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Resenha: Iron Maiden – “Senjutsu” (2021)

Gravadora: Perlaphone

   

1. Introdução

1.1: Iron Maiden na minha vida

Creio que a melhor forma de iniciar esta análise é contando um pouco sobre a minha relação com o Iron Maiden. Pois bem, era 1990 ou 1991, não me lembro muito bem, não tínhamos internet e nem nenhum dos atalhos atuais que promovem facilidades mil. A única saída para quem gostava de Rock ou Metal nessa época era comprar discos e se relacionar com pessoas que compravam discos, para saber um pouco sobre a história das nossas bandas favoritas era preciso acompanhar as poucas publicações mensais (as famigeradas revistas) que eram dedicadas ao público headbanger (Rodie Crew, Rock Brigade, Metal Head, Dynamite e etc). Havia também as rádios FM com programas como o Backstage e alguns programas televisivos de videoclipes (principalmente na MTV em seu começo). Neste cenário, um jovem padawan como eu conhecia apenas alguns poucos nomes mais acessíveis que faziam sucesso na época. Foi então que um LP do Iron Maiden começou a circular entre meu círculo de amigos, seu nome era “The Number Of The Beast” e, quase instantaneamente, deixamos de lado nomes como Guns N’ Roses, Skid Row, Aerosmith e outros, para conhecer mais a fundo esse tal de Heavy Metal tocado pela Donzela de Ferro. O primeiro LP de Metal que comprei na vida foi “Live After Death” e posso garantir a vocês que ele mudou todas as minhas perspectivas. Na verdade, posso afirmar sem qualquer medo de errar que este foi o disco mais importante da minha vida, pois foi através dele que eu descobri, entendi e me apaixonei por esta música contagiante.

1.2: Uma análise feita para fãs de Heavy Metal

Fiz questão de relatar este meu início na música pois é importante ficar claro que este que vos escreve, de forma alguma, é um hater ou alguém que não conhece o Iron Maiden profundamente. Ao contrário disto, lhes afirmo, a velha donzela esteve comigo durante quase trinta anos de minha vida e a arte excepcional criada por estes jovens senhores me proporcionou inúmeros momentos de êxtase e satisfação plena. Acontece que eu não sou e nunca fui fã de apenas uma banda, sou fã de Metal em sua totalidade e diversos outros grupos me proporcionaram momentos semelhantes. Definitivamente, este não é um texto feito por um fã xiita para outros fãs xiitas, jamais escreveria algo nessa linha e, caso você seja um destes fãs que consomem qualquer coisa feita por sua banda do coração, este texto não é para você. Uma resenha deve analisar diversos aspectos de um disco e, apesar de sempre ser um artigo opinativo que exprime o pensamento de seu autor, deve-se ter o mínimo possível de paixão envolvida. Aqui teremos críticas e elogios, os fatores que serão analisados serão: técnica, criatividade, diversão, construção das músicas, apresentação do material, produção e outros mais. Não espere elogios fáceis e frases de efeito para o deleite de fã clubes, esta é uma resenha dedicada ao fã de Heavy Metal em geral, não somente ao fã do Iron Maiden.

2. Comparações

Tendo todos estes fatores em mente, devo mencionar um erro que o fã comete com frequência toda vez que sua banda preferida lança um novo petardo. Comparar o trabalho novo com os mais recentes da própria banda e dizer algo como: “é o melhor deles em pelo menos 20 ou 30 anos”, não significa muita coisa dentro de um contexto mais abrangente. Quando comparações desse tipo são feitas eu costumo fazer as seguintes perguntas:

  1. Ok, mas o que eles vem fazendo nos últimos 20 ou 30 anos é algo absurdamente acima da média?
  2. O álbum se destaca se for comparado aos melhores lançamentos do ano de outras bandas?
  3. Quais discos de outras bandas você ouviu?
  4. O disco chega perto em qualidade de algum dos clássicos da discografia?

