Resenha: Monstrosity – “Screams From Beneath The Surface” (2026)

O Monstrosity, apesar de mais de três décadas de atividade, nunca foi uma banda prolífica em lançamentos. Ao longo de sua trajetória desde 1990, contabiliza apenas sete álbuns completos, mesmo tendo passado por uma grande rotatividade de integrantes e por abrigar nomes relevantes do universo do Metal Extremo em sua formação. Entre os músicos que já integraram o grupo, destacam-se George “Corpsegrinder” Fisher (Cannibal Corpse), Kelly Conlon (Death), Tony Norman (Terrorizer) e Mark English (Deicide), entre outros. Ainda assim, independentemente de quem esteja ao lado de Lee Harrison — baterista e líder —, há uma constante: o Monstrosity jamais lançou um trabalho sequer mediano.

Agora, “Screams From Beneath The Surface” chega sete anos após “The Passage Of Existence”, trazendo, novamente, uma formação renovada. O guitarrista Matt Barnes foi mantido, enquanto o baixista Mark van Erp retorna após mais de três décadas afastado para reassumir a base rítmica ao lado de Lee Harrison. Além disso, o vocalista Ed Webb, conhecido por sua participação no Massacre em “Back From Beyond” (2014), completa o lineup.

Lançado em 13 de março pela Metal Blade Records, o álbum apresenta dez faixas distribuídas em pouco mais de 42 minutos. Ainda que a duração não seja extensa, ela se mostra mais do que suficiente para satisfazer até os fãs mais exigentes de Death Metal. O disco preserva uma abordagem old school, mas, ao mesmo tempo, expande significativamente seus horizontes criativos, surpreendendo a cada faixa. Dessa forma, a experiência se transforma em uma verdadeira montanha-russa sonora, repleta de variações rítmicas, mudanças de andamento e execuções refinadas.

Impacto inicial e diversidade sonora

Logo de início, o tracklist impressiona com uma sequência avassaladora formada por “Banished To The Skies”, “The Colossal Rage” e “The Atrophied”. Embora distintas entre si, essas faixas funcionam como uma introdução poderosa a um repertório dinâmico e imprevisível. A primeira é pesada, atmosférica e predominantemente cadenciada, destacando o uso preciso dos bumbos duplos e as linhas afiadas de guitarra de Matt Barnes. Em seguida, “The Colossal Rage” surge como uma explosão de agressividade, rápida e implacável. Já “The Atrophied” resgata com maestria o espírito do Death Metal dos anos 90, evidenciando o baixo pulsante de Mark van Erp e mais uma performance impecável de Lee Harrison.

Na sequência, “Spiral” se apresenta como um verdadeiro rolo compressor, combinando grooves marcantes com uma atuação sólida de Ed Webb. Em contrapartida, “Fortunes Engraved In Blood” explora uma vertente mais progressiva, chamando atenção por suas múltiplas camadas. Já em “Vapors”, Matt Barnes entrega um solo memorável, digno de destaque. Vale ressaltar que, apesar da riqueza de ideias, as faixas são relativamente curtas, sendo que apenas três ultrapassam cinco minutos. Ainda assim, o quarteto demonstra que não precisa de mais tempo para causar impacto.

Técnica, peso e variações

Mais adiante, “The Thorns” inicia com uma introdução bem elaborada e evolui para uma verdadeira locomotiva rítmica. Em “Blood Works”, o grupo apresenta um Death Metal tradicional, porém repleto de variações, enquanto Ed Webb reafirma sua versatilidade ao alternar entre guturais profundos, vocais rasgados e gritos agudos com total precisão.

Por sua vez, “The Dark Aura” se destaca como a faixa mais ousada do Monstrosity em muito tempo. Com andamento mais lento e uma atmosfera sombria, a música incorpora elementos experimentais — leia-se, extrassensoriais — que ampliam ainda mais o escopo sonoro da obra. Esse momento evidencia que explorar novas direções pode ser extremamente positivo quando há coesão artística.

O encerramento fica por conta de “Veil Of Disillusion”, que retoma a intensidade brutal característica do disco. Inicialmente veloz e técnica, a faixa evolui para um ritmo repetitivo e hipnótico, como um mantra sombrio ecoando das profundezas. Assim, o álbum se conclui de forma coerente e impactante, deixando a expectativa de que o Monstrosity não demore a retornar com um novo trabalho.

Conclusão e impacto no cenário

Considerando que o Death Metal tem se mostrado um dos gêneros mais consistentes dos últimos anos em termos de lançamentos de qualidade, é difícil não prever a presença de “Screams From Beneath The Surface” entre os melhores discos de 2026.

Sem falhas aparentes, o sétimo álbum da carreira dos norte-americanos é sólido, inspirado e tecnicamente impecável. Além disso, alia produção competente a uma dose equilibrada de ousadia. Com isso, reúne todos os elementos necessários para se tornar um clássico do gênero no futuro e influenciar novas gerações. Audição obrigatória.

Nota: 9,8

Integrantes:

  • Matt Barnes (guitarra)
  • Ed Webb (vocal)
  • Mark van Erp (baixo)
  • Lee Harrison (bateria)

Faixas:

  • 01 Banished To The Skies
  • 02 The Colossal Rage
  • 03 The Atrophied
  • 04 Spiral
  • 05 Fortunes Engraved In Blood
  • 06 Vapors
  • 07 The Thorns
  • 08 Blood Works
  • 09 The Dark Aura
  • 10 Veil Of Disillusion
Paulistano, nascido em 1981, fã de Rock e Heavy Metal desde criança. Idealizador, fundador e criador do Mundo Metal. Valoriza tanto os clássicos como as novas gerações. Assíduo frequentador de shows e se considera um organismo movido à música.
3 comentários
  • sinceramente eu esperava mais desse album a musica “The Colossal Rage” elevou muitas minhas expectativas achei musica impecavel ,com o segundo single apesar de ter curtido a “The Atrophied” nao me despertou o mesmo entusiasmo,agora falando do album em si me parece mais repetição da formula da colossal rage em exaustao oque me cansou apesar de curto o album nao me clicou ,deixando claro nao achei necessariamente ruim porem esperava mais daria nota 7 ,album horrivel acho monstrosity nao tem porem o spiritual apocalypse e ponto mais fraco da discografia na minha opiniao.

  • Ótima resenha! Parabéns, Fabio Reis!
    Eu nem precisava ler uma resenha tão boa assim para comprar esse último petardo do Monstrosity (em CD e LP), pois, atualmente, é fácil ouvir antecipadamente na internet, mas, como você mesmo disse, Monstrosity nunca decepciona a cada lançamento! Tenho todos, desde o poderoso Imperial Doom (tenho em vinil importado e o compacto, também). O In Dark Purity já tive em vinil, mas vendi e peguei o digipak. O resto eu tenho em digipak (The Passage of Existence tenho em CD e LP).

  • Discaço de se ouvir sem pular faixas do inicio ao fim e serve para mostrar aos preguiçosos e saudosistas dos anos 80 que o DEATH METAL continua vivíssimo.

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