Resenha: Fili Bibiano’s Fortress – “Death Is Your Master” (2026)

O ano mal começou e alguns lançamentos já mostram força suficiente para disputar espaço entre os favoritos dos fãs. Um deles é Death Is Your Master, novo trabalho do Fortress, banda norte-americana que estreou em 2021 com o ótimo Don’t Spare The Wicked. Cinco anos depois, o grupo retorna com um álbum que traz mudanças importantes — e a principal delas já aparece logo na capa.
O projeto de Fili Bibiano
O nome estampado no disco deixa claro que o Fortress tem um líder absoluto: o guitarrista Fili Bibiano. Ao assumir o controle total do projeto, o músico segue uma linha parecida com a de Yngwie Malmsteen à frente do Yngwie Malmsteen’s Rising Force, não apenas pela abordagem autoral, mas também pela postura de centralizar o trabalho em torno de sua visão artística.
As semelhanças com o sueco continuam no estilo e até na rotatividade de integrantes. Do time que gravou o álbum anterior, ninguém permaneceu. Para Death Is Your Master, o grupo conta com Joey Mancaruso na bateria, Juan Aguila nos vocais, enquanto Fili Bibiano assume guitarra, baixo e teclados.
Em entrevista recente, o guitarrista explicou o processo de composição da seguinte maneira: “Desta vez eu simplesmente toquei o que veio à mente. Foi um processo natural, em que, se soasse bem e fosse uma boa sensação, eu continuava. Eu diria que ‘Death Is Your Master’ é diferente do que você vai ouvir de outras bandas por aí agora e, quando você escutá-lo, será capaz de nos diferenciar de todas as outras. Se você quer ouvir algo diferente, escute este álbum. Eu me concentro na qualidade, não na quantidade. Também gosto de deixar o público querendo mais e, até agora, isso tem funcionado!”
Entre a ousadia do discurso e a tradição sonora
Parte dessa análise do próprio músico faz sentido, enquanto outra não se sustenta totalmente. O erro está na afirmação de que o disco soa diferente de tudo o que existe por aí. Na prática, Death Is Your Master é um álbum de Heavy Metal tradicional, com forte influência dos anos 1980, algo bastante comum na cena atual.
Por outro lado, Fili Bibiano acerta quando fala em qualidade acima de quantidade. O disco apresenta apenas sete faixas distribuídas em pouco mais de 34 minutos, criando uma audição direta, enxuta e eficiente. Essa duração quase de EP impede dispersões, bem como garante uma experiência dinâmica, com cada composição claramente lapidada.
Variedade e dinamismo na execução
Mesmo com a duração compacta, o álbum apresenta boa variação rítmica e criativa. A audição flui com naturalidade, alternando momentos mais agressivos e passagens épicas.
Flash And Dagger surge como um dos momentos de maior velocidade, com claras influências de Speed Metal. Maze é um Heavy vigoroso, apresenta riffs cavalgados contagiantes, bem como traz forte influência no trabalho de Malmsteen. No meio do percurso, a balada Night City funciona como uma espécie de divisor estrutural, marcando a transição entre as duas metades do disco.
Já Savage Sword e Fugitive representam o lado grandioso e épico do trabalho, com forte presença de elementos Neoclássicos e trechos instrumentais de grande beleza. Nesses momentos, a herança técnica e estilística de Fili Bibiano se torna ainda mais evidente.
O elo com o passado
Um dos pontos altos do álbum aparece em Blackest Night, que cria uma ligação direta com o disco de estreia. A música traz a participação especial do vocalista original Chris Scott Nunez, e desse modo surgem naturalmente as comparações com o atual frontman.
O resultado é interessante: Juan Aguila possui maior extensão vocal e se encaixa melhor em passagens mais “hafordianas”, enquanto o timbre de Chris Scott Nunez continua extremamente agradável. A participação do antigo vocalista funciona muito bem e deixa a sensação de que futuras colaborações seriam mais do que bem-vindas.
Encerrando o álbum, B.Y.O.D. (Bring Your Own Death) surge como a faixa explosiva final, reunindo peso, velocidade e energia em doses generosas. É o tipo de encerramento que reforça a proposta do disco e confirma a ideia de deixar o ouvinte querendo mais.
O protagonismo inevitável da guitarra
Como o Fortress é essencialmente um projeto de Fili Bibiano, seria estranho se a guitarra não fosse o grande destaque. E, de fato, o músico brilha ao longo de todo o disco. Seus riffs são consistentes, as linhas melódicas possuem bom gosto e os solos alternam virtuosismo e feeling com naturalidade.
Mesmo com o esforço de Juan Aguila para dividir o protagonismo, é o guitarrista quem conduz a audição e define a identidade sonora do trabalho.
Um disco direto, eficiente e fiel ao estilo
No fim das contas, Death Is Your Master entrega exatamente o que se espera de um álbum de Heavy Metal em 2026. Assim, o disco não tenta reinventar a roda, abraça os clichês do estilo e os executa com competência. A produção é sólida, as performances são consistentes, assim como o repertório reúne canções fortes e memoráveis.
Com direcionamento claro e execução primorosa, o álbum cumpre sua proposta e deixa uma impressão positiva. Se a ideia era priorizar qualidade e manter o público interessado, Fili Bibiano alcançou o objetivo.
Nota: 9
Integrantes
- Fili Bibiano – guitarra, baixo, teclados
- Joey Mancaruso – bateria
- Juan Aguila – vocal
Convidados
- Chris Scott Nunez – vocal em Blackest Night
- Adrian Aguilar – bateria em B.Y.O.D.
Faixas
- Flesh And Dagger
- Savage Sword
- Fugitive
- Night City
- Blackest Night
- Maze
- B.Y.O.D.