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Resenha: Dwarrowdelf – “The Fallen Leaves” (2024)

O Dwarrowdelf, banda de Epic/Atmospheric Black Metal, lançou mais um novo trabalho. Seu nome atende por “The Fallen Leaves” e este foi lançado no dia 2 de fevereiro de forma independente.

   

Entretanto, o termo independente pode ser ampliado devido ao fato de que por trás do Dwarrowdelf, há a magia profana de um homem só. Para os mais íntimos, chamamos esse tipo de proposta de one-man-band, tendo a figura do multi-instrumentista Tom O’Dell como o patrono de toda a obra. Afinal, está nas mãos e voz dele todo o arsenal distribuído em sete faixas desse novo trabalho. E antes que pense em se tratar de mais um projeto experimental e descartável como um prato de bolo de aniversário, não se deixe levar por pensamentos inúteis e comentários imbecis. Decerto, você ainda está aqui para me acompanhar em mais uma viagem. Ou estou errado? Não responda!

Dwarrowdelf não é apenas um nome

Em O Senhor dos Anéis de Tolkien, Khazad-dûm, comumente conhecido como “Moria” ou “o Dwarrowdelf”, era um reino subterrâneo sob as Montanhas Nebulosas. Era conhecido por ser o antigo reino dos Anões do Povo de Durin, e o mais famoso de todos os reinos Anões. Portanto, a base das composições de Tom O’Dell é inspirada na obra de J. R. R. Tolkien. Um verdadeiro banquete para os amantes de metal extremo, Terra Média e RPG.

O tom de Tom O’Dell para o Dwarrowdelf

Certamente, fica nítida a confusão para muitos adeptos quando um trabalho é mergulhado nos mares inóspitos dos subgêneros do metal negro. Quanto mais camadas diferenciadas possuir, maior será esse mergulho e dificilmente o mergulhador voltará à superfície. Porém, isso não é nenhum problema em questão musical. É até fácil de ser resolvido quando você passa a prestar bastante atenção quanto às nuances de uma obra ou uma faixa dessa obra. Tudo fica mais abrangente, mais nítido e mais palatável. Não que isso seja algo imprescindível, mas para que alguém acostumado com sonoridades mais tradicionais e cruas possa alcançar tal êxito. Tudo isso, desde que o mesmo possa desejar ir de encontro ao desfecho de seu entendimento para com o disco analisado.

Seja épico, atmosférico, depressivo ou até sinfônico, o Black Metal está aí para carregar a flâmula do estilo mais obscuro do Metal. E o tom inserido por Tom é o que veremos a seguir, mas já te adianto que a viagem será uma aventura digna de campanha.

Breve histórico do Dwarrowdelf

A banda de um guerreiro solitário possui um histórico breve, porém muito proveitoso. Tom iniciou o seu trabalho em 2017, tendo lançado o EP “Of Darkened Halls” no mesmo ano. O Dwarrowdelf já havia lançado 4 álbuns sem contarmos o novo disco. São eles: “The Sons of Fëanor” (2018), “Of Dying Lights” (2019), “From Beneath the Fells”, também em 2019, e “Evenstar”, de 2020. Além disso, as bandas das quais O’Dell faz e fez parte são: Battle Born, Gimli, Son of Glóin, ex-Deavhronun, ex-P.I.N.K Lüng, ex-Sojourner. Caelan Stokkermans foi o autor da estupenda capa, enquanto Vojtěch “Moonroot” Doubek elaborou o logo. Tom O’Dell também cuidou da gravação, produção, mixagem, masterização e design do novo artefato sonoro.

O início da finitude de tudo

O título parece trazer uma climatização típica de pós-guerra ou quando um vilarejo é atacado e passam-se algumas semanas do ocorrido. E é essa dentre muitas sensações que poderemos sentir ao nos depararmos com “The Fallen Leaves”. A sensação de que nada se acaba por completo e que o pior sempre está por vir. Por isso, é importante sempre deixar o seu armamento preparado para a próxima batalha. O arder da brasa em meio às cinzas é o clamor profundo da alma guerreira que não pede clemência, mas jura devoção ao seu povo e continuará lutando até tornar ao pó novamente.

