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Resenha: Magnum – “The Monster Roars” (2022)

“The Monster Roars” é o novo disco do Magnum.

   

Na estrada desde o comecinho dos anos 70, a banda inglesa Magnum é mais um daqueles casos onde é quase impossível entender o porquê nunca alcançaram o status de grande banda, já que em seus longos anos de vida lançaram inúmeros discos (ótimos), e ainda assim, soam desconhecidos e/ou ignorados por uma boa parte do público.


Com uma história musical contada através de trabalhos no mínimo excelentes, o quinteto faz parte de uma seleta lista de grupos que jamais lançaram um disco ruim.

Posso dizer sem medo de errar que um disco mediano do quinteto é infinitamente superior a muitos discos de bandas subestimadas que por vezes vivem de nome e/ou de discos que um dia foram impressionantes (hoje, não mais).

Não existe disco ruim do Magnum

Em resumo: Um disco do Magnum classificado como “fraco” não leva menos que nota 8 na escala que vai do 1 ao 10.

Não acredita? Então ouça os da fase clássica como “Kigdom Of Madness”, “Magnum II”, “On Storyteller’s Night”, “Vigilante” ou se preferir, a fase mais atual como “Princess Alice And The Broken Arrow”, “Into The Valley Of The Moonking”, “On The Thirteen Day”, “Lost On The Road Of Eternity”, e “The Serpent Rings”.

Todos, discos excelentes e altamente indicados aos amantes de Hard’n Heavy e Classic (Hard) Rock.

Reprodução / Facebook / Magnum

Não bastasse a já mencionada leva de álbuns extraordinários, o grupo pode se orgulhar de contar com uma dupla exímia de compositores que juntos formam aquela combinação perfeita tal qual queijo com goiabada.

As mentes criativas

Trata-se de Tony Clarkin (guitarras) e Bob Catley (vocais), duas das mentes brilhantes quando o assunto é Hard/Classic Rock e claro, a força motriz que alavanca e impulsiona a carreira do Magnum.

Dois anos após o lançamento do excelente “The Serpent Rings”, o grupo está de volta com “The Monster Roars”, novo e vigésimo segundo registro da carreira, mantendo-se fiéis às suas raízes e principalmente à sua sonoridade.

“The Monster Roars”

Contendo 12 faixas inéditas, distribuídas em aproximadamente 58 minutos de duração, o disco segue a mesma fórmula dos trabalhos anteriores, repetindo inclusive as harmonias e melodias características de seus trabalhos.

   

Traduzindo: Temos em mãos um registro que vai do Classic ao Hard, do Heavy ao AOR e em dado momento flerta também com o Progressivo no decorrer de algumas canções.

LINE-UP

Trazendo em seu line up Bob Catley (vocais), Tony Clarkin (guitarras), Dennis Ward (baixo), Rick Benton (teclados) e Lee Morris (bateria), o Magnum mostra mais uma vez que é possível fazer um disco de qualidade, fidedigno e o principal, oferecendo canções que envolvem e encantam o ouvinte ávido por boa música.

Indicação / Facebook / Magnum

Apresentações feitas, é hora de mergulhar nas melodias de “The Monster Roars”, e deixar se levar pela sonoridade impar e atraente desses senhores ingleses. Vem comigo.

Vamos ao disco

As boas vindas acontecem com “The Monster Roars”, faixa que batiza e abre o disco de uma forma diferente, já que trata-se de uma composição menos acelerada e incomum para ser uma música de abertura.

Temos aqui uma espécie de power ballad em quase toda sua extensão, embora algumas mudanças rítmicas aconteçam em seu decorrer, em seus momentos finais tudo volta exatamente ao ponto de partida.

“Remember”

Diferente da faixa de abertura e trazendo a sonoridade característica da banda, “Remember” enfim é aquela música que esperávamos abrir o disco, mas por algum motivo estranho ela aparece depois. Musicalmente estamos diante de uma canção que representa em todos os aspectos o que é a música do Magnum.

HARD ROCK

Guitarras pesadas, teclados evidentes, bateria e contra baixo em perfeita sincronia, backing vocals bem encaixados e vocais principais com toda a pompa precisa (e perfeita) de Bob Catley, mostrando que no alto de seus 74 anos, ainda é uma das grandes vozes do Hard Rock, representando com maestria a velha guarda do estilo.

Musicalmente, suas harmonias nos remetem a majestosa “The Archway of Tears” do excelente “The Serpent Rings”. Tais similaridades referem-se principalmente ao refrão, já que temos aqui um daqueles casos cuja música traz consigo a responsabilidade de se tornar um hino. Não duvido que “Remember” já venha fadada a clássico absoluto da banda.

