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Resenha: Kvaen – “The Funeral Pyre” (2020)

Gravadora: Black Lion Records

Que a Suécia tornou-se referência quando o assunto é música pesada, isso é tão certo quanto a soma de dois mais dois. Não é de hoje que o país surpreende através da qualidade musical de suas bandas, sejam elas de Hard, Heavy, Thrash, Death, Black e por aí vai.

   

O simples fato de descobrir que um determinado grupo tem como origem a Suécia, então é certo que seu disco será ouvido, apreciado e certamente o nível de satisfação irá beirar os cem por cento. Dito isso, é hora de falar do Kvaen, banda sueca formada em 2019 na cidade de Kalix, Norrbotten e que lançou, em fevereiro de 2020, seu álbum de estreia, o excelente “The Funeral Pyre”, via Black Lion Records.

Abordando temas como natureza, paganismo e guerras, o disco contém apenas 45 minutos de duração divididos em oito faixas inéditas calcadas no Black, Melodic Black, Viking e Pagan Metal. Apesar da amálgama de estilos, é importante frisar, que tudo aqui é devidamente sincronizado, arquitetado e executado, de forma sublime e inteligente, resultando em um trabalho honesto, relevante e obrigatório aos fãs dos estilos supracitados.

Antes de adentrarmos nas melodias profanas do CD, é preciso dar nome ao gênio por trás da arte, Jakob Björnfot (ex, Duskfall, Autumn Death, Devil’s Force, Ghost Chip Octavius), responsável por todos os instrumentos e também pelos vocais que trazem aquele ar “lírico” e “sutil” tal quais as famosas canções de ninar.

Considerações feitas é hora de mergulhar no lado negro da força e se por ventura o dia estiver chuvoso, denso e escuro, então teremos o clima perfeito para aumentar o volume, torcer para que bolas gigantes de fogo sejam lançadas na superfície terrestre, causando caos, destruição e desespero, enquanto você alheio a tudo com seus fones conectados aos ouvidos não enxergará o planeta sucumbindo do outro lado da porta.

A destruição sonora tem início com a estupenda “Revenge By Fire”, faixa que abre o disco trazendo, em seis minutos de duração, a trilha sonora perfeita para o apocalipse. Rápida, agressiva e com seus vocais ríspidos que nos remetem ao que fazem os noruegueses do Immortal, somos envolvidos por melodias brutais, riffs sensacionais de guitarras e em dado momento uma atmosfera branda regida por um piano que se une as linhas incríveis de contra baixo, fazem deste o grande destaque da música.

Como é de costume dizer: Excelente faixa de abertura e trilha perfeita para nossos mais terríveis pesadelos.

As linhas cortantes de guitarras de “Yee Naaldlooshii” nos remete aos bons tempos do Satyricon, quando estes lançaram na metade dos anos 90 o magistral “Nemesis Divina”, um dos grandes trabalhos dos noruegueses.

Falando de “Yee Naaldlooshii”: Sem tempo para perceber o que nos atacou, somos atingindo com um chute na cabeça através das melodias perturbadoras aliadas aos vocais insanos e vomitados de Jakob. Em mais uma excelente composição, o músico consegue unir numa única faixa elementos de Black Metal, Heavy Metal e Atmospheric, já que em dado momento somos envolvidos por breves e singelas melodias lembrando a sonoridade do Eldamar.

Sem perder a linha e a qualidade sonora, é hora de conferir a estupenda “The Funeral Pyre”, faixa que batiza o disco. Com seu início despretensioso e atmosfera voltada ao Ambient/Dark, somos envolvidos por melodias e harmonias que nos remetem aos noruegueses do Vintersorg.

Logo, a calmaria cede espaço para os riffs pesados, sonoridade brutal, vocais rasgados e agressivos de Jakob que profere palavras sutis e encantadoras como: “Deus do fogo / Deus da morte / Mostre-me o caminho para a iluminação / Se você precisar de um sacrifício / Então eu irei providenciar e deixar este mundo para trás / Deus de chamas e sombras / Espalhe sua doença sobre aqueles que o negam / Dance com o fogo e abrace o beijo da morte / Ouça as palavras além do vazio, toque cada acorde dissonante / Lindas na cor, assim como no tom/Eu vi minha morte diante dos meus olhos / Eu vi o fim deste mundo / Acenda a tocha e toque o sino/Pois estou a caminho”.

Além do já citado Vintersorg, nomes como Lord Belial e Old Mans Child, também servem como referência musical neste que é um dos grandes momentos do Kvaen.

Como um trator em total demolição, “Septem Peccata Mortalia” é mais um momento glorioso do álbum. Com suas melodias rápidas e brutais, estamos diante um híbrido de Heavy/Thrash e Black Metal, numa junção perfeita e muito bem distribuída. Apesar de sua essência girar em torno do Black Metal, Jakob aposta em vocais rasgados e modernos, lembrando bandas como Soilwork, Dark Tranquility, At The Gates, The Crown e In Flames (fase inicial).

Ainda no campo de referências, The Duskfall e Borknagar (fase inicial) também integram a lista.

Ao som de lobos uivantes, “The Wolves Throne”, anuncia mais um daqueles hinos profanos e perturbadores, nesta que é mais uma das melhores faixas do disco.

Em mais uma composição perfeita e cadenciada (em seu início), descambando para o Melodic Black Metal nos instantes seguintes, Jakob Björnfot consegue transportar o ouvinte ao “trono dos lobos”, descritos em sua letra como “seres supremos, nascidos do sêmen da serpente”.

