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Resenha: Ex Deo – “The Thirteen Years of Nero” (2021)

“The Thirteen Years of Nero“ é o quarto full lenght da banda canadense de Symphonic Death Metal, Ex Deo, lançado no último dia 27 de agosto, pelo selo Napalm Records. Em seu line-up, a banda conta com três membros do Kataklysm: o vocalista Maurizio Iacono e os guitarristas Stéphane Barbe e J-F Dagenais. O baixista Dano Apekian e o baterista Jeramie Kling (Venom Inc.) completam o time.

Como o próprio título já sugere, o disco é conceitual e conta a história do imperador romano Nero, durante o seu período de governo. Se você espera encontrar algo de parecido com a sonoridade dos veteranos do Kataklysm aqui, vai se decepcionar, pois nada tem a ver. Porém, o Symphonic Death do Ex Deo é bem elaborado e muito agradável para fãs do subgênero, entre os quais, estou incluso. Que tal um pouco de história?

   

“The Fall Of Claudius”, faixa de abertura, fala sobre o fim do império de Cláudio. Segundo os historiadores, ele foi assassinado por sua esposa, Agripina, mãe de Nero, que era filho adotivo de Cláudio. “Ela lançou um feitiço em mim / As folhas caem da árvore escurecida / Ainda hipnotizado por ela / Agripina, minha deusa, minha rainha / Levante-se da raiz da colmeia / Levante-se do sangue de engano e mentiras / As cobras estão deslizando / O fedor de podridão está abaixo do seu paraíso / Torcidos são os pecados da luxúria / Torcidos são os pecados da luxúria. Destaque para a linha de bateria de altíssimo nível de Jeramie Kling, o qual demonstra ter o domínio absoluto de seu instrumento. Maurizio Iacono varia bastante sua voz durante a canção e os riffs de guitarra são sombrios e épicos ao mesmo tempo.

“Imperator” tem o mesmo ritmo da música anterior, porém soa muito mais sombria. A parte lírica refere-se ao império de Nero, que foi um dos mais sanguinários imperadores de Roma, isso porque começou a governar com apenas 17 anos e o fez até sua morte, ainda jovem, com trinta anos. “De sujeira e escória / Estrangule a terra com o sangue mais puro / Eu coloquei no ninho da águia cercado por serpentes / Os dias de silêncio acabaram / Veja os ventos da devastação / Controle o terror / Traga a loucura / O sangue da minha mãe para sempre emaranhado / Ouça-me agora (Ouça-me agora) / Eu nunca quis ser rei / Me veja agora (Me veja agora) / O acerto de contas para os próximos anos.” Teria sido Nero forçado mesmo a assumir o trono? Forçado pela sua mãe, Agripina? “The Head Of The Snake” já começa bem mais acelerada, repleta de mudanças dinâmicas, coro de vozes, sons de orquestra e alternâncias rítmicas. A letra inicia com o que parecem palavras de Nero ditas a sua mãe: “Mãe como os deuses te traíram / Você me embalou em um monstro / Paranoia infecta minha mente / Você sussurrou mentiras para mim / Você sussurrou palavras enganosas / Lembro-me de tudo.” Conclui-se que ele realmente foi forçado a assumir o trono, enganado por Agripina e transformou-se em um tirano assassino por isso.

A canção “Boudicca (Queen of the Iceni)”, a qual foi single, conta com a participação especial da vocalista canadense Brittney Slayes da banda Unleash The Archers. Sua voz feminina fez a diferença e conseguiu tornar melhor o que já estava excelente. Momento especial na audição do disco. A letra contra a história Boudicca, rainha do Icenos, que assumiu o trono após a morte de seu marido, Prasutagos. Ele era aliado dos romanos, porém, quando ele morreu, Boudicca se rebelou e liderou uma maiores revoltas contra Roma, que é contada na letra da faixa posterior.

Na introdução de “Britannia: The 9th at Camulodonum” já é possível saber que se trata de uma canção épica. “Como a loucura correndo em suas veias / Sanguinário para vingar os ocupantes / Crivado de ódio / Os aliados Iceni vieram rugindo pela terra / Cortar os habitantes romanos / Boudicca com fogo nos olhos / O gosto de sangue, ninguém viverá / Ninguém escapará, todos perecerão / 9º em Camulodonum, eis a águia de Roma / 9º em Camulodonum, o aperto da morte aguarda 9º / em Camulodonum, legião nas mãos do inferno / 9º em Camulodonum, a matança dos bravos.” Como já havia sido mencionado no parágrafo anterior, a letra dessa faixa conta a história da batalha entre os Icenos e os Romanos. “Antes de veteranos de Roma, civis desfigurados e massacrados / Ataques impiedosos das tribos, sangue correndo pelas pedras do tempo / General Quintus Cerialis, comandante da 9ª legião / Com milhares de homens prontos para morrer / De Colônia estabeleceu a libertação / Distantes estão os túmulos, distantes estão os gritos do inferno / Os ataques vieram de todos os lados, vieram de todos os lados / Como animais selvagens desenterrando a vida após a morte.” A parte instrumental e vocal parece uma continuação da música anterior, porém dessa vez sem a participação de Brittney Slayes, e essa percepção faz sentido, pois ambas se complementam, pois tratam da mesma história.

