Resenha: Fear Factory – “Aggression Continuum”

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Gravadora: Nuclear Blast

Seis anos após o lançamento do ótimo “Genexus”, os americanos do Fear Factory estão de volta com um novo disco de inéditas, o décimo de sua longa carreira.

Intitulado “Aggression Continuum”, o álbum foi editado em 18 de junho, contendo 10 novos temas divididos em aproximadamente cinquenta minutos de duração.

Porém, antes de falar do que os fãs ouvirão no novo registro, é preciso dizer que o Fear Factory precisa resolver urgentemente a questão dos vocais, pois para quem não sabe o vocalista Burton C. Bell deixou o cargo em setembro do ano passado e até o momento, nenhum nome foi divulgado para assumir o posto.

Antes que a pergunta sobre o porquê dos vocais de Burton C. Bell estarem presentes no novo disco: Oficialmente “Aggression Continuum” foi gravado em 2017, época em que Burton ainda era o responsável pelas vozes e pelas narrativas atuais do vocalista em algumas entrevistas concedidas, os problemas já estavam latentes desde então.

Contudo, o foco aqui é o novo trabalho do grupo e musicalmente falando o disco não decepciona, seguindo exatamente a linha do magistral “Demanufacture”(1995) e dos não menos excelentes “The Industrialist” (2012) e “Genexus” (2015). Ou seja, temos aqui o velho “Fefê”, chutando tímpanos e mostrando que em seus 30 anos de vida os caras ainda conseguem fazer com maestria o que começaram lá nos idos de 1992, ao plantarem as sementes do “Cyber/Groove Metal” em seu debut, “Soul Of A New Machine”.

E antes que as notícias sobre a ausência de C. Bell (Burton) possam causar certo desconforto, saiba que aqui seus vocais continuam primorosos e em nenhum momento soam decepcionantes. Ao contrário, temos um disco que parece ter sido feito especialmente para os fãs da banda e principalmente aos apreciadores dos trabalhos supracitados.

Um ponto a ser observado nos registros do Fear Factory: Ouvindo seus discos, suas letras e suas temáticas é possível imaginar que estamos em um filme de Ficção Científica onde o roteiro retrata a batalha do Homem Vs Máquinas, numa alusão à longa metragens como Matrix, Eu Robô, Guerra dos Mundos, Oblivion, Aeon Flux, Altered Carbon (Série),O Vingador do Futuro, Transformers, A Fortaleza, A Vigilante do Amanhã, O Exterminador do Futuro e outros. Estas impressões se estendem também em suas capas, caso do exoesqueleto estampado em “Genexus” (e também no disco atual), bem como seus vídeosclipes super produzidos que retratam muito bem tais temáticas.

Sem delongas, é hora de conferir o novo capítulo da banda mais “Sci-Fi/Cyber Groove Metal” de todos os tempos. Vamos nessa?

As boas vindas começam com “Recode”, faixa de abertura e um verdadeiro chute na porta. Pesada, brutal, agressiva, direta e trazendo uma bateria que mais parece uma metralhadora giratória, somos nocauteados com uma música que mostra de cara que este não é apenas mais um disco do Fear Factory. Destaque para as linhas de teclados, os riffs pesados de guitarras e Burton C. Bell mostrando que ainda está em boa forma com seus vocais. Como é de costume dizer: Excelente faixa de abertura (fato).

*Nomeado como o segundo single, “Recode” ganhou um excelente videoclipe trazendo um roteiro bem interessante onde a personagem central é perseguida e após ser capturada passa a fazer parte de um experimento científico. Numa alusão clara a filmes como Matrix, Altered Carbon e O Exterminador do Futuro, a história se passa na terra pós-apocalíptica, onde máquinas perseguem os humanos (chamados de, A Resistência), numa verdadeira caçada humana.

O clipe encerra com a imagem do planeta Terra visto através de uma fortaleza espacial, sob a ótica da personagem principal que agora já não parece mais humana.

Em seu início a seguinte mensagem: “The world we know has suffered from the system we once knew. Our values were twisted and defiled by the machine, for resistance is growing stronger. We will fight for our future. Humanity depends on us. Do not let our enemy prevail. If you are listening to this, you are the resistance”.

Tradução:

“O mundo que conhecemos sofreu com o sistema que conhecemos. Nossos valores foram distorcidos e contaminados pela máquina, pois a resistência está se tornando cada vez mais forte. Vamos lutar pelo nosso futuro. A humanidade depende de nós. Não deixe nosso inimigo prevalecer. Se você está ouvindo isso, você é a resistência”.

