Resenha: Masterplan — “Metalmorphosis” (2026)

Como sabemos, o Masterplan nasceu após as saídas do guitarrista Roland Grapow e do baterista Uli Kusch do Helloween. Logo no início, a dupla firmou uma parceria com o vocalista norueguês Jørn Lande e provocou grande expectativa com seus dois primeiros álbuns de estúdio, “Masterplan” (2003) e “Aeronautics” (2005). Apesar do prestígio conquistado naquele período, o grupo enfrentou constantes mudanças internas e, com o passar dos anos, trocou integrantes, experimentou diferentes sonoridades e perdeu parte do interesse que havia despertado em sua estreia.
A banda tentou iniciar um novo ciclo com “Novum Initium” (2013), trabalho que apresentou Rick Altzi nos vocais e uma formação praticamente reformulada. Entretanto, após a morte de Andy Allendörfer, fundador e proprietário da AFM Records, Roland Grapow sentiu que o Masterplan deixou de ocupar uma posição de destaque dentro da gravadora. Desestimulado, o músico colocou o projeto em segundo plano, enquanto direcionava boa parte de seu tempo à produção musical e às atividades de seu estúdio.
O grupo ainda lançou “PumpKings” em 2017, reunindo novas gravações de músicas compostas por Grapow durante sua passagem pelo Helloween, mas permaneceu sem apresentar material autoral inédito. Esse cenário começou a mudar quando a Frontiers Music Srl demonstrou interesse em trabalhar com a banda. Assim, depois de 13 anos sem um disco de inéditas, chegava o momento de produzir um álbum capaz de recolocar o Masterplan em evidência. Lançado em 26 de junho de 2026, “Metalmorphosis” reúne dez composições distribuídas ao longo de aproximadamente 50 minutos.

Uma formação renovada para um retorno aguardado
A base de “Novum Initium” foi preservada, com apenas uma alteração: a chegada do baterista Kevin Kott, conhecido por seus trabalhos com Almanac, At Vance e Herman Frank, no lugar de Martin “Marthus” Škaroupka. Completam a formação o guitarrista, líder e principal compositor Roland Grapow, o tecladista Axel Mackenrott, o baixista Jari Kainulainen, ex-Stratovarius, e o vocalista Rick Altzi, também ligado ao At Vance e ao Herman Frank.
Ao final da audição de “Metalmorphosis”, fica a sensação de que este poderia ter sido o álbum lançado logo depois de “Aeronautics”. As composições apresentam peso, melodias envolventes e refrões marcantes, além de recuperarem parte da identidade que tornou os primeiros trabalhos tão celebrados. Embora existam passagens mais progressivas e momentos de apelo melódico imediato, o foco permanece no Metal, mais precisamente em um Power Metal robusto, grandioso e conduzido por guitarras.