Dwarrowdelf não é um almanaque de O Senhor dos Anéis, mas a sua ligação com o mesmo é constante e isso te fará lembrar de cenas dos filmes e também de trechos dos livros. Mas, não é exatamente ou somente o que eu quero expor por aqui através deste nanquim virtual. Vamos caminhar sim pelos vales condizentes à trama, porém não faremos com que soe como uma mera cópia do que já foi escrito e se tornou famoso mundialmente. Iremos fazer o nosso trajeto ao nosso modo. O seu cavalo está selado? Pois, iremos partir logo ao amanhecer. E esse amanhecer chegou…

Dwarrowdelf / Bandcamp

Dentro das cinzas, a brasa ainda arde

Estamos acordados, porém as nossas energias estão escassas. Mesmo assim, é hora de partir e seguir rumo ao horizonte repleto de miragens e laços sombrios, ligando passado, presente e fatídico ou prolífero futuro. Nossos cavalos foram bem alimentados para aguentar o avanço por terras úmidas e gélidas. Você consegue contemplar a imensidão do vale e dos primeiros raios de sol já presentes por trás das grandes montanhas, cobertas por imensas geleiras. O quão sem vida deve ser ali? Bem, existe vida, mas não a nossa vida. Se não sobrevivemos a tais climas, existem seres que conseguem através de sua mágica natural: o existir e persistir.

É possível sentir no âmago cada tilintar constante em meio aos sussurros, lamúrias e textos por escrito de forma mental… A sensação que se apresenta ao iniciar a abertura deste papiro musical é um misto enigmático entre esperança, desespero, lamentação e sonho de viver o que não pode se viver… Até o presente momento.

Vamos de encontro ao amanhecer pleno…

Uma jornada ao amanhecer

   

As nossas almas gritam e clamam por liberdade, contada através do pulsar de nossos corações partidos e resistentes à linha do tempo. Enxugue suas lágrimas enquanto o seu corcel de pelo brilhante cavalga pela relva entristecida e apodrecida em carne sem vida. A flâmula tremula pelo vento que nos acompanha e banha nossos rostos em sinal de respeito e repúdio ao que outros de nós fizeram com o nosso tempo, a nossa terra e aos nossos entes queridos.

Tu sempre lutarás e não mais olhará para trás. Nossos cavalos aceleram os passos até que nos deparamos com o desfiladeiro… O som nos revela o outro lado da moeda, o outro lado da vida, uma nova jornada prevista para acontecer neste exato momento. Eu acordei na escuridão, ascendendo pelas profundezas do desespero e da decadência, olhando para um mundo completamente desconhecido. Certamente, o plano era a busca por esperança nesta terra de consternação, após tudo o que eu infligi.

Você está comigo e consegue sentir a minha dor? Eu causei muita tristeza no passado e essa linha do tempo que se arrasta horizonte adentro, arde em chamas. Será que ao atravessarmos o desfiladeiro você poderá carregar o que sobrou da flâmula? As folhas caídas sussurram a história e este é o caminho para expiar, para me levar ao Amanhecer…

O pensamento de um novo amanhecer

Coloque meus olhos nos horizontes e observe comigo o planar dos pássaros. Eles sabem de toda a história muito antes de nós. A luz dourada emoldura os nossos olhares e nos avisa de que este lugar nunca escurece. Vamos nos aventurar e averiguar essa sinfonia repleta de paixão e vontade de seguir em frente. A poeira pode até representar um passado em que eu sonhava construir, mas não posso temer tudo o que me rodeia. Você concorda? Nossos puro-sangue estão em plena forma e com energia para seguir adiante. Mas, é bom ressaltar que o presente da morte não brilha mais na lareira e que nada traz esperança senão o pensamento de um novo amanhecer.

A fauna e a flora são forças exuberantes que persistem ao queimar das chamas da linha do tempo. Todavia, é bom seguir esta orientação. Muitos ainda dependem de nós e todos esses seres depositaram esperança em nossa jornada. Portanto, deixe a luz se tornar uma ferramenta do nosso poder. Quero recomeçar. Tudo isso enquanto entramos nas terras que estão amaldiçoadas para sempre.

