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Resenha: Beast In Black – “Dark Connection” (2021)

Dois anos após o excelente “From Hell With Love”, segundo e bem sucedido full lenght, os finlandeses do Beast In Black editam “Dark Connection”, terceiro trabalho de sua discografia.

Lançado oficialmente no dia 29 de outubro, o novo trabalho conta com 11 faixas inéditas, além das versões para “Battle Hymn” do Manowar e “They Don’t Care About Us”, gravada originalmente pelo cantor pop Michael Jackson.

   

Em seus cinquenta e nove minutos de duração, o disco segue a mesma fórmula de seu antecessor e assim como o sucesso dos singles que antecederam o já citado “From Hell With Love”, aqui não foi diferente já que “Moonlight Rendezvous” e “One Night In Tokyo” caíram nas graças dos fãs, acumulando números expressivos de visualizações em um curto período de tempo, após seus respectivos lançamentos.

Algo que precisa ser dito sobre o Beast In Black é que a banda definitivamente não irá agradar os fãs mais radicais do Melodic Heavy/Power Metal, já que flertam com outros gêneros musicais ao acrescentar doses cavalares de sintetizadores em suas canções, diferenciando-os de muitas bandas dos estilos supracitados. Ou seja, se você não curte sons de teclados em excesso, mantenha distância disso aqui.

A verdade é que sua música soa alegre demais e festiva, o que certamente para alguns é algo inadmissível. Porém, isso já se tornou uma marca registrada da banda e desde “Berserker”, disco de estreia de 2017, o quinteto demonstrou este mergulho no Pop, Synthpop, Synthwave e Eurodance (ouça a faixa: “Crazy Mad Insane”).

Em “Dark Connection”, o grupo convida o ouvinte a adentrar numa espécie de invasão cibernética, já que algumas faixas deixam estas evidências em seus títulos. É como se o ouvinte estivesse assistindo longa metragens como Blade Runner, Altered Carbon, Matrix, Ultravioleta, Equilibrium, etc.

Por outro lado, os dois primeiros singles mergulham no mundo dos(as) mangás, geeks e animes, já que ouvindo algumas canções e sua melodias, adentramos no mundo de animações como Saitama, Appleseed, Jin-Roh, Vampire Hunter, Hellsing, Darkstalkers, Akira e Zillion, estas duas últimas, animes que fizeram grande sucesso quando lançadas no final dos anos 80.

Ainda sobre a sonoridade: Numa lista de inúmeros gêneros e rótulos, podemos dizer que o quinteto pratica algo que poderíamos denominar como Synth Power ou Cyber Power Metal? A verdade é que independente da classificação do estilo, o grupo mergulhou numa sonoridade agradável, já que a essência do Heavy Metal está presente em todo o disco.

Hora de conferir o que Anton Kabanen (guitarras), Yannis Papadopoulos (vocais), Kasperi Heikkinen (guitarras), Máté Molnár (baixo) e Atte Palokangas (bateria) prepararam para os fiéis fãs dos trabalhos anteriores, e certamente para os prováveis novos fãs que não duvido, a banda conseguirá com os resultados positivos deste novo full lenght. Vem comigo!

.”Blade Runner”: Trazendo ritmo acelerado, característicos do Power Metal, temos aqui uma excelente faixa de abertura com todos os elementos que o estilo pede. Peso, melodia, refrão grudento, solos bem encaixados e os vocais extraordinários de Yannis, que simplesmente fazem a diferença e é o ponto alto na sonoridade do Beast in Black.

*Excelente escolha para abertura.

.”Bella Donna”: Seguindo o ritmo de sua antecessora, porém menos acelerada, nos deparamos com uma canção que traz um híbrido de Hard, Power e Synthwave, e o que poderia não dar certo cumpriu o papel contrário, já que trata-se de uma música excelente.

.”Highway To Mars”: Uma simbiose perfeita entre “King For The Day” do Battle Beast (ex-banda de Anton Kabanen) e “From Hell With Love”, faixa presente no álbum anterior do Beast In Black, formam a base sonora desta que é uma das melhores do disco (opinião pessoal).

Impossível não se impressionar com a voz poderosa de Yannis Papadopoulos e sua aparente facilidade de atingir notas altíssimas. A forma como seus drives são usados chega a causar espanto.

Ao final, impossível apagar da cabeça o refrão “dançante”: “Highway to Mars / Under a million blazing stars / When love’s afar / Beyond horizons / Forget the scars / Farewell to mother Earth as / Engines ignite / Tearing the skies / To Mars…”

*A voz telefônica usada em seu início causa uma boa atmosfera, casando perfeitamente com sua letra. “Attention lady and gentlemen, we are now on final approach to our destination port of Saint Lowell, the largest city on mars”.

