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Resenha: Evil Invaders – “Shattering Reflection” (2022)

Sua fama repentina colocou no patamar de bandas emergentes e com vasto conteúdo a apresentar para o respectivo público. Desde seus primeiros trabalhos e participações nos principais festivais de Metal mundo afora, o belga Evil Invaders vem agradando muitos adeptos, dentre os quais, muitos apreciam a velocidade e vibração do Speed com a energia e determinação do Heavy. A receita de sucesso sempre esteve atrelada ao alicerce sonoro da banda, o que pode em tese facilitar a colocação de “Shattering Reflection”, novo disco lançado dia 1 de abril (e não é mentira!) via Napalm Records, como um dos favoritos a figurar entre os melhores do estilo e também no geral. Vale ressaltar os trabalhos anteriores que são, respetivamente: “Pulses Of Pleasure” (2015) e “Feed Me Violence” (2017), além dos EPs, “Evil Invaders” (2013) e “In For The Kill” (2016). Isso sem incluir outros formatos pertencentes à discografia dos cabras.

O Evil Invaders, tal qual o germânico Vulture, representam o seleto grupo de bandas que fazem a bandeira do Rock Veloz tremular cada vez mais forte e isso representa muito para o cenário atual. Poderiam ser citadas outras bandas de destaque dos mais diversos países, mas vamos direto ao assunto, conforme manda a encomenda.

   
Evil Invaders logo/Facebook

A balada do pistoleiro começa com uma intro poderosa, pertencente à Hissing In Crescendo”, sendo esta uma canção que pulsa forte desde os primeiros segundos. O começo é bastante chamativo com o primeiros riffs chamando para o combate em meio aos constantes harmônicos, que por sua vez, enfeitam asertivamente o cenário. Joe e Max utilizam linhas de guitarras didtintas que se completam durante o percurso, sinalizando uma junção plena entre o Speed, o Heavy e o Thrash Metal. O som se mostra imponente e oferece aos vocais de Joe, o espaço ideal para inserir sua voz certamente influenciada pelo Metal God, o supremo Rob Halford (Judas Priest). Os solos de guitarra possuem várias camadas e ritmos que envolvem o ouvinte junto à trama. O final disto traz uma roupagem diferente e condizente com a trama. Um detalhe interessante é o soar do chocalho da serpente junto ao refrão, simbolizando o tema da música. “Sempre inquieto, bem acordado à noite / Essas visões sempre presentes na porra da minha mente / O veneno do réptil pingando no meu ouvido / Sibilando em ‘crescendo’ é tudo o que eu ouço” – o sibilar ou assobio da serpente provoca as devidas inquietações de sua presa, que se mostra com muita insônia e não consegue tirar tais visões da cabeça. Pode ser real ou apenas pesadelo tido na última noite de sono. O termo “crescendo” parece alguma gíria ou sátira local, já que não existe espécie ou região no mapa com esse nome. O tema se aprofunda violentamente a ponto de citar os sintomas e as feridas após os ataques desferidos pela cobra como bolhas na pele, feridas a ponto de apodrecerem a carne, espinha torcida pelo estrangulamento que o animal provoca, e por aí vai…

Logo após a abertura das comportas do navio cargueiro, temos três singles que ganharam videoclipes. São eles: “Die For Me”, In Deepest Black” e Sledgehammer Justice”. Seriam as melhores do álbum ou o destemido lado B se garante na parada? Averiguemos este nobre mistério.

O primeiro single que vem a ser a segunda faixa do álbum, (não perca a conta!) oferece uma abertura brevemente sinistra, seguida por um dedilhado cativante junto à voz potente de Joe. O baixo de Joeri surge com golpes de notas pesadas precisas até que todo o encouraçado sonoro se une em prol do som vibrante e veloz. O refrão é forte, possui as variações na medida certa. Um toque de modernidade é visto com bons olhos e o resultado é uma sequência insana de riffs e solos incríveis. A energia passava a quem ouve é seminal para a condução do trabalho. Isso sem falar nas linhas marcantes de bateria proferidas por Senne. “Depois de todos esses anos / O sangue, o suor e as lágrimas / O roxo de sua presença desapareceu / As facadas nas minhas costas / Não vão curar tão cedo / Apenas um último favor que te peço” – nem é preciso explicar. Deixemos a cargo do poderoso refrão:

“Die – Die – Die for me
Die for me
Die – Just me
Die for me – Die for me”

