa, mas que poderia ser mais curta e direcionada de forma mais eficaz aos consumidores de Black Metal.

O disco segue com mais quatro composições, todas excelentes, com peso e atmosfera obscura como bem gostamos. Em “Pure Consciousness Event”, o destaque vai muito além do clima e do instrumental impecável. O trabalho de backing vocal do baixista e vocalista Matt “Anchorite” é excelente. Sua voz se conecta de forma suave ao instrumental bruto e completo. Naut também surpreende e mescla os guturais fortes de sua voz, que são rasgados, bem executados e delineados de modo excelente. A introdução de “Necropsychonautics” me lembrou muito as composições clássicas de nomes como Cradle of Filth, Dimmu Borgir e Anorexia Nervosa (já mencionado). A bateria de Slugh é contínua e assustadora. As cordas de Naut, Carcarion e Anchorite também estão trabalhando em união, dando ainda mais qualidade para essa faixa espetacular.

“Contorting in Perpetuity” é um combo de riffs e vocais agressivos. A atmosfera novamente se sobressai aqui, e os vocais de Achorite são belíssimos, criando um sentimento que vai do ódio até a melancolia em segundos. Por fim, o disco termina de forma coesa, com a maravilhosa “Death Magick Triumphant”. Se até agora você não entendeu que a banda se encaixa perfeitamente na categoria de Symphonic Black Metal, tenha certeza que nesse momento isso fará sentido. Os 4 garotos de Manchester trazem uma composição um pouco mais cadenciada em comparação ao andamento do disco, cheia de orquestrações bem feitas e vocais mais limpos. Além disso, a aula de riffs continua forte, e ensina a nova geração que para se fazer Black Metal, não é preciso ser rápido e mal gravado. Além disso, a banda ainda apresenta uma faixa bônus, um cover muito brutal de uma canção já excelente. A indiscutível “Disciple” do Slayer. A banda simplesmente pegou algo já brutal e transformou em uma música ainda mais intensa e obscura. Dando pequenos toques próprios, “Disciple” ganhou ainda mais peso e um pouco da atmosfera sombria dos britânicos.

Outros dois pontos positivos são: primeiro, a belíssima capa feita por David Thiérrée. Ela traz ao ouvinte todos os sentimentos introspectivos que a audição irá lhe proporcionar, simplesmente incrível. Segundo, é também necessário mencionar o trabalho de produção, no qual simplesmente há um show a parte. Cada instrumento está extremamente bem produzido e com uma audição impecável. Literalmente, tudo está sem defeito algum. Fui surpreendido positivamente pelo quarteto jovem, que promete fazer muito barulho ainda, seja lá por onde passarem.

Nota: 8,5

Integrantes:

  • Naut (guitarras, vocal)
  • Carcarion (guitarras)
  • Anchorite (baixo, backing vocal)
  • Slugh (bateria)

Faixas:

  • 1.Ritual & Recursion
  • 2.Occult Ecstatic Indoctrination
  • 3.Slain in the Spirit
  • 4.Hypnagogia
  • 5.Pure Consciousness Event
  • 6.Necropsychonautics
  • 7.Contorting in Perpetuity
  • 8.Death Magick Triumphant
  • 9.Disciple (Slayer cover)

Redigido por Yurian ‘Dollynho’ Paiva

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