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Resenha: Alkonost – “Ведомые Ветром / Vedomye Vetrom” (2021)

Gravadora: Independente

Você de cara deve estar se perguntando sobre o nome disco, mas, calma aí que já te conto sobre ele. O que posso lhe adiantar agora é que o nome do álbum descrito está com a pronúncia correta após a barra para entender melhor o dialeto eslavo. Sim, é uma banda da Rússia, mais precisamente de Naberezhnye Chelny (Набережные Челны) que fica na República do Tartaristão, traduzido para o português. Lugar este muito aconchegante e cheio de mentes criativas. Se eu já fui lá? Quem sabe… O que mais posso dizer sobre a Mãe Rússia é que esse país é uma super mãe de verdade quando o assunto é música de qualidade. E dentro do Heavy Metal com suas consagradas vertentes, ainda temos espaço para os heroicos bardos do Folk, do Pagan e do Viking Metal. Neste caso, ficaremos somente com o Folk que é o território na qual melhor se encaixa a sonoridade do Alkonost. Aproveitando o momento em que o mundo vive atualmente, muitos buscam refúgio através de suas lembranças e tradições tanto de suas próprias famílias como da região onde nasceram, cresceram e estão a lutar nos dias de hoje pela vida. É sobre este sopro que o Alkonost vem a entregar sua mensagem em forma de canção para que possamos apreciar e aprender sobre outros cantos de um planeta que ao mesmo tempo em que possui tudo tão perto, parece que está tudo cada vez mais distante. Quanto à história deste conglomerado russo, a banda começou no segundo semestre de 1995 através de Andrey Losev que decidiu iniciar seu próprio projeto através de sua atenção que foi atraída para a música medieval e melodias folclóricas locais. Um ano se passou e em agosto de 1996 era declarado o início do Alkonost. Perto de completar 25 anos de serviços prestados a banda passou por muitas mudanças de formação, mas seu som e sua atmosfera permaneceram, mantendo a chama de suas origens sempre acesa. Agora sim posso matar a sua curiosidade ao dizer que o nome do álbum significa: “Guided By The Wind”.

   

O álbum guiado pelo vento discorre seus textos sonoros em que descreve sobre as pessoas que acreditam em magia, algo que possa mudar o panorama como uma espécie de milagre. Dependendo de quem se utiliza de tal artifício pode acontecer alguma bondade ou uma catástrofe sem precedentes. A magia pode ser temida evitando uma mulher estranha na porta ao lado, que se diz ser uma bruxa. Pode ser sua esperança quando não há mais nada pelo que esperar. Você pode não acreditar nisso, apenas ouvindo alguns contos de fogueira. E você pode enfrentá-lo onde não esperava. Conforme dito no começo do parágrafo, desde os tempos antigos, as pessoas acreditam em magia. Um poder secreto que pode criar um milagre, mudar a ordem normal das coisas em um momento. Isso pode salvar da morte iminente ou, por outro lado, destruir alguém que inadvertidamente trouxe sobre si o mau-olhado de uma feiticeira ou desagradou os espíritos. Esta mesma magia pode se tornar uma força extra e descomunal evitando um homem que queira lhe fazer mal. Pode ser sua esperança ao tentar virar uma situação amplamente desfavorável. Você pode não crer exatamente nisso, apenas se baseando em ditados de origem “desconhecida” ou tirinhas de jornal. E você pode estudá-lo de melhor forma para entender de maneira mais ampla sobre o significado do que vem a ser magia. Desde as primeiras eras, pessoas entendem que a magia vive em uma palavra e uma palavra vive no ar. O vento carrega pela terra os contos que passam de boca em boca e ensina as pessoas, e as adverte contra ações precipitadas. O vento leva para longe os sons do hino, chamando para levantar as espadas e escudos para o massacre, e, consequentemente para outros mais. O vento pega um feitiço como uma fita em uma trança, para que a natureza responda, ajudando quem respira em uníssono com ela. O vento carrega para a escuridão da masmorra a letra de uma canção cantada pelo bardo errante, que acende a esperança na alma do prisioneiro. O que o faz acreditar que ele é mais forte do que as circunstâncias, e possa mudar o curso de cada situação se tornando o verdadeiro ele, tomando seu destino em suas próprias mãos. O álbum é sobre aqueles que ousaram confiar no vento, acreditando no seu poder secreto – a magia derramada no ar. Sobre quem conhece em primeira mão o que é o poder da palavra e o que é a palavra de poder. A obra contará como o vento enche a vela de um navio mal orientado e o conduz para fora da névoa para a luz salvadora de um farol. E como uma palavra pode conduzir e mudar o destino de uma pessoa, acendendo as chamas do coração da mesma forma que o vento sopra o fogo. E também sobre o que acontece se você não ouvir as palavras sábias e for contra o vento. Por exemplo, se você atravessar o rio a nado após o pôr do sol na véspera de uma longa noite, negligencie o conselho do vidente ou ofenda aqueles que estão protegidos por um feitiço.

