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Resenha: Graveworm – “Killing Innocence” (2023)

“Killing Innocence” é o novo full lenght do Graveworm.

   

O gótico se aliando a sonoridades mais extremas é como uma noite de lua cheia para um lupino.

Entrar em crinos e dilacerar cainitas pode ser o principal prato para esta noite especial ao som de seres que representam a terra da boa massa e que são famosos por seus covers inusitados, tranformando músicas originalmente mais leves e cristalinas em peso bruto, melancólico e agressivo.

Essa é a receita desenvolvida ao longo dos anos pelo Graveworm e escolheram esse momento para ampliar o seu leque de hinos do submundo.

“Collateral Defect”

O meu primeiro contato com a banda foi através do álbum “Collateral Defect” (2006), fazendo com quem vos digita, pudesse conhecer algo fora do convencional e pertencente a uma junção de subgêneros muito interessante.

Contando com dois charás meus, o guitarrista e tecladista Stefan Unterpertinger, e o vocalista Stefan Fiori, a banda original de Brunico (Bolzano), Trentino-South Tyrol, apresenta um lado muito importante voltado para a música extrema.

Sua sonoridade pode ser simplificada como uma junção de Dimmu Borgir, Dark Funeral, Tristania e Draconian.

Metal Negro

Isso apenas como uma pista para se direcionar em algo.

Claro que vai além disso, mas essa questão fica estritamente voltada para a musicalidade de cada disco, sendo cada qual com sua personalidade, uns mais densos e agressivos e outros mais melancólicos e gélidos.

Agora, com uma nova história a nos contar, vamos entender como caminha o monstro que foi criado ao longo do tempo por esses competentes asseclas do Metal Negro.

Vale ressaltar que foram lançados três aperitivos para ampliar a curiosidade quanto ao novo full length. Os singles foram: “Dead Words”, “Escorting The Soul” e “We Are The Resistance”. Já o álbum foi lançado no dial 28 de abril via AFM Records.

Graveworm/AFM Records
   

Se o lance é exorcizar a alma de quem não faz ideia do que está acontecendo no certame, vamos encarar esse ritual e entender desde as ranhuras até as entranhas desse inédito universo sonoro a ser apresentado pela horda da macarronada.

Começamos essa história de modo a identificar algo bastante comum em nosso sagrado planeta. Existem muitos tipos de morte e como as tratam.

Podem te ver ou não. Pode estar metido em um conflito ou apenas indo ao armazém comprar alguns pães e uma lâmpada nova para iluminar sua residência, além de querer matar um pouco de sua fome.

De repente, a onda passa e não deixa rastros, ocasionando uma possível cerimônia de enterro sem identificação da vítima fatal ou até mesmo de forma simbólica, já que não há mais corpo presente.

“A Nameless Grave”

“A Nameless Grave” inicia essa jornada de forma densa, no ritmo de passos para abrir a porta de madeira úmida e envelhecida. Os teclados trazem o tom certo de suspense e melancolia.

Momentos mais insanos de bateria colocam mais tempero nesse riacho de fogo-fátuo musical. O caminhar preciso do contrabaixo de Florian energiza a aura negativa da canção, que ganha tons negros ao explorar o lado mais sombrio e intenso da trama.

Stefan Fiori

A tônica do teclado segue sob o olhar do compasso mais lento entre o ar gótico característico dos italianos, juntamente com o envolvimento do Metal Extremo para que se complete a primeira profecia do disco.

Os vocais inconfundíveis de Stefan Fiori já começam o primeiro capítulo em destaque.

“Dead Words”

“Dead Words” é um dos singles lançados pela banda a qual faremos uma leitura baseada tanto em seus versos quanto ao conteúdo do lyric video.

Moe Harringer

Ainda dentro do mesmo parágrafo, podemos identificar um rito de passagem sofrida através da intro percussiva de Moe Harringer diante os olhares de um baixo dedicado e envolvente, até que as dissonantes e estridentes notas de guitarra acompanham o cortejo até o vale do nada, transportando palavras mortas que não dizem o suficiente para saber o que realmente se deve fazer em vida.

