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Resenha: Genocidio – “Fort Conviction” (2024)

“Fort Conviction”, nono full leght da carreira do Genocidio, tradicional banda paulista de Death Metal, acaba de chegar através do selo Urubuz Records. O sucessor de “Under Heaven None” chega, portanto, sete anos após o seu lançamento. Nesse hiato ainda foi lançada a compilação “Ancestors”, contendo somente covers. Atualmente, o line-up do Genocidio conta com: Wanderley Perna (baixo), Murillo Leite (voz e guitarra), Wellington Simões (guitarra) e Levi Tavares (bateria).

   

Ainda que saibamos que no mundo todo a estrada do Metal underground é cheia de obstáculos, vivemos no Brasil e conhecemos as nossas dificuldades de uma maneira muito mais clara. Assim sendo, qualquer passo dado tem um valor especial e deve ser motivo de comemoração. Desde que nasceu, em 1986 e, principalmente, desde o lançamento do EP homônimo, em 1988, Genocidio se encaixa nesses exemplos do underground que merecem celebração. Já que temos aqui, uma história e uma discografia forjadas no mais puro Metal da Morte, a pergunta é: será que Genocidio manteve toda sua tradição em seu atual full lenght? Que tal partirmos para a avaliação das composições, a fim de respondermos a essa questão?

GENOCIDIO / Reprodução / Facebook

“Fort Conviction” e sua impecável trinca inicial

Uma introdução, ao mesmo tempo, sombria e cheia de suspense inicia a faixa título, a qual também foi um dos singles do trabalho. “Fort Conviction” apresenta, já a princípio, uma mensagem de boas vindas cheia de peso e brutalidade, através da canção que lhe dá nome. Já “Aside”, que vem logo depois e também foi um dos singles, tem ainda mais variações dinâmicas, destacando o trabalho do guitarrista Wellington Simões, que fez sua estreia com o Genocidio em estúdio no atual registro. Igualmente, destacamos os guturais nítidos e macabros de Murillo Leite, que também compõe a dupla de guitarras com Simões.

Para encerrar essa primeira trinca inicial, com um ritmo a la Motörhead, temos”Devil´s Mothers Cry”. Nela, acima de tudo, devemos evidenciar o mais novo integrantes do line-up, o baterista Levi Tavares. De acordo com as informações disponíveis, ele passou a integrar o Genocidio em 2022.

Ajudando Tavares a compor um alicerce sólido e capaz de suportar essa massa sonora intensa, temos o baixista Wanderley Perna, que é o único membro fundador remanescente.

Death Metal Rules & Remains

Contando apenas com dedilhado de guitarra e voz, “The Sole Kingdom Of My Own” chega para cadenciar o ritmo, ainda que a bateria, o baixo e distorção ganhem vida após quase dois minutos. Apesar desse momento mais etéreo, a atmosfera do disco permanece bastante densa, parecendo algum tipo de ritual macabro. Essa canção termina da mesma forma que começou, com a guitarra dedilhando em fade out. Em seguida, a velocidade e a brutalidade voltam a comandar o jogo com a faixa “Lord Dementia”. Desde que tivemos a oportunidade de ouvir o novo disco do Genocidio pela primeira vez, ela foi a música que mais impressionou. Imaginem uma mescla entre as escolas de Death Metal de Tampa e da Suécia, pois é desse modo que interpretamos a sonoridade de “Lord Demantia”.

Depois desse petardo, achamos que não haveria mais surpresas no disco, no entanto, estávamos completamente equivocados. “Voivoded” é um tema instrumental de primeira linha, no qual os quatro músicos mostram que podem ir ainda mais longe, embora nunca fujam da essência do Metal. Em suma, temos nessa obra um disco, essencialmente, Death Metal, mas que caminha por outras estradas sem se perder.

A pegada das primeiras canções é retomada em “Maverick”, com o adendo de uma pitada de Death Doom em certos instantes. Quando é essa a fórmula em uso, há chance zero de erro, já que nisso, aqueles que conhecem bem Genocídio sabem que jamais há equívocos.

GENOCIDIO / Divulgação / Facebook

Trinca apoteótica

Depois de alguns segundos de calmaria, uma avalanche sonora chamadada “Scorn Cult” rompe nossos tímpanos, soterrando nossa massa encefálica, sem qualquer resquício de misericórdia. Essa canção é indicada àqueles fãs que preferem o Death Metal old school.

Quase fechando mais esse capítulo da história do Genocidio, temos “Never Tear Us Apart”, que foi um dos singles e é cover da banda australiana de Pop Rock, INXS. Surpreendentemente, Genocidio não descaracterizou o clima da versão original, mesmo a colocando dentro de seu universo particular.

Mesmo que o acréscimo de outros elementos possa ser bem vindo em uma audição, inegavelmente, não tem nada melhor que um disco de Death Metal terminar com Death Metal. Diante disso, “Mourning Saviour”, mais recente single do álbum a estar disponível, tem a responsabilidade de colocar um ponto final em “Fort Conviction”. Como resultado, essa canção o faz deixando uma ótima impressão final.

   

Temos mais um exemplo de um disco de Metal extremo que não é plano, pois discos planos são detestáveis em qualquer subgênero. Entretanto, “Fort Conviction” tem o Metal da Morte como seu ponto de referência e retorna a ele todas as vezes que precisa lembrar aos ouvintes o que o quarteto Genocídio é em sua essência.

Nota 8,8

Integrantes:

W Perna (baixo)
Murillo Leite (voz e guitarra)
Wellington Simões (guitarra)
Levi Tavares (bateria)

Faixas:

1.Fort Conviction
2.Aside
3.Devil’s Mother Cry
4.The Sole Kingdom Of My Own
5.Lord Dementia
6.Voived
7.Maverick
8.Scorn Cult
9.Never Tear Us Apart (INXS Cover)
10.Mourning Saviour

Redigido por: Cristiano “Big Head” Ruiz

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