Resenha: Madball — “Not Your Kingdom” (2026)

A cena hardcore de Nova Iorque é ainda hoje, arrisco dizer, muito influente para o gênero. Dessa forma, foram dezenas de bandas que durante anos ajudaram a moldar um som próprio que acabou ultrapassando a fronteira sonora para se tornar também um estilo de vida para milhares de fãs pelo mundo todo.

Além das novas bandas que vão surgindo, as veteranas também estão colaborando para reforçar a mundialmente conhecida sigla NYHC: depois que os pesos-pesados Biohazard e Agnostic Front ressurgiram no final de 2025, respectivamente, com “Divided We Fall” e “Echoes In Eternity”, outro forte nome local reapareceu: o Madball, com “Not Your Kingdom” (2026), seu décimo disco de estúdio que chega ao Brasil via Shinigami Records em parceria com a Nuclear Blast Records.

Hoje com cinquenta anos, Freddy Cricien, único membro original do Madball, é referência do estilo. Ele estreou na cena hardcore local no pequeno palco do templo do punk/hardcore mundial, o então descolado e hoje finado CBGB, aos doze anos, cantando duas músicas com o Agnostic Front (esse registro histórico foi filmado e faço questão de disponibilizá-lo abaixo), banda do seu irmão mais velho, Roger Miret, vocalista do Agnostic Front (a maior banda do estilo NYHC, ponto). Irmãos, ambos vocalistas, mas com estilos e carreiras distintas.

Nesses anos todos, entre modismos que sumiram tão rápido quanto apareceram e bandas nascendo e morrendo em meio a uma cena disputada, o Madball certamente se manteve fiel em sua proposta: seguir com o estilo local fazendo músicas curtas, diretas e letras que falam de autenticidade, resistência, valores, união e com muito questionamento.

Sem mudanças na sonoridade

“Not Your Kingdom” (2026), em termos de som, não traz mudanças em relação ao que o grupo já tinha apresentado antes e sinceramente, ainda bem! Há uma mistura de discos passados, mas sempre com a pegada que deu fama a banda formada a quase quarenta anos (!). Me corrijo, há uma diferença sim: com mais uma mudança de formação, o disco marca a efetivação de membros que na verdade já estavam tocando com a banda em turnês, substituindo alguém ou afins, especialmente do baixista Paul Delaney (Black Anvil, Kill Your Idols) no lugar de Jorge “Hoya Roc” Guerra, que saiu em 2023 após trinta anos de banda.

O disco tem apenas trinta minutos em quatorze faixas, incluindo aí dois interlúdios que só serviram mesmo para quebrar seu ritmo, mas que foram atropelados graças a guitarra na cara, o hardcore com palhetadas de metal, os vocais de Freddy, enfim, tudo que uma verdadeira banda “old school” é capaz de entregar apenas fazendo o que sabe. O começo já é brutal com a dobradinha “Tethered” e “Flammable”, mas também temos o hardcore tradicional dando as caras em “Don’t MisStep”, “Life’s A Mural” e Clockwork, com participação de Anthony Comunale (Killing Time, Raw Deal), e também o lado mais melódico do estilo, em “Rebel Kids” e “The Ride”, ambas com ótimos refrões e aqueles corais na medida para cantar junto.

Não importa o tempo que demore a dar as caras, o Madball retorna “Semper Fi” ao NYHC.

Nota: 8

Integrantes:

  • Freddy Cricien (vocal)
  • Paul Delaney (baixo)
  • Mike Gurnari (guitarra)
  • Mike Justian (bateria)

Faixas:

  • 01 Tethered
  • 02 Flammable
  • 03 Rebelude (interlude)
  • 04 Rebel Kids
  • 05 Don’t MisStep
  • 06 What Say You
  • 07 Stab Wounds
  • 08 Sunrise (interlude)
  • 09 Life’s A Mural
  • 10 Family First
  • 11 Clockwork feat. Anthony Comunale
  • 12 IWI feat. Pete Görlitz
  • 13 The Ride
  • 14 Chase A Dream
Mário Pescada
Mineiro, ouvinte de todas as vertentes do rock - do blues ao grindcore. Valoriza mais a honestidade e entrega em cima do palco do que a técnica. Guarda os flyers dos shows que vai como se fossem relíquias. Autor dos livros "Distorções do Submundo: Dissecando álbuns matadores do underground brasileiro" vol. 1 (2024) e vol. 2 (2025), lançados pela Editora Denfire.
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