Stefan Unterpertinger

   

Os tremolos da guitarra de Stefan Unterpertinger abrem passagem para os vocais abissais de Stefan Fiori e, após o aviso do teclado, o combate sonoro dá a largada para contar sobre as mil palavras prontas para morrer e os mil pensamentos de vida inocente que contornam o chão da humanidade para as sombras do seu passado.

Livros dizem de forma tortuosa sobre o seu fim e a minha ascensão, pois, não há espaço para viver igual. O sacrifício é iminente e importante para fazer a roda girar através dos breves dedilhados de violão e de toda a melancolia envolvida graças às linhas melódicas e soturnas de guitarra.

Bateria

Os tons e pratos passam a vibrar com o teor traumático e se transformam em blast beats com grandiosos repiques de bumbo e caixa ao dizer sobre o abrigo da minha própria luz escura.

O final da segunda viagem ao calabouço de tudo destaca os portões da vida que estão fechados agora.

“Por todo o sangue, eu me sinto morto por dentro / Por todo o medo – as memórias se recusam a desaparecer / Um suspiro final, as mentiras em que você confia / Nós compartilhamos este inferno – palavras mortas terminam”.

“End of Time”

Fechando a trinca lamuriante de ases do inferno, temos aos ouvidos “End Of Time”, que dirá sobre a linha finita do tempo, ao menos do tempo natural da vida.

Arranjos de violino e notas de teclado caindo como gotas de orvalho congelante após uma imensa neblina são a climatização escolhida para estampar o fim da etapa.

Os timbres tradicionais e profundos dos principais instrumentos dão as caras e convocam a sentinela musical para caminhar sob a linha do tempo e evidenciar todo o conflito de horário entre cada acontecimento sem volta.

Eric Righi e Stefan Unterpertinger

Os pedais duplos surgem para apoiar as guitarras de Eric Righi e Stefan Unterpertinger.

O baixo faz aquela valsa vampírica, característica em bandas de Gothic Metal como os seus compatriotas do Mandragora Scream.

Os vocais de Stefan Fiori alternam entre os guturais mais graves e os rasgados mais agudos. As mudanças de andamento enriquecem o capítulo e entregam ao ouvinte um conforto muito importante para a sequência da obra.

“Escorting the Soul”

A próxima da lista é “Escorting The Soul”, outro single com vídeo e que te leva para caminhos ainda mais entristecidos diante de uma camada sonora que é movida pelos tilintares dos teclados.

   

Como trilha de filme, ela te envolve e te coloca em um cenário caótico de guerra sem trégua, sem esperança.

Guitarras e baixo se apresentam para aumentarem o ímpeto da bateria trituradora de ossos. A tropa é convocada para a batalha final, pois é sempre um caminho sem volta.

Enterros simbólicos

Enterros simbólicos com lápides e cruzes sem nome. Blast beats e tremolos com vocais rasgados rompem a barreira do descaso e revelam toda a tramoia mundana que é sempre orquestrada pelos líderes do apocalipse terrestre.

“O perverso prepara o banquete – abra as portas do inferno / Pensamentos em minha cabeça sussurram meu nome / O caminho da morte se abre / O destino em nossas mãos e orar por você novamente / O destino em nossas mãos e orar por você”

O sangrento e injusto destino traz à mesa o medo de Deus, o medo de orar e não dar certo. Não há mais escapatória, seja civil ou pertencente à alguma patente baixa. Você ainda luta com seus pensamentos quebrados e traindo seus mártires, porém é hora de delatar os medos sem arrependimentos, enquanto há tempo…

“If The World Shut Down”

“If The World Shut Down” é a quinta pilastra do horror gótico e da insanidade do Metal sem luz. Os primeiros acordes pesados e vagarosos anunciam que o mundo pode se fechar e você poderá ficar com falta de ar.

O destino te coloca diante de um riff pesado e cadenciado, cercado hora por pedais duplos incisivos, hora por compassos mais cavernosos e densos.

