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Resenha: Frozen Soul – “Crypt Of Ice” (2021)

Gravadora: Century Media Records

Sulcos avermelhados e nodulosos marcados por talhos de um objeto afiado. A madeira fria e o cheiro acre de anos e anos de sangue seco inundam sua mente. Você vê os ferimentos já abertos pelo açoite agora possuírem uma mistura fétida de pus e sangue em meio aos cortes profundos de uma pele já castigada pelo tempo. Um breve olhar para o carrasco revela o pavor por aquele ser pálido e cadavérico empunhando um machado negro. Lentamente a lâmina fria corta as primeiras camadas de pele, e atinge os primeiros tecidos musculares, veias jorram sangue, a respiração prende o último suspiro, afinal o caminho da lâmina ainda não teve seu fim. Mais carne, veias e músculos são atravessados, parece que nem os ossos fazem resistência para tamanha brutalidade, que só tem um destino, separar uma cabeça de seu corpo. O último suspiro é solto, mas o corpo inerte tomba ao chão. O olhar vidrado, desesperado ainda está naquela cabeça sem vida que paira em um cesto sendo acompanhada por outros olhares petrificados e mortos. Você é o próximo. Seu sangue gela, seu corpo treme, suas pernas bambeiam, seu olhar congela. Sua morte é inegável!

   

Tormento, agonia, desespero: Esses são os sentimentos principais que o Death Metal sempre quis passar.

Brutalidade, destruição, frieza: Palavras que sempre estiveram relacionadas ao ser humano, a sempre foram representadas muito bem dentro desse estilo musical.

Desde os primórdios, diversas bandas nos apresentavam um som tão brutal, onde seu trabalho sempre foi revelar a real face da humanidade, sem lentes para distorcer, sem filtros para esconder, a verdade nua e crua de quão maligno pode ser a raça humana. Desde então, o ódio e revolta se tornaram o combustível necessário para entoar essa ode a podridão que chamamos por Death Metal. Mestres ancestrais da destruição escreveram seu caminho por tal trilha tortuosa, Chuck Schuldiner, Steve DiGiorgio, Jeff Becera, Patrick Mameli, Martin Van Drunen, Karl Willetts, Martin “Kiddie” Kearns, Glen Benton e muitos outros mostraram sua indignação pela sociedade de outrora em suas vozes brutais e seus instrumentais absurdos. E até os dias de hoje, diversas bandas apresentam seu trabalho de forma a honrar e orgulhar suas fontes de inspiração. Sem rodeios, apresento a vocês os americanos do Frozen Soul. O quinteto do Texas sabe fazer muito bem um Death Metal old school sem frescuras e podre, assim como todos nós amamos.

Formados em 2018, a banda lança este ano o seu primeiro disco, o avassalador “Crypt of Ice”. Claramente influenciado pelo Bolt Thrower e Grave, a banda tem por sua característica principal em som cadenciado e obscuro, dotado de um vocal brutal e sombrio. Para abrir com chave de ouro, a faixa introdutória do disco, a homônima “Crypt of Fire”, é introduzida com samples sombrios que brutalmente irrompem em um instrumental tomado pela voracidade de riffs pesados e uma cozinha absurdamente clássica. A letra odiosa é cuspida em forma de rugidos animalescos por Chad Green, envoltos a um instrumental direto e denso, assim como todo Death Metal clássico deve ser. “Arctic Stranglehold” nos presenteia com os pedais duplos contínuos de Matt Dennard em sua introdução, que rapidamente são substituídos pela química magestral de riffs obscuros e contínuos e caixas alternadas que ecoam mais ainda a brutalidade dos vocais de Chad, uma faixa simples e completa. De repente, aquela mesma introdução que ouviu no começo do disco, agora com um piano sinistro, situa seu lugar de vítima em meio a agressividade que agora virá. Uma aula de riffs é despejada pela dupla Michael Munday e Chris Bonner formam a bela composição “Hand Of Vengeance”.

As próximas 3 músicas do compacto são uma trinca de respeito e se completam totalmente. Falo de “Wraith of Death”, “Merciless” e “Encased in Ice”, um conjunto assombroso de velocidade, densidade e cadencia. Passagens que variam desde um clássico Bolt Thrower e Asphyx, e vão até um rápido e brutal Death. A sustentação do baixo de Samantha Mobley é assombrosamente igual ao peso que Jo Bench tinha no tanque de guerra inglês chamado Bolt Thrower. Em especial quero destacar a faixa “Encased in Ice”, pela semelhança com uma das minhas bandas favoritas de Brutal Death, o ótimo Mortician. O uso de uma passagem grotesca que se assemelha a um esfaqueamento enriquece mais ainda a brutalidade e o ódio apresentado aqui. Em “Beat To Dust” encontramos uma faixa rápida e direta, com riffs poderosos e a clássica bateria digna de mencionar enriquece mais ainda a essa belíssima obra de arte macabra.

As duas próximas composições, “Twist The Knife” e “Faceless Enemy” seguem o mesmo andamento que as outras faixas do disco, rápidas, com passagens mais cadenciadas e um clima soturno e denso. Os vocais brutais de Chad são um ponto especial na construção do disco. Em ambas as faixas, as pontes construídas entre as mudanças de andamento são dignas de nota, pois possuem uma aura própria de genialidade. Para finaliza o disco, temos a excelente “Gravedigger”, que se inicia com a atmosfera densa como na primeira faixa do compacto, e gradualmente é substituída por riffs densos e brutais. Cadencia é a palavra de ordem aqui nesta primeira linha instrumental. Após o andamento do petardo se iniciar realmente, conseguimos ouvir claramente a união de todos os elementos musicais já apresentados pelos garotos Texanos. Como uma lamina afiada, essa composição é cirúrgica em seu corte direto em nossas gargantas, nos fazendo literalmente perder a cabeça de tanto banguear.

Responsáveis por tamanha destruição sonora, os texanos representaram muito bem a ordem de estraçalhar os ouvidos de qualquer um. Uma verdadeira ode ao brutal, completa de seu começo ao fim, com toda certeza fará qualquer fã do tormento musical revirar os olhos de êxtase.

Nota: 8,9

  • Integrantes:
  • Samantha Mobley (baixo)
  • Michael Munday (guitarra)
  • Chad Green (vocal)
  • Matt Dennard (bateria)
  • Chris Bonner (guitarra)
  • Faixas:
  • 1. Crypt of Ice
  • 2. Arctic Stranglehold
  • 3. Hand of Vengeance
  • 4. Wraith of Death
  • 5. Merciless
  • 6. Encased in Ice
  • 7. Beat to Dust
  • 8. Twist the Knife
  • 9. Faceless Enemy
  • 10. Gravedigger
  • Redigido por Yurian ‘Dollynho’ Paiva
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