Resenha: Crazy Lixx – “Street Lethal” (2021)

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Lançado no dia 05 de novembro, “Street Lethal” é o mais novo ataque Hard dos suecos do Crazy Lixx. Dois anos após o excelente “Forever Wild”, o grupo lança mais um disco de inéditas, e sem rodeios, direi que temos aqui um dos melhores discos de Hard Rock/Melodic Hard de 2021. Cá pra nós, isso já era esperado, afinal de contas a banda já havia mostrado através de seus singles o que os fãs poderiam esperar de seu novo trabalho.

Antes de falar do novo petardo, é preciso abrir um parêntese e conhecer um pouco mais sobre o quinteto sueco que já atingiu a maioridade e trazem na bagagem 19 anos de vida. Oriundo de Malmö(Suécia) e formado em 2002, o quinteto deu os primeiros passos cinco anos depois, em 2007 com “Loud Minority”, álbum de estreia que traz uma pegada mais voltada ao Glam Rock. Comparado aos trabalhos recentes e por motivos óbvios, fica evidente que a banda amadureceu em todos os sentidos e isso aconteceu gradualmente álbum após álbum, embora “New Religion”, segundo disco lançado em 2010, pode ser considerado um dos melhores trabalhos (Opinião pessoal).

Voltando a “Street Lethal”: Contendo 11 faixas inéditas, divididas em aproximadamente 45 minutos de duração, o disco é uma excelente pedida aos chamados “saudosistas” (sou um deles), já que aquele Hard Rock de qualidade que ouvimos nos anos 80 dá as caras por aqui.

A primorosa produção ficou a cargo do vocalista Danny Rexon, que nos últimos dois anos mostrou-se apto a nova missão, auxiliado pela mixagem de Tobias Lindell, responsável por trabalhos ao lado de grupos como H.E.A.T, Europe, Hardcore Superstar, etc, formaram a base sólida e precisa para um disco genial que certamente irá agradar aos fãs antigos da banda, bem como os mais novos.

Reprodução/Facebook

Dados atualizados, é hora de mergulhar no maravilhoso mundo do Hard Rock de Danny Rexon(vocais), Chrisse Olsson (guitarras), Jens Lundgren (guitarras), Jens Sjöholm (baixo), Joél Cirera (bateria) e deixar se levar. Vem comigo.

.”Enter The Dojo”: Breve introdução contendo elementos de música oriental em seu início, e alguns sons aparentemente de flauta e harpa, sustentados em seguida por teclados AOR.

.”Rise Above”: Oficialmente a faixa de abertura, contendo todos os atrativos que fazem os fãs de Hard Rock se deliciarem. Ou seja, riffs, solos, vocais perfeitos, backing vocals e melodias daquelas que grudam de imediato. Diria que musicalmente temos um híbrido entre Def Leppard, Motley Crue e Gotthard. De cara, é preciso acionar a tecla “Repeat” de seu aparelho após a última nota musical dessa maravilha, que ganhou um excelente videoclipe.

.”Anthem For America”: Não se preocupe se você não “viveu” nos anos 80. Eles estão representados neste clipe. Maverick vermelho, teen leaders, fogos de artifícios, jaquetas de couro, calças rasgadas, dancinha a la Axl Rose e Brett Michaels e aquela adoração pela América. Referências que caíram muito bem no videoclipe, dono inclusive de excelente produção.

Não por acaso, temos mais uma daquelas músicas alegres, festeiras, refrão feito pra cantar junto, melodia que faz morada em seu cérebro e uma dose maciça de vocais absurdamente perfeitos.

Duvido que este refrão não fique gravado em sua cabeça: “From the West Coast waters to the New York streets / Hear it calling me / For the sons and daughters of the wild and free / Can you feel the beat? / Rock is all you need.”

Destaques para os vocais excepcionais de Rexon. “Anthem for America” é um apelo à ação para a juventude dos Estados Unidos, que parece ter perdido o contato com a música(Rock). É um lembrete irônico de como os Estados Unidos costumavam ser a maior nação do Rock’n’Roll.

Disse o vocalista Danny Rexon:

“Musicalmente, queríamos prestar homenagem ao som, atitude, talento e groove dos grandes hinos do Hair Metal dos anos 80, início dos 90.”

.”Power”: Não seria exagero em dizer que tudo aqui lembra Def Leppard. Desde os vocais, passando pelos backing vocals, melodias, timbre de guitarras e harmonias. Ok, isso pode ser visto como algo negativo? Claro que não! Afinal de contas as tais influências são justamente na fase áurea dos ingleses. Se a intenção era abrir o disco com uma trinca poderosa, então deixemos claro que o objetivo foi alcançado.

.”Reach Out”: As referências a Ted Poley e Danger Danger são latentes, e isso fica claro em toda sua execução. Vocais, refrão, backings e um solo de guitarra onde a impressão é que Bruno Ravel (Danger Danger, The Defiants) é o executor. Em resumo: Mais um momento espetacular e um evidente flerte com o AOR.

.”Final Fury”: Mais uma faixa instrumental, e aqui o quinteto adicionou doses de sintetizadores que contracenam com as guitarras. O resultado é aquela música que flerta com o Synthwave, característico na sonoridade de grupos como como The Night Flight Orchestra, Beast In Black, Dynazty, Exxocet, entre outros. Ouvindo atentamente suas harmonias nos remetemos a “Anthem”, faixa instrumental presente na trilha sonora de Top Gun (O filme).