Um soco no estômago! Esta é a sensação ao ouvir “Disruptor”, que começa chutando crânios e seu título sendo vomitado por Burton C. Bell.

Seguindo a linha de peso e agressividade da faixa de abertura, nos deparamos com uma música bem construída, trazendo todos os elementos característicos da sonoridade do Fear Factory que consiste em peso, agressividade, bateria ultra veloz, vocais ora limpos, ora agressivos, bases sintetizadas de teclados e aquela pegada cheia de groove de altíssimo nível executada, com perfeição, por um contrabaixo técnico e extremamente pesado.

Dona de um videoclipe absurdamente bem feito e muito bem dirigido, a banda consegue transportar o ouvinte de uma simples audição para as cenas violentas de uma perseguição implacável onde membros da “resistência” são impiedosamente caçados e aniquilados através de drones programados para matar.

*Não por acaso, temos aqui o single que serviu de carro chefe para o novo trabalho.

Trazendo um ar de “Trailer” e uma introdução nos moldes de grandes filmes de ficção científica, é hora de mergulhar na excelente “Aggression Continuum”, faixa título e aqui fica um breve aviso: É preciso tomar cuidado com o pescoço e não seguir a linha que a música pede.

Dona de uma bateria destruidora e de linhas grandiosas de teclados/sintetizadores, estamos diante um dos momentos mais insanos do disco. Assim como “Disruptor”, mergulhamos em uma aula de peso, velocidade, riffs ultra pesados, vocais insanos e linhas groovadas e pesadas de baixo. Após quase cinco minutos de pancadaria, uma certeza: Acabamos de receber uma paulada violenta na cabeça. Daquelas que esmagam o crânio em mil pedaços.

Lembra de “Replica”, umas das faixas mais conhecidas do FF, presente no estupendo “Demanufacture”? Podemos dizer que ela ganhou uma continuação e agora atende por um novo nome, “Purity”. Trazendo exatamente a mesma fórmula e as mesmas linhas de teclados, baterias, vocais e guitarras, temos a impressão de que ouviremos seu refrão em seguida (…I am so / Filled with pain / A bruised and darkened soul / Spare me / From the / Life that ‘s full of misery..).

Apesar da fórmula e de sonoridade similar, “Purity” não traz o mesmo primor de “Replica” e talvez esta seja a música mais simples do disco (se é que podemos usar este termo em um disco genial como este).

Trazendo uma linha mais industrial, “Fuel Injected Suicide Machine” é mais um grande momento disponível no disco. Vale lembrar que o termo “Industrial” é tão somente uma forma de dizer que as partes mais “Cyber”, estão mais evidentes enquanto as partes mais groove foram deixadas de lado. Não se engane ao ponto de achar que por trazer elementos mais “High-Tech”, trata-se de uma música fraca. Definitivamente não!

Além dos vocais de C.Bell que injetam uma dose de agressividade e peso, temos a britadeira em forma de bateria, conduzida por Mike Heller que simplesmente destrói qualquer má impressão acerca da música.

Mantendo o disco em alto estilo, “Collapse” é a bola da vez. Pesada e cadenciada, esta seja talvez a música mais eclética do disco, já que aqui a banda flerta com com o Heavy, Thrash, Industrial e evidentemente um mergulho no Groove Metal, tudo isso sob bases pesadas de bateria, baixo e vocais raivosos.

Os riffs iniciais de “Manufactured Hope” entregam o que ouviremos nos próximos cinco minutos. Trazendo uma linha mais voltada ao Thrash Metal, somos jogados numa cama de riffs, acompanhados de uma bateria super veloz, linhas de teclados servindo de base para os vocais animais de C. Bell que casam perfeitamente com as bases pesadas de contra baixo conduzidos por Mr. Cazares (Dino).

Trazendo em suas linhas de teclados elementos de Electro Music, “Cognitive Dissonance”, talvez, seja a grande responsável por causar surpresa no ouvinte, já que é quase certo que o mesmo se assuste nos primeiros segundos de audição. Felizmente a má impressão cai por terra e o que vem a seguir são riffs pesados, bateria veloz, vocais furiosos, enterrando de vez a má impressão e o susto de seu início.

Um dos momentos mais incríveis do disco está em “Monolith”, uma das músicas mais impressionantes desse novo trabalho. Trazendo uma fusão perfeita entre o Pop/Rock e o Metal, é quase impossível acreditar que as bases extremamente pesadas de seu início deem espaço para as linhas mais “leves” segundos depois. O bacana em tudo isso é notar que tais combinações soam coesas e ao contrário do que se pode imaginar, estamos diante uma das músicas mais marcantes do disco com direito a um pequeno e rápido solo de guitarras.