O single seguinte possui a aura tradicional ao anunciar em meio a dedilhados mais contidos a sua presença. Você sente que pode vir uma balada e que a mesma pode destruir o que estava sendo feito até aqui. Isso soa um pouco estranho, já que a ligação com sua antecessora não é das mais familiares. Para quem aprecia faixas que permeiam o Hard Rock, esta pode ser um belo banquete para o destemido fã. Os solos são “classudos” e a condução do alicerce idem. Poderá se acostumar ao ouvir por algumas vezes seguidas este disco. “Noites geladas, dias quentes / Eu sinto meu controle sobre a vida simplesmente se esvaindo / Sem palavras em termos de respostas, perguntas que não faço / A tempestade está forte dentro da minha máscara” – é como estar jogado para fora da borda, encalhado no inferno. O lugar onde se mora é deserto e provoca a inquietude da mente, trazendo toda escuridão e uma mente seca, presa ao passado e sem reagir ao presente numa espécie de gaiola mental.

Agora acho que retomamos o caminho apontado pela bússola do Rock Veloz. Sim! Acelere, por favor! Tudo entra em parafuso no melhor dos sentidos! Os solos surgem como golpes de lança após as flechas em forma de riffs viscerais serem lançadas. A semelhança à receita utilizada pelo Overkill é notada logo a princípio e fica mais evidente durante as pausas e variações rítmicas. Já as partes quase faladas se assemelham ao Razor. Temos um veredicto? Dentre os três singles, este é o melhor e com direito a mais solos, bateria ultra veloz, baixo que distorce a linha temporal e aquele peso magnífico e equilibrado presente por aqui. Vale repetir seu nome: “Sledgehammer Justice”! A marreta da justiça para acabar com os malfeitores e aproveitadores deste mundo. A quem impõe regras absurdas e nefastas, a todos os bastardos que merecem ser esmagados no chão. “Eu provei sangue / Mas eu quero sua cabeça / Meu martelo de 20 libras / Traz a sentença de morte / Eu sou seu juiz e júri, seu carrasco hoje / Entorpecendo minha lâmina para aumentar a dor / Estou me libertando da vida que você está me forçando!” A sequência segue com os embalos de “Forgotten Memories”. Sabe aquele início dos trabalhos em um show? A breve abertura traz essa ideia e mais uma vez estamos diante de uma faixa mais cadenciada. Porém, não segue a linha “baladística”. Seu ritmo serve para o detalhista apreciar o jogo de pedais que precisam de uma percepção maior para notar tal diferencial. Depois ficam mais evidentes. O riff principal é robusto e preenche bem a canção. Os vocais agudos rasgados e pré-gravados, circulam por quase toda a extensão da música, o que pode incomodar um pouco ao tentar entender sobre o posicionamento do vocal principal. O tema trata sobre as coisas que ficam guardadas em memória e que nunca mais vem à tona. Os novos tempos causa a quebra de muitos dos bons momentos vividos por alguém e essa paralisia transitória leva tudo e não sobra nada de útil a ser contado ou até mesmo comemorado. O tempo esmaga tudo dentro de suas trilhas.

“Realm Of Shadows” é a bola da vez… Um golpe de contrabaixo é dado por Joeri… Sussurros… Sons que retratam algo instigante… Misterioso… Sons espaçados que dão a ideia de que algo sério está para acontecer. A banda entra em ação com todos os componentes se apresentando. Tudo isso reunido em uma das duas faixas instrumentais contidas no álbum.

Evil Invaders/Bandcamp

De repente, já estamos com o Heavy Metal a plenos pulmões e com direito a um solo logo de cara. Mas… Quem disse que seguiremos apenas com a segunda marcha?…

O tempo fecha com “Eternal Darkness” e após o som de lâmina afiada, a pancadaria sonora entra em cena. Um Speed/Thrash a lá Anthrax aparece bem na fuça sem te dar chance de fuga. Sons do deserto se unem aos acordes pesados convencionais. Isso permite à canção para que a mesma ganhe várias climatização e modelos rítmicos. Na parte final temos uma passagem diretamente para o território dos tempos de glória do Iron Maiden, acrescentando mais solos e dedilhados condizentes com a proposta ao mostrar em verso e prosa os horrores da escuridão profunda, o horizonte apagado pela agonia. Esta o deixa em transe e te ajuda a ficar mais próximo do dia final. Mentiras, pesadelos, a prisão mental te enlouquece e alimentam a sede do apagar das luzes para obter a sua vida.