“Там, где живут ветра” (Tam, gde zhivut vetra)

Lançado no dia 21 de janeiro de 2021 de forma independente, “Vedomye Vetrom” é o tipo de álbum que traz todas as características de um trabalho voltado para a cultura e os costumes locais referentes ao território de origem dos ritos folclóricos escolhidos para a construção da obra, e também de acordo com os temas oferecidos pela banda. O álbum foi gravado no Stone Flower Studio e também no The Amplogia Studio. Quem cuidou da parte de mixagem e masterização foi o baixista Victor Buznaev (Виктор Бузнаев), enquanto a gravação de bateria ficou a cargo de Ravil Nizametdinov (Равиль Низаметдинов). O design é assinado por Darius Alas e as fotos feitas por Edaliana Rennenkampf (Эдалиана Ренненкампф). Entre as participações destaca-se a presença do guitarrista e vocalista Petri Lindroos (Ensiferum), que empresta sua voz para a música “Bird” e além do finlandês, a canção conta com os arranjos de bateria de Fedor Borovsky (Фёдор Боровский), que está à frente das bandas Goot (teclado), Second To Sun (bateria), Serpent Sermon (bateria) e The Lust (teclado). Sobre o significado de Alkonost (Алконост), é a deusa da terra dos mortos na mitologia eslava. Ela é retratada como metade mulher e metade pássaro. Isso combina perfeitamente com o tema abordado nesse mais novo full length do quinteto “chelnyense”. O álbum conta a participação de três backing vocals, sendo eles: Maxim Shtanke (Максим Штанке), mais conhecido como Max Pain, e pelos seus trabalhos nas bandas Black October (guitarra e vocal), Corrupted Grave (guitarra e vocal), entre outros projetos menores; Margarita Petrovskaya (Маргарита Петровская) entrou na banda em 2020 e contribuiu com arranjos de piano no single e teclado no penúltimo álbum, “Piano Version”, e desta vez utilizando a sua voz para as canções de “Vedomye Vetrom”; e Alexey Kovalenko (Алексей Коваленко) com seu primeiro registro junto ao Alkonost. Todo esse mapa repleto de figuras importantes foi comandado no bom sentido da palavra por Andrey Losev, líder e guitarrista solo da banda que cuidou da parte de concepção musical e arranjos. Colocada em primeiro plano a lista dos ícones necessários para a elaboração e construção de “Vedomye Vetrom”, vamos adentrar nesse mundo de ventania repleto de magia.

“Лента на ветру” (Lenta na vetru)

Os ponteiros do relógio ao horizonte anunciam o levante da espada em busca da vitória através do “Hino Ao Vento” que introduz o ouvinte a essa aventura sonora que percorre os quatro elementos principais de toda a existência para que cheguem energizados para a sequência do percurso logo após a primeira introdução no formato de um hino bravo que faz o coração do cavaleiro pulsar forte. O bardo errante caminha de encontro ao local indicado para descobrir “Onde Vivem Os Ventos” que permeiam toda essa paisagem contornada por montanhas brancas, consagrada e misteriosa através de acalorada por melodias incandescentes e levadas cativantes. Como um laço preso ao cabelo, a “Fita Ao Vento” guia os seres terrenos ao que podemos chamar de sentido da vida. Tal canção excepcional me fez lembrar o clássico do cinema “Ghostbusters” graças aos seus acordes que remetem à trilha famosa da franquia (música de Ray Parker Jr.). Uma “Longa Noite” é o momento ideal para você testar sua força espiritual e nadar contra a maré até que chegue ao seu destino escolhido. Muitas camadas sonoras que acendem a chama do Heavy, do Doom e do Folk complementam toda a jornada, fazendo espairecer em meio a tanto mistério por trás de toda essa magia coroada com todo o espairecer misterioso de uma joia rara. “Velejar” para o horizonte em busca de seus objetivos é uma travessia muito desafiadora que demonstra coragem e vocação para essa viagem após içar as velas e direcionar o mastro rumo às primeiras notas que recebem a companhia das orquestrações breves ao fundo instantes depois de desancorar a embarcação. O balanço do mar dita o ritmo que apresenta mais desafiador com o andar do navio. Pelas águas mortas de um mar revolto encontra-se uma proa danificada que está flutuando na superfície. Você está na popa e sente o nevoeiro como se fosse uma parede fria. A espada está à mão após um descanso noturno sem silenciar… O engano é propício para o momento desejado. Está sem forçar para remar e não quer saber de nada nem se lembrar do que aconteceu. Sem forças para procurar a costa na escuridão, sua espada de damasco está quebrada. O céu não pode ser quebrado nem o mar pode ser destruído, mas você conhece o caminho do vento que toca a superfície. À espera pelo amanhecer dourado, a pior batalha possível acontece e você sente esse vento que o guia para o horizonte de eventos que te fazem engrandecer perante as causas mundanas.