Ao final, a tecla “Repeat” deverá ser usada sem moderação.

*Temos aqui minha aposta para um próximo videoclipe (apostando todas minhas fichas).

.”Hardcore”: Mais uma mescla de Hard, Power e Pop, o disco segue em alto nível em mais uma música onde tudo soa absolutamente perfeito. Teclados em excessos, melodia grudenta, vocais lá em cima, refrão pegajoso e Anton Kabananen mandando seus solos característicos? Sim! É exatamente isso que ouvimos em mais um momento divertido e “alegre” do disco (que maravilha).

Tente esquecer desse refrão: “I am the whiplash, you are the thunder / A primal hunger, now is the time / My kinda lady, silver and crazy / No room for maybes, we’re partners in crime / …A fallen angel, sweet and pernicious / You’re my delicious unholy wine / My kinda lady, silver and crazy / No room for maybes, we’re partners in crime / Hardcore / Hardcore / Hardcore…”

   

Mais uma faixa onde a tecla “Repeat” será necessária.

*Silenciosamente apostei minhas fichas nesta faixa , acreditando sair daqui mais um videoclipe. Bingo! Eu estava certo e “Hardcore” foi contemplada com um videoclipe.
A propósito, que clipe espetacular (e cheio de ousadia).

.”One Night In Tokyo”: E já que mencionei o momento alegre do disco, eis aqui o segundo single e sem sombra de dúvidas esta é a música mais “dançante”, já que suas melodias mergulham de cabeça na Eurodance e no Synthwave. Estas referências são evidentes graças aos teclados (sintetizados) que flertam com a sonoridade de nomes como Prodomo, Marcel DeVan, Vanello, Synthesis, Mirko Hirsch, Marco Rochowski, Abbsynth, Martine, Koto, etc.

Contemplado com um videoclipe explorando o mundo dos animes, ele traz em seu enredo a história interessante onde o personagem principal embarca numa viagem cibernética, vivenciando romance e perigo constante. Ao final, cabe a ele a escolha de reviver todos os momentos vividos em sua aventura.

*Em poucas semanas de seu lançamento o single atingiu números expressivos de visualizações e aceitação.

.“Moonlight Rendezvous”: Grande responsável por preceder o disco, este foi o primeiro single lançado pelo quinteto. Apresentando um enredo que nos remete a obras de ficção científica como o já citado “Blade Runner”, “O Quinto Elemento”, “Aeon Flux”, “Eu, Robô”, “Altered Carbon”, “O Vingador do Futuro”, “Matrix”, ‘O Exterminador do Futuro”, dentre outros, mergulhamos no mundo dominado por androides caçadores, aqui chamados de “Headhunters”, personagens vividos pelos membros da banda.


Trazendo excelente produção e uma qualidade visual que dispensa comentários, somos envolvidos em uma atmosfera futurista onde as máquinas (androides) são os grandes inimigos da humanidade.

Em sua abertura o clipe traz a seguinte mensagem: “The corporation wants the entire generation III exterminated. Generation IV and the headhunters are now after us. If you see this…Run”. [A corporação quer toda a geração III exterminada. A geração IV e os headhunters estão atrás de nós agora. Se você vê-los…CORRA].

Musicalmente temos melodias similares a “Touch In The Night”, faixa do álbum “Unholy Savior”, segundo trabalho do Battle Beast, lançado em 2015.

Em resumo: Mais um momento espetacular do disco.

.”Revengeance Machine”: Certamente a música mais Power Metal do álbum. Rápida, pesada e em dados momentos uma dose de agressividade nos vocais de Yannis, que indiscutivelmente tem um domínio de voz e de agudos impressionantes.

Em seus instantes iniciais, um breve diálogo (na verdade uma discussão) entre um computador e provavelmente seu líder que indaga a máquina o sequestro de um outro computador, e segundo o diálogo, a causa de uma cidade fora de controle.

*Dialogo: “What a fuck mess, a whole city out of control and all because some shit-for-brains computer got hijacked. What’s the saying: To make a mistake is human but to really fuck things up you need a computer ain’t that night chiphead? But hear, this computer and myself has been designed and build by human. Therefor we inherit their thoughts”.

Musicalmente, temos aqui uma aparente conexão musical fazendo uma ponte com a já mencionada “Moonlight Rendezvous”.

.”Dark New World”: Mais um grande momento do disco numa faixa que retrata em sua letra as loucuras de Sodoma e Gomorra, cujo refrão diz: “Sodom and Gomorrah / Revolting vermin legions everywhere / Rotten super-egos praise this dark new world / Sightless to the monster because your mirror’s black forevermore / Never stop the madness in this dark new world.”

Apesar dos efeitos de vozes, o resultado final é mais uma canção empolgante e muito bem executada.

