Resenha: Evile – “Hell Unleashed” (2021)

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Gravadora: Napalm Records

Conhecida musicalmente por ser o berço de bandas incríveis como The Beatles, The Rolling Stones, Pink Floyd, Uriah Heep, Queen, The Who, Deep Purple, Iron Maiden, Judas Priest, Black Sabbath e Motörhead, a Inglaterra nunca foi um primor no quesito Thrash Metal, mesmo tendo bandas boas de verdade para contar história. O fato é que Estados Unidos e Alemanha roubaram a cena desde o início deste embrião, o que fez com que outros países fossem ofuscados pelo estrondo causado pelos países citados. Ainda assim, influenciada por sua rica história dentro do Classic Rock e do Heavy Metal, os britânicos tiveram forças para apresentar ao mundo, mesmo que maneira mais tímida, bandas do porte de Sabbat, Onslaught e Xentrix, só para não estender o leque de bandas do estilo. E junto a estes expoentes temos o não menos importante Evile, que acaba de lançar seu mais novo full-length que analisaremos juntos a seguir. Agora, um fato importante que marcou a carreira do Evile, é que muitos fãs andaram criticando seus últimos trabalhos de modo a insinuar que estavam imitando o Metallica, dentre outros fatores que rebaixavam os trabalhos dos ingleses de Huddersfield, West Yorkshire, lugar bem legal para passear com seu Pokémon, digo, animal de estimação. Será mesmo? Basta visitar este lugar para conhecer e saber. Depois me conta como foi sua viagem. Pode ser?

Para informar com mais clareza sobre tais críticas, é bom entender como o Evile nasceu e qual era o seu propósito inicial. O Evile era originalmente conhecido como Metal Militia, quando Matt Drake e Ben Carter começaram a fazer covers de músicas antigas do Metallica. Eles fizeram seu primeiro show ao vivo no Ukrainian Club em Halifax, na Inglaterra. Ou seja, de 1999 a 2004, a banda se chamava Metal Militia, e só a partir de 2004 é que os integrantes mudaram o nome para Evile e mudaram o seu propósito para composições autorais. Desde então haviam sido lançados quatro álbuns, além dos EPs “All Hallows Eve” (2004) e “Live At Hammerfest” (2010), e vários singles, contando também com um split album intitulado “Drowned” (2013), em parceria com a clássica banda Entombed. Inclusive, o último álbum dos ingleses também foi lançado em 2013 e se chama “Skull”. O tempo passou e agora em 2021, mais precisamente no dia 30 de abril via Napalm Records, foi lançado “Hell Unleashed”. Esse mais novo disco apresenta ao público uma banda revigorada que passou por diversas turbulências e através deste novo trabalho, busca aprumar o navio e seguir horizonte adiante buscando o vento ao seu favor. De acordo com a própria banda, o guitarrista e agora vocalista Ol Drake deixou a banda em 2013 porque queria se concentrar em sua vida pessoal e familiar, retornando ao posto em 2018. Quando seu irmão, Matt Drake saiu em 2020, Ol Drake também assumiu os vocais no lugar de seu irmão mais velho. Resta saber se essa mudança será algo positivo ou mais uma baixa na banda que busca ampliar seus horizontes, reforçando o que fora dito anteriormente.

Para assumir a segunda guitarra foi convocado Adam Smith, já o restante deste conglomerado inglês permanece intacto com Joel Graham no baixo e Bem Carter na bateria, também assumindo os backing vocals. “Hell Unleashed” foi gravado no Backstage Studios, Derbyshire, UK. A produção, engenharia, mixagem e masterização ficaram a cargo de Chris Clancy, que também contribui com vocais de apoio no disco e é acompanhado por Brian Posehn, que por sua vez assume as linhas vocais principais na segunda faixa de “Hell Unleashed”. Ol Drake foi o co-produtor e responsável pelo layout, enquanto Par Mahn cuidou da pré-produção e Maria de Lacruz Balcells desenvolveu a sketch art. E Michael Whelan assina a capa. Aproveitando o restante do parágrafo, digo que agora eu penso que estejamos prontos para embarcar em mais essa caminhada circular com a intenção de melhor entender e avaliar toda a jornada a seguir. Ajeita essa camisa, penteia essa cabeleira calva e vamos nessa!