“Парус” (Parus)

“Ведьма” (Ворония cover) / Vedma (Voronia cover)

Assim como o “Guerreiro Da Palavra”, o vento guia o teu ser de encontro à sua história para que este mesmo seja divino por seus passos entre os campos verdejantes na primavera e congelantes no inverno. Riffs com mais peso e uma linha de bateria mais firme e constante, somado aos arranjos e vocais adicionais imprescindíveis, acompanham cada passo do nobre guerreiro que seguirá rumo ao encontro da “Bruxa” (Voronia cover) para selar o seu caminho diante de algo que possa ser mal, mas que também pode ajudar de alguma forma, sendo passado todo o clima desse encontro desafiador sob a batuta de guitarras sombrias e melódicas apoiadas por teclados exaltadores de puro encanto em prol da palavra mágica e de solos condizentes com o compasso. Em alguns momentos é fácil de notar certa influência vocálica da Masha da super e compatriota banda Arkona (Аркона). Cedo ou tarde a “Profecia” é revelada e você deve estar preparado para encarar de pé sem medo de errar ao buscar seu aprendizado constante junto aos acordes desferidos como ferreiro ao forjar a espada do guerreiro da Mãe Terra que remetem ao Tristania em sua melhor fase. Contribuição incrível de Rimma Bakhteeva (Римма Бахтеева ) tanto em “múzga” quanto em letra. A “Canção De Poder” oferece ao destemido aventureiro o diferencial sobre o poder e ter poder. Seja quem você pretende ser. Um momento, um dia, um fio de toda a vida. Escrita por Ilya Lopatkin (Илья Лопаткин) e Marina Budyanskaya (Марина Будянская), é o verdadeiro chamado tanto para o combate como também para entender a razão de todo esse caminho que terá de percorrer e vivenciar. Possui seus momentos radiofônicos, porém, muito bem inseridos junto ao contexto da mesma. Os teclados possuem um toque de Nightwish em seus tempos áureos. “Bird” é com toda certeza a faixa mais pesada do disco, aproveitando muito dos vocais rasgados de Petri Lindroos, que reforçam todas as vozes que comandam o exército sonoro chamado Alkonost. Andrey Losev consegue transitar muito bem por campos folclóricos mais tradicionais e mergulhar no Heavy Metal sem tornar as camadas sonoras com aquelas emendas costumeiras de bandas que aparentam pausar o som para mudar o clima da canção. “Bird” foi o principal single que viria a fazer parte do novo álbum e foi lançado no dia 11 de dezembro de 2020, servindo de grande aperitivo para o que estava por vir em meio a esses ventos que viriam a balançar as folhas brilhantes pelos raios solares.

“Пророчество” (Prorochestvo)

E o que dizer da vocalista Ksenia Pobuzhanskaya? Em todos os momentos ela brilha tanto nas partes mais variantes quanto nos trechos mais sólidos. Sempre com todo seu charme e carisma entoado por sua voz. Os vocais de apoio funcionam muito bem e tornam cada pedaço dessa obra um momento bastante especial. Podemos dizer que foram guiados pelos bons ventos e souberam aproveitar a bonança do mar recheado de peixes para uma pescaria de sucesso e alimentação de seu povo comemorada com louvor. Esse tipo de som não costuma tornar as linhas de baixo de modo a serem lembradas com facilidade, mas Rustem Shagitov consegue tirar proveito até em terrenos considerados não muito comuns para um bom baixo. Nikolay Kopachev (Николай Копачёв) contribuiu com arranjos de bateria para o disco e se muitos podem achar um mero detalhe, creio que álbuns nesses moldes realmente necessitam desses toques a mais para que se consolidem e possam propagar a mensagem com mais clareza. Eu até poderia citar essa ou aquela música como maior destaque do álbum, mas durante as audições eu troquei minhas faixas favoritas uma porção de vezes. Portanto, digo que se trata de um álbum em que há cada momento pode te surpreender e fazer com que você goste mais daquela faixa que você não achou tão legal do que a que foi colocada em primeiro plano.

