Resenha: Adarrak – “Ex Oriente Lux” (2021)

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Gravadoras: Blood Blast Distribution e Satanath Records

Uma das novidades do Death Metal em 2021 é o Adarrak, banda que vem de Singapura, pequeno país do sudeste asiático. Eles lançarão seu debut “Ex Oriente Lux”, no dia 27 de maio, pelos selos Blood Blast Distribution e Satanath Records.

Ouvir o óbvio que se espera em um subgênero de Metal é bom demais, porém ouvir algo que fuja do óbvio e impressione é ainda melhor. A sonoridade Death Metal do Adarrak reúne vários elementos que constroem um resultado musical rico e variado de diferentes ingredientes. O vocalista Gustavo Valderrama alterna guturais com vocais limpos em suas interpretações. Isso não é algo inédito, porém ele o faz de uma forma muita particular e agradável, sem que a música perca o seu peso. O guitarrista Emmanuel George Bi é virtuoso e tem feeling de sobra. Seus riffs são tão fantásticos quanto seus solos. Sequer fui capaz de eleger o mais lindo deles. O baixista Zigor Munoz não fica atrás, pois executa arranjos de baixo que surpreendem por seu nível técnico elevado e sua beleza. Haveria alguma possibilidade de todas essas características não resultarem em um bom disco? Claro que não.

Como eu costumo dizer, muitas vezes, em resenhas de álbuns extremos, o tema ”Final Ethos Demise” abre o registro metendo a voadora na porta e, feito um rolo compressor, passando por cima de tudo o que encontra pela frente. Valderrama ainda não alterna os seus vocais nessa faixa de abertura, mostrando apenas a qualidade de seu gutural. Emmanuel esmerilha sua guitarra desde o princípio. Em ”Into the Abyss”, que conta com a participação do guitarrista Nicholas Chang em um dos solos, a voz inicia limpa para depois virem os guturais. Essa música mescla sua pegada Death com uma fatia agradável de Groove Metal em alguns momentos. Quando começo a ouvir a introdução de “Mettle”, tenho a impressão que será Heavy tradicional ou Power Metal, mas logo o acelerador funciona e a veia Death Metal reassume o comando. As vozes seguem na alternância de extremos, se existisse o subgênero Power/Death, essa canção seria um excelente exemplo.

A pancadaria sonora “Bereft”, que foi single, conta com a participação pra lá de especial do mítico guitarrista Marty Friedman (ex-Megadeth). Simplesmente, a química funcionou e essa é uma das melhores músicas de 2021, pois ela reúne com perfeição os elementos, peso, melodia, técnica e criatividade. Os guturais de Gustavo soam bem melódicos, o que é bem raro para vocais desse estilo. Dá para contar nos dedos os vocalistas que conseguem transmitir melodia através de vozes guturais. A pegada Death Metal de “Bereft” é, maravilhosamente, brutal, insana e visceral, concomitantemente, sua melodia é viciante. Quer entender melhor o que estou dizendo? Só através da audição isso será possível. Bom, quanto ao esperado solo de Marty Friedman, ele é tão divino como quase todos gravados por ele até hoje. Dá pra imaginar como é? Mate sua curiosidade e escute. Valerá cada segundo de seu precioso tempo.

“Bereft”:

“Withering”, a qual também foi single do debut, introduz com um solo de guitarra emocionante de Emmanuel George Bi, daqueles que fazem adulto chorar como criança. Essa canção é mais cadenciada durante quase dois minutos e depois acelera com variação entre guturais graves e berrados. Seu solo principal reescreve a elegância do solo do começo. “Through the Fabric Of Time”, que é mais um single adiantado pela banda, começa com riffs mais sombrios e que pegam na veia. Ao lado da faixa de abertura, ela é a canção mais Death Metal do full lenght. Nem alguns trechos de vocal limpo conseguem amenizar o seu peso. Os três singles foram muito bem eleitos pelo Adarrak. Três músicas impecáveis.

“Withering”:

“Through The Fabric Of Time”:

Quando eu penso que as surpresas haviam parado, “Beneath the Vault of the World” trás um misto entre Death e Progressive Metal ou Prog / Death Metal, se preferem assim. Esse ingrediente a mais deixou a receita ainda mais elogiável. Como diria meu amigo Gigio Vieira, não tem como não “arranhar azulejos” por esse disco. A cada solo que ouço, o conceito de Emmanuel como guitarrista sobe para mim. Ele é um monstro das seis cordas que acabo de descobrir. O tema instrumental “Fire Will Cleanse” encerra o primeiro capítulo da história do Adarrak, que eu, sinceramente, espero que sejam muitos. Essa canção destaca ainda mais a pegada Prog de sua antecessora, ademais, ela tem com a participação do guitarrista Edmund “Ed Quekstein” Quek, enriquecendo a sua já imensa musicalidade. Noto que estou diante de uma obra de arte e uma banda que se mostrou além de promissora. Aguardarei, ansiosamente, por outros episódios do que eu torço que seja uma série tão perfeita quanto é o início de sua temporada.

Aprovado, com louvores, e indicado para fãs de Metal em geral e boa música. Vale a pena essa jornada musical. Vale cada milésimo de segundo. Parabéns aos membros do Adarrak , pelo perfeito primeiro passo de sua longa estrada.

Nota: 9,4

Integrantes:

  • Emmanuel George Bi (guitarra)
  • Gustavo Valderrama (vocal)
  • Zigor Munoz (baixo)

Músicos convidados:

  • Robin Stone (bateria)
  • Nicholas Chang (solo em “Into The Abyss”)
  • Marty Friedman (solo em “Bereft”)
  • Edmund “Ed Quekstein” Quek (solo em “Fire Will Cleanse”)

Faixas:

  • 1.Final Ethos Demise
  • 2.Into the Abyss
  • 3.Mettle
  • 4.Bereft**
  • 5.Withering
  • 6.Through the Fabric of Time
  • 7.Beneath the Vault of the World
  • 8.Fire Will Cleanse (Instrumental)***

Redigido por Cristiano “Big Head” Ruiz

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