O ritmo contagiante é o maior detentor de todo o sentimento de um passado que desejo corrigir. Sei que não posso apagar e nem limpar o que tornou ao pó, mas estou aqui para ajudar a florescer e trazer a esperança de um novo dia…

“Let me start anew
Let me find the Dawn”

Ao pó, todos voltaremos

Sabe quando ouvimos vozes em sintonia como se fossem anjos confortando as nossas almas? Isso pode ser um aviso e um ensinamento sobre idas e vindas neste vasto mundo de prazeres e sofrimento contínuo. Um silêncio cai sob as folhas, enquanto nossos cavalos descansam na cocheira. Já estamos nesse vilarejo misterioso e mesmo assim, minha alma aleijada caça sem parar. Estou buscando um desejo por aquilo que me faz completo novamente. Você consegue me ajudar nessa busca? Eu sei que aqui está muito barulhento, mas você encontra tudo em harmonia mesmo até nos momentos mais densos da caminhada.

Em primeiro lugar, devemos observar que o crepúsculo chegou nesse lugar há muito tempo e que os céus enegrecidos lavaram a dor dos sobreviventes. Houveram incêndios dos quais queimavam profundamente. Minha alma ferve só de imaginar toda a dor sentida aqui nesta terra. O amor cauteriza esse sentimento inflamável, embora o amor seja puro fogo. Porém, esse fogo serve para iluminar na calada da noite.

Não há calma para aliviar a dor interior

Estou despojado de esperança por dentro, portanto ao pó retornarei. A solidão é eterna para quem ousa sonhar. Todos nós voltaremos, mas o importante a saber é sobre qual a nossa importância por aqui. Eu descobri através de uma trilha repleta de agonia. Queria que me acompanhasse, pois você me pareceu ser bastante evoluído quanto a tudo isso. Entretanto, eu também vejo a sua preocupação quanto a toda essa situação. A minha trilha não leva a lugar nenhum e desaparece da minha vista. Sem respostas vindo até mim, não consigo ter calma para aliviar a dor interior.

A musicalidade local cresce com o passar dos minutos e torna tudo ainda mais comovente. Por fim, é fechar os olhos e contemplar a sinfonia para pensar em agir passo a passo dessa vez… Afinal, não poderemos deixar com que os pedaços desse mundo atravessem os cascos da nossa montaria.

“The trail I tread in agony
Leading nowhere, fading from my sight
No answer comes to me
No calm to soothe the pain inside”

Este mundo despedaçado

   

Do além… O véu da morte não espera mais. Eu me vi caindo no precipício ao olhar o meu reflexo em uma caneca velha com água. A jogue na parede com toda a fúria. Na serenidade, uma vida além do vazio não pode ser o suficiente. Eu não nasci para simplesmente sofrer nesse mundo despedaçado que consome a todos. Tudo está em ruínas e nós acabamos por contemplar o nada nessa esteira percussiva, escalando o nível para o alto e o perigo lá para baixo, cada vez mais próximo do que é tido por submundo. Aqui é o local onde acontece uma manifestação de arrogância, onde os homens estão desprovidos de seu poder de morrer. Liberdade é morte nesse encouraçado despedaçado.

Assuma as melodias e perceba a ordem do ouro sempre observando. Um olho incessante e onisciente, embora quase não se enxergue absolutamente nada à nossa volta. Tudo está muito sujo, um trapo, por assim dizer. Embora manchando de sangue do passado, eu estou nas Terras da Luz. Ironia dizer isso, pois sinto seu sussurro sombrio por dentro e o barulho ensurdecedor engrandece a escadaria que temos de subir. Afinal, precisamos alcançar o final da torre e fazer com que nos notem. A chama carmesim será o tom do quadro a ser pintado por aqui e em qualquer outro lugar. Vou incendiar tudo e você poderá conferir de camarote em meio à maré da graça dourada. Você gosta de muito ouro? Tem muito aqui. Não é meu, não é seu, mas pode ser seu. É só pegar ver como eu fui perder minha humanidade antes de partir.