Após ligar os motores e percorrer os primeiros metros, você se sente paralisado com a pressão causada por “Paralysed”, faixa de abertura que emana toda a sua agressividade sonora sem deixar dúvidas sobre os reais indícios de um trabalho bastante apocalíptico. Guitarras, baixo, bateria e vocal em uma única sintonia, a sintonia da violência cantada e muito bem tocada. Ou você é tragado pelo mosh, ou você fica paralisado no canto abastecendo a sua motocicleta favorita antes de seguir viagem. “Eu tento reunir vontade de gritar / O fardo esmagador, não é um sonho / Mistério, um pensamento para mim / Para ceder a esta entidade / Reavaliado, seja oprimido / Convide para dentro desta praga incapacitante” – você acorda se sentindo em um completo vazio que tira sua sanidade por pura destruição de uma mente corrompida e sem proteção. Os gritos do além confrontam os teus através dos tempos te fazendo arregalar os olhos todas as noites ao perceber que sua estrutura está envolvida em uma luta sem que perceba o domínio dos espíritos das trevas que assumem o controle, tudo isso em meio a tantos riffs poderosos e solos que elevam o patamar da canção, proferidos por Ol Drake. Ao apanhar um bocado (no bom sentido) logo no primeiro checkpoint, nos deparamos com “Gore”. Esta canção começa de maneira mais branda, diferente da anterior, mas não menos pesada e bastante calibrada também. Ou seja, a banda parece estar levando tudo muito a sério realmente. Se antes tinha muita influência do Metallica, beirando à cópia por osmose, aqui a pancadaria toma conta do certame novamente. De um jeito bastante inglês, o Evile envolve o ouvinte e o coloca em um cenário completamente insano e voraz realizados pelo produtor Posehn. Adam Smith se mostra uma escolha muito acertada para completar o line up e despeja potência através de sua guitarra. Ancorado para sangrar por toda a eternidade ou até que a morte te cale, você vaga junto às ruínas provocadas pela degradação em massa e pela luxúria sem limites até que passa a se sentir seguro e achar tudo isso normal somado às nuances mais carregadas e mais velozes que são completadas por mais solos precisos. “O vermelho ofuscante / É tudo que eu posso ver / Criação do inferno / Em santuário seguro.”

“Gore” (ft. Brian Posehn) official videoclip

A situação se torna mais misteriosa com a introdução dedilhada e bem trabalhada pronta para o ataque, mas que se mantém leve até que os vocais de Ol Drake dão início aos primeiros versos entre falados e cantados. Tudo isso serve de tapete para a verdadeira face da canção entrar em ação. Seguindo a fórmula inicial do disco, mais uma vez temos o que desejamos ao ouvir Thrash Metal. Este som também possui nome e se chama “Incarcerated”. “Testemunhado, ainda destinado a morrer / Crucificado, uma mentira abominável / Criminoso, eles não vão ouvir / Indiciado pelo vidente torto / O martelo estala” – as inúmeras revoltas mundanas acontecem e você se vê sem saída para encontrar um lugar que não possua ligação com tais dúvidas sobre o que é real e o que é invenção ao mesmo tempo em que mergulha sua cabeça no mar de solos viscerais, melódicos e distorcidos de guitarra, até que retoma o seu padrão apresentado inicialmente para que mais uma vez sirva de entrada para mais um pouco de pancadaria da boa. Na quarta posição do grid aparece “War Of Attrition” com mais uma sequência de golpes insanas aos ouvidos de quem não está preparado para ouvir tal “múzga”. Os mísseis são disparados e você se em apuros ao mesmo tempo em que se pergunta aonde deixou a sua moto. Bem, agora terá que chamar um Uber ou se contentar em caminhar a pé. Vamos a pé mesmo, assim você observa as rochas rolando montanhas abaixo, fazendo aquela fumaceira toda, e tudo isso sendo culpa do exímio baterista Ben Carter, que também contribui com seus backing vocals para reforçar as vozes quando cada música pede. Isso sem contar os infinitos solos de guitarra matadores executados por Ol Drake. Mais uma canção para servir de inspiração para quem busca sonoridades mais destrutivas e enraivecidas. “Morrendo por causa de suas feridas, sua vida está acabando / Sangrando, sua alma para o inferno que estou enviando / Conforme você se deita, a vida substituída pela morte / E você engasga com seu último suspiro” – crônicas de uma situação difícil de ser resolvida e que se torna um pesadelo maior e mais presente conforme o tempo passa sem que a pessoa note o mundo escurecendo ao seu redor. A morte espreita de diversas maneiras e tanto você como quem te observa estão fadados a entrarem nessa arena sangrenta antes que o suspiro seja a sua única razão para tentar viver nessa guerra de atrito.

“Disorder” chega honrando seu nome, causando uma completa desordem sensacional no seu aparelho de som, depois que você conseguiu arrumar o fio que estava desencapado. Os primeiros segundos já entregam a notícia de que vai chover riffs e pedais duplos enfurecidos, e um baixo pra lá de competente naquilo que é proposto. Os solos divertem, as bases enraivecem, o controle do alicerce de baixo e bateria prevalecem e enobrecem a quinta faixa do disco. “Pensamentos intrusivos começam / O conflito emana / Eu tento duvidar deles / Mas com força eles superam / Ciclo em movimento / A consternação prepara o palco / Não posso confiar na minha lógica / A paz de espírito se transforma em raiva” – o ciclo permanecem em movimento quer queira ou não, porém, ainda há esperança para novas escolhas e vitórias perante o mal para que nada possa se esvair rapidamente e em vão simplesmente. Não duvide e não deixe de lugar mesmo que não prevaleça a lógica de que poderá vencer. Ainda sim lute contra as forças que o impedem cada vez mais de raciocinar e pensar sobre suas próprias tomadas de decisão.