Moe Harringer

Moe Harringer alterna o ritmo e a linhagem de seu kit e oferece áreas mais extremas a serem exploradas pelo conglomerado italiano.

As melodias caem como chuva ácida aos ouvidos daqueles que se dizem puros de coração.

As notas distorcidas, trêmulas e contagiantes são as maiores provocadoras da ligação entre o ouvinte e o som.

   

Novamente a bateria acelera e dessa vez até mais do que outrora, juntamente com o nobre acompanhamento das guitarras e do baixo, mantendo em evidência o quinto capítulo dessa nova história antes que a Terra pare e elimine a todos os presentes.

“In Honour Of The Fallen”

Em honra ao exército caído, a intro de “In Honour Of The Fallen” começa com todo o empenho perseverante do Graveworm.

Compassos lentos ditam o ritmo e a climatização da obra. Refrãos melódicos e entristecidos complementam a situação do inimigo.

Já na parte final da canção temos a bateria seguindo a todo vapor para que o trabalho permaneça no nível de grandes álbuns lançados esse ano.

Os tremolos da guitarra agraciam o demônio e invocam a partitura de violão para a viagem pelo planalto acústico, terminando de forma robusta e desesperançosa (entenda como uma situação positiva).

Graveworm/Bandbanner/AFM Records

“We Are the Resistance”

A resistência pousa de frente para o alvo através de mais um single chamado “We Are The Resistance”, que chega para propagar a ira do anoitecer sombrio, o ímpeto do ser soberano e o avanço de suas tropas submundanas.

O ataque é ditado pelo rasgo na voz de Stefan Fiori

Entretanto, a cadência domina o território e abre espaço para a construção de um refrão poderoso repleto de melodias amargas, riffs que suportam as punições dos prisioneiros e que prendem o ouvinte nos arredores do castelo para que entrem em combate e clamem por suas vidas após serem atingidos por lanças e espadas inimigas.

Seja como for, a caçada aos deuses e aos seus simpatizantes se dá por conta dos versos e das linhas sonoras carregadas das marcas de um passado inglório, somado ao enredo soturno, baseado em orquestração que se assemelha ao Symphonic Black e ao Gothic.

A marcha da resistência pode ser melhor entendida a seguir:

“Na noite, o dia mais escuro da humanidade
Faça uma oração pelo poder profano
Uma nova ascensão do imperador – há um futuro agora
Prepare a luta da sua vida
Nós caçamos os deuses, a idade mais negra chegou
A terra dos mortos, devorando o cérebro
O cheiro de carne, os demônios do inferno
Marchamos novamente pelo túnel da dor”

“Where Agony Prevails”

Decerto, onde a agonia prevalece é o lugar ideal para os eventos da próxima canção.

“Where Agony Prevails” inicia seu espancamento de almas perdidas sob as chamas negras infernais do submundo, te envolvendo em um rito de Black Metal de se tirar o capuz envelhecido e empoeirado.

   

Posteriormente, a sinfonia exercida pela conduta de Stefan Unterpertinger, coloca mais gasolina na fogueira “santa” e incendeia o ambiente graças às marteladas incessantes de bateria, contornadas pelo baixo de Florian Reiner e aprofundadas pelas guitarras do próprio Unterpertinger e também de Eric Righi.

Coral de vozes femininas

Um coral feminino contribui para o encerramento de mais uma grande “múzga”. As veias foram infectadas por uma intro visceral e uma mente perversa.

Enquanto isso, pedais duplos convocam todos os demônios para acabarem com a esperança dos enfraquecidos por suas almas frágeis e insolentes.

“Wicked Mind”

A valsa incandescente acompanha “Wicked Mind” rumo ao vale das sombras flamejantes por conta das variações e pausas rítmicas.

Os teclados formam o pano de fundo para que as guitarras afiadas alcancem o topo da montanha congelada, representando a raiva e o ódio por conta da estrutura quebrada e a perda do controle.

A busca por qualquer paz feita pelas bases instrumentais, acarreta riscos ao manter toda a promessa de um dia melhor.