.”To The Last Drop Of Blood”: Talvez a faixa mais Heavy Metal do disco, lembrando mais uma vez seus compatriotas do Battle Beast dos dois primeiros álbuns. E sim! Mais uma vez os vocais são os destaques numa música espetacular, bem como as linhas de teclados que particularmente me soam excelentes.

.“Broken Survivors”: Seguindo os passos de sua antecessora, o grupo engata mais uma faixa voltada ao Heavy, adicionando uma dose de peso, ao valorizar mais os trabalhos de guitarras, embora os teclados estejam presentes, eles não são a bola da vez.

Ouvindo atentamente suas harmonias, nota-se uma leve semelhança nas linhas melódicas de “Born Again”, faixa presente no álbum de estreia.

.“My Dystopia”: Este é o momento onde a banda tira o pé do acelerador e mostra seu lado mais “soft”. Não se trata de uma balada propriamente dita, porém ela figura no meio termo entre o Heavy e o que costumamos chamar de Power Ballad, já que se trata de uma faixa bem construída, onde partes suaves se encontram com partes pesadas resultando numa combinação perfeita e belíssima que encerra a parte de composições. Há que se notar os belos trabalhos de orquestrações onde é possível ouvir violinos, pianos, lembrando em momentos as melodias de “Ghost Love Score” do Nightwish.

   

Se “My Dystopia” fosse um filme, certamente ela seria chamada de “A bela e a Fera”, já que as linhas de vozes de Yannis, alternam entre o suave e o agressivo em segundos.

Em uma palavra: PERFEIÇÃO!.

*Vale lembrar que em suas gravações particulares de seu canal pessoal, Yannis Papadopoulos interpreta de forma espetacular a referida canção, explorando ao máximo a potência absurda de seus belos vocais.

.”Battle Hymn” e “They Don’t Care About Us”: O disco fecha com dois covers de dois nomes importantes da música, evidentemente dentro de seus respectivos estilos, Manowar e Michael Jackson.

Destacar as linhas de vozes de Yannis Papadopoulos é chover no molhado. Além de sua versatilidade, o cara tem um dos vocais mais privilegiados do Melodic Power da atualidade, mostrando inclusive suas qualidades também fora do estúdio.

Em apenas seis anos de vida e com apenas três discos gravados, o Beast In Black desponta como um dos grandes nomes do Metal finlandês da atualidade. Os trabalhos anteriores já davam mostras de que o grupo não era apenas mais um projeto do ex guitarrista do Battle Beast e isso ficou evidente desde o espetacular “Berserker”.


Em “Dark Connection”, o quinteto mostra que a nova fórmula e o novo jeito de fazer música tem rendido bons frutos e com os resultados positivos deste novo trabalho (não duvido em hipótese alguma que isso aconteça), é certo que a banda passe a ser referência para novos grupos.

Não bastasse sua música divertida e “alegre”, o grupo faz bonito também no quesito produção, já que seus discos apresentam produções primorosas.

Não bastasse isso, a banda ainda conta com músicos de excelente qualidade, destacando principalmente a figura de seu vocalista, um dos melhores cantores da atualidade no estilo Melodic Heavy/Power Metal.

N do R: Definitivamente o Heavy Metal é um estilo que se renova constantemente. São inúmeros os grupos que ousam e conseguem encontrar fórmulas que fundidas apresentam resultados surpreendentes no final.

Nomes como Beats In Black abrem caminhos para uma nova geração de fãs que irão curtir o lado pesado e melódico do Heavy Metal, sem deixar de lado seu gosto por algo mais Pop e comercial.

“Dark Connection” já desponta em minha lista de Melhores do Ano. Por motivos óbvios. Assim como no Heavy Metal, sou fã ardoroso de música pop.

Banda e disco que merecem atentas audições.

Nota 8,5

Integrantes:

  • Anton Kabanen (guitarras)
  • Yannis Papadopoulos (vocais)
  • Kasperi Heikkinen (guitarras)
  • Máté Molnár (baixo)
  • Atte Palokangas (bateria)

Faixas:

  1. Blade Runner
  2. Bella Donna
  3. Highway to Mars
  4. Hardcore
  5. One Night in Tokyo
  6. Moonlight Rendezvous
  7. Revengeance Machine
  8. Dark New World
  9. To the Last Drop of Blood
  10. Broken Survivors
  11. My Dystopia
  12. Battle Hymn (Manowar cover)
  13. They Don’t Care About Us (Michael Jackson cover)

Redigido por: Geovani “MegaGigio” Vieira

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Comentários

  1. Excelente resenha!
    “Synth Metal” é um bom nome pra esse estilo! Eu sempre chamo de “Power 16bits”! 🤣

    O Yannis é mto bom no estúdio, ao vivo é um horror! Essa é a minha única crítica a banda!

    Parabéns, pessoal!

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