O fã de Metal em geral é aquele cara que acompanha os lançamentos atuais de diversas bandas e estilos. Este cara sempre vai fazer essas perguntas a si mesmo (ou pelo menos deveria), o fã de uma única banda não vai. E é justamente o que eu venho testemunhando nos últimos lançamentos do Iron Maiden. Por exemplo, se eu disser que “Senjutsu” é melhor que “A Matter Of Life And Death”, “The Final Frontier” e “The Book Of Souls”, isso significaria muito para você? A não ser que você seja muito fã destes discos, não vai significar muita coisa. Está é uma comparação pobre. Quando trabalhos do porte de “The Number Of The Beast”, “Piece Of Mind”, “Powerslave” e tantos outros foram lançados, eles foram equiparados ao que de melhor era lançado no Metal mundial em geral e, mesmo assim, se destacaram e ocuparam o topo das listas de melhores dos seus respectivos anos.

Se queremos realmente descobrir se “Senjutsu” é um registro acima da média, temos que compará-lo com o que de melhor vem sendo lançado em 2021 e anos anteriores. “Senjutsu” bate de frente com “Firepower” (Judas Priest), “Thunderbolt” (Saxon), “Angel Of Light” (Angel Witch), “Infidel” (Ambush), “Metal City” (Raven), “Too Mean To Die” (Accept) ou “Sonic Healing” (Todd Michael Hall), entre outros? Este é o questionamento que deve ser feito.

Se você ouviu todos estes e sua resposta é sim, então você pode afirmar que “Senjutsu” é realmente uma obra acima da média. Porém, se você não escutou estes discos e tantos outros, mas quer opinar e comparar apenas com discos anteriores do próprio Iron Maiden, você não fez sua lição de casa. Quando disser que é “o melhor disco do ano” ou “uma obra de arte inquestionável”, ao menos saiba que suas afirmações estão completamente comprometidas por sua incapacidade de comparar corretamente.

3. Um disco de erros e acertos, mas…

Como em toda obra que tem como proposta ser grandiosa, temos fatores positivos e negativos. “Senjutsu” não foge desta regra. A parte gráfica é muito bonita e o material físico é estonteante, com inúmeras versões diferentes para os fãs se esbaldarem. O disco pode ser adquirido em LP, CD, CD + livro, Boxset, Digipack e, provavelmente, vão inventar mais algum tipo de formato que, sem dúvida, será lindíssimo e valerá o investimento. A parte lírica também é um espetáculo a parte e, venhamos e convenhamos, o Maiden sempre foi fera neste quesito. Outro ponto extremamente animador é a performance vocal de Bruce Dickinson, já que o cantor passou por um câncer na garganta e, felizmente, sua voz manteve-se intacta e com aquele poder de fogo já conhecido por todos nós.

O grande problema em elogiar e reconhecer a grandiosidade destes fatores é que estes não são os itens principais para termos em mãos um grande registro. Por mais que o material seja impecável, a arte seja muito maneira e as letras excepcionais, queremos ouvir músicas cativantes, empolgantes, criativas e que façam jus a linda trajetória da banda. É nesta parte que as críticas inevitavelmente aparecerão…

   

