Resenha: Kreator – “Endorama” (1999)

Que diabo de disco é esse? O Kreator, banda alemã e conhecida por seu autêntico arsenal voltado para o Thrash Metal, continuava com as suas experimentações noventistas – “Endorama” é a obra polêmica da vez.

Esse é um disco que eu demorei para gostar dele. Quando eu o conheci, eu não tinha profundidade sobre os experimentalismos dos caras na década de 90. Eu conhecia até o “Coma of Souls” (1990) e isso se dava por conta de ninguém ter os discos “questionáveis” para ouvir.

Cheguei a conhecer sons espalhados, soltos, como “Renewal” (“Renewal”, 1992) e “Phobia” (“Outcast”, 1997), mais por serem singles também. Porém, quando conheci o “Endorama”, rejeitei rápido. Mas o motivo talvez tenha sido devido ao fato de não ter ouvido mais vezes. São aqueles momentos breves que surgem, em que você conhece determinado disco e ele entra na sua mente ou não. Além disso, eu ainda não comprava material físico.

É engraçado porque, anos mais tarde, eu passei a enxergar ele de melhor forma. Passei a gostar de três faixas: “Golden Age”, “Shadowland” e “Future King”. Posteriormente, “Willing Spirit” e, principalmente “Pandemonium” – que apresenta o ar vitorioso de “Phobia” – entraram na dança e aí foi questão de tempo para gostar dele por completo. Ou quase isso.

O álbum mais corajoso do Kreator

Eu jogava RPG, jogava Vampiro – A Máscara, Vampiro – A Idade das Trevas, Lobisomem – O Apocalipse e tal, e quando eu passei a gostar, eu também passei a associar ele a este cenário. Sendo que, quando eu jogava, eu não gostava desse disco. Hahahaha!

Além disso, também serviria facilmente para os filmes que estavam sendo lançados, como Blade, Anjos da Noite e filmes vampíricos do tipo. Incluo nessa lista a série do Corvo que passava na TV Record – e que série! Eu gostava muito de assistir.

Hoje entendo que ele, apesar do insucesso, é muito importante para o desenvolvimento da sonoridade do Kreator. Tanto que a semente estava plantada em “Shadowland”, a qual considero o embrião definitivo para o nascimento do poderoso “Violent Revolution”, lançado em 2001.

Temática apocalíptica, sombria e introspectiva

“Endorama” representa o ápice da fase experimental da banda nos anos 1990 e é frequentemente considerado o trabalho mais distante do Thrash Metal tradicional que consagrou a trajetória dos alemães.

O ano de 1999 carregava uma expectativa quando ao fim do mundo ao entrar no ano 2000. O que seria do contador dos anos? Voltaria para o ano 00 e daria pane geral em tudo que era eletrônico? Muitas teorias envoltas de destruição total, sempre olhando no horizonte cada vez mais próximo um apocalipse para cada coisa.

A temática é sombria, introspectiva e melancólica, com letras que abordam a decadência espiritual, o isolamento, sonhos, estados psicológicos e visões apocalípticas. Tais temas contrastam fortemente com as temáticas políticas, maléficas e agressivas dos álbuns clássicos da década de 1980. A própria faixa-título sugere uma espécie de universo interior (“Endorama”), explorando dimensões mentais e emocionais. Esses e outros temas alinhados com estes estavam em destaque e eram bastante explorados e estudados. Para o Gothic Rock e adjacentes era um novo fôlego para o estilo e toda a sua estética.

Ingredientes da receita sombria e ficha oficial

“Endorama” é fortemente inspirado em bandas como Fields of the Nephilim, The Sisters of Mercy, Bauhaus, entre outras bandas de sangue sonoro gótico. Possui uma junção forte entre Gothic Metal, Gothic Rock, New Wave, Heavy Metal e doses homeopáticas de Industrial Metal.