.”Street Lethal”: Um chute na porta! Esta pode ser a denominação perfeita para a canção que batiza o disco. Sem nenhum aviso prévio somos arremessados em melodias rápidas, pesadas (mais que o normal) e uma certa “agressividade” nos vocais de Rexon. Diferente de tudo que ouvimos até aqui, talvez esta seja a faixa que mais flerta com o Heavy Metal, já que em dado momento a impressão é que estamos ouvindo os riffs de George Lynch na excelente “Kiss Of Death” do magistral “Back For The Attack” do Dokken. Há também um flerte com os finlandeses do Temple Balls.

Reprodução/Divulgação

.”Caught Between The Rock n’ Roll”: Com suas guitarras iniciais soando Mezzo Country, Mezzo Blues, suas melodias trazem influências de nomes como Tesla, principalmente no timbre de guitarras a la Frank Hannon, Tangier e Aldo Nova, embora os vocais a la Joe Elliot estejam lá e os backing vocals não fogem do que faz com maestria o Def Leppard.

“In The Middle Of Nothing”: Já que falei de Def Leppard, eis aqui uma canção que poderia facilmente integrar álbuns como “Hysteria”, “Adrenalize” ou “Euphoria”. Vou dizer apenas que é preciso ter ouvidos bem apurados para perceber que não se trata de Joe Elliot e sua trupe comandando as melodias. Cópia barata, ou clone? Perguntaria os intolerantes de plantão. Não! Definitivamente não se trata de clone ou cópia, já que Dexon e sua turma nunca esconderam em seus trabalhos as nítidas influências do Hard/Glam, feito com qualidade nos anos 80, e aqui não seria diferente. Mas, digamos que fosse de fato uma cópia. Qual o problema nisso?

“One Life, One Goal”: Mais um momento “alegre” do disco em uma canção que além de conter um refrão pegajoso, daqueles que cantamos junto à primeira audição, nos envolve em suas belas melodias. Em suas harmonias, um passeio pela sonoridade de grupos como Trixter, Talisman, Danger Danger e claro, Def Leppard. Ao final, use a tecla “Repeat” sem moderação.

“Thief In The Night”: Sabe aquela música perfeita onde tudo soa absolutamente a favor? Pois é! Por alguns alguns momentos a impressão é que estamos vendo aqueles filmes da Sessão da Tarde onde os mesmos davam evidências de serem “bobinhos”, porém sua trilha sonora era de fato o grande atrativo. Sem dúvidas este é o momento mais “pesado” do disco onde a banda flerta com o Heavy Metal ao adicionarem uma dose extra de peso nas guitarras, promovendo um belo encontro entre o Hard e o Heavy resultando no que classificamos como Hard ‘n Heavy. Na tentativa de explicar melhor o que é “Thief In The Night”, imaginemos um novo grupo, formado por músicos do Bonfire (fase atual), Pretty Maids, Icon, Mad Max e Phantom V, banda de Claus Lessmann, ex vocalista do Bonfire. Pronto! Agora você já tem os parâmetros perfeitos que classificam esta maravilha. Destaques para as linhas sutis e espetaculares de teclados, dando aquele toque especial o qual chamamos de “a cereja do bolo”, fechando de forma brilhante mais um discaço desses suecos espetaculares.

Reprodução/Facebook

Crazy Lixx lançou não apenas um dos melhores discos de sua carreira. Na verdade, o grupo lançou um disco primoroso, que eleva o estilo, garantindo uma vaga nas primeiras posições da lista de “Melhor Disco de Hard 2021”. Mais que um registro indicado aos fãs do estilo, “Street Lethal” é uma verdadeira viagem aos anos 80, época quando o Hard Rock tomou de assalto boa parte da década, disputando espaço com o Heavy Metal e se dando muito bem na disputa. Se você, assim como eu, já passou dos 40, então é certo que irá lembrar do quão era divertido ligar a TV, sintonizar em um desses programas e de deliciar com clipes regados a plumas, paetês, cabelos ao estilo poodles, roupas extravagantes/coloridas e alguns passinhos (e biquinhos) de vocalistas que fizeram a mulherada arranhar azulejos.

Extintos programas como Clip Trip, Realce, Som Pop e Clip Clip abriram as portas para o estilo, mostrando aos amantes da galera “purpurinada” que apesar das caras e bocas, a música estava acima de estereótipos e imagens espalhafatosas/exageradas de alguns grupos. Saudosismo? Não! Apenas o sincero relato sobre uma das melhores épocas da música em geral, em especial do Hard Rock.

Nota 9,5

Integrantes:

  • Danny Rexon (vocal)
  • Chrisse Olsson (guitarra)
  • Jens Lundgren (guitarra)
  • Jens Sjöholm (baixo)
  • Joél Cirera (bateria)

Faixas:

  1. Enter The Dojo
  2. Rise Above
  3. Anthem For America
  4. The Power
  5. Reach Out
  6. Final Fury
  7. Street Lethal
  8. Caught Between The Rock n’ Roll
  9. In the Middle Of Nothing
  10. One Fire – One Goal
  11. Thief In The Night

Redigido por: Geovani “Vince Neil” Vieira

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