“Bird” feat. Petri Lindroos (Ensiferum)

Ravil Nizametdinov parece ser o baterista ideal para controlar cada andamento de cada canção executada sem que haja aquela sensação já citada e que também pode ser taxada como pulo ao trazer algo que se pareça como uma junção forçada entre linhas mais extremas com linhas mais melódicas. E em “Vedomye Vetrom” isso passa completamente despercebido devido à atenção com relação às climatizações de cada faixa, sendo que a ordem do set do disco ficou esplêndida. Do “Hino Ao Vento” a “Profecia” tudo se mantém em um nível comparável à altura do Everest. As melodias, solos e riffs sob cortesia de Andrey Losev colocam o novo disco do Alkonost em um patamar alcançado por Týr, Eluveitie e o próprio Ensiferum como exemplo de grandes bandas com excelentes trabalhos. Ainda tendo o grande apoio do também guitarrista Pavel Kosolapov e o próprio Rustem Shagitov que arrisca umas belas notas na guitarra mesmo tendo o baixo como seu principal instrumento neste recente full length. O álbum ainda conta com a participação da também letrista Mare Mirkie (Маре Мирки). Sobre a faixa “Bird”, que vem a ser a faixa mais pesada do disco, não quer dizer que não há peso nas outras canções. Há muitas e excelentes linhas de guitarra que contrapõem as melodias folclóricas, aproveitada de forma muito decente pelos brasileiros do Tuatha De Danann em seu mais recente trabalho que, inclusive, foi resenhado por este que toma conta da pena com nanquim digital neste instante. “In Nomine Éireann” de 2020 é considerado o álbum mais pesado da carreira dos caras. Quanto ao Alkonost, este já é o melhor trabalho da banda dos quais contém as melhores linhas de guitarra. Isso não quer dizer que os outros álbuns sejam descartáveis, apenas notamos a evolução da banda e com um line up mais sólido as coisas tendem a fluir de melhor forma. Um dos problemas enfrentados pelos russos sempre foi o de muitas mudanças de integrantes. Agora que estão com a formação que se apresenta como sendo a melhor de todas, é momento de manter a chama acesa e seguir lançando mais álbuns de qualidade como este.

“Vedomye Vetrom” (do original Ведомые Ветром) é o décimo álbum do Alkonost e de forma magistral conseguiram alcançar o ponto mais alto e criativo da carreira, assim como o pássaro do vento que alcança os picos dos mais altos montes, a banda vive grande fase. Coube ao dono do tinteiro virtual discorrer sobre o disco e reconhecer que mais uma banda está com todo o potencial para angariar e conquistar mais e mais fãs ao redor do mundo. Através das embarcações guiadas pelos ventos do alvorecer os integrantes trabalharam firme para que o álbum fosse coeso e equilibrado do início ao fim, mas para não terminar este papiro sem exaltar um som em específico, citarei três canções que realmente fazem deste álbum um dos grandes trabalhos do ano vigente. “Там, где живут ветра”, que combina perfeitamente com sua introdução; “Долгая ночь” e seu clima transcendente que te faz percorrer dimensões ao tempo de um piscar de olhos; e “Воин слова” com riffs bem atraentes e vocais de apoio que somam à voz principal para que a canção se eleve ainda mais. Até poderia citar mais canções, pois realmente o álbum é qualificado a ponto disso. Verás pela nota obtida o tamanho da importância desse disco ao cenário atual. E nem precisei escolher o single “Bird” para isso, mesmo sabendo que se trata de uma grande faixa também. Se você aprecia um belo Folk Metal com forte influência de outras vertentes do Metal, aprecie sem a menor moderação como se fosse uma paisagem perfeita onde desejaria estar. E para quem não é adepto de tais ramificações, experimente esse novo chá e garanto que irá apreciar o dom da talentosa Ksenia.

“Cante novamente
Estava de uma maneira nova
E voe como uma flecha
Para o céu – para o pôr do sol
Gaste
Através do fogo e do gelo
O caminho da seta! Voe
Em direção ao sol – ao nascer do sol”

Nota: 9,4

Integrantes:

  • Ксения Побужанская / Ksenia Pobuzhanskaya (vocal)
  • Андрей Лосев / Andrey Losev (guitarra solo)
  • Рустем Шагитов / Rustem Shagitov (baixo, guitarra)
  • Павел Косолапов / Pavel Kosolapov (guitarra)
  • Равиль Низаметдинов / Ravil Nizametdinov (bateria)

Faixas:

  • 1. Интро (Гимн Ветру) / Intro (Gimn Vetru)
  • 2. Там, где живут ветра / Tam, gde zhivut vetra
  • 3. Лента на ветру / Lenta na vetru
  • 4. Долгая ночь / Dolgaya noch
  • 5. Парус / Parus
  • 6. Воин слова / Voin slova
  • 7. Ведьма (Ворония cover) / Vedma (Voronia cover)
  • 8. Пророчество / Prorochestvo
  • 9. Песня силы / Pesnya sily
  • 10. Bird feat. Petri Lindroos (Ensiferum)

Redigido por: Stephan Giuliano

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