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Resenha: Maniac Abductor – “Damage Is Done” (2022)

Direto do solo nevado da Finlândia e em busca de um lugar ao sol, o Maniac Abductor lançou o seu segundo álbum de estúdio chamado “Damage Is Done”. O novo trabalho sucede o ótimo “Casualties Of Causality” (2019) e tem a missão de ampliar o nível de padrão de qualidade sonora da banda. O novo disco foi lançado no dia 20 de maio via WormHoleDeath. Gravado e mixado por Mikael Neves no Waiting Room Recording Studios, em Tampere, Finlândia. A masterização aconteceu por intermédio de Jack Control no Enormous Door Mastering. Arte da capa foi desenvolvida por Gragoth.

   

Um de seus compatriotas, o Lost Society, começou muito bem e lançou uma grande trinca de álbuns voltados para o Thrash. A partir do quarto álbum o direcionamento mudou por completo e para pior. Já o Maniac Abductor está com seu segundo full length na área e veremos se a banda segue mergulhada no Thrash Metal espontâneo e energético, assim como aconteceu com o debut. Já os temas principais apresentam fatores como injustiça, ganância, guerra e religião.

Maniac Abductor/Facebook/Reprodução

Simulando um Thrash rápido e rasteiro, vamos em frente sem maiores introduções!

O álbum abre o jogo com Damage Is Done”, que como um bom e exemplar rolo compressor, comprime seu esqueleto até virar uma peça de dominó. As marteladas convictas pertencem ao nobre baterista Jesse Räsänen, enquanto os riffs distorcidos nos moldes dos gloriosos anos 80 são cortesia dos guitarristas Jesse Elo e Saku Tauru. A pancadaria é frenética e os solos, apesar de bem encaixados, são breves e não tão destacáveis assim. Isso é um problema? Jamais! Era para ser assim mesmo e afinal, o dano está feito!

Um pouco de ruídos sinistros, seguidos por acordes cadenciados, ameaçando partir para o ataque. Essa é a receita que atende por Odd Man Out”. As linhas aleternantes entre o lado mais contido e os vários momentos de rispidez acontecem de forma amplamente natural, e aqui os solos aparecem com mais vigor, a pedido da própria composição. A timbragem da bateria se assemelha ao que fora inserido no clássico álbum do Sepultura“Beneath The Remains” (1989), enquanto o encordoamento apresenta uma distorção voltada para outro grande clássico, “Master Of Puppets” (1986) do Metallica, sendo bastante cortante.

Maniac Abductor/Facebook/Divulgação

A terceira faixa possui um nome marcante, pois é o nome de um dos grandes discos do KorzusDisciples Of Hate” (2010), nome também de um dos singles do álbum. Já a música dos finlandeses é ainda mais intensa que suas antecessoras, apesar de possuir uma curta introdução dedilhada e muito bem conectada à mesma, e ao disco em si. Os discípulos do ódio invadem o cenário com vontade e destroem tudo por onde passam. Aqui fica evidente a influência oitentista, incluindo uma boa dose de Testament, mais precisamente de Chuck Billy, relacionada aos vocais do bravo Niklas Pappinen.

Há um momento em que a condução da bateria te guia para uma pitada de solos até que esta retoma o prumo da velocidade, fechando a primeira trinca do álbum com maestria. Mas, não para por aí…

Lembra do rolo compressor? Acrescente mais marchas e novas habilidades para a máquina e temos em Human Greed” a receita para o sucesso. Seca, variante em sua velocidade, inspiração em tempos áureos da boa “múzga”, podendo incluir uns trejeitos de Megadeth e Kreator sem perder a identidade em momento algum. A ganância humana assombra e suga o mundo como um parasita incapaz de pensar em outra coisa que não seja em se dar bem a qualquer custo, e o lado ríspido da trama sonora coloca diante dos olhos e dos ouvidos do metalhead ávido por uma dose cavalar de riffs e acordes insanos, além de solos agressivos e sem compaixão para com os seres de ouvidos de porcelana barata.