Não vou esperar até o fim de tudo

Decerto, fui consumido pelo fogo da ambição, acendendo minha escuridão interior. No entanto, confundindo as linhas da verdade que eu procurava, puxando-me mais profundamente além dos reinos do pensamento. Eu sei que mal comemos naquele estabelecimento que mais parecia uma casa abandonada, mas precisávamos prosseguir. Não é seguro parar neste lugar, ainda mais devido ao falso encanto em meio aos horrores do passado e também do presente. Não iremos ceder nem nos curvar diante de tais manipulações mentais, carnais e espirituais. Temos milhões de sonhos e nenhum se manteve. O mesmo acontece se ficarmos estáticos sem saber para qual lugar ir. Fuja da caverna sem fim…

“I will not cave to the horrors
I will not bow to their call
As nightfall draws closer and dreams turn to dust
I will not wait till the ending of all”

Fuja do Pináculo dos Sonhos

Assim como vimos anteriormente, passado, presente e futuro possuem um laço sangrento e repleto de chamas. Contudo, devemos sempre nos precaver do que é manifestado em nossas mentes. Quanto à minha, me sinto preso atrás de grandes paredes negras de uma caverna sem fim. Assim sendo, um verdadeiro mundo dentro de um sonho. Uma verdade lucidez. Lucidez ou loucura? Ao descer do alto da grande torre, devemos sair daqui o quanto antes. Fuja deste Pináculo dos Sonhos ou poderá ficar preso para sempre.

Lá estão nossos cavalos. Vamos até eles. Desate-os e arrume as suas selas antes de partirmos. Eu vou encher os cantis com água e também com cerveja. Afinal, devemos saborear um pouco do elixir dos deuses.

Neste plano sem fim e com alta velocidade, percorremos por entre o vale que confunde a minha mente entre o que é real e o que é mentira. Nesse mundo da qual eu posso voar, a escuridão dos horrores passados permanece sempre. Nossa montaria foi bem alimentada, apesar de toda a destruição permear nossos passos. A densidade do percursos atinge nossos estômagos como se fôssemos golpeados pelo próprio ser do submundo.

Quando tudo que vejo é ela lá dentro?

Neste mundo, a esperança vira tormento e aqui não posso me esconder. Os horrores da minha cela me foram revelados. Terrores arrancando memórias que eu temo. Serpentes negras girando, cercando a tudo o que eu vejo. Certamente, estou perdido além dos sonhos.

As escalas musicais se elevam e trazem diversas perguntas à minha mente. Eu até sei que é possível sair daqui, mas não posso me deixar levar por tantas perguntas dentro da minha cabeça. Ela está na minha mente e eu não sou capaz de me livrar de sua voz. Você também ouve a voz dela? A vibração sonora revela esse possível truque, mas eu sei que não é isso. Ela seria a minha paixão? A minha vontade de viver e apagar um passado inglório? Não consigo me livrar nem com mil melodias, embora eu entenda que não se deve seguir o que é visto através do Pináculo dos Sonhos.

“Who am I to slip from the clutches of the void?
Who am I to rid myself of her voice?
How can I ever feel safe again in my own mind
When all I see is her inside?”

Libertação

Agora, estamos próximos de um caminho pantanoso e do outro lado da floresta densa está a nossa libertação. Embora possamos nos sentir enredados, muito por conta do consentimento de que não posso fugir da maldição da minha espécie, seguiremos lutando até o fim.

A calmaria nos faz respirar fundo, tentando buscar o pouco de luz que resta em nossos corações. O alcance das notas fica evidente ao rastro deixado por nossos meio motores naturais. A minha espada negra reluzente brilha mais intenso que o próprio Sol ao amanhecer dourado, mas eu sei o que isso significa. Você sente a terra estremecer conforme prosseguimos. Olhe à sua volta, enquanto mergulho na escuridão para encontrar a esperança redefinida.

Voe e passe sobre abismos cavernosos imbuídos de fogo dos homens que lutaram e morreram pela espada. De aço tornado verdadeiro, temperado em sangue tão puro. É isso o que significa o brilho da minha espada. Não há nada de especial nisso. Apenas sangue e morte causados por uma lâmina imparável e tão implacável quanto o próprio demônio. E o demônio está sendo representado por nós, meros mortais. Mergulhe no destino que sonhei aquela vida esquecida. Sinta o arder de um purgatório perseguindo meus calcanhares. A esperança foi deixada de lado, mas você pode me livrar da morte. Caso queira ver de perto mais uma participação dessa espada em mais um capítulo dessa jornada.