A banda alemã lançou o seu até então nono álbum de estúdio, e o quarto álbum baseado em experimentos que diferem do Thrash Metal, conforme já fora dito. Foi lançado via Drakkar Records no dia 23 de março de 1999. Roland Kupferschmied foi o responsável pelo uso do programming, de modo adicional, ao lado do guitarrista Tommy Vetterli. Este, por sua vez, também ficou a cargo do uso dos sintetizadores, além de promover a dupla de guitarras com o próprio Mille Petrozza. Ventor – aqui descrito como Jurgen Reil – e Christian Giesler completam o time soturno. Além da participação especial do vocalista do Lacrimosa, Tilo Wolff, na faixa que dá nome ao disco.

Alcance e desempenho comercial

A recepção quanto ao álbum sempre foi bastante polarizada, com fãs mais antigos torcendo o nariz e fãs mais novos o aceitando de melhor forma. Entretanto, nem mesmo este cenário é completamente alinhado. Afinal, existem fãs de todas as épocas que detestam e também reconhecem o valor desse experimento sonoro.

Embora não tenha alcançado o sucesso dos trabalhos mais recentes da banda, o disco gótico do Kreator teve presença significativa no mercado europeu, mais precisamente em sua própria casa, a Alemanha.

O álbum entrou na parada oficial alemã de álbuns e alcançou a posição nº 68 em seu lançamento original de 1999. Anos depois, a edição “Ultimate Edition” chegou ao Top 10 alemão, atingindo a posição nº 6 em 2022, demonstrando uma reavaliação positiva da obra ao longo do tempo. Portanto, estamos diante de um ressurgimento com sobras do disco mais controverso da clássica banda de Thrash Metal.

Além de tudo, o álbum teve lançamentos oficiais na Alemanha, EUA e Japão, ampliando significativamente sua exposição internacional.

Vale ressaltar que a sua importância histórica vai de encontro ao desenvolvimento da sonoridade atual do Kreator, alinhando o passado ao presente e, consequentemente, projetando o futuro da banda.

“Endorama” introduziu elementos góticos de forma explícita e inédita na banda. E por fim, serviu como transição para a evolução melódica que culminaria no renascimento criativo com o já citado “Violent Revolution” em 2001. Há quem diga que Mille poderia lançar como um disco solo e sem a adição do nome Kreator. Poderia ser algo como “Petrozza – Endorama”, só para exemplificar. O que seria muito bacana, já que seu sobrenome funcionaria muito bem como nome para projeto solo. Poderia até usar a mesma fonte do logo clássico para ter uma comunicação mais direta em relação aos fãs mais distraídos.

“Endorama” é um disco ruim ou mal compreendido?

Eu passei pelos dois caminhos: detestei no começo e com o tempo fui absorvendo melhor. Ouvir esse disco do Kreator hoje pode deixa-lo melhor, pior ou igual ao que você achava anteriormente. Essa métrica vale para qualquer disco, mas quando o álbum é controverso, experimental e coisa e tal, fica um lance tenso em questão de análise. Quando um álbum já é bom por si só, você reouve sem pensar se ele soará melhor ou não do que outrora. Diferentemente de um álbum que divide opiniões.

A faixa-título me fez detestar esse disco por completo e por muito tempo. Anos mais tarde, fui absorvendo melhor e passei a gostar de um som ou outro, conforme já dito. Hoje, ouço esse álbum tranquilamente e não ligo se possui o nome do Kreator. Até acho melhor que possua, pois fica mais clara a evolução das ideias musicais de Mille, Ventor e seus parceiros de batalha.

Invadindo a escuridão e a melancolia sonora de “Endorama”

Ao reouvir esse álbum por mais vezes, percebi que ele possui uma estrutura fixa e que se adequa ao estilo e à climatização do trabalho em si. Ao mesmo tempo que se entrelaça com nuances mais pujantes e velozes, em contraste ao som mais cadenciado, melancólico e com aquele ar de rolê ao anoitecer.

