Resenha: Giant – “Stand And Deliver” (2025)

A reafirmação grandiosa de um nome histórico do melodic rock

Quase quatro décadas após sua estreia e carregando um legado inquestionável no AOR e no hard melódico, o Giant retorna com Stand and Deliver, lançado em 16 de maio de 2025 pela Frontiers Records e disponibilizado no Brasil através da Shinigami Records. O álbum não demorou a chamar atenção: já figura entre os melhores lançamentos do ano na categoria Hard Rock, segundo o site Mundo Metal, reafirmando a relevância da banda mesmo em sua fase contemporânea.

Desde 2021, Kent Hilli ocupa os vocais do Giant, e é impossível falar sobre Stand and Deliver sem reconhecer a centralidade de sua performance. Hilli não apenas honra a estética vocal clássica moldada por Dann Huff, como expande essa tradição com amplitude, precisão e uma expressividade contemporânea rara no AOR atual. Sua voz é o ponto de equilíbrio entre passado e presente, inclusive, conduzindo a sonoridade renovada da banda sem diluir suas raízes.

A entrada do guitarrista Jimmy Westerlund (One Desire) também representa um acerto decisivo. Sua abordagem captura nuances de Dann Huff de forma natural, mas com identidade própria, evitando a mera imitação. A química entre o novo guitarrista e a força rítmica dos membros originais David Huff e Mike Brignardello estabelece uma base sólida para um álbum que inegavelmente soa como Giant, não como um produto genérico de estúdio — algo que era motivo de críticas direcionadas ao disco anterior, Shifting Time. É notável como Westerlund traz peso, frescor e musicalidade, evitando o excesso de polimento que, eventualmente, costuma prejudicar muitas produções modernas de AOR.

A união da sonoridade clássica e contemporânea

A abertura com “It’s Not Right” mostra imediatamente essa reorientação. Um teclado pulsante, guitarras afiadas e um refrão amplo criam uma combinação irresistível, enquanto Hilli impõe autoridade vocal absoluta. O Giant clássico aparece com ainda maior força em “A Night to Remember”, onde a guitarra dialoga com teclas discretas e elegantes, remetendo ao trabalho mais jazzy de Alan Pasqua nos primeiros discos. Aqui, a banda retoma com firmeza sua identidade original: guitarras melódicas, grooves sólidos e refrãos de impacto imediato.

“Hold the Night” se destaca como uma das faixas mais fortes do álbum e talvez a que melhor resgata o DNA do Giant. A linha de guitarra de abertura, claramente inspirada no estilo de Dann Huff, guia uma construção melódica impecável até um refrão arrebatador, reforçado por camadas vocais e teclas atmosféricas. O solo de Westerlund é um dos mais inspirados do disco, alternando lirismo e explosão com total domínio.

O álbum alterna momentos de maior intensidade com passagens emotivas, e é nesse ponto que o Giant sempre brilhou. As baladas foram um dos pilares estéticos da banda, e Stand and Deliver certamente mantém essa tradição com “It Ain’t Over ’Til It’s Over”, uma power ballad construída sobre piano e arranjos crescentes, guiada por uma interpretação vocal profunda e por um solo acústico sensível antes da retomada elétrica. Outra joia emocional é “Paradise Found”, uma composição de atmosfera densa, marcada por guitarras limpas, teclados envolventes e, sobretudo, um refrão que remete diretamente aos momentos mais emotivos do Giant em seus primeiros discos. A entrega vocal de Hilli aqui é especialmente notável, sustentando cada nota com carga dramática e sutileza.

Identidade e legado

O repertório ainda apresenta faixas de energia contagiante, como “Beggars Can’t Be Choosers” e “Holdin’ On for Dear Life”, ambas com forte presença de riffs e teclados vibrantes, consolidando a mistura entre o hard rock vigoroso e o AOR melodioso que sempre definiu a banda. Vale destacar que três músicas do álbum vêm do acervo de Dann Huff, reforçando o vínculo artístico que permeia o disco mesmo na ausência do guitarrista fundador. E, curiosamente, não são necessariamente as faixas mais fortes do tracklist — o que evidencia o quanto a formação atual conseguiu construir identidade própria dentro desse legado.

O encerramento com “Pleasure Dome” é cinematográfico e grandioso. A faixa inicia com teclados atmosféricos e guitarras texturizadas, dessa forma construindo tensão até explodir em um mid-tempo pulsante. O refrão é amplo, imenso, e funciona como uma síntese perfeita do álbum: emocional, melódico, bem como tecnicamente impecável. O solo final, sustentado e expressivo, é digno de um fechamento para cima, respondendo ao caráter épico que a banda sempre soube construir.

Stand and Deliver é, sem exagero, o melhor álbum do Giant desde a saída de Dann Huff. A combinação entre o vocal extraordinário de Kent Hilli, a guitarra inspirada de Jimmy Westerlund, a produção cuidadosa de Alessandro Del Vecchio e a firmeza rítmica dos membros originais devolve à banda o brilho que muitos julgavam perdido. Sendo assim, não se trata apenas de um retorno ou de uma continuação da marca Giant; trata-se de uma reafirmação artística madura, consciente e tecnicamente impressionante.

Com sua fusão equilibrada entre tradição e renovação, não surpreende que o álbum já esteja entre os grandes lançamentos de hard rock de 2025. Stand and Deliver honra o passado, vive plenamente o presente e, acima de tudo, prova que o Giant ainda tem muito a dizer.

Integrantes:

  • Kent Hilli (vocal)
  • Jimmy Westerlund (guitarra)
  • Mike Brignardello (baixo)
  • David Huff (bateria)

Faixas:

  • 01 It’s Not Right
  • 02 A Night to Remember
  • 03 Hold The Night
  • 04 I Will Believe
  • 05 Beggars Can’t Be Choosers
  • 06 It Ain’t Over Till It’s Over
  • 07 Stand And Deliver
  • 08 Time To Call It Love
  • 09 Holdin’ On For Dear Life
  • 10 Paradise Found
  • 11 Pleasure Dome
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