   

Livra-me da morte

Os ecos da batalha estão fluindo em minhas veias. Meu rosto em cicatriz é refletido no fio da espada. Um brilho especial nela me persegue, sangrando as cores das memórias de tristeza, mergulhados em um passado cheio de horror. Milhares e milhares marcharam para as profundezas. Tem certeza de que deseja continuar? Eu não sei dizer adeus, mas pode ser que nossas almas nunca se despeçam após o cair da longa noite. O carmesim dos soldados em chamas é o grande ápice da desgraça plena e nós iremos contribuir com isso. Chorar não é o bastante, mas nossas almas possuem lágrimas o suficiente para banhar o território inteiro.

Com espadas desembainhadas e erguidas, suas armaduras brilhavam. Eram verdadeiros cavaleiros negros de armadura reluzente, mas eu sou o único sobrevivente dessa trama. Infelizmente, foi o que o pináculo revelou. Não haverá túmulos para todos. Enfim, é o destino de muitos tornar ao pó nesta noite.

Olhe para a luz à frente e veja o que eu vou me tornar. Apenas um presságio morto, e haverá seu trono para reivindicar. Uma mancha forjada no esquecimento… Contemple o mundo que está por vir… A segunda voz se tornará mais intensa que a primeira e o guerreiro mais imponente cairá diante da fúria de um ser desfigurado pelo seu tempo.

“Gaze at the world to come
With death unchained, all souls unclaimed
This chaos, undone

Deliver me from death”

As folhas caídas

Não parece, mas preciso acordar para me libertar dentro do sonho. Sinto as garras da morte me cercando e eu sei que esta batalha pode nunca acabar. Esses dedilhados você conhece e sabe me dizer de onde podem vir. O autor é compatriota desse grande grupo e, somado aos diversos elementos que constituem tais camadas, é notória a variedade de influências oferecidas ao longo da jornada.

E eu caio entre tudo isso, também atrás das chamas, sob as cinzas. Tudo além do que eu fiz não passa de continuação do caos em seu estado puro. Uma luz dos céus lá em cima está revelando tudo o que está por vir. Em meio à desgraça, é notado que o fim de tudo o que veio antes. O sofrimento será repartido e dividido em dois. Me tire daqui para começar essa história final e para quebrar tudo o que uma vez ficou imóvel. Você também quis isso aqui. Você quis que eu empunhasse novamente a espada e cá estou. Eu não deixarei você cair…

Minha liberdade encontrada, eu fecho meus olhos

Se o frio repousar nas cinzas da minha lápide enquanto espectros olham para meu túmulo. Se escuras são as brasas que uma vez queimaram tão brilhantes, um passado agora desbotado não reacenderá sua luz. A escuridão, em meio às notas lúgubres, reside na alma daquele que vive uma vida coberta de mentiras. Apesar dos pesares, a orientação da graça trouxe de volta o sentido à minha vista. Um pilar de chama brilhará dourado nesta noite.

A intensidade dessas chamas musicais… o mundo moderno… os novos desafios… tudo isso sob as cinzas além do que eu fiz. Um dia nossos cavalos serão contemplados com a graça divina e se tornarão alados, se já não o são. A vida não é corrida em seu estado natural, mas se torna graças a uma sociedade vã e cruel. Eu sei. Eu os represento, mas não estou a favor deles nem em seu estado mais deplorável. O perdão está escrito na minha espada e eu não olharei para trás novamente. Foi assim que você ouviu durante essa grande jornada e em meio às labaredas da guerra, cá estaremos lutando e descobrindo tudo o que está por vir.

Enfim, eu pude descobrir o que eu estava procurando. Qual era o meu real propósito. Você poderá contar a minha história. Está escrito nas estrelas e quando as folhas começarem a cair, será o momento de clamar pela liberdade a qual foi encontrada. Sou um homem livre! Fecho os meus olhos e enxergo tudo à minha volta com toda a clareza e leveza que a vida pode oferecer. Se antes eu não via nada à minha frente, agora eu posso ir além do horizonte sem sair do lugar. E por fim, essa espada de lâmina negra e manchada com o sangue de milhões, não causará mais tristeza…

“I now know what I’m searching for
It’s written in the stars
And as the leaves begin to fall
My freedom found, I close my eyes”

Um resumo claro da sonoridade contida por entre os versos poéticos do Dwarrowdelf