Esse clima de passear a noite, seja a pé ou de carro, é que me chamou a atenção para que eu pudesse absorver melhor grande parte das composições. Em uma situação que eu pudesse montar um tracklist mais enxuto, com o tradicional número de 8 faixas, com certeza eu poderia tirar algumas e mudar a ordem de outras. Mas isso eu vou comentando ao tratar sobre cada música, de acordo com a ordem de track oficial.

A trinca de ouro do álbum

“Golden Age” virou um clássico do Kreator, sendo tocada em vários shows e é quase que unânime quanto a ser uma ótima música. Trata-se de um som pomposo, com um riff que fica bem marcado e revela uma faceta bem diferenciada da banda. Porém, fazendo certo contato com o trabalho anterior – “Outcast”. Ideias bem construídas e inseridas, sem bagunçar nada e com aquela elegância noturna.

Os solos possuem bastante classe e ainda sim você consegue identificar a identidade do Kreator. O jeito de tocar e percorrer as notas e as palhetadas trazem essa percepção. Música que derruba muito disquinho famoso por aí. E as melodias condensadas e frias revelam o ar soturno e aquela névoa que percorre todo anoitecer.

O ponto máximo para a divisão de opiniões

“Endorama” é a música que mais tive dificuldade de ouvir novamente depois de muito tempo. Porém, ao assistir novamente o videoclipe oficial deste single, tive uma percepção nova e uma sensação diferente sobre. A música melhora ao assistir o video e ponto alto é mais do meio para o fim, em que o espaço que seria para solos mais elaborados, é preenchido com solos mais simples e radiofônicos, culminando em um desfecho bacana. Muitos gostam da trinca em sequência – por isso o subtítulo da trinca de ouro – e até alegam ser o melhor momento do disco, mas entendo que o álbum possui capítulos ainda melhores do que este.

Tilo Wolff (Lacrimosa) divide os vocais com Mille e joga de uma vez o álbum para o lado gótico da força. Vale mencionar que o Lacrimosa era um queridinho de muita gente na época e se você estivesse solteiro nesse tempo, era bom não criticar esse som e muito menos a banda de Tilo. Embora eu não seja fã, “Leidenschaft” (2021) é um trabalho bem interessante, voltado ao Gothic Metal, e que eu gostei ao ouvir. Isso tem acontecido comigo com relação a algumas bandas das quais não compactuo com a sua sonoridade.

A terra sombria que gerou o embrião de “Violent Revolution”

“Shadowland” é uma faixa pulsante e faz uma ligação interurbana para outros álbuns que possuem esse receituário. Bateria incisiva de Jurgen Reil, juntamente com melodias frias e lamuriantes, mas que passam uma sensação de viagem de carro à noite, incluindo acelerações em riffs bem interessantes. Os solos são Thrash com ar gótico. Tem um lance meio Rock n’ Roll em dado momento. E depois parte para uma outra fase da música, com mais peso e o Mille cantando muito bem também. Já foi minha faixa favorita por muito tempo. Hoje é a segunda favorita. A considero como o embrião definitivo para o surgimento do excepcional “Violent Revolution” e, e, consequentemente, a sonoridade definitiva do Kreator.

“Numa terra onde o amor não pode nascer
O isolamento é o preço
E o horror deste lugar frio e sem alma
Deixa marcas eternas em sua vida
Numa época em que o amor não pode nascer
Outra crise ainda está por vir
Uma vida sem sentido gera uma morte sem sentido
Perguntando-se que tipo de dor virá a seguir”

A parte central que merecia melhor alinhamento

Até acho que “Chosen Few” figura bem nessa posição, pois carrega uma melancolia muito boa em suas notas iniciais e cheias de mistérios, somada ao pano de fundo bem adequado ao clima. Contudo, a faixa perde fôlego, se comparada às anteriores, mas eu acabei acostumando com ela e entendendo que Mille precisava ser mais versátil aqui mesmo, pois a música não abre espaço para vocais mais estridentes.