Ouvindo atentamente suas harmonias e melodias, “Monolith” nos remete ao álbum “Passage” do Samael.

Um disco intenso, rápido e raivoso como “Aggression Quantuum” teria a obrigação de fechar com uma música excepcional. Certo? Certíssimo! Chegamos ao fim da linha com a vibrante “End Of Line” (sentiu o trocadilho?), mais um grande momento do disco trazendo tudo que ouvimos em seu decorrer. Peso, agressividade, raiva, vocais limpos, vocais sujos, riffs, groove, sintetizadores fazendo as linhas de teclados e Heller (Mike) demolindo tudo à sua frente com sua bateria insana, colocando ponto final na “pancadaria cibernética” bem conduzida e assinada por uma banda perfeita no que se propõe a fazer.

Se ainda estiver em perfeitas condições após a última nota de “End of Line”, aproveite e aperte a tecla “Repeat” para mais algumas audições.

*Algumas observações precisam ser feitas sobre o Fear Factory e principalmente sobre “Aggression Continuum”.

Como mencionado anteriormente, o disco traz em sua temática a luta sangrenta entre homem e máquina pelo domínio da terra e isso fica evidente não apenas em seus clipes, mas principalmente em suas letras. Aliás, a capa por sí já entrega tal temática, inteligentemente abraçada pela banda (e não é de hoje).

Faixas como “Recode”, “Aggression Continuum”, “Fuel Injected Suicide Machine”, “Collapse” e “End Of Line” retratam bem o enredo de um confronto sangrento já que todas elas trazem pequenos trechos de falas que evidencia a luta pela sobrevivência da chamada “Resistência”.

É verdade que o termo Thrash Metal não se aplica de fato ao Fear Factory, visto que desde seu disco de estreia o grupo optou por flertar com elementos modernos em sua musicalidade e esta sempre foi uma das marcas registradas do quarteto. Porém, é preciso admitir que mesmo não sendo uma banda de Thrash Metal propriamente dita, o grupo inovou e soube fundir elementos eletrônicos à sua música, oferecendo aos seus fãs discos agressivos e cheios de fúria.

Um fator predominante na história do grupo sempre foram as produções primorosas de seus álbuns. É notório o nível altíssimo de cuidado e o quanto a banda sempre se preocupou com esta parte.

Poucas bandas conseguem se enveredar por outras sonoridades e ainda assim conquistar seus fãs. No caso do Fear Factory, o grupo parece não ter dificuldades com isso, cujos exemplos são “Dog Day Sunrise” e “Scars”, músicas que fogem completamente do padrão Heavy Metal, descambam para o lado mais “dançante” e apesar da aposta arriscada ainda assim não decepcionam o ouvinte/fã. Ou seja, quebrar regras parece ser algo normal para o quarteto.

Para aqueles que não curtem o estilo da banda e não conseguem digerir sua sonoridade, é provável que o novo trabalho não fará com que eles mudem de ideia, porém, seria interessante uma audição apurada e ao final quem sabe não tenhamos uma mudança de opinião.

Já para os fãs de carteirinha (sou um deles), é certo que enxerguem no novo álbum e mais um grande momento na carreira do FF.

Os dias vindouros serão uma incógnita para o quarteto já que Burton C. Bell deixou claro em algumas entrevistas que não costuma voltar atrás em suas decisões. É fato que se esta decisão persistir a banda providencie um substituto. O grande problema é encontrar uma voz que case perfeitamente com a sonoridade da banda, já que C. Bell sempre foi “O cara da voz” e vê-lo fora em definitivo é algo difícil de digerir.

Não conhece os trabalhos do Fear Factory e quer começar com o pé direito? “Aggression Continuum” é um excelente e belo cartão de visita.

N do R: Se em algum lugar do futuro houver uma disputa pelo planeta terra e uma guerra for travada entre homens e máquinas, “Aggression Continuum”, seria a trilha perfeita para este grande confronto.

Nota: 9,0

Integrantes:

  • Dino Cazares (guitarras, baixo)
  • Burton C. Bell (vocais)
  • Mike Heller (bateria).

Faixas:

  • 1.Recode
  • 2.Disruptor
  • 3.Aggression Continuum
  • 4.Purity
  • 5.Fuel Injected Suicide Machine
  • 6.Collapse
  • 7.Manufactured Hope
  • 8.Cognitive Dissonance
  • 9.Monolith
  • 10.End Of Line

Redigido por Geovani “Gigio” Vieira

Colaboradores: Renata Moraes e Peter “Parker”

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