Afinal, o momento mais insano das vozes e o peso do baixo de Florian Reiner colocam o rejunte ideal que faltaria ao piso forte da canção.

“Meu único prazer são os mortos / Eu rezo por força, eu rezo por mais / Meu sangue vai cair como chuva / Eu sou o salvador de mim mesmo”

Contudo, para se salvar sem precisar de maiores auxílios é algo menos complicado, embora haja sacrifícios a serem feitos para que o resultado pensado chegue.

AFM Records

“Wrath Of Gods”

Ademais, as chamas revelam por entre as marcas das sombras na parede o poderio macabro que uma entidade italiana pode causar.

A ira de Deus paira no ar com a condução dos pratos de ataque em direção ao mais denso e profundo escuro para que aumente a fúria exercida em prol da última trilha sonora de “Killing Innocence”.

Assim que, na sequência, jogo de vocais engrandece a canção, que por sua vez, mantém a fórmula principal quanto à ideia do disco e as tradições da própria banda.

A apoteose acontece no formato de um armagedom causado pelo próprio Deus.

Wrath Of Gods” é um ótimo encerramento para que a ira siga em frente, enfeitiçando e agregando mais adeptos para que a roda malígna possa contínuar girando.

Considerações resistentes finais:

De fato, o Graveworm não necessita de ajuda ou qualquer dica para direcionar o timão do seu navio.

Sobretudo, nota-se uma sobriedade ao percorrer cada canção como em uma espécie de almanaque, sem que seja voltado para algo completamente conceitual.

Afinal, os conceitos líricos são dos mais diversos em “Killing Innocence”, o que torna o álbum mais leve e prazeroso de se ouvir.

Stefan Fiori continua afiadíssimo quanto ao seu gutural quase que inconfundível, além disso, executa suas ótimas passagens rasgadas e “médio agudas”, se é que existe tal termo.

Stefan Unterpertinger e Moe Harringer

As guitarras de Stefan Unterpertinger e Moe Harringer tornam o ambiente, ora mais denso como areia movediça, ora mais eletrizante com seus dedilhados e tremolos velozes, além das melancólicas e viciantes melodias.

Tudo sendo devidamente posto em seu lugar. Além disso, o disco ainda apresenta um alicerce de amplo respeito junto ao baterista Moe Harringer e o baixista Florian Reiner.

Ideias boas não faltaram para esse novo trabalho e os soldados do inferno obtiveram um grande sucesso.

Graveworm no Brasil?

Enfim, resta saber se “Killing Innocence” resultará em uma passagem por terras brasileiras.

Ainda que, aconteça essa grata surpresa, poderemos ter o terceiro Stephan presente no evento, sendo esse com PH e sabedor da qualidade do Graveworm.

Informações técnicas adicionais:

A saber, sobre os locais de gravação dos instrumentos, temos as seguintes informações:

A bateria foi gravada no Doom Studios, Linz, Austria. Guitarras, baixo e teclados foram gravados no Soundcontrol Studio, Meran, Itália. Já os vocais tiveram a gravação feita no Seriousblackstudios, em Munique, Alemanha.

A mixagem e masterização aconteceram no Rorysound Studios, em Uppsala, Suécia, sendo realizadas por Lawrence Mackrory.

“Locking back in anger
The hatred in their eyes
Waiting for the end
We are the resistance
Blinded by the fear
Smash the chains you’re bound
A final age will rise
We are the resistance
We are the resistance”

Nota: 9,2

Integrantes:

  • Stefan Unterpertinger (guitarra, teclado)
  • Stefan Fiori (vocal)
  • Eric Righi (guitarra)
  • Florian Reiner (baixo)
  • Moe Harringer (bateria)

Faixas:

1. A Nameless Grave
2. Dead Words
3. End Of Time
4. Escorting The Soul
5. If The World Shut Down
6. In Honour Of The Fallen
7. We Are The Resistance
8. Where Agony Prevails
9. Wicked Mind
10. Wrath Of Gods

Redigido por Stephan Giuliano

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