Infelizmente, encontrei muitos pontos negativos na audição de “Senjutsu” e não seria honesto deixá-los de lado apenas por ser o Iron Maiden. Posso mencionar desde pequenos deslizes que podem ser relevados com facilidade como a ordem estranha em que as faixas foram apresentadas no tracklist, até coisas mais graves e fundamentais como a produção medíocre de Kevin Shirley/Steve Harris. No caso da ordem das faixas, eu entendo que é um disco conceitual e as letras conversam entre si, portanto, precisa-se de uma ordem que faça sentido. Mas a faixa “Senjutsu” abrir a audição com seus mais de 8 minutos de um ritmo arrastado, cadenciado e sem grandes mudanças no andamento, me pareceu uma escolha equivocada. Quando digo que este é um pequeno deslize apenas, é por que a música em si não é ruim, mas creio que ela funcionaria melhor se estivesse mais para o meio do disco. Já sobre a produção não tem desculpa e se você não concorda, basta ouvir os álbuns mencionados no trecho acima gravados por outros artistas. O Iron Maiden poderia se utilizar de uma produção mais moderna como no álbum de Todd La Torre (produtor Craig Blackwell em parceria com o próprio Todd), poderia se utilizar de uma produção mais “na cara” como as dos últimos registros de Saxon, Judas Priest e Accept (todos estes com trabalho do excelente Andy Sneap) ou até mesmo buscar algum outro nome, mas a persistência de Steve Harris com Kevin Shirley é algo inexplicável.

Devo mencionar que um álbum com mais de 80 minutos de duração também não é algo fácil de digerir, mas se as músicas forem extremamente convincentes e empolgantes, acaba passando batido. Neste caso, não passou. “Senjutsu” possui 10 faixas e, a mudança de proposta que a Donzela vinha implementando nos discos anteriores, aqui está totalmente consolidada. Se continuarem se abdicando de peso, velocidade e outras características tão marcantes em sua própria história, talvez, no próximo trabalho não poderemos nem classifica-los mais como Heavy Metal, mas algo como Hard Prog. Sobre empolgação, é difícil quando as músicas vão tocando uma após a outra e não há mais aquele punch, aquela pegada Heavy ou aquele som mais direto. Quando você percebe, está no final da audição e, apesar de nenhuma das canções serem ruins de fato, você ainda está tentando encontrar aquela música marcante que vai te fazer apertar a tecla repeat.

4. Análise das faixas

4.1 – Iron Maiden democrático

Quando a página oficial da banda publicou a lista de faixas de “Senjutsu” juntamente com seus respectivos compositores, devo dizer que fiquei bastante empolgado. Sempre entendi que Bruce Dickinson e Adrian Smith tinham que voltar a compor mais e ao saber que teríamos 3 composições escritas pela dupla, me fiz crer que este era o primeiro sinal de que poderíamos ter um belo disco de inéditas. Smith ainda participa de outra composição ao lado do “Boss” Steve Harris, que por sua vez, divide mais duas com Janick Gers. Porém, toda essa expectativa não se traduziu na prática e vou explicar isto conforme vou analisando cada uma das músicas.

1 – “Senjutsu” (Smith/Harris): a música que dá nome ao álbum é uma canção épica de pouco mais de 8 minutos. Ao contrário do que se espera, não temos aqui uma faixa de abertura bombástica, mas sim um som arrastado que me fez lembrar alguns momentos da carreira solo de Bruce Dickinson, principalmente, na fase de “The Chemical Wedding”. Definitivamente, não é uma música ruim, mas tão pouco posso afirmar que é de fácil assimilação. Abrir o tracklist com ela me soou equivocado. Musicalmente, a performance de Bruce é exemplar e os solos são muito bons, mas o disco já começa com um anticlimax que poderia ser utilizado a seu favor nas próximas músicas e não foi, como veremos a seguir.

2 – “Stratego” (Gers/Harris): segundo single disponibilizado antes do lançamento e, aqui, temos ao menos uma tentativa de flertar com o passado. Quando critiquei a montagem do tracklist foi por coisas como esta. Depois de uma música arrastada e de longa duração como “Senjutsu”, era esperado aquele som mais diretão e ele não vem. Devo advertir que ele não vem em nenhum momento do disco. Aqui em “Stratego”, reconheço que eles tentaram, mas aí entram as questões técnicas. A produção usada não favorece esse tipo de composição e apesar de um riff muito legal, apesar dos solos nas bases que me lembraram “Rainmaker” (presente em “Dance Of Death”), apesar da cavalgada clássica do Maiden e um refrão grudento, o baixo de Steve Harris está extremamente alto. As guitarras não tem peso algum e, apesar de termos três guitarras, elas quase somem por completo em muitos momentos.

