Resenha: Leatherhead – “Violent Horror Stories” (2026)

Em pleno 2026, muitas bandas recorrem à estética e, principalmente, à sonoridade oitentista. No entanto, algumas fazem isso com tamanha competência que, não fosse a produção moderna, o ouvinte dificilmente perceberia que se trata de um nome da nova geração. O Leatherhead, quinteto grego formado em 2022, encaixa-se perfeitamente nesse grupo. A banda conduz um trabalho de imersão extremamente convincente: desde a arte de capa e as temáticas até, naturalmente, o direcionamento musical old school, tudo transporta o ouvinte com surpreendente naturalidade para outra época.

Pouco mais de um ano após o lançamento do álbum de estreia autointitulado, os gregos retornam com o excelente Violent Horror Stories. O arsenal permanece intacto: os riffs continuam afiados, os vocais de Tolis Mekras soam ainda mais seguros e, a cada nova composição, percebemos uma banda madura que sabe exatamente aonde quer chegar.

Conceito oitentista desde os mínimos detalhes

A capa, aliás, é um verdadeiro deleite. O trabalho de Mario López, ilustrador conhecido por criar artes para diversas bandas da nova geração — como Crystal Viper, Evil Invaders, Game Over, Killing, Space Chaser, Skeletal Remains, Them, Toxikull e Vulture — intensifica ainda mais essa atmosfera nostálgica. Afinal, qual headbanger com mais de 40 anos não se lembra da época em que segurava o encarte de um LP e, durante a audição, passava minutos explorando cada detalhe da arte de capa?

Em Violent Horror Stories, além do estilo de pintura que remete diretamente aos velhos tempos, surgem diversos elementos visuais que dialogam com as músicas do tracklist. O ouvinte mais atento certamente perceberá essas conexões. Afinal, não basta apenas criar um mascote; é preciso transformá-lo em parte fundamental da identidade da banda.

No campo musical, o Leatherhead aposta em um Speed Metal afiadíssimo, recheado de elementos do Heavy Metal tradicional. As oito faixas se distribuem em pouco mais de 37 minutos, resultando em uma audição enxuta e sem excessos. A produção segue o caminho ideal: preserva aquela sensação orgânica e levemente analógica, mas mantém clareza suficiente para que todos os instrumentos apareçam com nitidez. Convenhamos: em uma proposta como essa — na qual o resgate começa pela arte de capa e se estende à sonoridade — uma produção excessivamente moderna certamente prejudicaria o resultado final.

Honestidade artística

Do ponto de vista criativo, o álbum não pretende reinventar a roda nem apresentar grandes inovações. Ainda assim, trata-se de um trabalho vibrante, energético e extremamente empolgante. A história do Heavy Metal já mostrou inúmeras vezes que não é preciso reinventar fórmulas para produzir discos memoráveis, e o Leatherhead parece compreender perfeitamente essa lógica. Em vez de buscar artificialmente uma sonoridade contemporânea, o grupo investe em composições fortes que conquistam logo na primeira audição — justamente por transmitirem algo cada vez mais raro: honestidade artística.

A trinca inicial estabelece imediatamente o tom do álbum. O single “V.H.S.” surge explosivo, com riffs cortantes e velocidade elevada. Em seguida, “Summoning The Dead” mantém a intensidade, entrega excelentes linhas vocais de Tolis Mekras e destaca as performances da dupla de guitarristas Thanos Metalios e Jim Komninos. Já “The Visitors” encerra essa sequência com riffs cavalgados claramente inspirados no estilo da Iron Maiden e um refrão marcante que dificilmente sairá da cabeça do ouvinte.

“Children Of The Beast”, a faixa mais longa do disco, ultrapassa os sete minutos. A introdução discreta pode enganar os menos atentos, que talvez imaginem estar diante de uma balada. Contudo, a música cresce gradualmente, ganha peso e velocidade até explodir em um Heavy Metal direto e sem concessões.

Em seguida, “Incubus” retoma o ritmo acelerado e funciona como uma ponte perfeita para “Crimson Eyes”, composição um pouco mais cadenciada, mas repleta de ótimas melodias e um riff principal simplesmente espetacular.

Coloque no seu radar!

O encerramento chega com duas faixas igualmente inspiradas: “Something Evil (This Way Comes)” e “Dreamcatcher”. Na primeira, Tolis Mekras volta a brilhar e, em vários momentos, lembra o excelente Harry “The Tyrant” Conklin, do Jag Panzer. A música combina agressividade e melodia com eficiência, além de mostrar a capacidade da banda de explorar diferentes nuances sem abandonar sua proposta. Já em “Dreamcatcher”, a introdução conduzida pelo baixo de George Bradley prepara o terreno para um Speed Metal clássico que certamente fará muitos ouvintes iniciarem uma sessão imediata de headbanging. Um final perfeito para um disco que diverte desde os primeiros segundos.

Mesmo com o ano ainda no início, é difícil imaginar o surgimento de dez discos de Speed Metal superiores a este em 2026. Por isso, Violent Horror Stories já surge como forte candidato a figurar em diversas listas de melhores do ano. O Leatherhead definitivamente merece atenção — e acompanhamento de perto.

Nota: 9,3

Integrantes:

  • George Bradley – baixo
  • Michalis Zounarakis – bateria
  • Tolis Mekras – vocal
  • Thanos Metalios – guitarra
  • Jim Komninos – guitarra

Faixas:

  1. V.H.S.
  2. Summoning The Dead
  3. The Visitors
  4. Children Of The Beast
  5. Incubus
  6. Crimson Eyes
  7. Something Evil (This Way Comes)
  8. Dreamcatcher
Paulistano, nascido em 1981, fã de Rock e Heavy Metal desde criança. Idealizador, fundador e criador do Mundo Metal. Valoriza tanto os clássicos como as novas gerações. Assíduo frequentador de shows e se considera um organismo movido à música.
Deixe seu comentário
Sair da versão mobile