“…Remember those bright lights / When people danced together / Remember those long nights / The famous and the beggars / They fell under the same spell / Their flesh and blood the same / Remember those highlights / Just like a burning flame…”

Reprodução / Facebook / Bob Catley

“All You Believe In”

O início sereno e envolvente de “All You Believe In” mostra que estamos diante de mais um momento espetacular do disco. Em mais um momento power ballad, lembrando em alguns momentos a sonoridade do Avantasia, projeto no qual Bob Catley integra a lista de convidados.

Destaques para as guitarras de Tony Clarkin e para as linhas geniais de teclados a cargo de Rick Benton.

   

Com sua levada meio “bluesy”em seu início, é hora de mergulhar nas melodias de “All You Believe In”, excelente composição que transita entre o Hard e o Progressivo, oferecendo ao ouvinte mais um momento especial. Trançando um paralelo entre melodias, nos remetemos às harmonias belas e empostadas de “The Great Unknown” do já citado “The Serpent Rings”.

“I Won’t Let You Down”

Em seguida, hora de conferir “I Won’t Let You Down”, single que antecedeu o álbum, ganhou videoclipe e figura na lista de faixas grandiosas.

Com suas mudanças rítmicas que transitam entre o Hard, Progressivo e Heavy Metal, é possível traçar um paralelo entre “Madman and Messiah”, mais uma canção presente no disco anterior.

“The Present Not The Past”

Em mais um grande momento, “The Present Not The Past” chega com sua sonoridade calcada no Hard Rock, ao mesmo tempo em que flerta com o AOR.

Estas similaridades estão presentes principalmente no refrão que aliados aos backings vocals (excelentes) dão a tônica perfeita em uma canção grudenta e poderosa.

Destaques para as linhas acústicas de violões que unem aos violinos, numa combinação espetacular cujo resultado não seria outro senão genial.

No Stepping Stones”

Estranhamente, “No Stepping Stones” traz em seu início aplausos de uma faixa gravada ao vivo, porém esta informação não aparece na ficha técnica, dando a impressão de que tais aplausos estão ali aleatoriamente.

Bem, o que importa é a música. Certo? Talvez esta seja a “diferentona” do disco, já que suas harmonias apresentam instrumentos de sopro e sua pegada é algo mais Rock’n Roll, embora as referências do Classic e do Hard estejam presentes.

Classic Hard

Citando alguns exemplos de grupos com esta sonoridade, podemos dizer que Genesis, 38 Special, Cheap Trick, Slade, The Sweet, ZZ Top, Chicago, Boston, Starship, Toto, Saracen, etc, se encaixam perfeitamente.

“That Freedom Word”

Algumas músicas são tão óbvias e tão evidentes em seu início, que aos três segundos de audição fica fácil imaginar o que ouviremos em seguida.

Este é o caso de “That Freedom Word”, uma das mais belas e pegajosas do disco. Com suas mudanças de ritmo e melodias, temos aqui um daqueles exemplos de canções bem elaboradas e dona de excelente construção rítmica.

   

Em dado momento, suas harmonias nos remetem a grandiosa “Ya Wanna Be Someone” do álbum “Lost On The Road To Eternity”, lançado em 2019.

Mais uma vez, os destaques vão para a dupla Benton & Clarkin, guitarrista e tecladista, responsáveis por conduzirem com maestria seus respectivos instrumentos.

“Your Blood Is Violence”

Ao mesmo tempo, pesada, cadenciada e melodiosa. Assim é “Your Blood Is Violence”, faixa que apresenta linhas melódicas executadas por grupos como Uriah Heep, Nazareth e Deep Purple.

Este último, por conta do timbre de guitarras onde Clarkin resolve encarnar Ritchie Blackmore e também dos teclados que em seu início trazem a sonoridade do saudoso Jon Lord e seu famoso Órgão Hammond.

Em síntese, temos mais um daqueles grandiosos momentos do disco.

Hora de tirar o pé do acelerador e se entregar às melodias de “Walk The Silent Hours”, belíssima power ballad que segue a mesma linha musical de “Need A Lot Love”, canção presente em “Vigilante”, aclamado álbum do quinteto lançado em 1986.

Rick Benton

Apresentando um trabalho espetacular de composições, harmonias e instrumentação, somos conduzidos pela “elegante” voz de Mr. Bob Catley e pelos teclados majestosos de Rick Benton.

A propósito, temos aqui um casamento perfeito entre voz e teclados, resultando em mais um momento sublime.

“The Day After The Night Before”

Algumas canções trazem consigo a missão de se tornarem hits e consequentemente clássicas. Não tenho dúvidas de que este é o caso de “The Day After The Night Before”, faixa que traz todos os elementos necessários e precisos numa composição.

   

Senão vejamos: guitarras precisas, linhas de contrabaixo excepcionais, teclados bem encaixados e na medida certa, bateria pesada, linhas de vozes perfeitas, refrão grudento, melodias envolventes e ao final aquela necessidade de usar a tecla Repeat.

