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Resenha: Destruction – “Diabolical” (2022)

Lançado no dia 8 de abril de 2022, “Diabolical” é o décimo sétimo registro de estúdio da extensa discografia do Destruction. Perto de completar 4 décadas de existência, o grupo coleciona momentos distintos em sua trajetória. O início na longínqua década de 80 foi arrasador, mas a boa fase não teve continuidade e, durante os anos 90, o guitarrista Mike Sifringer resolveu se aventurar por novos horizontes. O resultado foi o mais absoluto ostracismo. Isso se deve ao fracasso do subestimado “Cracked Brain” e do horroroso “The Least Successful Human Cannonball”. Juntamente com o próprio Thrash Metal (em baixa em boa parte da década) o Destruction respirou por aparelhos durante longos anos. Tudo mudou com a volta do vocalista/baixista original Marcel Schmier e o lançamento de dois grandes petardos: “All Hell Breaks Loose”, de 2000, e “The Antichrist”, de 2001.

Com uma ajudinha do power trio germânico, o gênero voltou a ser relevante no novo século a banda seguiu apresentando um trabalho após o outro desde então. Com a sequência de álbuns vieram também as críticas e as repetições de fórmula. É claro que alguns fãs ainda seguiram acompanhando Mike & Schmier, mas era quase um consenso que algo precisava acontecer para tirar os alemães da zona de conforto ao qual haviam se enfiado. Muitos pensaram que a entrada do guitarrista suiço, Damir Eskić, no trabalho anterior, “Born To Perish”, faria a banda tentar algo diferente, afinal, era a primeira vez desde o clássico “Release From Agony”, de 1987, que o Destruction tinha duas guitarras novamente. Mas não foi muito bem o que aconteceu. A produção até ficou mais orgânica e menos “plastificada”, mas o registro sofria do mesmo mal das bolachas anteriores. As malditas repetições de fórmulas extremamente manjadas e saturadas transformaram algumas músicas que tinham verdadeiro potencial em meros clichês. Não, o disco não foi totalmente descartável e possui alguns bons momentos, mas está longe do que esperamos de uma banda que gravou obras incontestáveis como “Infernal Overkill” e “Eternal Devastation”.

   

Foi em meio a este momento de transição que a notícia mais inesperada chegou e nos fez pensar que seria o fim definitivo do Destruction. As manchetes nos sites especializados diziam: “Mike Sifringer está fora da banda”. Era inacreditavel. O grande líder e capitão da embarcação, o cara que sempre esteve ali desde o início, nos bons e nos maus momentos, sem mais nem menos, resolveu pular fora do barco. Os fãs imediatamente se lamentaram e muitos apostaram todas as fichas que Schmier jamais seguiria em frente sem Mike. Muitos achavam que nem deveria seguir. Mas Schmier resolveu reunir os cacos o mais rápido possível e recrutou o argentino Martin Furia para formar a nova dupla de guitarristas com Damir Eskić. O resultado de todas estas mudanças nós conferimos em “Diabolical”, um trabalho que dá uma nova cara ao velho Destruction e traz algo que há muitos anos não víamos na banda: sangue no olho!

Reprodução/Facebook

Mike Sifringer, além de ter se tornado uma lenda do Thrash teutônico, também ficou conhecido por ser um riffmaker nato e foi, desde sempre, um dos principais compositores da banda. Sendo assim, em teoria, o Destruction perdeu muito de seu potêncial criativo. Mas sabe aquela história que diz que ninguém é insubstituível? Ela se aplica totalmente a esta situação. A nova dupla de guitarristas acabou resolvendo boa parte dos problemas de repetição de fórmulas, compondo riffs, solos e linhas totalmente estimulantes que rapidamente se transformaram no destaque absoluto do novo registro. Obviamente, quando novos integrantes entram em uma banda, eles trazem suas características e métodos de composição. Isso geralmente gera algumas mudanças de sonoridade e a impressão que ficamos após algumas audições de “Diabolical” é que houve um rejuvenescimento na música do quarteto. Aquela idéia de coisa fresca e de novidade está presente em boa parte do disco e os méritos vêm de duas partes distintas:

  1. Dos guitarristas Martin Furia e Damir Eskić, que não se intimidaram com a responsabilidade e conseguiram imprimir seus respectivos DNA’s nas composições.
  2. De vocalista/baixista Marcel Schmier, que permitiu que isso acontecesse. Ele poderia ter assumido o protagonismo todo para si e feito o que muitos líderes de banda fazem, concentrado todas as composições em torno de suas idéias. Mas não, Schmier resolveu deixar que as idéias de todos fluíssem de maneira natual e isso fez com que a banda renascesse musicalmente.