O tridente que complementa o rodapé do disco possui canções com nomes curtos: “My World”, “Aeon” e “The Circle”. Seria essa a receita para se sobressair perante o lado A? Há de se conferir…

   

O antepenúltimo capítulo dessa história revela ao ouvinte e adepto da boa “múzga” um requinte bem apropriado para a ocasião, já que a voz potente que conduz o navio tripulante é o guitarrista Max. Os acordes e dedilhados principais, que acabam por apresentar toques de Ozzy Osbourne (solo) e os germânicos do Perzonal War, abrem a caixa de molho do Heavy e engrossam o caldo para que o alicerce seja cada vez mais firme e condizente com o enredo, além dos breves momentos em que os pedais duplos de Senne aparecem e enriquecem este comboio de cordas que dominam o ambiente e o torna agradável a quem escuta a melodia. “Por que você não dá uma olhada no meu mundo / Entre, diga-me, o que você vê… / O que você encontra, faz sentido? / Sua mente pode suportar? / O que é normal para mim!?” – é o tal do “cada cabeça, uma sentença”, que resulta em menções sobre não entender ou ignorar o que o outro pensa e sofre por conta disso, ou resiste o quanto pode. Enquanto a pessoa que mantém seu olhar turvo e atitude de braço curto em lamentável ascensão. Difícil entender o outro e difícil entender a si mesmo. A faixa seguinte é a segunda instrumental do disco e mostra um tema mais etéreo com detalhes rítmicos nos moldes cinematográficos e que retratam o espaço. Porém, isso tudo se torna mais mundano após os breves compassos de guitarra e todo o time ao se envolver na trama. A canção se transforma em meio aos solos estratosféricos e revela uma face mais tradicional. O final se encaixa com o que fora proposto no início e abre espaço para o estampido final…

Mel Birquin

…Dedilhados agudos, acompanhados por vocais sussurrados… Estes vão tomando forma até que o instrumental começa a se rebelar contra o silêncio. O baixo condiutorve explosivo de Joeri dita o ritmo deste último episódio do novo álbum. Os riffs velozes se fazem presentes e as variações sonoras idem. Várias das mudanças de andamento se assemelham ao Megadeth e ao mesmo tempo as linhas percussivas proferidas por Senne, oferecem um tempero baseado no Kreator, principalmente em se tratando do glorioso baterista Ventor. Os solos se baseiam na abertura da faixa e o lado veloz da coisa toma a cena de asfalto. O Speed/Thrash se coloca à disposição para completa audição. “Ouça minha voz, sussurre meu nome / Eu cheiro sua pressa, a tensão que recupero / Eu te puxo para mais perto, eu te atraio / Você não pode resistir, que comecem os jogos” – este é o círculo da luxúria, da compulsão e do puro e vazio interesse. Enlameado com o pesadelo molhado, encharcado de luxúria, a sedução para o medo do impulso iminente é latente e o pedido para se juntar a esse círculo é cada vez mais imponente. A força magnética de tudo isso o fará retornar ao curso lascivo da coisa.

Informações adicionais:

Fica notório a partir de agora que os cidadãos de Leopoldsburg vieram com bastante poder concentrado, na qual souberam explorar diversos horizontes sem que abalasse sua estrutura principal e primordial. Contando com a produção Francesco Ferrini e Francesco Paoli, além da masterização feita por Tony Lindgren, os belgas entregaram mais um ótimo trabalho, isso sem contar a capa assinada Mario López. O restante é agora com você, fã da banda e fã de Metal, que irá ouvir várias vezes este mesmo álbum. Isso mesmo! Não basta ouvir apenas uma vez!

Sobre os lados A e B, o equilíbrio prevalece.

“S is for the savage that lives inside of me
L is for the lingering rage that you can’t see
E to eat heart of the one that pulls the strings
D is for death spreading its wings
G is the gore that goes with the smash
And E is to end your sorry ass!

H is the hatred, the everlasting strain
A for anger that’s calling out your name
I’M the menace I am your pain
M once again but now to extirpate
E for extortion and endless lies
R no remorse I’m ending your fucking life!”

Nota: 8,8

Integrantes:

  • Johannes “Joe” Van Audenhove (vocal, guitarra)
  • Max Mayhem (guitarra, vocal na faixa 8)
  • Joeri van de Schoot (baixo)
  • Senne Jacobs (bateria)

Faixas:

1. Hissing In Crescendo
2. Die For Me
3. In Deepest Black
4. Sledgehammer Justice
5. Forgotten Memories
6. Realm Of Shadows
7. Eternal Darkness
8. My World
9. Aeon
10. The Circle

Redigido por Stephan Giuliano

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