“Trial of the Gods (Intermezzo)” é uma pequeno tema instrumental, totalmente, orquestrado, que serve de preparação para “The Fiddle & the Fire”, a qual inicia com uma atmosfera macabra. O ritmo cadenciado e intensidade do instrumental fazem arrepiar. A mente viaja aos tempos da Roma antiga através do mundo sombrio do Symphonic Death Metal. Após dois minutos de duração, Jeramie Kling não acelera o ritmo, mas intensifica a sua batida. Todos os esses elementos resultam em minha canção favorita do disco. “Son of the Deified” tem a orquestração bem mais presente que na sua antecessora. Destaco o belíssimo solo de guitarra de Barbe. A letra trata do modo bárbaro com o qual Nero conduziu o seu reinado. “Esses ricos animais imundos / Esses chamados senadores / Eles me repelem / Eles querem me ver deitado em uma poça de sangue, meu sangue / Eu Nero vou esfolá-los vivos / E alimentá-los para suas esposas / Oh, você pode ouvir os sons da angústia / Ouvi-los morrer / Eu irei proteger seus rostos nas reuniões / Vou dançar com seus corpos e tocar música com seus ossos / Um fluxo constante de sangue, enquanto eu janto na gargalhada / Venha, ajoelhe-se diante de mim, eu sou o imperador / Não serei misericordioso, / Piso, aqui está a faca / Mergulhe em sua alma / Morra, traidor, morra / Vou usar seus rostos nas reuniões / Vou dançar com seus corpos e tocar música com seus ossos / Um fluxo constante de sangue, enquanto eu janto dando risada / Eu sou o filho do deificado / E você deve sentir minha ira / Filho do Deificado.” Esse trecho parece a descrição do enredo do clip de “Imperator”, que é a segunda faixa.

Com um pesado riff, vem à luz “What Artist Dies in Me…”, iniciando mais uma das bonitas canções dessa obra. As variações de andamento destacam o trabalho de Kling mais uma vez. Maurizio conduz os seus guturais nítidos de forma competente. Não me aprofundei na discografia do Ex Deo, mas pelo menos esse lançamento é bem superior ao que o Kataklysm tem lançado, mas esse é assunto para outra hora.

A história dos “Treze anos de Nero” se encerra com “The Revolt Of Galba”. “A Revolta de Galba” aconteceu nos últimos anos de Nero, antes de seu suicídio em 69. A história conta que o senador Caio Júlio Víndice, governador da Gália Lugdunense, iniciou uma rebelião, com o objetivo de substituir Nero por Galba, governador da Hispânia Tarraconense. Galba aceitou a proposta e imediatamente marchou para Roma. O senado tomou a iniciativa de se livrar de Nero, declarando-o persona non grata. Galba foi reconhecido como o novo imperador e aclamado na cidade, com suas legiões. Nero se suicidou. E esse foi o fim de um dos períodos mais sangrentos de Roma e é sobre isso que trata “The Revolt Of Galba”.

Ex Deo conseguiu resumir, musicalmente e liricamente, a história do imperador romano Nero, com alto nível musical épico e lírico. Antes de me preparar para escrever essa resenha, confesso que eu não tinha ouvido essa banda e me surpreendi positivamente, pois me agradou muito. Da mesma forma que o Nile trata exclusivamente de temas egípcios, o Ex Deo o faz com temas romanos, não somente no disco atual, mas em todos os demais de sua carreira. Resenhar esse trabalho me fez sair de minha zona de conforto e pesquisar referências históricas para poder melhor compreende-lo. Aprovado e indicado para fãs de Symphonic, Death Metal, de música boa e letras bem elaboradas.

Nota: 8,9

Integrantes:

  • Maurizio Iacono (vocal)
  • Stéphane Barbe (guitarra)
  • J-F Dagenais (guitarra)
  • Jeramie Kling (bateria)
  • Dano Apekian (baixo)

Faixas:

  1. The Fall Of Claudius
  2. Imperator
  3. The Head Of The Snake
  4. Boudicca (Queen of the Iceni)
  5. Britannia: The 9th at Camulodonum
  6. Trial of the Gods (Intermezzo)
  7. The Fiddle & the Fire
  8. Son of the Deified
  9. What Artist Dies in Me…
  10. The Revolt Of Galba

Redigido por Cristiano “Big Head” Ruiz

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