Maniac Abductor/Facebook/Reprodução

“Endless War” te entrega a possível inspiração em seu próprio nome. Acertou se disse At War! Soma-se ao plantel de ótimas recordações o sagrado Satan de Brian Ross. Os dedilhados entregam uma boa parcela, além de dar um toque mais Speed ao trabalho.

É díficil falar sobre “sujeira” nos sons atuais, porém a dedicação do Maniac Abductor é tamanha a ponto de conseguirem um excelente feito de acordo com a proposta oferecida. Os solos se elevam novamente e uma coisa deve ser dita: possuem personalidade e não são parecidos a ponto de soarem datados e/ou repetitivos. E outra que o nome dessa faixa remete a outro super clássico. Falo de “Endless Pain” (1985) do já citado e esplêndido Kreator.

A drenagem da justiça é iniciada logo em suas primeiras notas musicais. Justice Denied” liga os motores contra a falsa justiça que permeia o mundo desde sempre e que hoje anda muito calcada em salvar amigos bandidos de irem para o xadrez. Refrão forte e contundente quase incorporando um Destruction. Pode ser considerado um breve e grande momento do esporte. Os solos incineram sua residência e resgatam a essência do que deveria ser o dito headbanger, curtindo o que gosta sem pagar de gatão para ninguém. Cada tilintar do kit de Jesse Räsänen soa como o martelo do juiz ao encerrar cada caso à sua maneira sem analisar nada de forma correta.

Hammer Management & Agency
   

Em sétimo lugar temos o single “Off To Deathrow”, que recebeu um belo videoclipe e já abre a porteira com uma voadora certeira na nuca do ser inanimado e distraído por conta de sua própria ignorância, sendo mandado direto para o corredor da morte! Destaque para as linhas de baixo exercidas por Roni Kostamo. De início com dedilhados velozes e alterando em seguida para algo mais denso. A canção possui diversas variações entre riffs, dedilhados recheados de hammer on e pull off, somados ao equilíbrio do baixo e ao conjunto de linhas percussivas da bateria. Escolha merecida para receber o devido vídeo.

Encerrando o expediente e toda a artilharia pesada, temos em “Ghosts Of The Killing Fields” uma bela introdução com cara de final de livro e que combina com o tema descrito, referindo aos fantasmas dos campos de extermínio, também conhecidos como campos de concentração. O que de fato não melhora nem um pouco o que ocorrera em determinada época.

A sensação de algo tristonho cede lugar às serras elétricas em forma de guitarras flamejantes como belos condutores da desgraça sonora. Contida e pesada segue a trama do filme, até que recupera grande parte de seu arsenal veloz e ruidoso. O refrão possui o mapa com o caminho mais cadenciado. Isso se modifica após uma pausa que reúne o lado mais rápido desse jogo de cartas em forma de cordas. Nos momentos em que são despejados lances experimentais, a veia voltada para o incrível Iron Maiden pulsa forte, elevando o leque de possíveis receitas estudadas e exploradas pelos representantes de Joensuu, Pohjois-Karjala.

WormHoleDeath

Um álbum que remete aos tempos de “Beneath The Remains”, muito por conta do timbre da bateria e do estilo executado por Jesse Räsänen, além de riffs que trazem à tona bandas do calibre das que foram mencionadas, dificilmente perderia a direção. Muito pelo contrário, a banda evoluiu como um todo e conseguiu superar o ótimo álbum antecessor. Resta saber se em uma eventual trinca de ases estarão dispostos a manter as pegadas calcadas no Thrash. Ao que tudo indica: sim!

Aprendam, Lost Society e Ultra-Violence!!!

Stay Maniac!

“Homes reduce to ashes
This is the final scene
Killing of the masses
No way to intervene!”

Nota: 9,2

Integrantes:

  • Niklas Pappinen (vocal)
  • Jesse Elo (guitarra)
  • Roni Kostamo (baixo)
  • Jesse Räsänen (bateria)
  • Saku Tauru (guitarra)

Faixas:

1. Damage Is Done
2. Odd Man Out
3. Disciples Of Hate
4. Human Greed
5. Endless War
6. Justice Denied
7. Off To Deathrow
8. Ghosts Of The Killing Fields

Redigido por Stephan Giuliano

Aproveite e confira também a resenha do debut dos escandinavos a seguir:

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