Resenha (Indicação Hard): The Night Flight Orchestra – “Aeromantic II” (2021)

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Gravadora: Nuclear Blast

Já se passaram nove anos desde que o The Night Flight Orchestra lançou seu inusitado álbum de estreia.

A banda que começou como um projeto de músicos renomados, que inclui o vocalista Björn Strid (Soilwork), o guitarrista David Andersson (Soilwork) , além do baixista Sharlee D’angelo (Arch Enemy, Spiritual Beggars, etc), conseguiu emplacar e agradar fãs de outras vertentes além do Hard Rock. O que veio depois foram trabalhos incríveis, donos de qualidade musical absoluta e uma banda cuja sonoridade é difícil de ser classificada num estilo específico.

Antes de falar do quão especial são estes trabalhos, é preciso dizer que ao ouvir as músicas e assistir seus videoclipes, embarcamos numa máquina do tempo, apertamos o botão e voltamos aos anos 70 quando a Disco Music tomava conta das paradas musicais, em seguida apertar mais uma vez e ir até os anos 80 quando o Pop (aquele de qualidade) dava as cartas, em seguida rumar ao início dos anos 90 quando a Eurodance e a Italo Disco viraram febre e finalmente descobrir que juntando o melhor dessas três décadas, adicionando as guitarras “alegrinhas” do Hard Rock Oitentista, temos a fórmula perfeita para a sonoridade cativante e vibrante do grupo.

Um ponto importante e que cabe observação no estilo adotado pela banda, é que seus clipes nos remetem aos bons tempos onde películas como “Xanadu”, “Os Embalos de Sábado a Noite”, “Footloose, Ritmo Louco”, “Ruas de Fogo”, “Dirty Dancing”, “Fama” e “Flashdance” deram as cartas, garantindo grandes bilheterias por suas histórias “água com açúcar” (na época), no entanto, fazendo um parâmetro do que assistimos atualmente, estes filmes são grandes obras cinematográficas (e são mesmo), pois emplacaram músicas inesquecíveis que se tornaram grandes hits mundiais.

Outro ponto: Como dito anteriormente, percebemos na sonoridade do grupo o melhor das décadas de 70, 80, 90 e por conta disso a gama de influências são diversas. Em dado momento as melodias são tão claras que começamos a cantar o refrão de uma música do passado em cima da melodia atual do disco. Dito isso não é exagero dizer que sua música traz influências de nomes como: Abba, Michael Jackson (fase 70/80), Elton John (fase 70), Bee Gees (fase 70/80), Ray Parker Jr, Lionel Richie (fase carreira solo), Irene Cara, Linda Imperial, Kim Carnes, Chaka Khan, Thelma Houston, Alphaville, Depeche Mode, The Communards, Bronski Beat, Rockwell, The Romantics, Glenn Frey, Peter Schilling, Devo, Men Without Hats, The Human League, Soft Cell, Genesis, Styx, The Cars, After The Fire, Murray Head, F.R. David, Gazebo, Limahl, Daryl Hall & John Oates, Journey, Survivor, Electric Light Orchestra, Fleetwood Mac, Foreigner, Boston, Quarterflash, Secret Service, Supertramp e outros.

E antes que alguém lá do fundo se esgoele na pergunta: Mas afinal o disco é bom? Sim! O disco é excelente. Agora por favor, “Senta lá Claudia”.

O que se ouve em “Aeromantic II” é tão somente a continuação de todos os trabalhos (excelentes, diga-se) lançados anteriormente por esses caras incríveis.

Agora que o terreno já foi preparado, é hora de mergulhar nas ondas sonoras de “Aeromantic II”, e se divertir à valer com seu Hard Disco. Ou seria Disco Hard?

O grupo levou à risca o seguinte dito popular: “Em time que está ganhando não se mexe”. E foi pensando justamente nisso que o septeto surpreendeu com mais um trabalho primoroso, dono de musicalidade alegre, dançante e única. Porém, se você é daqueles que curte apenas Heavy Metal e acha que os demais estilos não lhe apetecem, então é melhor parar por aqui e não tente em hipóteses alguma ouvir 30 segundos desse disco, visto que definitivamente ele não foi feito pra pessoas como você.

Ok! Hora de deixar a fala de lado e mergulhar no ritmo “Hard Dançante” do The Night Flight Orchestra, que atualmente conta com: Björn Strid (vocais), David Andersson (guitarras), Sharlee D’Angelo (baixo), Sebastian Forslund (guitarras), Jonas Källsbäck (bateria), Anna-Mia Bonde (backing vocals) e Anna Brygård (backing vocals).

