Clássicos: U.D.O – “Animal House” (1987)

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RCA

Após o excelente “Russian Roulette“, sétimo álbum oficial de estúdio lançado em setembro de 1986, os alemães do Accept rompiam com seu vocalista Udo Dirkschneider. Evidentemente que tal notícia caiu feito bomba para os fãs que não imaginavam a banda sem sua voz característica e única, bem como não imaginavam que o mesmo rapidamente montasse seu projeto e meses depois retornasse à ativa com seu disco de estreia.

Enquanto seus ex-companheiros buscavam uma nova voz, Udo tratou de montar um time de excelentes músicos e rapidamente (em novembro de 1987) lançou “Animal House”, primeiro disco de sua carreira solo.

Porém, antes de falar da sonoridade e da recepção do referido debut, é importante falar dos rumores acerca do disco. A história narra que o empresário (na época) vendo o desempenho do Hard Rock, sugeriu à banda que gravasse um disco voltado ao estilo e assim eles (banda) conquistariam a América. Ideia essa que não foi aceita pelo vocalista que decidiu sair amigavelmente.

Relatos também dão conta de que houve um acordo entre ele e seus ex-companheiros. O acordo era o seguinte: Udo iria embora, porém a “marca” Accept ficaria com os ex-companheiros que lhe dariam de presente todas as faixas prontas do que seria o novo trabalho do quinteto. Ou seja, “Animal House” seria o sucessor de “Russian Roulette”.

Ouvindo as canções de “Animal House” e posteriormente “Eat The Heat” (novo do Accept), fica claro que o vocalista fez a opção certa, já que “Eat The Heat” foi um verdadeiro tiro no pé (o disco é horroroso) e indiscutivelmente uma das piores coisas que Wolf Hoffmann e sua trupe tiveram a infelicidade de gravar.

Por sua vez, “Animal House” não explodiu como deveria, afinal de contas o público acostumado com o baixinho não percebeu que apesar de não fazer mais parte do Accept, Udo seguia adiante fazendo exatamente a mesma música, sem mudar uma vírgula sequer.

Gravado em outubro de 1987 e produzido pelo renomado Mark Dodson, conhecido por trabalhos ao lado de artistas como Roger Daltrey, Joan Jett, Glenn Tipton, Loverboy, Anthrax, The Almighty, Accept, Metal ChurcH, Judas Priest, entre outros, o disco apresenta aquela sonoridade de outrora calcadas no Heavy Metal e por motivos óbvios, tudo aqui soa exatamente igual ao Accept.

Crédito: photo by Irene Vôgeli

Finalmente, em 03 de novembro de 1987, nascia “Animal House”.

Para a velha guarda de fãs (faço parte dela), este é um dos melhores discos de Heavy Metal daquele ano, bem como um dos melhores trabalhos do baixinho e sua voz de Pato Donald com cólicas.

Contendo 11 faixas inéditas, o disco traz em seu line up: Udo Dirkschneider (vocais), Mathias Dieth (guitarras), Peter Szigeti (guitarras), Frank Rittel (baixo) e Thomas Franke (bateria), quinteto responsável por esta maravilha de curta duração (aproximadamente 43 minutos).

Hora de conferir faixa a faixa esta maravilha em forma de música. Vem comigo.

.”Animal House”: Como em todos os discos lançados pelo Accept, temos aqui uma faixa de abertura exatamente como manda o figurino. Rápida, pesada, totalmente Heavy Metal, vocais rasgados, refrão grudento, riffs e solos de guitarras excepcionais daqueles que chutam nossos tímpanos sem a menor piedade.

Traduzindo: Excelente faixa de abertura.

.”Come Back to Hell”: Tente ficar parado ao ouvir os primeiros acordes desta faixa. Sabe aquela impressão de que Wolf Hoffmann assumiu as guitarras? É exatamente isso que notamos logo em seu início. Dando sequência ao ataque sonoro, temos aqui mais uma música voltada exclusivamente ao Heavy. Trazendo a fórmula perfeita e as harmonias contagiantes de uma canção onde somos obrigados a tocar nossas guitarras “imaginárias”.

:”They Want War”: Se a intenção era abrir com uma trinca perfeita, daquelas que já valeria todo o disco, então é preciso dizer que a missão foi concluída com sucesso. Dona de belas harmonias e refrão pegajoso, mergulhamos em uma canção absurdamente bela. Não bastasse suas harmonias, somos contemplados com um dos solos mais lindos em todo o registro, cortesia da dupla Mathias & Peter, que simplesmente destroi tudo (no melhor sentido da palavra).

Não se trata apenas de uma das melhores do disco, e sim, uma das melhores músicas de toda a carreira de Mr. Udo.

Tente esquecer desse refrão:”They are blind and they can’t fight / They want war / They are blind and they can’t fight / They want war / They are blind and they can’t fight / They want war.”

.”Black Widow”: Em mais um momento Accept, somos nocauteados pelos riffs cortantes de uma música que só eleva a qualidade musical do full lenght.

Crédito: photo by Blog www.tumgir.com

.”In the Darkness”: Se “They Want War” é uma das melhores e mais belas músicas da carreira de Udo, o mesmo poderá ser dito de “In the Darkness”. Com sua introdução belíssima de violões, auxiliadas por linhas sutis de teclados e licks espetaculares de guitarras, mergulhamos em uma canção cuja construção rítmica é perfeita. Não bastasse isso, ouvimos ainda melodias encantadoras e vocais que em seu início nos remete a faixas como “Neon Nights” e “Amamos La Vida”, duas perólas da época em que o baixinho era a voz do Accept.

Mais uma vez, os destaques vão para a dupla Mathias Dieth & Peter Szigeti, responsáveis por um dos solos mais lindos e perfeitos de todo o disco.