3 – “The Writing On The Wall” (Smith/Dickinson): apesar de ter recebido algumas críticas na época de seu lançamento, o primeiro single de “Senjutsu” me convenceu e, mesmo após ouvir o álbum completo, ainda continua sendo um dos destaques. A introdução instrumental flertando com o Southern Rock/Stoner ficou muito legal e é nesta música que temos o melhor refrão do disco. O videoclipe é um show à parte e traz uma animação muito caprichada trazendo o mascote Eddie em diversas situações inesperadas.

4 – “Lost In A Lost World” (Harris): sim, estamos falando de uma composição do boss, mas o início acústico novamente lembra bastante a carreira solo de Bruce Dickinson principalmente nas baladas de “Accident Of Birth” e “The Chemical Wedding”. Claro, tudo isso muda aos 2 minutos quando o começo acústico dá lugar aos instrumentos plugados. Confesso que de primeira não achei esta música grande coisa, mas com audições posteriores ela até me convenceu. O refrão apesar de demorar mais de 4 minutos para dar as caras é muito bom e depois dele temos ótimos momentos. Talvez esta seja a parte instrumental mais legal do disco e mesmo com seus mais de 9 minutos, as diversas quebras e solos são realmente bons e quase me fizeram esquecer que até aqui temos um disco 100% cadenciado, sem peso e sem pisar no acelerador em um momento sequer.

5. “Days Of Future Past” (Smith/Dickinson): quando a introdução começou eu já estava ficando impaciente. Sendo sincero, o início moroso me fez lembrar que estamos na quinta faixa do tracklist e, até aqui, nada do Maiden empolgar de verdade. Felizmente, um riff cru e direto interrompe o andamento calmo e, pela primeira, temos algo que chega próximo de contagiar (eu disse chega próximo, ok?). Esta é a música mais curta do registro, com pouco mais de 4 minutos e a única que flerta com precisão com a fase clássica. Obviamente, se estivesse alocada em um “The Number Of The Beast” ou “Powerslave”, passaria desapercebida, mas aqui soa como um oásis no deserto para os fãs mais antigos.

6. “The Time Machine” (Gers/Harris): a introdução é típica dos últimos trabalhos e depois disso entra um ritmo progressivo que não empolga. Até rolam alguns momentos legais, principalmente, nas partes instrumentais, mas é impressionante como as três guitarras do Maiden não conseguem ser relevantes e não conseguem se destacar. Ouça com atenção o novo disco do Helloween lançado este ano e veja como as três guitarras se alternam e fazem coisas diferentes. Os solos possuem duelos, duetos e passagens mirabolantes, já no caso do Iron Maiden, você só lembra que a banda tem 3 guitarristas quando chega a hora do solo. Em muitas músicas nem na hora do solo…

   

7. “Darkest Hour” (Smith/Dickinson): juro que quando ouvi essa música quase acreditei que o Bruce ia sair cantando “Man Of Sorrows”, presente em “Accident Of Birth” da sua carreira solo. Sinceramente, fiquei muito decepcionado com a participação da dupla Smith/Dickinson nas composições. Mesmo “The Writing On The Wall” sendo uma boa composição e “Days Of Future Past” ter tentado fazer um link com o passado, não são músicas primorosas. Já esta “Darkest Hour” é uma balada com mais de 7 minutos que, no máximo, entrega um bom solo e nada mais. Muito pouco pra uma das melhores duplas de compositores do Heavy Metal.

4.2: Iron Maiden de Steve Harris

Pelo tamanho das faixas ou até mesmo pela disposição das mesmas (as três últimas), dá pra dividir o disco em duas partes, a primeira com a participação ativa de outros integrantes nas composições e esta segunda parte com três músicas com mais de dez minutos cada uma, compostas exclusivamente por Steve Harris. Vamos a elas!