Se for capaz, tente tirar este refrão de sua cabeça:

“…The day after the night before / That warm rapture was just a dream / They drew pictures upon the floor / It was the face of the virgin queen / They threw diamonds into the air / Their minds empty, their heads were sore / The sky cloudy and filled with prayer / The day after the night before…”

Em dado momento suas melodias nos remetem a grandiosa “Eye Like Fire”, faixa do excelente “The Visitation”(2011).Talvez em um momento de exagero deste que vos escreve, decidi que que esta é a música perfeita do disco.

“Come Holy Men”

Quase se aproximando da linha de chegada, “Come Holy Men” aparece como uma extensão de “The Day After The Night Before”, numa espécie de ponte responsável por ligar suas harmonias e suas melodias. Em mais um grande momento, uma daquelas canções características do Magnum, cheia de atrativos sonoros que envolvem o ouvinte logo aos dois segundos de audição.

No entanto, é necessário citar o quão belo é seu refrão e da voz brilhante de Bob Catley? Pois, o cara simplesmente é a cereja do bolo, possuindo indiscutivelmente uma das melhores vozes do Hard/Classic Rock de todos os tempos.

Reprodução / Facebook / Magnum

Cantemos juntos o refrão:

“…Come, holy mеn / What do you know? / What’s making life complete? / Tеll me again / How can you help/Poor babies on the street? (Oh) / Your portrait hangs on the wall / At Heaven ‘s feet / Oh, come, holy men / What do you know? / What ‘s making your heart beat?…”

“Can’t Buy Yourself A Heaven

Aqui temos um trabalho grandioso como “The Monster Roars” teria a obrigação de encerrar com uma música perfeita.

Certo? Certíssimo!

Trazendo a difícil missão de manter o disco no mesmo patamar musical desde sua faixa de abertura, “Can’t Buy Yourself A Heaven” chega com sua aura de power ballad emanando belas melodias, harmonias que encantam nossos ouvidos e aquele refrão belo e perfeito, encerrando, dessa forma, mais um trabalho brilhante e obrigatório aos fãs do bom e velho Hard Rock/Classic Rock, feito com maestria pelo incansável quinteto inglês, que talvez não esteja no lugar onde deveria estar, porém é fato que numa seleta e pequena lista de bandas que jamais lançaram algo ruim, eles seguramente encabeçam a referida lista.

Histórico

*Na estrada desde 1972, o quinteto inglês se mantém fiel a sua música e apesar de não fazerem parte das famigeradas listas e/ou despontarem na parada da Billboard, o Magnum é mais um daqueles casos de bandas injustiçadas. Afinal, a genialidade musical da dupla Catley & Clarkin dispensa comentários e é justamente esta parceria que garante a longevidade da banda.

Enquanto Bob Catley é o cara da voz, Tony Clarkin mantém-se no mesmo patamar como exímio guitarrista. Responsável por riffs e solos grandiosos, porém, Clarkin mostra que não é preciso entrar em disputa com a velocidade da luz ou do som para ser um bom guitarrista.

Ao contrário, seus riffs e solos fazem do Magnum uma banda perfeita e diferenciada, principalmente na parte instrumental.

Durante seus longos anos de atividade, o quinteto jamais se rendeu a estilos duvidosos e/ou aderiu às novas sonoridades impostas por gravadoras que nem sempre se preocupam com a música ou com o artista em si, idolatrando por vezes bandas de qualidade musical duvidosa, vendidas sob a mentira de que são a nova sensação do momento.

   

Uma boa fase de várias décadas

N do R: Desde o início dos anos 2000, o Magnum tem presenteado seus fãs com discos excepcionais. Todos lançados em um curto período de tempo (em média a cada dois anos). Isso tem sido excelente para o grupo, que por incrível que pareça, ainda é uma banda desconhecida por muitos. Porém, é fato que nos últimos anos a banda se encontra em ascensão já que Bob Catley integra o Avantasia, projeto capitaneado por Tobias Sammet do Edguy.

Vale lembrar que Catley mantém uma carreira solo no qual lançou discos fabulosos. Seu último trabalho (solo) foi o excelente “Immortal”, lançado em setembro de 2008.

Resenha especialmente dedicada aos nobres amigos: Cristiano Ruiz e Willian Cruz

Nota 9,4

Integrantes:

  • Bob Catley (vocal)
  • Tony Klarkin (guitarra)
  • Rick Benton (teclado)
  • Dennis Ward (baixo)
  • Lee Morris (bateria)

Faixas:

  • 01.The Monster Roars
  • 02.Remember
  • 03.All You Believe In
  • 04.I Won’t Let You Down
  • 05.The Present Not the Past
  • 06.No Steppin’ Stones
  • 07.That Freedom Word
  • 08.Your Blood Is Violence
  • 09.Walk the Silent Hours
  • 10.The Day After the Night Before
  • 11.Come Holy Men
  • 12.Can’t Buy Yourself Heaven

Redigido por: Geovani “Gigio” Vieira

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