A música apresenta um Gothic Rock com nuances mais calmas, com uma condução de pratos mais presente e constante. O ritmo após o refrão, antecedendo o retorno dos versos, é a parte mais atrativa da música, pois apresenta mais movimento – o som fica mais evidente, principalmente o baixo de Christian Giesler. Temos ainda um trecho melancólico e quase à capela, acompanhado pelo programming e sintetizador, antes de partir para o final. Além do próprio final gélido e sufocante com aquele pianinho ao estilo “gota de água no vazio” bem ao fundo.

Um pouco de Doom nessa balada gótica do Kreator

“Everlasting Flame” é talvez a faixa que mais se comunica com o disco anterior. Ela entra em um modo quase balada no início e que explode em um Gothic/Doom bastante atrativo – teclados entrando em ação e surpreendendo na intro, entregando nas mãos dos instrumentos principais a próxima missão. Um dedilhado mais leve e vocais tão leves quanto. Destaque para o refrão e o pós-refrão com aquela nota fria isolada de sintetizador. É a faixa de equilíbrio do disco, mas que poderia andar melhor acompanhada se trocada a ordem do tracklist.

Seu início é bem puxado para um Post Punk bastante introspectivo e que resulta e um refrão que flerta e abraça o Industrial Metal, emendando em um dedilhado voltado ao Gothic Rock. Será que “Passage to Babylon” funciona melhor em outra posição no álbum? É uma faixa repleta de melancolia, mas que possui uma energia forte no refrão e na metade. A cozinha sólida da música coloca em evidência todas as tratativas em prol desse experimento e para mim, soa bastante positivo. Pode-se dizer que ela é uma irmã da ótima “Black Sunrise”, single do “Outcast”, outro dos álbuns experimentais do Kreator.

O futuro rei e outros capítulos antes do fim

“Tudo visto antes, continua para sempre
Desta vez, sua verdade não oferece nada de novo
Caminhando pelas ruas vazias de uma tragédia sem fim
Nada aqui pode tocar meu coração
Esta solidão me despedaça”

Dizem que tudo que já foi visto antes, continua para sempre, e que nesse álbum existem vários momentos que são vistos sempre e se repetem até o final do álbum. Mas você já viu uma “Future King” por aqui antes? As bases e a simetria fazem parte de um mesmo conjunto de ideias, mas que não corroboram com a igualdade prevista e descrita. A música apresenta um modelo agitado em que você vê o amor da sua vida dançando com as mãos para o alto, vibrando e balançando os seus cabelos longos feliz da vida. Ou pelo menos, no momento em que a música segue tocando.

Embora ela trate sobre questões de solidão, envolvimento com drogas, a busca por um rei salvador, traz esse ritmo mais descontraído de balada noturna. Eu adoraria tocar esse som em algum show que eu fizesse. Quem sabe um dia…

“Burning in 1999
Drowning in 99”

“Entry” é gloriosa, porém, ofuscada pelo que vem depois

É uma faixa introdutória maravilhosa, mas que caminha no vazio e não emenda com algo que possa fazer sentido. Seu posicionamento fica meio que no vácuo, infelizmente. Isso a torna obsoleta e um desperdício para algo que poderia ser tão grandioso. Bem, seguimos após “Entry” … E para piorar a situação, antes da intro terminar, surge um “Soul Eraser”, do nada! E já emenda na faixa seguinte.

Esse é o nome dela: “Soul Eraser”. Dito repetidamente em alto e bom som equalizado e com efeitos. O disco vem em uma toada quase que totalmente por caminhos góticos, resvalando a lataria em alguns outros elementos, até mesmo o Industrial, mas sem colocar em amplo destaque. No entanto, aqui vemos vários elementos desse subgênero logo de início. Um mix de repetições do nome da música, um riff que soa como chiado agudo de guitarra, culminando em palhetadas rápidas com cabos desencapados. A sonoridade traz um aspecto mais abafado e “queimado”, aliando aos efeitos nos vocais de Mille. A música tem alguns trechos que antecedem e caminham ao lado dos solos, que se alinham ao “Renewal”, e depois entram em um modelo de Heavy Metal tradicional.