8. “Death Of The Celts” (Harris): aqui temos uma música realmente decente (aleluia!). Pelo menos para quem curte a fase que deu verdadeiro start nessa era atual mais progressiva. Claro que estou me referindo aos dois discos com Blaze Bayley. Em “Death Of The Celts”, Harris revisita entre outras, a excelente “The Clansman” e faz um bom trabalho soando quase como uma continuação da faixa presente no “odiado” “Virtual XI”. A introdução é longa, mas diferente das costumeiras, é muito bem construída e os vocais de Bruce estão tinindo. Quando a música engrena, temos alguns dos grandes momentos do disco e, mesmo sem peso, os ritmos celtas acabam eximindo a obrigatoriedade deste recurso. Apesar de em outras resenhas de sites badalados, terem classificado esta música como “preguiçosa”, na opinião deste que vos escreve, acabou sendo a melhor do trabalho com sobras.

9. “The Parchment” (Harris): o maior pecado de “Senjutsu” é esta música ter 12 minutos de duração. Por que? Por que ela tem ótimas idéias, um riff muito maneiro, alguns solos bem construídos e um final matador, mas gente, as repetições ininterruptas de trechos inteiros fez ela ter essa duração descabida. Poderia ser uma canção com 6 ou 7 minutos e fatalmente se tornaria um clássico, mas não, pra que ser objetivo não é mesmo, Steve Harris? Veja bem, não tenho absolutamente nada contra faixas longas, mas elas precisam justificar seu tamanho e “The Parchment” não justifica. Claro, temos alguns andamentos que dá pra linkar com “The Nomad” (presente em “Brave New World”) e até um riff chupinhado de “To Tame A Land” (presente em “Piece Of Mind”), mas mesmo não sendo algo muito original, dava pra ser uma música excelente caso não fosse cansativa. Realmente uma pena.

10. “Hell On Earth” (Harris): tenho uma pergunta, esta é a música que fãs e sites renomados estão alçando a posição de obra prima absoluta? Por que se for eu estou realmente confuso e me sentindo como se tivesse caído na pegadinha do Malandro. Já começa errado quando após mais de uma hora de audição sem que nada muito espetacular me fosse apresentado, os caras resolvem meter uma introdução com quase 2:30 onde nada acontece. São literalmente 2:30 perdidos. Me parece que essa introdução está aqui somente para a música passar dos 10 minutos e nada mais. Quando ela começa, de fato temos um riff legal, uma performance digna de Bruce e alguns trechos interessantes, mas pera, não estamos falando de uma nova “Seventh Son Of A Seventh Son”, uma nova “Alexander The Great”, uma nova “Sign Of The Cross” e tão pouco de uma nova “Rime Of The Ancient Mariner”, é somente uma canção ok (e isso se você ignorar a introdução). Menos galera, menos, bem menos…

5. As mudanças que ocorreram e as que deveriam ocorrer

Eu sei que muitos fãs irão detestar ler este tipo de crítica sobre sua banda do coração, mas devo dizer que esta é a resenha que eu também jamais gostaria de escrever. O Iron Maiden é uma banda que eu tenho no mais alto patamar de consideração e tudo o que eu queria era poder afirmar que os caras nos presentearam com um disco excepcional. Só que eu estaria mentindo para vocês e, pior, para mim mesmo. Não dá pra fazer isso. Enxergo o Maiden como uma empresa que possui sérios problemas em sua administração, eles mudam o que não precisa mudar e insistem em erros que poderiam ser facilmente corrigidos. Não vejo problema algum em ficar mais prog ou em ter músicas mais longas, “Brave New World” e “The X-Factor” são provas cabais que dá pra fazer isso com qualidade. Mesmo você que não curte a fase Blaze e deve estar se revirando por que mencionei “The X-Factor”, sabe como as músicas desse disco soam ao vivo com Bruce nos vocais. O grande problema na humilde opinião deste que vos escreve é a teimosia crônica de manter Kevin Shirley como produtor e Steve Harris permanecer co-produzindo.

