Raven prepara novo álbum e detalha processo de composição e desafios do mercado atual

A veterana banda da New Wave Of British Heavy Metal, Raven, já trabalha intensamente em seu próximo álbum de estúdio. Em entrevista recente aos correspondentes do Metal Mayhem ROC, Southern Cal e Bill The Rager, o baixista e vocalista John Gallagher revelou não apenas detalhes sobre o novo material, mas também mostrou uma visão bastante lúcida sobre o cenário atual da música pesada.
Logo de início, o músico deixou claro que o grupo acumula uma quantidade considerável de composições. Segundo ele, muitas dessas ideias surgiram inclusive antes de seu problema de saúde — uma hemorragia cerebral que exigiu cirurgia em agosto de 2025 —, o que acabou criando um verdadeiro arquivo de músicas a serem revisadas.
A arte de montar um álbum coeso
Ao revisitar esse material, John Gallagher explica que o processo vai muito além de simplesmente escolher boas músicas. Para ele, a montagem do tracklist é essencial para garantir impacto e fluidez na audição.
“Temos muitas músicas. Temos um acervo muito, muito grande de músicas. Muitas delas foram escritas antes de eu sofrer o acidente […] Então eu tenho uma perspectiva perfeita ao ouvir de novo muito desse material, e é tipo: ‘Uau, isso é realmente legal. Eu gosto disso.’”
A partir daí, entra um trabalho quase cirúrgico: decidir qual faixa abre o disco, qual mantém o ritmo e qual encerra com força. O músico comenta que a banda busca equilibrar momentos mais épicos com faixas diretas e energéticas, assim criando uma dinâmica que prenda a atenção do ouvinte do começo ao fim.
Ele também destaca a importância de não exagerar na duração. Em vez de álbuns longos, o Raven prefere algo mais direto:
“Nós gostamos do conceito de 10, 11 músicas, 40 minutos. Você não se estende demais. A atenção das pessoas já é limitada para começar.”
A inspiração vem de clássicos como o primeiro álbum do Montrose e o debut do Van Halen, discos que, mesmo curtos, entregam impacto imediato e uma narrativa bem construída.
Do vinil ao streaming: mudanças no consumo
Na sequência, John Gallagher amplia a discussão e analisa como o mercado musical mudou drasticamente desde os anos 1980. Se antes a grande vantagem das grandes gravadoras era a distribuição física, hoje esse cenário praticamente desapareceu.
“Naquela época havia lugares para distribuir. Hoje em dia, nem tanto. Você está falando de lojas especializadas, pequenas e independentes.”
Ele cita exemplos como Walmart e FYE, que já não funcionam como canais relevantes para novos lançamentos. Em vez disso, o foco atual recai sobre vendas diretas, especialmente durante shows.
Apesar das mudanças, o Raven ainda observa uma forte demanda por mídia física — especialmente entre colecionadores. Segundo Gallagher, muitos fãs compram tanto o CD quanto o vinil, mesmo que utilizem apenas um deles para ouvir.
“Temos colecionadores que aparecem e compram quatro cópias de tudo. É meio loucura.”
Mais do que consumo, trata-se de uma experiência. O músico destaca o prazer de sentar, ouvir o álbum com atenção e explorar cada detalhe do encarte — desde letras até créditos de produção.
Esse comportamento, segundo ele, não é novidade:
“Isso está no nosso DNA. Vem de muito tempo atrás.”
Expectativas para o novo trabalho
Embora o título e a data de lançamento do novo álbum ainda não tenham sido divulgados, o material promete seguir a linha clássica da banda, equilibrando energia crua e organização cuidadosa. Vale lembrar que o lançamento mais recente do grupo foi o EP Can’t Take Away The Fire, lançado em 2025 pela Silver Lining Music.
Com uma carreira que ajudou a moldar o Speed Metal e o Power Metal, além de turnês históricas ao lado de nomes como Metallica e Anthrax, o Raven segue ativo, criativo e plenamente consciente de seu papel — tanto no passado quanto no presente da música pesada.