“The Thing (1982)” official lyric video

“O terceiro e último single de Hell Unleashed não é apenas baseado no meu filme favorito de todos os tempos, mas é um forte candidato à minha música favorita do álbum. Esta faixa passa por tantas mudanças legais, com vocais frenéticos que refletem o assunto em questão, e não poderíamos estar mais orgulhosos, não apenas dessa música, mas de todo o álbum em que está presente. Ouça “The Thing” o mais alto que puder!” – Ol Drake.

“The Thing (1982)” representa o filme de mesmo nome dirigido pelo renomado e lendário John Carpenter. O longa é conhecido por aqui como “O Enigma De Outro Mundo” e mistura terror com ficção científica. De modo descabido e torturante, a faixa começa o seu desfecho esquartejador e desprovido de paciência. É hora de correr junto com as linhas de cordas e percussivas. Tudo está em modo frenético. Sangue e som para todo lado! Não brinque em serviço, pois o que estamos presenciando é coisa bem séria! Inclusive, os solos que são estritamente despojados, conforme as cenas de terror e análises científica percorre as telas e mentes sensíveis à obscuridades mais latentes e envolventes. “Morte parasitária / Olhos paranoicos / Descubra em quem o vírus se esconde / Descubra em quem reside a coisa” – Um perigo antigo oculto pelo tempo é desenterrado por mentes curiosas que se veem diante de uma forma de vida maligna com design tortuoso que faz com que ao mesmo tempo se investigue a criatura e busque por sobrevivência, escorando-se sob os acordes desmembrados e preenchidos com exatidão.

“Zombie Apocalypse” (Mortician cover), como já está destacado, trata-se de um cover para a banda Mortician. O ritmo alucinante se mostra mais uma vez presente através desta sétima faixa, com suas paradas peculiares e eficazes. “Não há mais vagas no inferno / Cheiro podre de podridão / A fome precisa matar” – Rasgando a Terra ao meio, o que podemos ver é um verdadeiro apocalipse zumbi, em que o desejo de sangue e morte cresce cada vez mais em fração de segundos, através da procura por carne humana. A fome dos mortos segue aumentando ao mesmo tempo em que os cadáveres humanos permanecem sangrando. O penúltimo trecho da rota atende por “Control From Above” e atende àquele ouvinte ávido por uma introdução de baixo. A mim também é satisfatório e como todo o disco tudo se apresenta bastante alinhado, seja em momentos mais energizados, seja nas nuances mais arrastadas. O baixista Joel Graham rouba a cena nas primeiras partes, mas logo a coisa se equilibra e toda a banda se mostra muito entrosada e sabedora do que está fazendo. “Controle de cima / Obedeça ou seja eliminado” – ou você adere à cartilha ou será exterminado da existência. Acorrentado à uma rocha, presenciou a proclamação de um demônio para o cargo máximo e o arrependimento de ser contrário a isso não existiu. A agonia é perpétua, mas a razão também deverá ser se não houver desistência. E não desista também de acompanhar mais um solo memorável, mesmo que breve. Calma, pois logo adiante tem outro bem mais melódico e que depois acompanha a avalanche de riffs até o seu final extraordinário.

“Hell Unleashed” official videoclip

“Hell Unleashed” ganhou um videoclipe e termina toda a viagem sonora de forma esplêndida, com uma introdução bastante condizente com o título e que logo mergulha no inferno astral sonoro magistral, do jeito que soubemos apreciar desde as primeiras notas musicais tocadas por este quarteto super afiado. Riffs incandescentes e linhas musicais transcendentes fazem desta uma das melhores faixas do disco. Se você procurou por Thrash Metal de verdade, aqui conseguiu encontrar e só não foi perfeito em todos os aspectos por não diferir tanto os momentos de emenda de cada canção. O restante que e a imensa maioria está mais do que aprovada para que possa ser ouvida em cada lar que pertencer ao sagrado Metal. “Extermine / Em um horror sem fim / Aniquilar / Em um pesadelo acordado / Pulverize / Um número infinito de mortes / Desintegrar / Pois matar é a única maneira” – o inferno está solto e essa perda de controle só fará com que amplie a colheita de almas sem que se possa parar o massacre até que todos morram em prol da violência e do caos no reino da besta… O inferno está solto!

O álbum é dedicado em memória de Dave Ingram Jr.

“Confronto com gigantes
Ao lado dos deuses
Titãs abolidos
Contra as probabilidades
Confie na criação dos irmãos
Na argila eles nascem
Decretados como mortais
Pela divindade da guerra”

Nota: 9,0

Integrantes:

  • Ol Drake (guitarra solo, vocal)
  • Ben Carter (bateria, backing vocal)
  • Joel Graham (baixo)
  • Adam Smith (guitarra)

Faixas:

  • 1. Paralysed
  • 2. Gore
  • 3. Incarcerated
  • 4. War Of Attrition
  • 5. Disorder
  • 6. The Thing (1982)
  • 7. Zombie Apocalypse (Mortician cover)
  • 8. Control From Above
  • 9. Hell Unleashed

Redigido por: Stephan Giuliano

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