O chiado e o refrão esquisito, contendo tudo o que fora descrito, acaba tirando bastante do charme do disco e praticamente joga a “Entry” no limbo. E pensar que essa é a música com mais partes de solos do disco, porém essas partes se repetem.

A tríade final de “Endorama”

“Willing Spirit” possui uma levada condensada e não traz aqueles dedilhados mais gélido, deixando um clima médio entre essa esfera e algo mais normal, digamos assim. Apresenta um riff principal bacana e uma levada bastante interessante, mas não acrescenta muito ao álbum. Ela mantém certo equilíbrio, não deteriora a sequência da audição do álbum, mas meio fora de lugar. O efeito negativo da intro desencaixada acaba influenciando, mas nada que me faça parar de ouvir o disco. Eu gosto dessa faixa e sei que o que vem a seguir a torna mais forte…

Pois, temos a “Pandemonium”, grande parceira da clássica “Phobia” (“Outcast”) em questão de formato. Seu refrão sofre uma elevação considerável e a descida após o refrão é muito boa. Os vocais menos afiados de Mille fazem boa ligação com a sequência da jornada, pouco antes de surgirem dedilhados de guitarra que a tornam ainda mais brilhante na escuridão. Podemos classificar como um ótimo final, mas ainda temos mais. Outro detalhe: essas três faixas se emendam, ou seja, o final se dá pelo corte entre as faixas no disco, mas funcionam como uma música só. Uma termina e já começa a outra sem que a banda pare de tocar. Acho isso muito interessante.

Tirania apoteótica e formulaica

“Tyranny” segue o padrão das boas músicas contidas no disco. Combina com “Future King” e “Willing Spirit”. Ou seja, são três composições que podem ser resumidas em uma só. Não estará desperdiçando nada nem tirando o poder de fogo do álbum. Mesmo assim, creio que o álbum possua uma boa apoteose. Essa não é uma música de abertura e nem de lado A. Como ela emenda com a anterior, não há como trocar. Exceto se colocássemos outra música fora dessa trinca para fechar a obra.

O trecho em que a bateria se prende ao chimbal e o baixo “dá os seus pulos”, é o diferencial da faixa, até que o som ganha fôlego e entra em sua fase final. O refrão é bacana, denso e caminhante, como alguém que saiu do bar depois de tomar uma boa dose daquele conhaque pesado.

Considerações melancólicas e góticas finais

As considerações finais já estão no começo deste pergaminho sonoro, pois se tornou um álbum bem mais palatável e, mesmo com algumas incongruências contidas nele, ouço tranquilamente e sem ficar questionando ou cobrando nada da banda. Aos que ainda rejeitam, o Kreator possui vários discos diferenciados e você poderá ouvir o que desejar. Aos que sempre gostaram do “Endorama” e aos que hoje o compreendem melhor, ouçam e tirem suas próprias conclusões sobre a montagem do tracklist, se poderia tirar uma ou mais faixas do álbum ou se está ótimo assim.

O importante é saber que o Kreator possui músicos que não ficam presos ao que a mídia ou a gravadora tentar impor. A mente criativa de Mille Petrozza pode acertar e errar, mas a criação do “Criador” não pode parar.

“Broken Dreams
Misery replaced by constant ecstasy
Wide awake, open wide
Existence of a better kind
Waits for you, waits for me
Our minds become forever free
Free of fear, free of rage
The coming of the golden age for all”

Nota: 7,1

Integrantes:

  • Mille Petrozza (vocal, guitarra)
  • Jurgen Reil (bateria)
  • Christian Giesler (baixo)
  • Tommy Vetterli (guitarra)

Faixas:

  1. Golden Age
  2. Endorama
  3. Shadowland
  4. Chosen Few
  5. Everlasting Flame
  6. Passage to Babylon
  7. Future King
  8. Entry
  9. Soul Eraser
  10. Willing Spirit
  11. Pandemonium
  12. Tyranny
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