Todos os principais problemas encontrados nos últimos três trabalhos pelo menos, são problemas que seriam facilmente corrigidos por um cara como Andy Sneap. O Iron Maiden precisa de um Steve Harris que foque na música e deixe a produção para um produtor. Simples assim. Lembrem-se, o lendário Martin Birch não aceitava tudo o que o boss sugeria e foi nessa época que tivemos o Maiden em melhor fase. Harris precisa recuar ou, lamentavelmente, veremos o Maiden se tornar um Deep Purple. E digo isso sem qualquer demerito ao Purple, eles fazem esse tipo de sonoridade (Hard Prog) há muitos anos e jamais foram lendas do Metal.

6. O Iron Maiden ainda é importante

Vou terminar este texto falando de coisas boas, me recuso fazer de outra forma. Antes, vou apenas me dirigir aos fãs xiitas que não aceitam críticas. O Maiden é uma das maiores bandas de Heavy Metal de todos os tempos, uma real instituição da música pesada e nada que alguém escreva vai diminuir isto. Criticar um disco que realmente não é bom, não diminui a importância da banda e tão pouco a sua relevância. Parem de ser loucos e achar que uma banda precisa ser perfeita do início até o fim, nenhuma vai alcançar este grau de objetividade, muito menos uma com mais de 45 anos de carreira e 16 discos de estúdio lançados. Dizer a verdade sobre um disco não significa desrespeitar a instituição, não significa que a banda não merece ser ovacionada, vocês soam ridículos ao tentar bancar os advogados de defesa de músicos milionários que sequer sabem que vocês existem.

Sobre a importância do Maiden no cenário, mesmo lançando um álbum que classifico no máximo como mediano, a banda ainda é de extrema importância para o Heavy Metal atual. São, ao lado do Metallica, as maiores entre todas as que estão em atividade e seguem sendo porta de entrada para os jovens conhecerem o gênero. Mais do que plausível, é NECESSÁRIO termos o Iron Maiden em atividade, lançando discos, fazendo shows, movimentando o mercado e trazendo engajamento ao estilo. Com exceção destas duas que mencionei, nenhum outro nome é capaz de fazer isso com tamanha competência. Não, eu não achei “Senjutsu” um grande disco, muito pelo contrário, achei um registro cheio de problemas e os esmiucei, mas eu ainda amo os álbuns mágicos que o Iron Maiden gravou, respeito sua trajetória e, quando puder, certamente, os verei ao vivo novamente. E para isso, vejam só, não preciso bancar o fã retardado que fica bravinho caso alguém critique sua banda do coração. Me poupe, vai! Como um grande amigo meu sempre diz, fãzete precisa levar uma boa mijada na cara pra ficar esperto…

Nota: 6

   

Integrantes:

  • Steve Harris (baixo)
  • Bruce Dickinson (vocal)
  • Adrian Smith (guitarra)
  • Dave Murray (guitarra)
  • Janick Gers (guitarra)
  • Nicko McBrain (bateria)

Faixas:

  • 1. Senjutsu
  • 2. Stratego
  • 3. The Writing On The Wall
  • 4. Lost In A Lost World
  • 5. Days Of Future Past
  • 6. The Time Machine
  • 7. Darkest Hour
  • 8. Death Of The Celts
  • 9. The Parchment
  • 10. Hell On Earth

Redigido por Fabio Reis

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Comentários

  1. É permitido discordar de você sem ser considerado “xiita ou fãzete”? Ao que me parece algumas pessoas acreditam realmente serem as donas da verdade…O caráter aqui é puramente subjetivo, ou seja, você pode ter detestado algumas coisas e outras pessoas podem as ter adorado. Quem está com a razão: você? Dá um tempo camarada, vai ouvir outra banda e não enche o saco de quem curtiu o álbum.

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