Resenha: Malevolence – “Where Only The Truth Is Spoken” (2025)

Metalcore não chega a ser um dos estilos mais unânimes dentro do metal, infelizmente por uma certa não preferência de boa parte do público do estilo com o hardcore em si, mas tem muitos bons grupos, aqui e na gringa que merecem uma ouvida com atenção. Um bom nome que descobri recentemente é o Malevolence quinteto inglês que chega ao seu quarto disco, “Where Only The Truth Is Spoken” (2025).
O que mais me agradou no Malevolence é que ele consegue transitar bem entre o metalcore (“Trenches”, “Counterfeit”, “Demonstration Of Pain”) e o groove metal (“Blood To The Leech”, “Salt The Wound”, “Imperfect Picture”) com a pegada do hardcore, mas o cerne do grupo está mesmo no lado do metal, inclusive eles se definem como “cinco metalheads de Sheffield”. O disco tem bases bem pesadas com outras mais cadenciadas e sim, temos também aquelas partes lentas, bem como cheias de peso no ponto para bater cabeça, obrigatórias do metalcore, os breakdowns.
Mesmo contando com um bom instrumental, o destaque do disco vai para os vocais de Alex Taylor: fortes na maior parte do tempo, mas também alcançando boas melodias quando pede, dando uma dinâmica legal entre as músicas, deixando-as menos “retonas”, digamos assim. Falando em vocais, quem apareceu dando uma palhinha foi Randy Blythe (Lamb Of God), na faixa “In Spite”.
Uma grata surpresa
Alex também escreveu as letras e explicou:
“A história por trás de cada música vem de experiências vividas, e não apenas de palavras sem sentido escritas no papel. Não se trata apenas de raiva ou agressividade; há muito peso nas letras de todo o álbum, seja abordando lutas pessoais, o estado do mundo ou os altos e baixos da vida. Era importante para mim realmente me dedicar às letras deste álbum. Acho que você pode sentir essa energia e emoção brutas em todas as faixas, e espero que as pessoas se conectem com elas em um nível mais profundo. É sem dúvida, o trabalho do qual mais me orgulho até hoje”.
E é para se orgulhar mesmo: mas não por acaso, esse é o disco mais bem sucedido do grupo, alcançando importantes posições nas paradas do Reino Unido. Assim, para mim que não os conhecia, foi uma grata – e pesada – surpresa.
Disponível no Brasil pela parceria Shinigami Records com a Nuclear Blast Records, “Where Only The Truth Is Spoken” (2025) vai agradar em cheio fãs de Paura, Throwdown, Born From Pain, Children Of Gaia, Terror, assim como muito provavelmente quem curte metal disposto a encarar algo diferente. Vale a pena uma conferida nesse trabalho, primeiro disco dos caras lançados por aqui.
Nota: 8
Formação:
- Alex Taylor (vocal)
- Wilkie Robinson (baixo)
- Josh Baines (guitarra)
- Charlie Thorpe (bateria)
- Konan Hall (guitarra e backing vocals)
Faixas:
- 01 Blood To The Leech
- 02 Trenches
- 03 If It’s All The Same To You
- 04 Counterfeit
- 05 Salt The Wound
- 06 So Help Me God
- 07 Imperfect Picture
- 08 Heavens Shake
- 09 In Spite feat. Randy Blythe
- 10 Demonstration Of Pain
- 11 With Dirt From My Grave
Prefiro bem mais o Metallic Hardcore (o protótipo do Metalcore mais melódico e mainstream dos anos 2000, que era dos anos 90) que o Metalcore mais tradicional, apesar de sempre ter coisas boas em ambos. Gostei muito do Malevolence. É perfeito pra quem gosta de groove e metalcore mais porrada.