Aperte os cintos e seja muito bem vindo (a) aos anos 80, época em que a música Pop era feita com maestria e os filmes traziam em suas trilhas sonoras músicas de excelentes qualidades, algo raro nos dias atuais.

O álbum abre com a dançante “Violent Indigo”, faixa carregada de melodias Pop/Disco e de cara o ouvinte se dá conta de que acaba de fazer uma viagem aos anos 80, onde os teclados e sintetizadores davam as cartas. Claro que estamos falando de um disco de Hard Rock e pra lembrar bem isso entra em ação as guitarras, responsáveis por quebrar um pouco a vibe Pop , emanando um belíssimo solo, daqueles que casam perfeitamente com a atmosfera da música numa união perfeita de estilos.

Aviso: Não tente escapar disso, pois você não terá chances. O melhor é aproveitar, se jogar de cabeça na pista e cantar junto com Björn Strid, o refrão grudento e pegajoso.

Logo, aproveite , balance esse esqueleto enferrujado e se preferir, capriche na coreografia.

Como é de costume dizer: Excelente faixa de abertura!

Em ritmo de continuação, “Midnight Marvelous” traz a mesma batida e os mesma vibe de sua antecessora, porém, apresentando linhas mais evidentes de guitarras em mais um momento Hard/Disco e mais um solo bacana, daqueles simples, porém muito bem executado (e encaixado).

Destaques para as linhas de teclados, pros backing vocals e para o baixo (pesado) de Sharlee (D’angelo), responsável por adicionar um certo “peso” na música.

Os breves segundos iniciais de “How Long” nos remetem à “Ain’t Nobody” da cantora norte-americana Chaka Khan, porém as guitarras mudam a história e numa pegada a la Michael Sembello, somos conduzidos numa canção onde as harmonias nos fazem querer cantar o refrão de “Maniac”. Alegre, contagiante e trazendo uma vibe lá em cima, não se preocupe se por acaso bater aquela vontade de tirar os móveis da sala e começar a fazer aquelas coreografias típicas dos filmes da Sessão da Tarde.

Abram alas para “Burn For Me”, mais uma daquelas canções que “lembram” outras canções. Aqui, somos conduzidos às melodias de “Maneater” do duo americano Daryl Hall & John Oates, embora por alguns segundos venha a nossa cabeça a batida de “Modern Love” do camaleão David Bowie. Com seu videoclipe lembrando filmes como Dirty Dancing, Footloose, Flashdance, Grease e Xanadu, mergulhamos no ritmo dançante, bem como nas melodias simples, porém cativantes de seus acordes. Não por acaso, temos aqui um dos singles previamente lançados.

E já que falamos de single, hora de conferir “Chardonnay Nights”, mais uma faixa absurdamente bela, dançante e totalmente voltada a Eurodisco e a Italo Disco, embora suas batidas flertem claramente com a canção “Born To Be Alive” do francês Patrick Hernandez.

Aqui, mais um single contemplado com videoclipe.

*Abrindo um parêntese: Por trazer influências setentistas e oitentistas no estilo adotado, The Night Flight Orchestra apresenta similaridades musicais com inúmeros grupos destas épocas, bem como seus videoclipes soando simples, ausentes dos exageros tecnológicos das famigeradas superproduções.

Mais um single (excelente, diga-se), e a bola da vez é “Change”, mais uma daquelas músicas que trazem inúmeras referências seja no instrumental ou nos vocais. Com sua melodia grudenta e instrumental voltado ao Synthwave, somos conduzidos às melodias de nomes como P. Lion, Robert Tepper, Jean Beauvoir, Jermaine Jackson, Yazoo, The Human League, Erasure, entre outros. Destaques para o refrão grudento e pegajoso, além das referências sonoras de trilhas de séries oitentistas como Miami Vice, Super Máquina, Viper, entre outros.

Uma mistura de Classic Rock com Pop, assim é “Amber Through a Window”, faixa que traz além dos estilos supracitados uma pitada dançante de Disco, que se intercala ao belo solo de guitarras e de quebra alguns sons de violinos, numa sonoridade aparentemente influenciada pelos britânicos do Electric Light Orchestra.

*Aqui cabe uma observação aos saudosistas de plantão e fãs de desenhos animados: As linhas de guitarras desta composição nos remete a abertura de um antigo desenho chamado “Silver Hawks”, exibido aqui no Brasil como “Falcões de Prata”.

Em mais um momento voltada aos 80 ‘s, “I Will Try” entra em cena, e aqui ouvimos aquelas melodias típicas dos filmes exibidos na Sessão da Tarde. Musicalmente, a canção traz aquela vibe presente na harmonia de “Everybody Wants To Rule The World” do duo britânico Tears For Fears.