O reencontro com a identidade clássica
“Chase the Light” abre o disco de maneira convincente e funciona como um excelente cartão de visitas. Rápida, pesada e impulsionada pelas ótimas linhas vocais de Rick Altzi, a faixa transmite um recado direto: o Masterplan retornou e atravessa uma fase inspirada. O refrão grudento parece pensado para os palcos e tem potencial para ocupar uma posição importante nos futuros repertórios da banda. Na sequência, “Electric Nights” assume uma proposta mais festeira e despojada, enquanto “Shadow Man” aposta em cadência, sobriedade e um refrão simplesmente brilhante.
“Bound to Fall” é uma composição competente, mas acaba ofuscada por aparecer entre dois dos grandes momentos do álbum: a já mencionada “Shadow Man” e a excelente “Pain of Yesterday”. Esta última carrega uma atmosfera que remete diretamente à maravilhosa “Bleeding Eyes”, presente no disco de estreia. Seus riffs e melodias de inspiração oriental criam um clima épico, recurso que diversas bandas de Heavy Metal exploraram com maestria ao longo da história. Aqui, o Masterplan utiliza essa característica sem soar artificial ou excessivamente nostálgico.
Ao ultrapassar a metade do repertório, a faixa-título surge para reforçar que estamos diante de um álbum essencialmente voltado ao Power Metal. “Metalmorphosis” se destaca pelas melodias dos teclados e, novamente, por um refrão que permanece na memória depois de poucas audições. Em seguida, “Through the Storm” entrega exatamente aquilo que o nome promete: uma tempestade sonora movida por bumbos duplos, guitarras aceleradas e alta intensidade. Do riff inicial às linhas vocais, tudo conduz à performance imponente de Kevin Kott, que assume com personalidade uma função anteriormente ocupada por bateristas como Uli Kusch e Mike Terrana.
Altos, baixos e um encerramento arrebatador
Na reta final, “Ghostlight” sofre do mesmo problema de “Bound to Fall”: não se trata de uma música ruim, mas sua posição no repertório reduz o impacto da audição. Ambas aparecem entre faixas muito superiores e, em vez de manterem a temperatura elevada, provocam uma queda perceptível de intensidade. Talvez funcionassem melhor como bônus ou em uma ordem diferente.
O mesmo não acontece com a excelente “The Call”, composição mais longa do álbum, com pouco mais de oito minutos. Emocional e carregada de identidade, a faixa ainda apresenta vocais surpreendentemente eficientes de Roland Grapow. Sua construção gradual combina melodias, mudanças de dinâmica e passagens instrumentais sem transformar a duração em um exercício de exibicionismo. Além disso, prepara o terreno para o encerramento arrebatador de “Rise Again”, que conclui a audição da mesma maneira como ela começou: com Power Metal vigoroso e de muita qualidade.
Uma retomada consistente, apesar das ressalvas
Os fãs podem enxergar “Metalmorphosis” como uma retomada direta da fase mais celebrada do Masterplan. Não estamos diante de um álbum perfeito, porém há muitos elementos dignos de reconhecimento. O principal deles está na quantidade de boas composições, algo que a banda não apresentava com tamanha regularidade havia bastante tempo. Embora preserve sua própria identidade, Rick Altzi utiliza em alguns momentos timbres próximos aos de Jørn Lande, criando uma familiaridade agradável sem parecer uma imitação barata do norueguês.
Roland Grapow, por sua vez, continua demonstrando por que figura entre os grandes guitarristas do Power Metal. Entretanto, seu maior mérito aqui não está apenas na técnica, mas na maneira como coloca a virtuose a serviço das músicas. Em vez de inserir solos e passagens complexas apenas para exibir habilidade, ele toca aquilo que cada composição exige. Essa preocupação ajuda o álbum a soar coeso, direto e menos preso a excessos instrumentais.
Entre os aspectos negativos, “Bound to Fall” e “Ghostlight” poderiam ter ficado de fora da seleção principal ou aparecido como faixas bônus. Sem elas, a audição seria mais enxuta, dinâmica e consistente. A produção, assinada pelo próprio Grapow, também apresenta pequenos deslizes. Nada chega a comprometer a experiência, mas algumas músicas parecem utilizar abordagens de mixagem ligeiramente diferentes, causando discretas variações na sonoridade geral do disco.
Ainda assim, “Metalmorphosis” merece ser recebido com carinho pelos fãs do Masterplan. Além de recuperar uma carreira que parecia abandonada, o álbum mostra que ainda existe espaço para novos capítulos relevantes. A parceria com a Frontiers Music Srl devolveu energia ao grupo, e o resultado aparece em um trabalho inspirado, pesado e extremamente divertido. Depois de tantos anos de espera, o Masterplan finalmente entrega um retorno à altura de sua história.
Nota: 8
Integrantes
- Roland Grapow — guitarra
- Axel Mackenrott — teclado
- Jari Kainulainen — baixo
- Rick Altzi — vocal
- Kevin Kott — bateria
Faixas
- “Chase the Light”
- “Electric Nights”
- “Shadow Man”
- “Bound to Fall”
- “Pain of Yesterday”
- “Metalmorphosis”
- “Through the Storm”
- “Ghostlight”
- “The Call”
- “Rise Again”

eu queria ter curtido esse album porem nao foi o caso nenhuma musica me marcou e graspow cantando para mim foi algo bem inusitado ,fico triste porque acho rick altzi um baita vocalista adoro o trabalho fez no dirt metal do thunderstone mas para mim aqui no masterplan sinto ele meio deslocado nao orna com resto da banda ,para mim e album nota 6.
Excelente retorno do Masterplan! Tenho todos os outros álbuns e independente da fase, acho que acertaram a mão desde a entrada de Rick Altzi, que pra mim é um excelente vocalista desde os tempos de At Vance e também com Jari Kainulainen, que tem uma pegada de baixo que casou muito bem com a sonoridade pesada e ao mesmo tempo melódica de Grapow e ao que me parece, o Kevin Kott também entrou muito bem assumindo as baquetas. Desde o álbum Novum Initium e o DVD Keep Your Dream Alive que acho a banda mais coesa como nos tempos do Jorn Lande, agora é dar continuidade com mais um bom álbum e agora com a Frontiers distribuindo de forma devida.