Resenha: Diamond Head – “Live And Electric” (2025)

Confesso que ao me deparar com um disco batizado de “Ao Vivo E Elétrico” parecia que seria algo bem comum, sem graça mesmo, mas bastaram alguns segundos para mudar minha opinião. Fica a lição: não julgue um livro pela capa e nem um disco pelo seu nome!

O “Ao Vivo E Elétrico” em questão é “Live And Electric” (2025), sexto disco ao vivo lançado pelo veterano Diamond Head, pilar do movimento que varreu o Reino Unido no final dos anos 70/começo dos 80 e que ficaria cravado na história do metal como a New Wave Of British Heavy Metal (NWOBHM).

Ao contrário dos outros registros ao vivo anteriores lançados pelo grupo, “Live And Electric” (2025) não foi gravado em um único show, mas sim durante a “Seize The Day World Tour”, quando o grupo excursionou pelo Reino Unido em 2022 como banda de abertura do também veterano Saxon.

Entre faixas mais novas e outras que não podem faltar no set da banda, “Live And Electric” (2025) é uma porrada! Produzido pelo ótimo vocalista Rasmus Bom Andersen, o som do disco é (perdão do termo) vivo, cheio, parece até que você está ali, bem de frente para as caixas de som sentindo toda intensidade da banda que é bem segura, inclusive, com cada músico sabendo bem o que fazer nos seus instrumentos, sendo destaque os riffs certeiros do fundador e único membro remanescente, Brian Tatler, e a performance de Rasmus, bastante empolgado, diferente de algumas plateias que soam bem apáticas na gravação – azar delas que não souberam curtir apresentações tão boas.

As faixas do Metallica… que são do Diamond Head

Bom, já sei o que vocês estão esperando: as faixas que o Metallica regravou estão aí, certo? Estão sim, todas as quatro: “The Prince” abrindo o disco, “It’s Electric”, “Helpless” e “Am I Evil?”, fechando. Mas é bom que se diga que elas não estão ali “só” porque o Metallica fez versões muito boas, diga-se, para o “Garage Inc.” (1998), elas estão ali porque são mesmo ótimas músicas. Claro que ter tido o Metallica regravando e levando seu gigantesco público a conhecer umas das suas principais inspirações é algo que vale a pena ser perpetuado (sem falar nos polpudos royalties que Brian recebe graças as 6,4 milhões de cópias vendidas de “Garage Inc.”, suficiente para ele nunca mais precisar trabalhar, segundo o próprio contou para a Ultimate Guitar, em 2019).

Preenchendo um hiato sem novidades desde o irregular “Lightning To The Nations 2020” (2020) e enquanto Tatler prefere seguir como guitarrista do Saxon no lugar de Paul Quinn, “Live And Electric” (2025) é mais do que um disco feito somente para marcar presença: é ao vivo, é elétrico, é um discaço.

Disponível no Brasil pela Shinigami Records em parceria com Silver Lining Music, “Live And Electric” (2025) tem ainda um encarte bem legal, com historinhas (em inglês) de alguns shows escritas por Brian e Rasmus, muitas fotos em preto e branco e coloridas.

Nota: 9

Integrantes:

  • Brian Tatler (guitarra)
  • Rasmus Bom Andersen (vocal)
  • Karl Wilcox (bateria)
  • Andrew “Abbz” Abberley (guitarra)
  • Paul Gaskin (baixo)

Faixas:

  • 01 The Prince
  • 02 Bones
  • 03 The Messenger
  • 04 In The Heat Of The Night
  • 05 Set My Soul On Fire
  • 06 It’s Electric
  • 07 Dead Reckoning
  • 08 Death By Design
  • 09 Sweet And Innocent
  • 10 Helpless
  • 11 Belly Of The Beast
  • 12 Am I Evil?
Mário Pescada
Mineiro, ouvinte de todas as vertentes do rock - do blues ao grindcore. Valoriza mais a honestidade e entrega em cima do palco do que a técnica. Guarda os flyers dos shows que vai como se fossem relíquias. Autor dos livros "Distorções do Submundo: Dissecando álbuns matadores do underground brasileiro" vol. 1 (2024) e vol. 2 (2025), lançados pela Editora Denfire.
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