Em suas harmonias e instrumental é possível encontrar elementos harmoniosos e flertes com a sonoridade de nomes como, Ihsahn, Demonaz, Immortal, I, Abbath e Mossgiver, banda de Atmospheric Black Metal da Eslovênia. Aqui, as linhas de vozes nos remetem a nomes como Dimmu Borgir (fase, “Enthrone Darkness Triumphant”), Seth, Gorgon (ambos da França) e Dissection.

Como dito anteriormente, esta é indiscutivelmente uma das mais belas faixas do disco, cujos destaques ficam por conta das linhas sutis de teclados e as guitarras que aqui fazem uma dobradinha deveras interessante.

Mantendo o equilíbrio musical e em alta, “As We Serve The Masters Plan” é a próxima paulada no crânio. Apesar de seus vocais mais rasgados e sonoridade voltada aos Black Metal emanado em todo o álbum, é possível notar uma pegada Death Metal nas vozes agressivas de Jakob. Acredito que não seria nenhum exagero dizer que ouvindo atentamente e por diversas vezes, é possível notar algo de Chuck Schuldiner, provavelmente uma das influências do músico.

   

Diante dessas suposições cabe a seguinte pergunta: Seria o Kvaen, um discípulo do lendário DEATH?

Como um verdadeiro chute nas costelas “Bestial Winter”, é mais uma composição vibrante e sem dúvida a música mais Heavy Metal do álbum.

Soando diferente das faixas anteriores (apesar dos vocais ásperos) e galgando por outras paisagens, somos levados ao encontro do Heavy Metal com o Black e o Death Metal numa composição a qual podemos classificar como Death/Black.

Em seus “seis minutos e meio” de duração, um passeio por riffs pesados, bateria veloz, vocais insanos e solos de guitarras soando “melódicos” para os padrões do disco.

Porém, não se deixe enganar e achar que temos aqui uma música leve e/ou comercial. Definitivamente não! A verdade é que a bateria veloz e os vocais vomitados fazem toda a diferença e no final o que seria uma música simplória, transforma-se em mais um momento genial de “The Funeral Pyre”. Ou seja, nada aqui é o que de fato parece ser.

O golpe final veio com “Hymn To Kvaenland”, faixa instrumental que também foge um pouco do Black Metal praticado em quase todo o trabalho. Com suas linhas de guitarras pesadas e solos puramente Heavy Metal, temos aqui uma música simples e sem a agressividade presente em todo o disco onde as linhas de guitarras parecem ter sido feitas por Øystein G. Brun do Borknagar. Com suas harmonias mais cadenciadas e mergulhadas no Atmospheric/Ambient Black Metal, uma composição “mediana” fecha um trabalho excepcional.

Apesar de seu encerramento brando, é preciso lembrar que acabamos de ouvir um trabalho excepcional voltado ao Black Metal, idealizado e conduzido pela mente brilhante, criativa de um músico promissor que com maestria lidera um projeto recém-nascido, mostrando que musicalmente o futuro pode ser denso e perturbador.

Trabalhos como “The Funeral Pyre” jamais deveriam passar batido e/ou ficar de fora das listas dos apreciadores de Metal extremo, já que o jovem Jakob Björnfot demonstra toda facilidade de unir numa mesma canção a agressividade do Black Metal com o lado mais soft do Ambient, Atmospheric, Black e Death Metal.

Numa avalanche de discos lançados diariamente, é fato que muitas bandas passam batido e por vezes seus registros (excelentes) atingem meia dúzia de ouvintes, já que a dificuldade de acompanhar os inúmeros lançamentos torna-se um fato recorrente.

Diferente de algumas bandas do estilo, o Kvaen consegue, através de suas melodias sombrias e obscuras, prender a atenção do ouvinte que sem perceber viaja nas harmonias ácidas e agonizantes de faixas como “Revenge By Fire”, “Yee Naaldlooshii”, “The Funeral Pyre” e “Septem Peccata Mortalia”, que juntas formam a trilha perfeita para saudar a chegada dos quatro cavaleiros do apocalipse. Em síntese: “The Funeral Pyre” representa um verdadeiro mergulho nas profundezas do desconhecido e suas melodias soam como trombetas precedendo o Dia do Juízo Final.

Observações acerca do disco:

* Em junho de 2019, a banda lançou “Yee Naaldlooshii”, primeiro single que estreou na coletânea “Afterlife In Darkness Part I”.

* Em janeiro deste ano foi lançado “Northbothnia”, single inédito numa edição limitada de apenas 100 cópias. O single divide um Split ao lado do Mother Of All, projeto dinamarquês capitaneado por Martin Haumann.

* Em junho deste ano, a faixa “The Funeral Pyre” integrou o segundo volume da coletânea “Afterlife in Darkness Part II”.

  • Nota: 9,0
  • PS: Banda e disco indicado por Henrique Figueiredo.
  • Integrantes:
  • Jakob Björnfot (vocal, baixo, guitarra, teclado, bateria)
  • Faixas:
  • 1.Revenge By Fire
  • 2.Yee Naaldlooshii
  • 3.The Funeral Pyre
  • 4.Septem Peccata Mortalia
  • 5.The Wolves Throne
  • 6.AS We Serve The Masters Plan
  • 7.Bestial Winter
  • 8.Hymn To Kvaenland
  • Redigido por: Geovani Vieira
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