Ao final, a tecla “Repeat” deverá ser usada sem moderação.

.”Lay Down The Law”: Hora de colocar o trem nos trilhos e abraçar o Heavy propriamente dito. Em mais uma aula de peso, embarcamos nas melodias pesadas e rápidas, presentes numa música que caso tivesse sido gravada em discos como “Metal Heart”, “Restless and Wild” ou “Russian Roulette”, certamente, teria entrando no hall de “clássicos” do Accept.

Destaques para backing vocals (coros), lembrando canções como “Love Child”, “Metal Heart”, “Don’t Stealing My Soul Away”, “Monsterman”, “Russian Roulette”, “Heaven Is Hell”, entre outras. Destaques também para as linhas monstruosas de contrabaixo à cargo de Frank Rittel. O cara é um a máquina em seu instrumento. Em resumo: Mais um momento espetacular de “Animal House”.

.”We Want It Loud”: Em alguns discos do Accept, ouvimos composições onde o grupo promoveu o encontro entre o Heavy e o Speed Metal, fusão esta que rendeu excelentes faixas e algumas delas, verdadeiros hinos. Caso de “Fast as A Shark” (Restless and Wild), “Losers and Winner” (Balls to The Wall) e “TV War” (Russian Roulette). Seguindo esta linha e principalmente, usando a mesma fórmula das canções supracitadas, “We Want It Loud” faz jus a qualquer uma das canções citadas. Rápida, pesada e unindo o Heavy com o Speed, temos aqui mais um excelente momento de Udo & Cia.

Reprodução

.”Hot Tonight”: Mais um momento “Mamãe eu quero ser Accept” e mais uma faixa rápida, pesada, riffs animais, solos cortantes, vocais rasgados, backing vocals de apoio fazendo um belo trabalho em mais uma faixa trazendo o DNA do Heavy Metal em sua essência.

.”Warrior”: Tente me dizer que as harmonias das guitarras iniciais não são idênticas ao que ouvimos em “Neon Nights”, e eu vou dizer que não acredito. Independente das similaridades de suas harmonias, o que importa de fato é a qualidade musical, e não por acaso temos de sobra por aqui em mais uma excelente e empolgante faixa.

.”Coming Home”: Não fosse “Warrior” com suas melodias cadenciadas, teríamos uma trinca matadoras, daquelas onde ao final o pescoço certamente iria precisar de um colete de gesso, já que “We Want It Loud”, “Hot Tonight” e “Coming Home” são as grandes responsáveis e representantes do estilo Heavy/Speed, feito com maestria por Udo em seus tempos de Accept, e aqui não seria diferente.

.”Run For Cover”: Fazendo uma fusão entre o Heavy e o Hard, ela é uma música difícil de classificar, já que a junção dos estilos estão presentes em toda sua concepção e construção rítmica.

Abraçando os dois subgêneros supracitados, ouvimos nos riffs iniciais de guitarras similaridades com as mesma linhas de guitarras do álbum “Pyromania” dos ingleses do Def Leppard, embora sua marcação e especialmente seus refrão estejam calcados mais no Heavy que é a base principal de todo o trabalho.

Em resumo: Uma faixa complicada de se explicar, porém uma boa escolha para fechar o full lenght.

Apesar do sua qualidade musical e composições que talvez tivessem entrado na lista de futuros clássicos, caso tivesse sido gravado pelo Accept, “Animal House” consegue ser um trabalho primoroso, voltado ao Heavy tradicional propriamente dito que marca o recomeço em alto estilo de Udo Dirkschneider.

Créditos: Rich Fuscia

Algumas observações acerca do disco:

*”Animal House” atingiu a 41a posição nas paradas de sucesso da Suécia e a 45a posição na Alemanha.

*Antes de se juntar ao UDO, o guitarrista Peter Szigeti e o baixista Frank Rittel integraram efetivamente o Warlock, banda alemã de Heavy Metal capitaneada pela belíssima Doro Pesch.

*Apesar de pouco veiculado nos programas televisivos da época, “They Want War” foi o single de maior divulgação, trazendo a participação especial do Pulheim Kinder- und Jugendchor (Coral infanto-juvenil de Pulheim) nas parte de backing vocals.

*Em alguns lançamentos do álbum, uma foto da banda da turnê, incluindo Dieter Rubach e Andy Susemihl, foi mostrada no encarte, porém a capa traz exatamente a formação que gravou o álbum. A turnê de divulgação começou no início de 1988, onde tocaram ao lado de nomes como Guns N ‘Roses, Lita Ford e Zodiac Mindwarp. Em 1989, foram a banda de abertura de Ozzy Osbourne em todas as datas europeias da turnê do Madman.

*Em 2013, o disco ganhou versão comemorativa de aniversário. Em sua nova versão, foram adicionadas cinco faixas bônus.

Faixas:

  • 1.Animal House
  • 2.Go Back to Hell
  • 3.They Want War
  • 4.Black Widow
  • 5.In The Darkness
  • 6.Lay Down Tthe Law
  • 7.We Want It Loud
  • 8.Hot Tonight
  • 9.Warrior
  • 10.Coming Home
  • 11.Run for Cover

Anniversary Edition Bonus Tracks (2013)

  • 12.Animal House (Live)
  • 13.They Want War (Live)
  • 14.In The Darkness (Live)
  • 15.They Want War (Video)
  • 16.Go Back to Hell (Live video)

Integrantes:

  • Udo Dirkschneider (vocal)
  • Peter Szigeti (guitarra)
  • Mathias Dieth (guitarra)
  • Frank Rittel (baixo)
  • Thomas Franke (bateria)

Redigido por: Geovani “Banda Beijo” Vieira

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