Em primeiro lugar, devo destacar a sua bravura diante dos percalços a qual nos envolvemos. Você jamais desistiu da aventura e se tornou um ser incrível capaz de empunhar a espada da sabedoria contra a escuridão da mente vazia. Logo de cara tivemos uma faixa introdutória muito especial, principalmente a quem compactua de sonoridades atmosféricas, viajantes e que trazem diversos sentimentos, dos quais vão dos mais felizes aos mais lamuriantes e amedrontadores. Completamente intuitiva, “Within the Ashes, the Ember Still Burns” apresenta as mais variadas climatizações através de sintetizadores e teclados de forma inteligente e abrangente. Os bons ventos trouxeram à tona um manuscrito feito em território eslavo, mas com a premissa bem próxima ao do já glorioso Dwarrowdelf. Estou falando da banda russa de Atmospheric/Black Metal, Skyforest.

O ápice do Dwarrowdelf ao cair das folhas secas

   

O ápice ocorre a partir da segunda faixa, que também lembra o Skyforest, principalmente por conta de seu nome, “A Journey to Dawn”, enquanto o álbum da banda russa atende por “A New Dawn” (2020). Mas, o que vem à tona mesmo, além do grito inicial de O’Dell, é o peso das guitarras. Com seus riffs cavalares, oferecem a garra e a disposição necessárias ao ímpeto de bateria, juntamente com toda a magia negra oferecida pelos destemidos blast beats. Nos momentos de maior leveza e alcance sentimental, traz até uma sensação de viagem por diversas eras.

“To Dust, We All Return” é a terceira faixa do disco, contando com a abertura instrumental, a apresentar o modelo da cartilha melódica e atmosférica deste subgênero transcendente do Black Metal. Através das camadas densas de teclados, somados a um imenso e presente pano de fundo, temos a lembrança do Dimmu Borgir e seu ótimo, e talvez último álbum mais relevante, “Death Cult Armaggeddon”, de 2003. Já em “This Shattered World”, basta um toque na caixa para acordar toda a tropa de um homem só. O cenário fica perfeito para a apresentação de um Black/Heavy Metal (isso mesmo!) de primeiríssima categoria!

O lado B de “The Fallen Leaves” também importa

Bem, como em um LP, costuma-se dividir o tracklist em duas partes para inserir nos dois lados da bolacha. Então, fiz uma divisão não-oficial para esclarecer uma coisa. O ápice do álbum passou, é verdade, mas aqui não há nada que o desabone. Muito pelo contrário, aqui você encontra um mar movido a Dark Funeral e 1349, desaguando em mares próximos ao Doom, incluindo linhas vocálicas limpas e com dobras, como um coro. Tom O’Dell sabe muito bem como conduzir toda essa bagagem sonora. Ainda podemos citar os traços sinfônicos, os guturais mais cavernosos, as melodias voltadas ao Heavy e os tremolos insanos, acompanhados por uma linha incessante de bateria em “Escape from the Dreamspire”.

Em “Deliverance” são apresentados grandes momentos de contrabaixo, além de um início comovente de violão. As linhas mais densas remetem ao Graveworm. Ela possui riffs com boas palhetadas e sequência de notas estendidas, além de um baixo pulsante e presente. Temos breakdown, mas um breakdown do bem para enaltecer o lado sombrio da música. “The Fallen Leaves” é simplesmente a faixa-título e possui sua veia apoteótica a ponto de inteligentemente ter sido posta como último capítulo do álbum. Em resumo, ela possui muito peso, melodia, quebras rítmicas, teclado fantasmagórico, Heavy Metal, Black Metal nos moldes do Mystic Circle e também do Abduction, grooves intensos, além de dar mais liberdade ao já citado breakdown. Por conta disso, achei a faixa com mais cara de “moderna” do disco, por assim dizer. Aqui também temos os coros limpos e que realçam e elevam a canção para um término surpreendente deste excelente full-length.

“And I fall
Between it all
And behind the flames, beneath the ash
Beyond what I have done
A light from heavens up above
Revealing all that is to come”

nota: 9,2

Integrantes:

Tom O’Dell (todos os instrumentos)

Faixas:

1. Within the Ashes, the Ember Still Burns
2. A Journey to Dawn
3. To Dust, We All Return
4. This Shattered World
5. Escape from the Dreamspire
6. Deliverance
7. The Fallen Leaves

Redigido por Stephan Giuliano

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