Mergulhando de cabeça nas ondas do Retro Wave, Synthpop, Hi-NRG e Italo Disco, “You Belong To The Night” é literalmente a música mais “dançante” do disco, incorporando também elementos de Pop/Disco, pegando carona na sonoridade de grupos como Dead Or Alive, The Midnight, The Shape e Italove. O resultado é uma música alegre e divertida, daquelas onde disfarçadamente “batemos o pé” e nem percebemos. Direi que após ouvi-la, é certo que muitos irão torcer o nariz. Por motivos óbvios.

Os encontros entre o Hard e a Disco estão presentes em “Zodiac”, mais uma daquelas faixas alegres, alto astral e refrão feito para ser cantado junto à primeira ouvida. Ao final, é recomendado que a tecla “Repeat” seja acionada.

Hora de mais um single. Ou melhor, super single, “White Jeans”. Simplesmente um das melhores músicas do disco e disparado um dos melhores e divertidos videoclipes da banda.

Mais uma vez, temos uma canção que caso tivesse sido gravada nos anos 80, certamente embalaria trilha sonoras de filmes como Fama, Flashdance, Xanadu e tantos outros.

Além da vibe e atmosfera envolvente em seus acordes, destaque para a performance genial de Frederik Lexfors, ator sueco que dá vida ao personagem “Drag Queen” do clipe, numa clara alusão a filmes como “Priscila, A Rainha do Deserto”, “Gaiola das Loucas” e “Para Wong Foo, Obrigada Por Tudo! Julie Newmar”.

* Sobre a vibe de “White Jeans”, a banda comentou: “Se esta música não te faz levantar de seu sofá e colocar sua jeans branca limpa e dançar nas ruas com seus vizinhos, nada o fará. A primavera chegou, é hora de dançar”.

Em sua reta final,“Moonlit Skies” é mais uma canção onde o Hard Rock dá as mãos ao Pop/Synthpop, numa fusão perfeita que nos remete a grupos como Depeche Mode, New Order, Limah, Men Without Hats, Mirko Hirsch, Trans X, Modern Talking, Foreigner, The Cars, Survivor, Secret Service, etc. O resultado é mais uma faixa grandiosa, dona de um refrão grudento e convidativo.

Fechando com chave de ouro, “Reach Out”, faixa que trará um ponto de interrogação ao ouvinte logo nos primeiros segundos de audição, onde o mesmo dirá: “Eu conheço isso!” Exatamente! Trata-se de uma versão à altura, já que a versão original pertence aos americanos do Cheap Trick e foi editada na trilha sonora do filme Heavy Metal, lançado em 1981. Por motivos óbvios, é dispensável dizer o quão genial ficou esta versão, já que os suecos foram fiéis em sua releitura, bem como felizes em escolher uma música que tem absolutamente tudo a ver com sua sonoridade.

Numa palavra, eu diria apenas: Perfeita.

Numa avalanche de bandas fazendo a mesma sonoridade de tantas outras e em alguns casos soando apenas “mais uma”, o The Night Flight Orchestra ousou, apostou e se deu muito bem ao juntar o Hard Rock com a qualidade musical de estilos que estiveram em alta nos anos 70 e 80. O resultado final dessa amálgama musical é uma banda que consegue soar “única”, bem como chamar a atenção de fãs de outros estilos, que não seja a música pesada propriamente dita.

Não bastasse a genialidade musical de seus discos, o grupo pode se gabar de ter em seu line up, músicos excepcionais, de renome e famosos através dos trabalhos brilhantes de suas respectivas bandas originais.

Na extensa lista de grandes lançamentos de 2021, “Aeromantic II” promete figurar também na lista de “melhores do ano” e não seria exagero dizer que “merecimento” é a palavra adequada para este excelente registro.

Nota 9.0

Integrantes:

  • Björn Strid (vocal)
  • David Andersson (guitarra)
  • Sharlee D’Angelo (baixo)
  • Sebastian Forslund (guitarra)
  • Jonas Källsbäck (bateria)
  • Anna-Mia Bonde (backing vocal)
  • Anna Brygård (backing vocal)

Faixas:

  • 1.Violent Indigo
  • 2.Midnight Marvelous
  • 3.How Long
  • 4.Burn For Me
  • 5.Chardonnay Nights
  • 6.Change
  • 7.Amber Through A Window
  • 8.I Will Try
  • 9.You Belong To The Night
  • 10.Zodiac
  • 11.White Jeans
  • 12.Moonlit Skies
  • 13.Reach Out (Cheap Trick Cover)

Redigido por: Geovani “Fox On The Run” Vieira

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