O álbum é espetacular?

Não diria isso, mas ele é, sem dúvida, muito bom. Aliás, é muito melhor do que qualquer trabalho entregue depois do majestoso “The Antichrist”, há mais de 20 anos atrás.

Por que não é espetacular?

Digamos que o Destruction vinha carregando um fardo pesado que era estar preso a uma incômoda zona de conforto e a um método de composição que não permitia que a banda evoluísse ou entregasse um registro realmente arrebatador. “Diabolical” consegue tirar o grupo deste estado de torpor, mas ainda traz alguns resquícios desta era. Em faixas como “Hope Dies Last”, “State Of Apathy”, “Tormented Soul” e “Whorefication”, ainda encontramos o Destruction repetidor de clichês e seguindo fórmulas que já não empolgam mais. É claro que mesmo nestas composições, temos bons momentos e nenhuma delas chegam a ser verdadeiramente ruins, mas quando vemos o nível alto de outras músicas do tracklist, percebemos que a banda pode evoluir muito daqui pra frente e apresentar discos ainda melhores do que este.

Para mencionar alguns destaques da audição, precisamos começar com os três singles disponibilizados antes do lançamento. A faixa título “Diabolical” é daquelas músicas certeiras que você ouve poucas vezes e já fica com a sensação de estar diante de um novo clássico. Os riffs são ferozes, as linhas estonteantes e os solos maravilhosos. Típica música pra moshar nos shows e bangear loucamente em casa. “No Faith In Humanity” é ainda mais veloz e traz aquele espírito Thrash old school à tona, mas sem soar datado. Já em “Repent Your Sins”, temos um ritmo mais cadenciado e talvez o melhor riff do álbum. Não posso deixar de mencionar o trabalho de guitarras desta música, para aqueles que apostaram no pessimismo pela ausência de Mike, temos uma resposta absolutamente à altura da dupla Martin/Damir.

Ainda somos supreendidos por pelo menos mais quatro canções. “The Last Of A Dying Breed” é visceral, direta e criativa. “Servant Of The Beast” traz um retorno muito bem vindo ao Speed/Thrash produzido no EP “Sentence Of Death”, de 1984. “The Lonely Wolf” tem um refrão que me soou como uma espécie de Accept anabolizado e, por fim, “Ghost From The Past”, que mais uma vez busca referências nos primórdios. Além do EP supra sitado, ainda traz um pouco da musicalidade do debut “Infernal Overkill” e convence imediatamente o mais exigente dos fãs.

Reprodução/Facebook

“Diabolical” poderia ser melhor?

Obviamente sim. O track tem 13 faixas contando com um cover para a música punk “City Baby Attacked By Rats”, da banda GBH, mas poderia ser um pouco mais enxuto, eliminando algumas composições menos poderosas e transformando a experiência de audição em algo mais prazeroso.

Dá pra desabonar o Destruction por estes pequenos deslizes?

De forma alguma. Temos em “Diabolical”, provavelmente, o início de uma novíssima fase que promete trazer grandes álbuns nos próximos anos. Só de conseguir escutar um novo disco do grupo na íntegra e, ao final da audição, estar com um sorriso de aprovação no rosto, este novo petardo já valeu a pena. É claro que ainda queremos ver a banda nos presentear com mais algumas daquelas pérolas incomparáveis para, aí sim, podermos bater no peito com vontade e dizer que o Destruction está realmente de volta as boas. Para quem estava desacreditado do potencial da banda, este é um trabalho que deve ser ouvido com a devida atenção, para aqueles que, assim como eu, sempre tiveram fé em uma recuperação, a satisfação é enorme. Para Marcel Schmier, só tenho uma coisa a dizer: “nunca critiquei”.

Reprodução/Facebook

Nota: 8,5

Integrantes:

  • Schmier (baixo e vocal)
  • Randy Black (bateria)
  • Damir Eskić (guitarra)
  • Martin Furia (guitarra)

Faixas:

  1. Under The Spell
  2. Diabolical
  3. No Faith In Humanity
  4. Repent Your Sins
  5. Hope Dies Last
  6. The Last of a Dying Breed
  7. State of Apathy
  8. Tormented Soul
  9. Servant of The Beast
  10. The Lonely Wolf
  11. Ghost From The Past
  12. Whorefication
  13. City Baby Attacked By Rats (GBH Cover)

Redigido por Fabio Reis

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