Resenha: Fossilization – “Advent Of Wounds” (2026)

Logo de início, algo que realmente chama atenção ao trabalho do Fossilization é a forma como a banda conseguiu conquistar público em tão pouco tempo. Formado em 2020, o grupo ainda é relativamente recente, e “Advent Of Wounds” representa apenas seu segundo trabalho de estúdio. Ainda assim, já acumula cerca de 15 mil ouvintes mensais no Spotify, com forte presença de fãs na Europa, na América do Norte e também em diversos países da América do Sul. Esse alcance, para uma banda tão nova, não é algo trivial.

Naturalmente, tentei entender de onde vem essa força. Curiosamente, a presença digital do grupo não acompanha esse crescimento: o perfil no Instagram gira em torno de 9 mil seguidores, enquanto a página no Facebook soma aproximadamente 6 mil. Ou seja, não se trata de um fenômeno impulsionado apenas por redes sociais. Há algo na música — e talvez na identidade artística — que prende o ouvinte e gera engajamento orgânico. Nesse sentido, outras bandas do cenário extremo poderiam observar esse exemplo com mais atenção.

Alcance além das redes

De acordo com alguns sites especializados, o som do Fossilization é classificado como Death/Doom Metal. No entanto, essa definição parece simplista diante do que o álbum entrega. O que se destaca, na maior parte do tempo, é um Brutal Death Metal agressivo e visceral, que conduz as composições com intensidade. Ainda assim, há momentos pontuais em que o andamento desacelera, criando passagens densas, soturnas e carregadas de atmosfera — características típicas do Doom Metal. Portanto, embora esses elementos existam, reduzi-los a um rótulo híbrido não faz jus à dinâmica do disco, já que as partes rápidas permanecem predominantes ao longo da audição.

Outro ponto de destaque é a produção. A engenharia de som, assinada por Marcos Cerutti, aliada ao trabalho de mixagem e masterização de Gabriele Gramaglia, resulta em um equilíbrio difícil de alcançar. Os timbres são sujos, densos e encorpados, mas, ao mesmo tempo, cada detalhe atmosférico se mantém audível. Isso permite que o álbum construa uma ambientação opressiva sem sacrificar a clareza dos elementos. Em outras palavras, trata-se de uma produção cuidadosa, que valoriza tanto o peso quanto a ambiência.

Peso e atmosfera em equilíbrio

O início do álbum já estabelece o tom com “Cremation Of A Seraph” e “Disentombed And Reassembled By The Ages”. Essas faixas funcionam como uma introdução eficaz: apresentam a proposta sonora da banda e, ao mesmo tempo, despertam a expectativa para o que vem a seguir. E, de fato, o disco cresce progressivamente.

Em “Scalded By His Sacred Halo”, surge uma mudança interessante de dinâmica. A banda reduz o ritmo e mergulha em uma atmosfera mais arrastada e cavernosa, explorando com mais profundidade os elementos do Doom Metal mencionados. Essa variação contribui para evitar monotonia e amplia o alcance emocional do álbum.

“Terrestrial Mold” se destaca como um dos pontos altos. Mais veloz e agressiva, a faixa chama atenção especialmente pela bateria intensa. A gravação ficou por conta de Felipe Veiga, um velho conhecido do Mundo Metal e, por assim dizer, um talento monstruoso. Sua performance aqui é, sem dúvida, um dos grandes trunfos da música.

Destaques e momentos-chave

Na sequência, “Servo” apresenta um dos riffs mais marcantes do disco. As marcações possuem um caráter quase ritualístico, remetendo a sons que lembram sinos ou até trombetas, criando uma atmosfera inquietante. Além disso, a faixa traz variações interessantes por volta dos dois minutos e meio, pouco antes do solo, consolidando-se como outro destaque.

Caminhando para o desfecho, “While The Light Lasts” e “Temple Of Flies And Moss” elevam ainda mais a intensidade. A primeira aposta em uma abordagem mais elaborada, com maior protagonismo das guitarras e mudanças estruturais que mantêm o ouvinte atento. Por outro lado, “Temple Of Flies And Moss” entrega o puro suco do Brutal Death Metal: bateria frenética, riffs esmagadores e breves respiros atmosféricos que apenas aumentam o impacto quando a agressividade retorna com força total.

No fim das contas, “Advent Of Wounds” mostra uma banda que entende perfeitamente como equilibrar brutalidade e atmosfera. Com composições bem estruturadas, produção competente e identidade sonora marcante, o Fossilization prova que não depende apenas de números em redes sociais para se destacar — a força está, acima de tudo, na música. Parabéns aos envolvidos!

Nota: 9

Integrantes:

  • V (baixo, guitarra e vocal)
  • Z. (guitarra)

Músico convidado:

  • Felipe Veiga (bateria)

Faixas:

  • 01 Cremation Of A Seraph
  • 02 Disentombed And Reassembled By The Ages
  • 03 Scalded By His Sacred Halo
  • 04 Terrestrial Mold
  • 05 Servo
  • 06 While The Light Lasts
  • 07 Temple Of Flies And Moss
Fabio Reis
Paulistano, nascido em 1981, fã de Rock e Heavy Metal desde criança. Idealizador, fundador e criador do Mundo Metal. Valoriza tanto os clássicos como as novas gerações. Assíduo frequentador de shows e se considera um organismo movido à música.
1 comentário
  • so conhecia de nome resolvi escutar hoje os 2 albums e o EP que banda sensacional qualidade muito acima da media tanto instrumental,vocal e artes de capas sao sensacionais ,acho primeiro ep e primeiro album e death mais variado acho encaixar esses dois nesse rotulo de death/doom nao e o ideal porem esse album aqui para mim e death/doom puro com pouca variaçao fora desse rotulo nao isso seja ruim esse album e sensacional um dos melhores desse ano.

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