Resenha: Crowne – “Wonderland” (2025)

O dream team do Hard Rock melódico sueco retorna para seu terceiro – e excelente – álbum: Wonderland
No cenário atual do Hard Rock Melódico, o termo “supergrupo” tornou-se uma faca de dois gumes. Se por um lado garante atenção imediata, por outro, carrega o estigma de projetos fabricados, onde o som muitas vezes soa como uma colagem genérica das bandas de origem dos integrantes. O Crowne, no entanto, chega ao seu terceiro álbum de estúdio, Wonderland, provando que a “maldição do terceiro disco” não se aplica a eles. Pelo contrário: este é, possivelmente, o trabalho mais coeso, inspirado e definitivo do quinteto até hoje.
Formado por nomes de peso oriundos do H.E.A.T, The Poodles, Art Nation, Europe e Dynazty, o grupo consegue em 2025 um feito raro: entregar um Hard Rock Melódico moderno que escapa da produção “pasteurizada” e plástica que inunda o mercado. Há vida, suor e uma identidade pulsante aqui.

A Evolução Vocal
O grande diferencial desta nova fase reside na abordagem de Alexander Strandell. Conhecido no Art Nation por explorar o teto de sua tessitura com agudos constantes, em Wonderland ele opta pela sofisticação. Strandell surge mais comedido, focado na região média e na interpretação emocional. Essa “doma” técnica não tirou sua potência; pelo contrário, permitiu que ele soasse diferente de sua banda de origem, conferindo ao Crowne uma assinatura vocal própria e madura, fundamental para a longevidade do projeto.
Destaques do Repertório
O álbum abre com a faixa-título, “Wonderland”, que cumpre o papel de capturar o ouvinte instantaneamente: melódica, pegajosa e vibrante. Mas a verdadeira alquimia do grupo se revela na sequência com “Waiting For You” e “Eye Of The Oracle”. Estas duas faixas são os exemplos perfeitos da proposta da banda: a fusão cirúrgica da estrutura melódica da década de 80 com a roupagem moderna e bombástica de hoje. Os teclados de Jona Tee criam uma atmosfera cinematográfica, enquanto a “cozinha” (baixo de John Levén e bateria de Christian Lundqvist) garante o peso necessário.
O disco sabe variar a temperatura. “Warlords Of The North”, co-escrita com Biff Byford (Saxon), traz uma mudança de ares bem-vinda. Mais cadenciada, pesada e com toques que flertam com o épico e o neoclássico, a música evoca uma mitologia viking que se destaca no tracklist. Já “Legacy” acelera o pulso com flertes de Power Metal, enquanto a balada “Goodbye” oferece o respiro emocional necessário, executada com sensibilidade ímpar.
Vale mencionar “Love Thy Enemy”, cujo destaque absoluto é o refrão desenhado para arenas, mostrando a capacidade de composição do guitarrista Love Magnusson e companhia em criar ganchos instantâneos.

O Veredito
A jornada encerra-se com “The Fall”. A faixa cumpre com sucesso a difícil missão de segurar a atenção do ouvinte até o último segundo de uma audição completa — algo louvável na era do streaming. No entanto, fica uma pequena ressalva: para um álbum tão grandioso, o encerramento poderia ter sido mais bombástico ou épico. A música é excelente, mas o final deixa uma leve sensação de que a cortina fechou rápido demais.
Apesar disso, não há do que reclamar. Wonderland não precisa ser um clássico revolucionário para ser essencial. Ele é um disco que acerta na integridade de sua proposta. Assim, o Crowne prova que está no pico de sua criatividade e energia, entregando um trabalho que se sobressai no gênero. Para quem é fã do estilo, este álbum é, sem dúvida, um prato cheio. Vale mencionar que o álbum pode ser encontrado em lojas brazucas, através da parceria da Frontiers com a Shinigami Records.
Integrantes
- Alexander Strandell (vocais – Art Nation)
- Love Magnusson (guitarra – Dynazty)
- Jona Tee (teclado/guitarra – H.E.A.T, New Horizon)
- John Levén (baixo – Europe)
- Christian Lundqvist (bateria – ex-The Poodles)
Faixas
- Wonderland
- Waiting For You
- Eye Of The Oracle
- Heaven Tonight
- Warlords Of The North
- Timing Is Right
- Goodbye
- Love Thy Enemy
- Legacy
- Hearts Collide
- The Fall
